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Sempre haverá riscos e tensão internacional | Independente desses riscos, o investidor de longo prazo precisa de alocação global

Embora o cen√°rio geopol√≠tico global apresente nuvens carregadas, elas n√£o devem influenciar a tomada de decis√Ķes dos investidores de longo prazo com apetite por ativos internacionais. ‚ÄúCoronav√≠rus, elei√ß√Ķes nos EUA, Ir√£, guerra comercial entre EUA e China, sempre haver√° alguma coisa a preocupar, mas √© essencial que investidores de longo prazo, como os fundos de pens√£o, mantenham um percentual alocado em a√ß√Ķes globais, sejam ativos escolhidos pela pr√≥pria entidade, seja uma sele√ß√£o feita por gestores em mandatos mais completos‚ÄĚ, observa o s√≥cio fundador da M Square, Arthur Mizne.
Mizne v√™ um paralelo entre o atual momento de aloca√ß√£o global no Brasil e o que ocorreu nos EUA nos anos 1990. ‚ÄúEra muito parecido com o nosso caso, eles tinham pouco investimento em outros pa√≠ses. Hoje, os fundos de pens√£o americanos alocam entre 25% e 50% de seu patrim√īnio no exterior, o que demonstra que, apesar de terem um poderoso e variado mercado dom√©stico de gest√£o de ativos, enxergam a for√ßa da diversifica√ß√£o internacional‚ÄĚ.
Focada em exterior, a M Square tem R$ 5 bilh√Ķes sob gest√£o e, desde o advento da 4.661, j√° criou um fundo exclusivo e tem outro no pipeline. A filosofia √© de longo prazo e, √† exce√ß√£o da China, a op√ß√£o foi por deixar os emergentes de lado. Seus fundos de a√ß√Ķes s√£o fundamentalistas e analisam as empresas com uma vis√£o voltada para aquelas que t√™m atua√ß√£o global, n√£o importando se est√£o baseadas nos EUA ou na Europa. J√° em renda fixa, Mizne explica que a prefer√™ncia recai sobre o mercado dos EUA. ‚ÄúEm primeiro lugar porque o d√≥lar √© a nossa moeda de refer√™ncia mas tamb√©m porque os EUA t√™m a melhor jurisprud√™ncia e o melhor arcabou√ßo para enfrentar eventuais casos de default‚ÄĚ.
Com oito a nove fundos investidos, a tend√™ncia √© de que a M Square aumente esse n√ļmero. ‚ÄúH√° 15 anos vamos ao mercado global buscar os melhores gestores, esse √© um trabalho constante para encontrar os especialistas. N√£o esperamos que eles venham ao Brasil, √© preciso ir atr√°s‚ÄĚ, diz a CEO, Luciana Barreto.

Outra gestora que nota o aumento do interesse dos fundos de pens√£o brasileiros por aloca√ß√£o no exterior √© a Pimco, que tinha, em dezembro do ano passado, R$ 2,86 bilh√Ķes em ativos sob gest√£o em feeders no Brasil, dos quais R$ 2,72 bilh√Ķes em fundos que s√£o aderentes a Res. 4661. ‚ÄúNotamos um aumento na demanda, seja atrav√©s dos produtos que j√° disponibilizamos no Brasil, seja atrav√©s de processos de Request for Information (RFI) e Request for Proposals (RFP) para solu√ß√Ķes customizadas‚ÄĚ, diz o respons√°vel pela gestora no Brasil, Lu√≠s Ot√°vio Oliveira.
Segundo ele, a demanda est√° relacionada √†s baixas taxas de juros no Brasil e √† necessidade de diversifica√ß√£o. ‚ÄúTemos gerido recursos em ambientes de juros pr√≥ximos a zero (e, mais recentemente, negativos) h√° mais de uma d√©cada. Estamos em conversas avan√ßadas com algumas funda√ß√Ķes‚ÄĚ, afirma Oliveira. ‚ÄúOs investidores institucionais brasileiros est√£o cada vez mais sofisticados e est√£o evoluindo muito rapidamente no que tange a benchmarks e estrat√©gias.‚ÄĚ

Para o gestor de fundos de fundos da BNP Paribas Asset Management, Tiago Cesar, o tema de investimentos no exterior √© cada vez mais presente nas estrat√©gias das funda√ß√Ķes. ‚ÄúTemos tido diversas reuni√Ķes com entidades, mas esse √© um jogo de tabuleiro em que os participantes avan√ßam por casas‚Äô, avalia. Segundo ele, a demanda existe tanto por ve√≠culos locais (feeders) como por fundos de fundos.
H√° basicamente quatro formas de alocar no exterior. A primeira √© comprando ativos de fora mas listados na bolsa local, como BDRs e ETFs. A segunda √© usando feeders locais para acessar estrat√©gias de um determinado gestor, com ou sem hedge. A terceira √© criando um fundo de fundos local a partir dos feeders dispon√≠veis. E a quarta √© criar fundos de fundos locais que acessam diretamente o exterior, com todo um leque de sabores, cores e aromas l√° fora. Segundo Cesar, ‚Äúas duas primeiras alternativas atendem bem os portfolios menores‚ÄĚ. J√° a terceira ‚Äú√© um modelo excelente porque fica super descorrelacionado e d√° um balan√ßo de risco muito bom, permitindo consolidar os fundos de fundos preferidos numa √ļnica estrat√©gia‚ÄĚ, explica o gestor.
Ainda de acordo com Cesar, a quarta possibilidade ‚Äúexige maior volume alocado e portanto um trabalho maior de sele√ß√£o de ativos, √© um modelo mais complexo mas vai dominar os f√≥runs de debate daqui para a frente‚ÄĚ, avalia. Segundo ele, essa alternativa est√° em fase de discuss√£o no BNP Paribas, em especial com as maiores EFPC. ‚ÄúN√£o temos mandatos para isso ainda mas estamos preparados para eles‚ÄĚ.

Embora a aloca√ß√£o m√©dia das EFPC em exterior via feeders ainda seja baixa, menos de 0,5% dos ativos do sistema, somando cerca de R$ 3 bilh√Ķes, a expectativa √© de crescimento, avalia o diretor da Schroders Brasil, Fernando Cortez. ‚ÄúEstimamos cerca de 5% dentro de dois a tr√™s anos, mas algumas entidades j√° est√£o pr√≥ximas de bater o limite de 10% e ent√£o esse teto precisa ser majorado‚ÄĚ.
Na Schroders, os planos incluem o lan√ßamento de novos ve√≠culos para institucionais este ano, via feeder funds. Outros caminhos incluem mandatos customizados com fundos de fundos de base local. A casa aposta no crescimento desse tipo de mandato, que segue o modelo investment solution. ‚ÄúFechamos o primeiro agora em janeiro, com recursos de R$ 450 milh√Ķes, e h√° mais tr√™s mandatos previstos para acontecer ainda no primeiro trimestre‚ÄĚ, explica Cortez.
Segundo Cortez, ‚Äúo objetivo do modelo investment solution √© gerar mais alfa e pouco beta, seja em renda vari√°vel ou renda fixa. O que pode significar aloca√ß√£o mais forte em long short ou, na renda fixa, um perfil de retorno absoluto. A aloca√ß√£o em ativos de cr√©dito, por sua vez, pode buscar mais risco soberano com mais retorno absoluto‚ÄĚ. As metas s√£o distintas, de acordo com os interesses de cada entidade, e os gestores fazem a ponte com o mercado global. O time da Schroders baseado em Londres conta com 50 pessoas, conhecimento do institucional brasileiro e tem US$ 60 bilh√Ķes sob gest√£o em customiza√ß√£o global.

Na busca de resultados, os fundos de pens√£o brasileiros est√£o exigindo das gestoras uma grade de exterior com mandatos cada vez mais sofisticados. Na Western, a prateleira de benchmarks inclui desde o mais simples (MSCI, S&P) at√© instrumentos hedgeados que buscam d√≥lar mais 3% ou mais 4%, sem especificar renda vari√°vel ou renda fixa, eplica o diretor executivo da asset, Marc Forster. ‚ÄúA carteira global √© montada por n√≥s com base no apetite a risco de cada cliente e no retorno esperado. A partir da√≠, buscamos fazer com que as carteiras conversem entre si e se complementem‚ÄĚ, conta Roberto Tepperman, diretor da global Legg Mason, cujos fundos s√£o distribu√≠dos no Brasil pela Western.
O in√≠cio dos investimentos no exterior come√ßa com produtos mais simples, na fase de aprendizado, seguindo depois para os mais sofisticados como os fundos de fundos e fundos de ETFs, explica Tepperman. Segundo ele, a maioria dos clientes da gestora ampliou a fatia de exterior. ‚ÄúO volume sob gest√£o era de R$ 2 bilh√Ķes em 2019 e passou para R$ 3, 2 bilh√Ķes este ano‚ÄĚ. A casa opera com v√°rias estrat√©gias, incluindo equities global, de Estados Unidos, long short de Europa, long short de cr√©dito, small caps.

Segundo o presidente da BlackRock no Brasil, Carlos Massaru Takahashi, as EFPC fizeram ajustes de regulamentos e revisão de políticas no segundo semestre de 2019, para chegar a 2020 preparadas para ampliar os investimentos no exterior. Ele pondera que a diversificação global é essencial para garantir retornos e amortecer o risco de concentração. Boa parte dos ativos na bolsa doméstica já tem preços bem ajustados e mesmo que o Ibovespa bata nos 130 mil pontos, olhando ativo por ativo já há muitos deles próximos do valor upside.
Algumas EFPC come√ßam a olhar estruturas mais complexas e procuram gestores com hist√≥rico mais longo e estrat√©gias que j√° foram testadas. ‚ÄúAs funda√ß√Ķes precisam ter muito claro o que est√£o aprovando em seus mandatos‚ÄĚ, diz Takahashi. Manter uma parcela hedgeada tamb√©m √© fundamental diante dos passivos das funda√ß√Ķes, que s√£o em reais.
Na BlackRock, as alternativas mant√©m baixa correla√ß√£o com as exposi√ß√Ķes dom√©sticas, usando como benchmark o MSCI World, por exemplo, e buscando retornos em ativos de EUA, Europa e China de forma bem dilu√≠da por setores e empresas, al√©m da diversifica√ß√£o geogr√°fica.
Al√©m da renda vari√°vel, Takahashi v√™ espa√ßo para crescimento na renda fixa e lembra a import√Ęncia de olhar para ativos globais que sigam crit√©rios ASG (sustentabilidade ambiental, social e governan√ßa). ‚ÄúDiversas entidades j√° s√£o signat√°rias do PRI (Principles for Responsible Investment) e esse √© um caminho interessante, encontrar fundos espec√≠ficos de ASG no exterior j√° que essa oferta ainda √© pequena no mercado dom√©stico‚ÄĚ.

A prateleira de produtos de exterior da Santander Asset vai passar a incluir ativos ASG. A casa espera fechar parceria internacional para oferecer uma nova s√©rie de fundos equity global, com hedge cambial e selo ASG. ‚ÄúEssa √© uma demanda que deve crescer, permitindo ao institucional combinar num mesmo produto a aloca√ß√£o off shore, equities e ASG‚ÄĚ, diz o superintendente de Produtos da Santander Asset, Rudolf Gschliffner.
Outra demanda que deve crescer s√£o as estrat√©gias quantitativas globais. A Santander Asset vai entrar de maneira efetiva na disputa pelos investidores interessados nessas estrat√©gias. ‚ÄúElas ocupar√£o parte relevante do investimento internacional, uma vez que oferecem rela√ß√£o risco/retorno mais consistente e menos depend√™ncia aos movimentos de mercados‚ÄĚ, avalia Gschliffner. Segundo ele, o mercado off shore √© ideal para o exerc√≠cio dessas estrat√©gias porque envolve ativos de elevada liquidez.

Para o vice-presidente de Institutional Sales da Franklin Templeton, Luiz Fernando Pedrinha, os juros baixos e os novos limites da Res. 4.661 colocaram os investimentos no exterior definitivamente no radar dos institucionais. Mas esse ainda √© um ‚Äúmundo novo para os fundos de pens√£o‚ÄĚ, que precisam compreender e saber lidar com as diferen√ßas de estrutura, arcabou√ßo regulat√≥rio e estrat√©gias dos mercados l√° fora. ‚Äú√Č essencial fugir das compara√ß√Ķes entre as estruturas dos fundos internacionais e dos locais porque os tomadores de decis√Ķes de investimentos precisam se sentir confort√°veis com isso‚ÄĚ, afirma Pedrinha.

RPPS com apetite global | Institutos de previdência, que demoram mais a obter autorização para investir no exterior, agora querem tirar a diferença e alguns já estão batendo no limite

As entidades de previd√™ncia social dos servidores p√ļblicos (RPPS), na esteira de regras de investimento e de governan√ßa revistas e atualizadas, mostram disposi√ß√£o de entrar para valer no mercado global. Algumas delas j√° bateram o limite m√°ximo permitido por lei, outras devem atingi-lo este ano e mesmo as que ainda n√£o foram ao exterior j√° exibem apetite para avan√ßar na conquista de posi√ß√Ķes l√° fora.
Para gestoras como a BB DTVM, que tem no RPPS um foco priorit√°rio, a aposta nos fundos globais dever√° render frutos este ano. Com uma √°rea interna dedicada exclusivamente aos institutos de previd√™ncia municipais e estaduais, a BB DTVM fechou em novembro passado o primeiro contrato para aloca√ß√£o de um cliente RPPS no exterior, via fundo de global equities. A perspectiva √© otimista para este ano, diz o diretor Comercial e de Produtos da asset, Aroldo Medeiros, que comemora a grande quantidade de propostas j√° colocadas na mesa. ‚ÄúDe 2019 para c√° temos visto uma migra√ß√£o forte de parte das carteiras para o exterior e em 2020 o RPPS dever√° aumentar sua busca por diversifica√ß√£o global, esta √© uma evolu√ß√£o do mercado‚ÄĚ, conta. Ele assegura: ‚ÄúEstamos preparados para colher os frutos de um trabalho que plantamos no ano passado e incluiu centenas de visitas aos RPPS‚ÄĚ.
Esse esfor√ßo est√° estreitamente ligado ao seu distribuidor, o Banco do Brasil, com sua extensa rede de ag√™ncias especializadas em governo. Como resultado, at√© dezembro de 2019 estavam sob sua gest√£o R$ 62,1 bilh√Ķes em recursos dos RPPS, ou 36,2% do total de ativos desse segmento. Em 2019 foi reformulada toda a grade de produtos para RPPS e o portf√≥lio agora procura atender os mais diversos perfis. Ao todo, a BB DTVM tem dispon√≠veis para esse p√ļblico 13 fundos de renda fixa, oito de a√ß√Ķes, cinco multimercados e 9 no exterior, incluindo renda fixa e renda vari√°vel.
A BB DTVM mant√©m parcerias de longo prazo com gestores internacionais para atender √† demanda por ativos do feeder fund local. No caso dos RPPS, Medeiros explica que a assessoria √†s entidades ajuda a definir o mix de produtos que seja compat√≠vel com os objetivos da pol√≠tica de investimento de cada uma delas e leva em conta a descorrela√ß√£o com suas carteiras locais. S√£o estrat√©gias taylor made para garantir o m√°ximo benef√≠cio da diversifica√ß√£o a partir de tr√™s modalidades: fundos de a√ß√Ķes globais; fundos de renda fixa global e fundos de renda fixa na modalidade Brazil fixed income, que alocam em pap√©is emitidos por empresas brasileiras no exterior e contam com suporte das tr√™s corretoras da BB Securities l√° fora.

No Instituto de Previd√™ncia do Munic√≠pio de Jundia√≠, Iprejun, o limite de 10% no exterior foi atingido em dezembro de 2019, como parte de uma estrat√©gia de forte descorrela√ß√£o. Os investimentos s√£o feitos em renda vari√°vel, por meio de fundos de a√ß√Ķes e multimercados. A entidade trabalha com seis gestores e alguns dos fundos t√™m investimentos em a√ß√Ķes de empresas nos cinco continentes. ‚ÄúH√° estrat√©gias distintas e bom n√≠vel de dispers√£o, sendo quatro carteiras com hedge cambial e duas n√£o hedgeadas. Isso nos garantiu retorno de 170% a 180% de nossa meta atuarial, que √© de IPCA mais 6% ao ano‚ÄĚ, conta o diretor presidente do Iprejun, Jo√£o Carlos Figueiredo.
Ao inv√©s de perseguir o benchmark de cada fundo, a op√ß√£o foi obter um retorno alinhado √† meta atuarial, at√© porque no mercado global h√° uma grande variedade e complexidade de benchmarks. Os 10% investidos foram resultado de uma pol√≠tica gradual, explica Figueiredo: ‚ÄúCome√ßamos h√° algum tempo investindo por meio de fundos pequenos, depois passamos a incluir tamb√©m BDRs e viemos alocando volumes cada vez maiores a cada m√™s at√© chegar ao percentual de 10%‚ÄĚ.
A principal preocupa√ß√£o √© com a descorrela√ß√£o entre as carteiras. Integrante do Grupo de Trabalho criado no ano passado pela Secretaria da Previd√™ncia para discutir a revis√£o da regulamenta√ß√£o dos investimentos do RPPS (Resolu√ß√Ķes CMN n¬ļ 3.922 de 2010 e n¬ļ 4.695 de 2018), Figueiredo lembra que os estudos de ALM produzidos j√° na nova conjuntura de mercado, com juros menores, apontam a necessidade de ampliar as fatias de renda vari√°vel e, para isso, o mercado local ainda √© limitado. O Iprejun tem hoje 47% de seus ativos em renda vari√°vel (local e global), mas pode ir at√© 50% em renda vari√°vel local e 10% no exterior. Uma das op√ß√Ķes portanto √© ampliar o percentual de renda vari√°vel como um todo, mesmo sem reduzir o percentual local. ‚Äú√Č uma op√ß√£o interessante, at√© porque o risco dos fundos no exterior equivale a apenas 60% do risco a que estamos expostos em fundos de renda vari√°vel locais‚ÄĚ.
O or√ßamento de risco prev√™ espa√ßo maior na renda vari√°vel pois o risco de renda fixa est√° muito baixo. ‚ÄúEstamos desenvolvendo um trabalho para redimensionar esses volumes e buscar outros gestores‚ÄĚ, diz Figueiredo. Est√£o em estudo ainda oportunidades em renda fixa e cr√©dito no exterior mas esses mercados ainda n√£o s√£o competitivos em rela√ß√£o ao que o Iprejun j√° tem em renda vari√°vel.

Sem aloca√ß√£o no exterior at√© 2019, o Ipreville (Instituto de Previd√™ncia Social dos Servidores P√ļblicos do Munic√≠pio de Joinville) definiu na pol√≠tica de investimentos deste ano um percentual de at√© 10%, j√° deu in√≠cio ao processo de sele√ß√£o e espera fazer as primeiras aplica√ß√Ķes sem perda de tempo para atingir esse limite ainda no primeiro semestre. ‚ÄúA aloca√ß√£o incluir√° a√ß√Ķes globais e estrat√©gias espec√≠ficas de acordo com a experi√™ncia de cada casa gestora. Essa expertise definir√° as estrat√©gias e os percentuais a serem aplicados, em alinhamento com a nossa equipe de gest√£o‚ÄĚ, informa o diretor presidente do Instituto, Sergio Luiz Miers.
Os objetivos de retorno seguir√£o a meta atuarial da entidade, explica Miers. J√° os riscos envolvidos consideram quest√Ķes como a varia√ß√£o cambial e eventuais crises nos pa√≠ses em que os fundos investem, assim como o risco de falta de conhecimento e de experi√™ncia dos gestores nesse segmento. Para enfrentar esses riscos, os crit√©rios de sele√ß√£o dos gestores levam em conta o tempo de experi√™ncia da equipe com esse tipo de carteira, sua performance, PL dos fundos sob gest√£o, n√ļmero de cotistas desses fundos, governan√ßa e aprova√ß√£o pelo comit√™ de Investimentos do Ipreville, al√©m de seu credenciamento junto ao Instituto.
A decis√£o de diversificar passa tamb√©m pela amplia√ß√£o da renda vari√°vel local, conta Miers. ‚ÄúAtualmente temos 8% dos ativos de investimento alocados em renda vari√°vel local mas a pretens√£o √© de ampliar esse percentual em 2020 diante da perspectiva de baixa rentabilidade na renda fixa‚ÄĚ.

O Rio Previd√™ncia, Fundo √önico de Previd√™ncia Social do Estado do Rio de Janeiro, ainda n√£o tem aplica√ß√Ķes no exterior mas ‚Äútemos muita vontade de explorar esse segmento, assim que estiver conclu√≠da a atual fase de montagem da carteira pr√≥pria e a capacita√ß√£o da equipe de gest√£o‚ÄĚ, informa o diretor presidente da entidade, Sergio Aureliano Machado da Silva. O planejamento pol√≠tico da entidade j√° inclui a op√ß√£o de investir at√© 10% no exterior.
O plano previdenci√°rio, criado em 2013 e superavit√°rio em R$ 650 milh√Ķes, tem hoje cerca de R$ 1,8 bilh√£o em ativos e passa por uma reformula√ß√£o que incluiu a cria√ß√£o de uma diretoria de investimentos. Atualmente, o plano investe apenas em renda fixa mas com a nova carteira o primeiro passo ser√° na dire√ß√£o da renda vari√°vel. ‚ÄúEm seguida, ser√£o avaliadas as demais possibilidades e a aloca√ß√£o no exterior mostra potencial para ser um bom investimento‚ÄĚ, diz Silva.
A entidade mant√©m ainda o plano financeiro, segregado do plano previdenci√°rio , e que sofre os efeitos negativos da securitiza√ß√£o dos royalties do petr√≥leo no RJ, em tr√™s opera√ß√Ķes realizadas pelo governo do estado em 2014, 2015 e 2018 num total de R$ 11 bilh√Ķes. A maioria dos t√≠tulos est√° no mercado americano e, embora tenha sido importante essa venda futura de petr√≥leo, o custo para o Rio Previd√™ncia √© caro demais. ‚ÄúPagamos 9,75% aos investidores estrangeiros, em d√≥lar, ent√£o estamos tentando negociar com os investidores americanos porque o saldo devedor hoje √© de R$ 10 bilh√Ķes, informa Silva.

Funda√ß√Ķes otimistas com aloca√ß√Ķes globais | Investimentos no exterior s√£o oportunidade de diversifica√ß√£o e bons retornos em mercado com juros no m√≠nimo hist√≥rico

O teto de 10% dos ativos totais estabelecido pela legisla√ß√£o para as entidades fechadas de previd√™ncia complementar alocarem no exterior amea√ßa ficar pequeno em pouco tempo. Com o rendimento baixo na renda fixa e a renda vari√°vel dom√©stica limitada em um n√ļmero n√£o muito alto de op√ß√Ķes, os mercados internacionais entraram definitivamente na lista das prioridades das EFPC. Para as casas gestoras, o momento √© de avan√ßar na montagem de propostas e, em alguns casos, na oferta de solu√ß√Ķes de investimento mais sofisticadas. A mudan√ßa nas regras de investimento, definida na Resolu√ß√£o CMN 4.661, tamb√©m abriu espa√ßo para aquecer mais rapidamente esse mercado.
Na Previ, a aprova√ß√£o da Resolu√ß√£o 4.661 abriu espa√ßo para o crescimento dos investimentos no exterior.Segundo o diretor de investimentos da Previ, Marcelo Ot√°vio Wagner, ‚Äúnossa pol√≠tica de investimentos j√° previa investimentos no exterior, mas a atual regula√ß√£o permitiu aumentarmos os percentuais de aloca√ß√£o‚ÄĚ.
‚ÄúO cen√°rio de taxa de juros nominal na casa de 4,40% a.a., que representa praticamente zero em termos reais, nos imp√Ķe um mega desafio de buscar novas classes de investimentos‚ÄĚ, avalia Wagner. ‚ÄúA participa√ß√£o de investimentos no exterior vai crescer, mas diante do patrim√īnio dos planos o impacto, seja de ganho ou de minimiza√ß√£o de riscos, ser√° pequeno num primeiro momento‚ÄĚ, complementa.
A Previ deve finalizar ainda no primeiro semestre deste ano o processo para aloca√ß√£o em dois fundos exclusivos, que dever√£o ser os ve√≠culos para investimento nas cotas dos fundos domiciliados no exterior, que j√° foram analisados e aprovados. A ideia √© ter dois fundos, sendo um para renda fixa e o outro para renda vari√°vel. ‚ÄúNa aloca√ß√£o em renda fixa, as estrat√©gias mesclam t√≠tulos soberanos, de empresas e securitizados (sem risco cambial). J√° em renda vari√°vel, o objetivo √© diversificar geograficamente em diversos mercados/regi√Ķes, mas com foco na gest√£o ativa‚ÄĚ, detalha Wagner.
No que diz respeito aos multimercados, a possibilidade ainda est√° em an√°lise, diz o diretor. Ele lembra que boa parte dos multimercados locais, uma ind√ļstria robusta no Brasil, tamb√©m tomam risco l√° fora. ‚ÄúEnt√£o, de certa forma, esses fundos j√° embutem uma diversifica√ß√£o de mercado, al√©m √© claro da pr√≥pria diversifica√ß√£o de estrat√©gias que √© inerente aos multimercados‚Äô. A atual pol√≠tica e diretrizes de investimentos da Previ, informa seu diretor, norteia para uma migra√ß√£o suave de renda vari√°vel para renda fixa e para as demais classes de investimento.

J√° na Valia, com uma exposi√ß√£o entre 5% a 6% de seus ativos em fundos de investimento no exterior, at√© agora s√≥ o plano BD apostava em mercados globais. Mas o lan√ßamento, em janeiro deste ano, do modelo ciclo de vida permitir√° um aumento dessa exposi√ß√£o. ‚ÄúTeremos investimentos no exterior tanto em fundos de ETF (fundos que replicam o comportamento de diversos √≠ndices) quanto em fundos de a√ß√Ķes com estrat√©gias passivas‚ÄĚ, informa o diretor de Investimentos da Valia, Maur√≠cio Wanderley.
Segundo ele, investir no exterior para ampliar a diversifica√ß√£o tem tudo a ver com o conceito do ciclo de vida, oferecendo investimentos mais arrojados para os participantes mais jovens. A Valia oferece oito op√ß√Ķes de ciclos, aplic√°veis a dois planos de benef√≠cios. Os percentuais de aloca√ß√£o no exterior, assim como os de outras classes de ativos, ir√£o variar conforme os diferentes est√°gios de vida. Mas o percentual alvo de exterior, definido na pol√≠tica de investimentos para o ciclo de vida este ano vai at√© 9% dos ativos.
‚ÄúO objetivo desse modelo √© totalmente compat√≠vel com a diversifica√ß√£o internacional, isso nos permitir√° alocar em renda fixa mais longa e renda vari√°vel mais ativa no mercado local, enquanto os fundos de exterior continuar√£o sendo de renda vari√°vel passiva e ETF‚ÄĚ, explica o diretor. O ciclo de vida passou a ser o default e os novos trabalhadores das empresas patrocinadoras ser√£o encaminhados diretamente para ele. Al√©m disso, ele tamb√©m receber√° migra√ß√Ķes de participantes do atual modelo de perfis de investimento.
A Valia usa como benchmark o MSCI World e o retorno obtido por seus fundos no exterior foi o destaque das carteiras em 2019. ‚ÄúA rentabilidade ficou pr√≥xima de 30%, gra√ßas ao desempenho em bolsa. Em 2018, o ganho foi assegurado pela varia√ß√£o do c√Ęmbio porque aproveitamos tamb√©m a diversifica√ß√£o de moedas‚ÄĚ.

Na Previ Ericsson, que aposta em fundos de investimento no exterior desde 2012, a fatia de aloca√ß√£o nesse segmento vai crescer nos pr√≥ximos meses. A funda√ß√£o tem mantido uma m√©dia de 5% a 6% de seus ativos no exterior, sem interrup√ß√Ķes, mas em 2020 pretende bater no limite m√°ximo legal, de 10%, o que provavelmente acontecer√° at√© a metade do ano. ‚ÄúJ√° temos fundos tanto no mercado de equities globais (EUA e Europa) como um fundo espec√≠fico para a√ß√Ķes de empresas europ√©ias, al√©m de fundos de renda fixa e multimercado‚ÄĚ, conta o diretor superintendente da entidade,Rog√©rio Tatulli.
Os fundos de a√ß√Ķes da Previ Ericsson n√£o t√™m prote√ß√£o cambial, o que tem lhes garantido ganhos relevantes com a varia√ß√£o de moedas (d√≥lar no fundo global e euros no fundo europeu), enquanto os multimercados e renda fixa s√£o hedgeados. ‚ÄúCom essa combina√ß√£o mantemos uma estrat√©gia ‚Äúmezzo a mezzo‚ÄĚ, faturando a cereja do bolo das oscila√ß√Ķes cambiais de vez em quando mas sem correr muito risco, o que tem mostrado resultados bem superiores do que se tiv√©ssemos perdido tempo tentando operar o c√Ęmbio‚ÄĚ, afirma Tatulli. Segundo ele, o importante √© garantir diversifica√ß√£o geogr√°fica, cambial e de estrat√©gia gra√ßas √† mistura de diferentes classes de ativos.
Em 2019, o fundo global de equities da Previ Ericsson rendeu 30% contra uma varia√ß√£o cambial de 8% no per√≠odo. ‚ÄúTemos sido muito bem sucedidos e o resultado reflete a capacidade do gestor entregar o alfa prometido‚ÄĚ, lembra Tatulli. Para ele, ‚Äúficar esperando o d√≥lar baixar √© uma conversa de surdos que acabou gerando preju√≠zos para quem perdeu a oportunidade de ganhar no exterior‚ÄĚ.
Ele v√™ espa√ßo para que as assets ofere√ßam maior diversidade e sofistica√ß√£o em suas grades de produtos daqui para a frente, mas admite que esse movimento depender√° da demanda apresentada pelos investidores. ‚ÄúH√° uma infinidade de op√ß√Ķes mais complexas l√° fora mas a oferta dispon√≠vel hoje para o institucional brasileiro ainda est√° engatinhando‚ÄĚ, acredita Tatulli.

Para a Fibra, que come√ßou em 2014 seu aprendizado em aloca√ß√£o internacional, esse segmento representa uma fatia pr√≥xima a 1,8% do patrim√īnio, devendo terminar este ano com 2%. O equil√≠brio cuidadoso entre fundos de a√ß√Ķes locais e internacionais √© fundamental para explorar melhor as vantagens da diversifica√ß√£o, avalia o diretor de Administra√ß√£o e Processos da funda√ß√£o, Marcos Aur√©lio Litz. Ele lembra que a rentabilidade de 29,3% garantida pelos dois fundos de global equities foi importante no ano passado mas acabou sendo superada pelo desempenho do mercado de a√ß√Ķes local. O movimento feito pela Fibra para adequar suas carteiras de a√ß√Ķes a esse quadro foi uma jogada que deu certo. ‚ÄúNo in√≠cio de 2019, entendemos que o cen√°rio l√° fora seria um pouco mais complicado e fizemos um ajuste nas carteiras; est√°vamos certos porque o ganho aqui foi maior e os nossos fundos de a√ß√Ķes no Brasil renderam 34,2%‚ÄĚ, afirma o diretor.
Litz lembra que h√° uma segrega√ß√£o formal mas na pr√°tica existe uma vis√£o integrada dos mercados de a√ß√Ķes global e local, com uma rela√ß√£o de 70% da carteira no Brasil e 30% l√° fora. O ajuste feito em 2019 alterou esse balan√ßo para 80% na bolsa aqui e 20% em bolsas internacionais, o que permitiu √† Fibra capturar o retorno positivo das a√ß√Ķes no mercado dom√©stico.
Em 2020, essa rela√ß√£o voltar√° aos percentuais de 70% e 30%, por√©m com maior diversidade. A aloca√ß√£o continuar√° exclusivamente em equities, sem nada de cr√©dito ou outros mercados, mas a inten√ß√£o √© diversificar mais em gestores para buscar novas estrat√©gias. Hoje a Fibra mant√©m suas carteiras nas m√£os de dois gestores mas, como pretende chegar a 2% dos ativos aplicados no exterior, ser√° preciso ter estrat√©gias um pouco mais sofisticadas. ‚ÄúAinda estamos mapeando os fundos e seu retornos para definir at√© mar√ßo como ser√£o feitos os novos aportes‚ÄĚ, conta Litz.

Na Funda√ß√£o Copel, a aloca√ß√£o no exterior ser√° o pr√≥ximo passo na diversifica√ß√£o de investimentos. ‚ÄúT√≠nhamos uma restri√ß√£o, por conta de um pedido antigo de imunidade tribut√°ria que j√° foi solucionado, e isso nos impedia de investir tanto em multimercados como em exterior. Desde que fomos liberados, h√° um ano e meio, come√ßamos a estudar as op√ß√Ķes‚ÄĚ, explica o diretor de Investimentos da funda√ß√£o, Jos√© Carlos Lakoski. At√© o final de 2019 foi dada prioridade aos multimercados e tamb√©m aos Fundos de Investimento Imobili√°rio. Neste in√≠cio de 2020, o objetivo √© concluir o processo de sele√ß√£o para fazer as primeiros incurs√Ķes no mercado global at√© o final do primeiro semestre. O or√ßamento prev√™ percentuais de at√© 10% dos ativos do plano CD e 10% do plano CV (que √© CD na parte de capitaliza√ß√£o). H√° ainda a perspectiva de alocar 5% dos ativos de cada BD, mas a funda√ß√£o vai come√ßar pela parte CD.
‚ÄúJ√° com um primeiro gestor selecionado, fornecemos a ele dados do nosso portf√≥lio, n√≠vel de risco e benchmark e pedimos alternativas para melhorar o nosso √≠ndice de Sharp (risco/retorno)‚ÄĚ, diz Lakoski. A funda√ß√£o espera terminar essa etapa de sele√ß√£o com dois gestores escolhidos entre as 28 propostas recebidas. As alternativas poder√£o incluir equities ou renda fixa, com um percentual que oscilar√° em cerca de 70% equities e 30% renda fixa. A expectativa √© de que a carteira global tenha um hedge natural via descorrela√ß√£o entre bolsa e d√≥lar. Lakoski considera o atual limite de 10% adequado √† demanda da Funda√ß√£o.

Personalizando hedge funds | Institucionais dos EUA usam o poder dos seus portfólios para negociar com gestores a personalização das estratégias de hedge funds

Os investidores institucionais est√£o cada vez mais solicitando personaliza√ß√£o nas principais estrat√©gias de hedge funds para adequ√°-las √†s suas necessidades de investimento. Como essas estrat√©gias personalizadas, tanto de hedge funds quanto de hedge funds-of-funds, s√£o oferecidas geralmente em contas gerenciadas separadamente, o investidor possui total controle e transpar√™ncia, incluindo acesso em tempo real ao portf√≥lio de participa√ß√Ķes dos gestores, diz reportagem da publica√ß√£o Pension & Investment.
A pedido dos institucionais, gestores de hedge funds est√£o criando uma ampla gama de estrat√©gias personalizadas. As varia√ß√Ķes incluem ajustes nas principais estrat√©gias padr√£o, como isolar e investir em uma estrat√©gia espec√≠fica a partir de uma abordagem de portf√≥lio multi-estrat√©gia e criar uma solu√ß√£o espec√≠fica para uma demanda de portf√≥lio.
‚ÄúA personaliza√ß√£o √© o novo normal para investidores institucionais de hedge funds‚ÄĚ, diz a head das Am√©ricas da AIMA (Alternative Investment Management Association), Michelle Noyes. ‚ÄúO setor de hedge funds se tornou mais orientado aos institucionais e esses propriet√°rios de ativos est√£o se tornando mais exigentes. Com a personaliza√ß√£o, eles podem obter mais daquilo que desejam em estrat√©gias de hedge funds‚ÄĚ, explica Noyes.
Uma pesquisa da AIMA com 118 gestores de hedge funds realizada no primeiro trimestre deste ano constatou que 53% dos entrevistados concordaram que oferecer solu√ß√Ķes personalizadas aos propriet√°rios de ativos √© importante para alinhar seus interesses com os do investidor, em compara√ß√£o com apenas 14% que concordavam com isso em 2016.
Por enquanto, apenas grandes investidores, com mandatos de pelo menos US$ 100 milh√Ķes, conseguem obter essas carteiras personalizadas. Um mandato dessa grandeza √© suficiente para convencer um gestor a criar uma estrat√©gia personalizada de hedge fund, a manter uma conta gerenciada separadamente e a lidar com quest√Ķes operacionais e de conformidade, explica Steven Nadel , s√≥cio da Seward & Kissel LLP, um escrit√≥rio de advocacia de Nova York.
‚ÄúDa perspectiva de um grande gerente de hedge fund, a oferta de estrat√©gias personalizadas √© impulsionada pela oferta e demanda. A conta (gerenciada separadamente) vale a pena? Depende do tamanho‚ÄĚ, afirma Nadel, que trabalha em estreita colabora√ß√£o com investidores e gestores para configurar ve√≠culos personalizados de hedge funds.

O tamanho a seu favor ‚Äď Investidores grandes e sofisticados, como o Teacher Retirement System do Texas (TRS), com US$ 152,2 bilh√Ķes em ativos, sabem do peso de um grande portf√≥lio na hora de convencer os gestores de que a estrat√©gia personalizada desejada pela TRS vale a pena. ‚ÄúAcreditamos que a TRS √© um investidor √ļnico e a oferta ‚Äėde prateleira‚Äô nem sempre √© a ideal‚ÄĚ, diz Brad Gilbert, diretor s√™nior de hedge funds da funda√ß√£o. ‚ÄúAs vantagens competitivas da TRS incluem tamanho, liquidez e horizonte de investimento (longo prazo). Nossa equipe est√° constantemente procurando maneiras de utilizar essas vantagens para melhorar as estrat√©gias de investimento‚ÄĚ, acrescenta Gilbert.
Como a aloca√ß√£o m√©dia do fundo de pens√£o para estrat√©gias personalizadas de hedge funds √© de US$ 300 milh√Ķes e pode contar com a aten√ß√£o dos gestores, Gilbert diz que tarefa da equipe, de criar portf√≥lios exclusivos com uma variedade de estrat√©gias de hedge funds ficou mais f√°cil. Segundo Gilbert, cerca de 25% das carteiras de hedge funds, que somam de US$ 12,4 bilh√Ķes, s√£o de estrat√©gias personalizadas.
Da mesma forma, a equipe de investimentos do PRIM (Massachusetts Pension Reserves Investment Management), teve ‚Äúsucesso esmagador‚ÄĚ em convencer os gerentes de hedge funds a criar portf√≥lios personalizados. Segundo Eric Nierenberg, diretor de estrat√©gia do PRIM, ‚Äútodos os nossos fundos personalizados tiveram um desempenho muito bom‚ÄĚ.
‚ÄúCom hedge funds personalizadas, voc√™ se torna o CIO do seu portf√≥lio multigestor de hedge funds‚ÄĚ, diz Nierenberg, enfatizando que ‚Äúo valor de contas gerenciadas separadamente (inclui) controle direto sobre as carteiras de hedge funds, transpar√™ncia total, capacidade de modificar as carteiras de hedge funds conforme a necessidade e redu√ß√Ķes de taxas ‚Äú.
O PRIM come√ßou a usar hedge funds personalizados a partir de 2014 e cerca de 35% da sua carteira de hedge funds, que soma US $ 6 bilh√Ķes, √© gerenciada com estrat√©gias personalizadas. Nierenberg diz que acordos de confidencialidade o pro√≠bem de identificar os gestores que executam essas estrat√©gias personalizadas para o PRIM, mas disse que um dos sucessos do fundo incluiu ‚Äúcriar‚ÄĚ uma estrat√©gia de cr√©ditos ex√≥ticos para um fundo de hedge que estava produzindo ‚Äúretornos med√≠ocres‚ÄĚ. A conta criada separadamente para essa estrat√©gia de cr√©dito produziu retornos mais fortes do que o fundo principal, explica Nierenberg.
‚ÄúEu via a personaliza√ß√£o como uma parte cr√≠tica das estrat√©gias de futuros‚ÄĚ e, muitas vezes, ‚Äúessencial para obter taxas mais baixas‚ÄĚ, disse Nierenberg. ‚ÄúSe o tamanho do ticket para uma estrat√©gia personalizada √© grande o suficiente, os gestores geralmente fornecem uma redu√ß√£o de taxa‚ÄĚ, disse ele, observando que a redu√ß√£o de taxa para algumas estrat√©gias nas quais a PRIM investiu foi de 40%. As taxas m√©dias ponderadas para as contas personalizadas de hedge funds do PRIM s√£o de 1% para gest√£o e entre 12% e 13% por performance.

Taxas diminuem ‚Äď Em rela√ß√£o √†s taxas, o ganho de efici√™ncia das contas separadas oferecidas pelas subsidi√°rias de grandes bancos, incluindo a State Street, Bank of New York Mellon e o Societe Generale, resultou em um dr√°stico decl√≠nio nas taxas, conta o chefe de desenvolvimento de neg√≥cios globais da State Street Managed Account Services, Robert Vanderpool. Ele tamb√©m √© presidente da InfraHedge North America, parte do neg√≥cio de contas gerenciadas da State Street.
As taxas para contas dedicadas diminu√≠ram entre 50% e 70% nos √ļltimos tr√™s anos e agora variam entre 3,5 a 7 pontos base nos hedge funds, em compara√ß√£o com 15 e 25 pontos base h√° tr√™s anos, diz Vanderpool.
Executivos de investimento de seis grandes institucionais que aplicam em hedge funds enfatizaram que atingir taxas de administração mais baixas era um objetivo importante na decisão de mudar para estratégias personalizadas, mas a geração de alfa ainda é a preocupação fundamental.
‚ÄúNossa vis√£o √© de que os hedge funds est√£o no portf√≥lio principalmente para produzir alfa e complementar os retornos beta do nosso portf√≥lio de longo prazo‚ÄĚ, diz Michael Weinberg, diretor administrativo e chefe de hedge funds da APG Asset Management. Ele diz que APG usa estrat√©gias personalizadas h√° mais de uma d√©cada, observando que ‚Äúfomos pioneiros em adotar abordagens personalizadas. Os fundos de pens√£o adoram trabalhar conosco porque somos um parceiro de longo prazo. Tendemos a receber taxas muito boas‚ÄĚ. A gestora tem aplica√ß√Ķes de gigantes do setor de fundos de pens√£o, como a ABP holandesa e outros.
O APG usa abordagens personalizadas para otimizar o portfólio geral, eliminando a sobreposição entre as carteiras de hedge funds, bem como ampliando as melhores ideias de investimento de alguns gestores de hedge funds por meio de fundos de co-investimento.
Todo investimento feito pela APG deve aderir aos seus princípios ASG, de meio ambiente, sustentabilidade e governança. A APG não divulga o tamanho de seu portfólio de hedge funds ou o percentual investido em estratégias personalizadas.
O TCDRS (Texas County & District Retirement System), de US$ 31,9 bilh√Ķes, recorreu a estrat√©gias personalizadas com gestores de hedge funds e de long-only de cr√©dito ‚Äúpara garantir que os fundos/estrat√©gias subjacentes tenham o mandato, a liquidez e as taxas de investimento adequadas‚ÄĚ, afirma Casey Wolf, diretor de investimentos do fundo de pens√£o. A funda√ß√£o analisa se h√° ‚Äúquest√Ķes espec√≠ficas do portf√≥lio que uma estrat√©gia personalizada de hedge fund poderia resolver melhor que a estrat√©gia padr√£o do gestor‚ÄĚ
Wolf diz que a equipe de investimentos quer garantir que seus gerentes de hedge funds tenham discricionaridade apropriada para maximizar retornos, observando que se um gestor ‚Äúrealmente n√£o estiver vendo oportunidades no curto prazo (por causa das condi√ß√Ķes do mercado), n√£o queremos que eles sejam for√ßados a abreviar, porque esse √© o mandato do fundo‚ÄĚ.
Em fevereiro, o TCDRS investiu US$ 200 milh√Ķes em seu primeiro hedge fund de cr√©dito personalizado por meio de uma conta separada com o Chatham Asset Management. O fundo de pens√£o investe um total de US $ 1,7 bilh√£o em cinco fundos de cr√©dito personalizados de longa dura√ß√£o.

Diversifica√ß√£o ‚Äď Dois outros grandes fundos de pens√£o voltaram-se para hedge funds personalizados, principalmente para complementar ou diversificar outros investimentos do portf√≥lio geral.
O Conselho de Administra√ß√£o do Estado da Fl√≥rida, que administra um total de US$ 206,4 bilh√Ķes, incluindo US$ 163,1 bilh√Ķes do Sistema de Aposentadoria da Fl√≥rida, est√° diversificando a exposi√ß√£o patrimonial do plano BD da funda√ß√£o com dois hedge funds personalizados. ‚ÄúGostamos de adicionar estrat√©gias diversificadas‚ÄĚ na carteira de US$ 4,5 bilh√Ķes de hedge funds, incluindo futuros, macro global, valor relativo e estrat√©gias quants, diz Trent T. Webster, diretor s√™nior de investimentos.
A BlackRock Inc. e a J.P. Morgan Asset Management administram aproximadamente US$ 500 milh√Ķes em estrat√©gias personalizadas de hedge funds para o Conselho de Administra√ß√£o do Estado da Fl√≥rida, que s√£o focadas em estrat√©gias quants e futuros. O fundo da J.P. Morgan √© especializado em investir com gestores quants e que usam intelig√™ncia artificial para alimentar suas decis√Ķes de investimento.
Quanto √† disposi√ß√£o dos gestores de hedge funds de verem institucionais lan√ßando novas estrat√©gias personalizadas, os avan√ßos tecnol√≥gicos nas negocia√ß√Ķes automatizadas nos √ļltimos 10 anos tornaram mais f√°cil implementar essa estrat√©gia atrav√©s de aloca√ß√Ķes em v√°rias contas, diz o chefe de desenvolvimento de neg√≥cios globais da State Street Managed Account Services, Robert Vanderpool.
A facilidade de negociação e a maior facilidade operacional convenceram mais empresas a dar aos investidores exatamente a estratégia de hedge fund que eles desejam, acrescenta Vanderpool.

Bons ventos além-mar | Apesar da volatilidade global, em virtude da guerra comercial e do Brexit, os fundos de pensão que investiram no exterior não têm do que reclamar

As funda√ß√Ķes que apostaram nos fundos de investimento no exterior est√£o colhendo bons frutos em 2019. Eles se destacam como a maior rentabilidade do ano, at√© agosto, dentre as principais op√ß√Ķes na carteira da EFPC. No per√≠odo, os dois principais benchmarks internacionais adotados pelas entidades (S&P 500 e MSCI Global) sobem 18,82% e 15,63%, respectivamente. √Č bem verdade que n√£o se trata de uma dist√Ęncia t√£o grande em compara√ß√£o com o Ibovespa (15,07%), mas a rentabilidade dos ativos globais pode ser turbinada pelo d√≥lar. No ano a moeda americana sobe cerca de 7% contra o real (apenas em agosto, a alta foi de 8,5%, a maior varia√ß√£o mensal desde setembro de 2015). Na renda fixa internacional, os ganhos s√£o mais modestos, mas tamb√©m na casa dos dois d√≠gitos e acima do mercado local ‚Äď o IMA-Geral sobe 9,1% de janeiro a agosto, enquanto o √≠ndice de multimercados da Anbima (IHFA) avan√ßa 6,6%.
As intemp√©ries do cen√°rio global, que traz no bojo a guerra comercial e o Brexit, n√£o impediram os investidores de faturar alto. A expectativa de um crescimento mais brando das grandes economias tampouco desanimou os profissionais do mercado. Pelo contr√°rio. Ela serviu na verdade como pretexto para o desempenho positivo dos ativos internacionais. A aposta em um novo ciclo de afrouxamento monet√°rio reduziu os pr√™mios no mercado de juros, beneficiando os fundos de renda fixa que fazem a precifica√ß√£o di√°ria da carteira (marca√ß√£o a mercado), diz Giuliano de Marchi, diretor da JP Morgan Asset para Am√©rica Latina. Surfando essa onda, o fundo de juros e moedas da casa, com o hedge do d√≥lar, subiu 11,1% em 2019, at√© agosto. Sob o mesmo pano de fundo, as bolsas subiram com a aposta de que os juros em queda manter√£o as economias pujantes mesmo com as tens√Ķes geopol√≠ticas. Embalado pelo elevado apetite ao risco dos investidores, o fundo de a√ß√Ķes da gestora, com a adi√ß√£o do c√Ęmbio, avan√ßa 22,4% nos oito meses do ano.

Patinando ‚Äď A rentabilidade atraente, entretanto, n√£o foi o suficiente para demover as funda√ß√Ķes. A aloca√ß√£o consolidada segue com dificuldades para ultrapassar a barreira de 1% do total de recursos no sistema ‚Äď segundo a consultoria Aditus, o exterior corresponde a cerca de 0,70% da ind√ļstria da previd√™ncia fechada. A carteira de ativos globais da JP Morgan Asset no pa√≠s soma cerca de R$ 1,2 bilh√£o. A gestora n√£o divulga o crescimento recente, e embora se trate de volume relevante ainda √© muito pouco em termos relativos. Na Am√©rica Latina, o portf√≥lio global da asset ultrapassa R$ 100 bilh√Ķes, com os investidores andinos bem mais adiantados no processo de internacionaliza√ß√£o.
A volatilidade do front internacional tem de fato retardado o movimento dos fundos de pens√£o para al√©m das fronteiras, diz de Marchi. Ele adverte, contudo, que o comportamento comum de tentar acertar o melhor momento para entrar no mercado n√£o √© o mais indicado. ‚ÄúTemos notado um aumento no interesse sobre o exterior e acredito que em pouco tempo teremos um aumento importante nessa aloca√ß√£o por parte das funda√ß√Ķes‚ÄĚ, diz ele.

Novos mandatos ‚Äď Marc Forster, diretor da Western Asset, tamb√©m est√° animado com a perspectiva para o crescimento no volume √†s estrat√©gias globais. ‚ÄúPelos processos de concorr√™ncia nos quais estamos participando, projetamos que cerca de R$ 1 bilh√£o deve ser alocado em nossos fundos em breve‚ÄĚ, afirma. Caso confirmado, ser√° um aumento pr√≥ximo de 50% frente a carteira de R$ 2 bilh√Ķes da Western, que ficou relativamente est√°vel nos √ļltimos meses com a deteriora√ß√£o do cen√°rio global.
Apesar do ambiente internacional desafiador, a confort√°vel posi√ß√£o de estacionar no CDI n√£o √© mais poss√≠vel, o que for√ßa o investidor a partir em busca de novas alternativas, afirma Forster. ‚ÄúO exterior precisa entrar na carteira dos investidores‚ÄĚ, diz ele. ‚ÄúAo fazer uma diversifica√ß√£o somente com ativos locais, a funda√ß√£o estar√° sujeita aos mesmos riscos‚ÄĚ, diz o executivo, fazendo refer√™ncia ao epis√≥dio ‚ÄėJoesley Day‚Äô. A divulga√ß√£o do grampo do s√≥cio do frigor√≠fico no ex-presidente Michel Temer em maio de 2017 sacudiu os pre√ßos de todos os ativos do mercado local. ‚ÄúEssa quest√£o n√£o teve interfer√™ncia no desempenho dos ativos globais‚ÄĚ, afirma o diretor da Western Asset. Ele diz ainda que o receio de um eventual aumento da volatilidade na carteira n√£o deveria servir como desculpa para as EFPCs que preferem manter todo o portf√≥lio dentro de casa. Isso porque, segundo Forster, por acessar uma gama maior de alternativas em compara√ß√£o com os fundos locais, os pares globais t√™m uma volatilidade at√© 50% menor devido √† diversifica√ß√£o. √Č o caso de dois fundos de a√ß√Ķes da Legg Mason, controladora da Western Asset. Ambos os produtos, com o hedge cambial, sobem cerca de 20% no ano. Um compra a√ß√Ķes de grandes empresas conhecidas dos consumidores como Apple, Microsoft, Samsung e Disney. O outro investe em empresas de infraestrutura listadas nas bolsas globais. ‚ÄúS√£o produtos com retornos superiores aos do mercado local e com uma volatilidade menor‚ÄĚ, afirma Roberto Teperman, diretor da Legg Mason.
Os dois fundos foram trazidos sem a flutua√ß√£o do d√≥lar porque a demanda inicial era mais voltada para essa op√ß√£o. Com as mudan√ßas na legisla√ß√£o e a pr√≥pria sofistica√ß√£o das entidades, Teperman diz que a procura por fundos de prateleira come√ßa a diminuir. ‚ÄúOs fundos de pens√£o come√ßam a buscar solu√ß√Ķes customizadas‚ÄĚ.

Exclusivo ‚Äď Na M Square, o diretor de rela√ß√Ķes com investidores, Ariel Morgenstern, tamb√©m tem notado uma procura crescente das funda√ß√Ķes por um fundo global para chamar de seu. A asset acaba de estruturar no fim de agosto um fundo de fundos exclusivo para a Funda√ß√£o Promon, um dos primeiros do setor nesses moldes. ‚ÄúPor termos o foco exclusivo em investimentos globais, nos dedicamos bastante nos √ļltimos meses para entender todos os detalhes operacionais e regulat√≥rios para estruturar o fundo‚ÄĚ, diz Morgenstern. ‚ÄúN√£o foi um trabalho muito f√°cil e demorou cerca de seis meses at√© ficar pronto‚ÄĚ.
O trabalho da M Square consiste em colocar de p√© a estrutura do fundo de fundos e encontrar os melhores gestores para as diferentes classes de ativos no mercado global. ‚ÄúCom a estrutura que temos, n√£o conseguimos fazer uma an√°lise aprofundada, por exemplo, do mercado acion√°rio europeu‚ÄĚ, diz o diretor da M Square. ‚ÄúMas conseguimos identificar os melhores gestores nesses mercados para fazer o trabalho‚ÄĚ. Gra√ßas ao garimpo, a carteira global de gestores de a√ß√Ķes da asset rende 26% no ano, at√© agosto, considerada a varia√ß√£o cambial.

In loco ‚Äď A Geo Capital, no entanto, comprova que n√£o necessariamente √© preciso ter equipes sediadas no exterior para auferir bons retornos com os ativos globais. Baseada em S√£o Paulo, o fundo da gestora exposto ao d√≥lar sobe 29,97% de janeiro a agosto. A Geo foi fundada em 2013 e tem aproximadamente R$ 750 milh√Ķes de investidores de alta renda. Com o hist√≥rico do fundo na manga, ela come√ßa a prospectar o p√ļblico institucional.
Segundo Gustavo Aranha, diretor de distribui√ß√£o da Geo Capital, o desempenho de destaque do fundo se deve √† filosofia da casa que tem como um dos pilares a an√°lise criteriosa do pre√ßo do papel. Hoje muito se fala sobre os atritos entre as lideran√ßas mundiais e as consequentes turbul√™ncias nos ativos quando se analisa o mercado global, mas pouca aten√ß√£o se d√° ao atual patamar do pre√ßo das a√ß√Ķes, diz o executivo. ‚ÄúOs mercados subiram bastante desde 2009, e h√° diversos pap√©is caros no mercado‚ÄĚ, afirma Aranha. Entre os nomes no portf√≥lio da Geo est√£o alguns nomes bem conhecidos, como AB Inbev e Moody¬īs, mas outros nem tanto, como John Deere e Comcast, do setor de tratores e m√≠dia, respectivamente.
Apesar dos por√©ns com os in√ļmeros riscos no horizonte internacional, o momento de partir para o exterior parece ter chegado a um ponto limite para as funda√ß√Ķes. ‚Äú√Č compreens√≠vel o investidor se refugiar no CDI a 14%, mas quando a taxa cai a menos da metade, diversificar a carteira com o exterior √© inevit√°vel‚ÄĚ, diz Forster, da Western Asset. ‚ÄúSempre haver√° algum barulho no cen√°rio global, o mercado nunca oferece 100% de certeza‚ÄĚ, afirma de Marchi, da JP Morgan Asset. ‚ÄúA diversifica√ß√£o geogr√°fica deveria ser um movimento estrutural‚ÄĚ, diz o diretor da Geo Capital. ‚ÄúO conjunto da obra ao ter duas fontes de retorno completamente distintas √© muito melhor do que apenas uma isolada‚ÄĚ, afirma Aranha.

Fundação Promon vai além da oferta local
Andr√© Natali, diretor de investimentos da Funda√ß√£o Promon, afirma que a op√ß√£o pelo fundo exclusivo foi para n√£o limitar o menu √†s op√ß√Ķes nas prateleiras das gestoras. ‚ÄúAo inv√©s de ficar esperando as ofertas chegarem, partimos diretamente para o exterior, onde a quantidade de op√ß√Ķes √© muito maior‚ÄĚ, diz Natali. ‚ÄúAumentar o rol de ativos eleg√≠veis vai melhorar consideravelmente a rela√ß√£o risco/retorno da carteira‚ÄĚ, afirma o diretor.
Os R$ 60 milh√Ķes do novo ve√≠culo, uma pequena fra√ß√£o perto da carteira de R$ 1,6 bilh√£o da Funda√ß√£o, s√£o oriundos dos fundos globais de a√ß√Ķes em que a EFPC j√° investia anteriormente. ‚ÄúTemos agora um fundo que vai buscar os melhores gestores globais tanto de a√ß√Ķes, mas tamb√©m de cr√©dito ‚Äėinvestment grade‚Äô, ‚Äėhigh yield‚Äô e multimercados‚ÄĚ. O custo para ter uma estrutura customizada aumentou, mas o diretor entende que vale a pena, dado o retorno esperado. A estimativa de rentabilidade do fundo √© de 5% ao ano mais a varia√ß√£o cambial.

Geo cobre o mercado global a partir do Brasil | Gestora adora filtros rigorosos para escolher as empresas que entram no portfólio

Especializada em a√ß√Ķes de empresas listadas fora do Brasil, a GEO Capital aposta que a queda das taxas de juros levar√° os institucionais a buscar diversifica√ß√£o e colocar mais risco nas carteiras. Segundo o s√≥cio da asset, Gustavo Aranha, ‚Äúo investidor em geral ficou mais atento √†s alternativas porque o CDI n√£o √© mais uma boa ideia e as alternativas de aloca√ß√£o em a√ß√Ķes no Brasil ainda s√£o muito restritas em n√ļmero de empresas e em liquidez‚ÄĚ, analisa Aranha.
A GEO mant√©m a aloca√ß√£o dentro de um universo de cobertura que inclui empresas filtradas a partir de um crit√©rio claro: elas devem ter processos de neg√≥cios saud√°veis e que sejam sustent√°veis como tal durante os pr√≥ximos cinco anos. ‚ÄúO filtro √© rigoroso, essas empresas precisam ter a capacidade de dobrar lucros em cinco anos. Nesse universo de cobertura, hoje composto por 60 empresas, s√£o escolhidas aquelas que ir√£o para o portfolio e a√≠ as empresas passam por outro filtro, o de pre√ßos‚ÄĚ, explica o gestor. Ou seja, precisam seguir o crit√©rio de qualidade do neg√≥cio e de pre√ßos para entrar na carteira. Parece uma obviedade mas n√£o √©, principalmente na compara√ß√£o com gest√Ķes passivas porque os fundos indexados n√£o olham para isso, diz Aranha.
‚ÄúAtualmente, nosso portfolio tem apenas 12 ativos (em junho eram 15) porque o valuation dentro do universo de cobertura mostrou que algumas estavam com os pre√ßos esticados e precisamos considerar o risco de pre√ßo‚ÄĚ. Como gestora independente, a liberdade para investir em recortes espec√≠ficos de mercado tem sido um diferencial importante para aproveitar os melhores ativos pelos melhores pre√ßos. Dois aspectos relevantes s√£o considerados: como as a√ß√Ķes reagem no mercado aos eventos pol√≠ticos e econ√īmicos, e as consequ√™ncias de novas pol√≠ticas. ‚ÄúAs duas coisas n√£o andam necessariamente juntas porque h√° empresas que n√£o reagem da mesma maneira a premissas macro, por exemplo, como as do setor de luxo‚ÄĚ, lembra Aranha. Nesse caso, as crises, choques, mudan√ßas tribut√°rias, etc, encontram maior resili√™ncia dos pap√©is a cen√°rios ruins.
No per√≠odo de 12 meses, o destaque do portfolio da GEO ficou por conta das a√ß√Ķes listadas nos EUA, mas elas passam pelo filtro de qualidade do neg√≥cio, o que significa que muitas dessas empresas s√£o refer√™ncia em seus setores e, em geral, tem atua√ß√£o global. Os pap√©is da Moody‚Äôs, John Deere e Disney s√£o alguns exemplos disso. ‚ÄúNosso modelo de gest√£o tende a se beneficiar de modo global dos melhores ativos‚ÄĚ. At√© o final de junho, o fundo global equity da GEO acumulava rentabilidade de 11,28% contra 5,5% do MSCI e de 20,51% contra 15,6% do MSCI nos seis meses.
A GEO deu in√≠cio em 2019 √† montagem de uma for√ßa de vendas espec√≠fica para atrair os investidores institucionais. ‚ÄúAt√© agora n√£o hav√≠amos feito isso porque n√£o t√≠nhamos cinco anos de track record mas a expectativa √© elevada e at√© o final do ano esperamos concluir alguns processos que j√° est√£o bem adiantados com as EFPC‚ÄĚ, informa Aranha.

Previ deve aumentar investimentos no exterior

O fundo de pens√£o dos funcion√°rios do banco do Brasil, a Previ, come√ßa a rever algumas estrat√©gias para enfrentar uma conjuntura de juros baixos e taxas atuariais elevadas. Entre outras defini√ß√Ķes, a funda√ß√£o pretende ampliar seus investimentos no exterior.

A Previ tem hoje cerca de R$ 200 milh√Ķes aplicados em fundos no exterior e pretende mais que dobrar esse volume nos pr√≥ximos 12 meses. As aloca√ß√Ķes no exterior contemplam, al√©m da renda vari√°vel, tamb√©m investimentos em fundos de renda fixa.

Os recursos para elevar a participa√ß√£o em investimentos no eterior deve vir da venda de participa√ß√Ķes acion√°rias, um segmento no qual a funda√ß√£o dos funcion√°rios do Banco do Brasil est√° super-exposta. Atualmente a Previ tem cerca de 45% da sua carteira em renda vari√°vel, muito acima da m√©dia do setor, e planeja reduzir gradativamente esse volume para 30%.

Essa nota foi corrigida em 18/7, pois originalmente dizia que a Previ pretendia aumentar a participa√ß√£o tamb√©m em FIPs, o que foi negado pela funda√ß√£o.

Uber vai estrear na bolsa de NY com greve de motoristas em sete cidades

Os motoristas do Uber de sete grandes cidades dos EUA est√£o organizando uma paraliza√ß√£o para 8 de maio, dia em que a companhia iniciar√° suas opera√ß√Ķes na Bolsa de Nova York, segundo ag√™ncias de not√≠cias internacionais. Os motoristas alegam que o Uber vem reduzindo o valor dos pagamentos, al√©m de n√£o oferecer benef√≠cios ou seguran√ßa e n√£o ser transparente. Motoristas de S√£o Francisco, San Diego, Los Angeles, Chicago, Minneapolis, Filad√©lfia e a capital Washington devem paralisar os servi√ßos prestados por at√© 12 horas.
A capta√ß√£o do Uber em seu IPO est√° prevista entre US$ 9 bilh√Ķes e US$ 10,35 bilh√Ķes, com a emiss√£o de 180 milh√Ķes de a√ß√Ķes, no lote principal, e mais 27 milh√Ķes, em lote suplementar. Com a opera√ß√£o, a expectativa √© que a empresa alcance um valor de mercado entre US$ 79 bilh√Ķes e US$ 90 bilh√Ķes.

Modera√ß√£o do Fed pode estimular renda fixa | Fim do processo de alta nas taxas de juros americanas desanuvia preocupa√ß√Ķes

O cen√°rio internacional, que nos √ļltimos meses foi um fator de preocupa√ß√£o para os investidores que alocaram no exterior, come√ßa a se distencionar. ‚ÄĚO maior stress na renda fixa global, por conta das altas no juro americano, aparentemente ficou para tr√°s e o Fed est√° pr√≥ximo de ter atingido uma taxa neutra depois de v√°rias eleva√ß√Ķes desde 2015‚ÄĚ, avalia o vice-presidente s√™nior para a Am√©rica Latina da Pimco, Luis Ot√°vio Oliveira.
A gestora de origem californiana, que tem US$ 1,7 trilh√£o em ativos sob gest√£o, precifica apenas mais uma alta do juro pelo Fed no final de 2019. A economia americana est√° reduzindo sua velocidade de crescimento, lembra Oliveira, mas n√£o deve entrar em recess√£o este ano. ‚ÄúA chance disso acontecer agora √© de 30%, percentual que aumentou em rela√ß√£o √†s previs√Ķes feitas em 2018 mas ainda √© relativamente baixo. O mais prov√°vel √© que os EUA entrem em recess√£o apenas no final de 2020 ou no primeiro semestre de 2021‚ÄĚ. Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu deve encerrar o seu programa de quantitative easing.
Especialista em renda fixa, a Pimco sabe que nos momentos de alta volatilidade esse segmento costuma performar muito bem. ‚ÄúEstamos otimistas porque o risco de recess√£o √© relativamente baixo este ano e a previs√£o √© de mais uma alta do juro ou manuten√ß√£o da taxa atual, com melhor previsibilidade quanto a essa vari√°vel‚ÄĚ, diz Oliveira. Al√©m disso, a proje√ß√£o √© de maior volatilidade nos mercados este ano, favorecendo os ganhos do segmento. As altas dos juros americanos nos √ļltimos anos tamb√©m melhoraram esses retornos, mas √© preciso lembrar que h√° riscos para a renda fixa, o que nos mant√©m em estrat√©gias conservadoras‚ÄĚ, diz Oliveira.
As estrat√©gias da Pimco priorizam o risco de duration (juro) em rela√ß√£o ao risco de cr√©dito em seus portfolios porque os pap√©is de cr√©dito ainda est√£o altos, explica Oliveira. S√£o estrat√©gias com hedge em moeda e yeld de 6% a 6,5% ao ano em d√≥lar (era de 5,5% h√° um ano), retorno potencial de 150% do CDI e volatilidade de 3% a 5%. Os portfolios tem uma parte principal em ativos dos EUA mas tamb√©m alocam 13% em emergentes . ‚ÄúCuidado especial com o Reino Unido por conta do Brexit, as posi√ß√Ķes short j√° precificam isso porque o impacto de um ‚Äúhard Brexit‚ÄĚ sobre a economia √© estimado pelo mercado em at√© 8% do PIB‚ÄĚ.

Emergentes e EUA ‚Äď O cr√©dito hedgeado √© uma das op√ß√Ķes na renda fixa global e h√° espa√ßo para estrat√©gias com exposi√ß√£o razo√°vel a pa√≠ses emergentes ou a cr√©dito corporativo, lembra Marcelo Toledo, da Bram. Faz pouco sentido ter t√≠tulos p√ļblicos de pa√≠ses desenvolvidos no portfolio porque as taxas ainda s√£o baixas nos EUA e negativas na Europa. Uma op√ß√£o interessante √© manter cr√©dito corporativo nos EUA, com ou sem investment grade, porque h√° liquidez e exposi√ß√£o a diferentes setores e empresas de atua√ß√£o global. ‚ÄúOu ir para pa√≠ses emergentes, tanto em t√≠tulos p√ļblicos quanto no mercado de cr√©dito, mas sem exposi√ß√£o √†s suas moedas locais porque o retorno √© baixo e h√° correla√ß√£o com o Brasil‚ÄĚ, explica Toledo.
Uma estrat√©gia importante tem sido a de parcerias com assets que tem caracter√≠sticas espec√≠ficas para manter t√≠tulos em d√≥lar e de empresas que est√£o mais atuantes nos EUA e Europa, por√©m tamb√©m com posi√ß√Ķes globais. ‚ÄúIsso significa cr√©dito corporativo global em d√≥lares‚ÄĚ, destaca o economista-chefe da Bram.

C√Ęmbio √© uma vari√°vel muito importante | Se houver alguma aprecia√ß√£o no segundo semestre tend√™ncia √© de entrada de recursos

Apesar do aumento para 10% do percentual que os institucionais podem alocar no exterior, a presen√ßa desses ativos nos portf√≥lios ainda continua pr√≥xima ao que era em 2014. ‚ÄúHoje n√£o √© nada muito diferente do que havia naquela √©poca, cerca de 0,4% dos ativos totais, embora tenha aumentado um pouco em 2015. Atualmente os investidores locais olham mais para o c√Ęmbio e para ativos com bom potencial de valoriza√ß√£o, ent√£o os limites legais para alocar em fundos globais ainda n√£o foram testados‚ÄĚ, avalia o diretor comercial do canal de institucionais do Ita√ļ, C√©sar Ming.
Embora haja necessidade de diversificar geograficamente e de acessar ativos n√£o dispon√≠veis no mercado interno, os investimentos no exterior tendem a encontrar crescentes dificuldades, lembra o diretor da Ita√ļ Asset Management, Marcello Siniscalchi. Segundo ele, preocupa a vari√°vel dos juros nos EUA j√° que o Fed est√° conduzindo a √ļltima etapa de um ciclo de aperto monet√°rio e isso exige cautela especial do investidor. ‚ÄúEm 2019 deveremos ter mais uma alta do juro americano, o que costuma reprecificar ativos no mundo todo‚ÄĚ, analisa.
Al√©m disso, se o Brasil conseguir cumprir as expectativas de reformas esperadas pelo mercado, ser√° uma oportunidade de se descolar dos demais emergentes, acredita Siniscalchi. ‚ÄúA fatia de aloca√ß√£o t√°tica no exterior n√£o dever√° crescer neste ano, at√© porque poderemos ter performances superiores aqui dentro, mas para os pr√≥ximos anos √© uma op√ß√£o‚ÄĚ.

Processo demorado ‚Äď ‚ÄúInvestir no exterior √© um processo lento para as funda√ß√Ķes brasileiras e est√° demorando mais do que imagin√°vamos‚ÄĚ, observa o vice-presidente de Investimentos, Vida e Previd√™ncia da Sul Am√©rica, Marcelo Mello. Ele ressalta que neste in√≠cio de ano est√° havendo alguma acelera√ß√£o e o assunto parece estar maduro nos Conselhos das entidades fechadas de previd√™ncia complementar, ‚Äúmas nas carteiras ainda n√£o se v√™ crescimento‚ÄĚ.
Quem já alocava no exterior está buscando aumentar esse percentual, mas a virada deste ano foi neutra em contraste com a virada de 2017 para 2018, quando houve maior apetite por consultas, avalia o superintendente executivo da Santander Asset Management, André Cobianchi. Ele atribui essa reação vagarosa ao cenário global mais desafiador e ao maior otimismo local.
‚ÄúA percep√ß√£o √© de que est√£o privilegiando aloca√ß√Ķes diferentes das tradicionais no mercado dom√©stico, com gest√£o mais ativa para buscar retorno em renda vari√°vel local e multimercados estruturados; exceto por casos pontuais, o apetite das entidades por exterior est√° menor do que no in√≠cio de 2018‚ÄĚ, afirma Cobianchi. A m√©dio e longo prazo, por√©m, ele acredita que a tese da diversifica√ß√£o global ir√° prevalecer.
Com o juro interno em 6,5% contra 2,6% nos EUA, o mais baixo diferencial em muitos anos mesmo em termos reais, o c√Ęmbio depreciado tamb√©m atua como fator inibidor dos investimentos no exterior. ‚ÄúSe apreciar um pouco no segundo semestre, isso tornar√° a aloca√ß√£o no exterior mais atrativa‚ÄĚ, diz o economista-chefe da Bradesco Asset Management (BRAM), Marcelo Toledo. A gestora trabalha com proje√ß√£o de R$ 3,65 para o d√≥lar no final deste ano.

Agilidade obrigat√≥ria ‚Äď As incertezas globais desorganizam a capacidade do investidor fazer contas e alocar em ativos de risco, ressalta o diretor de vendas da Legg Mason no Brasil, Roberto Teperman. ‚ÄúO risco de uma trade war, por exemplo, impacta os fluxos e o crescimento global e amplia a incerteza sobre os setores que poder√£o ser mais atingidos‚ÄĚ.
Ele argumenta que uma trade war, em qualquer cen√°rio, trar√° impacto sobre a curva de juros e de c√Ęmbio, no Brasil e no mundo. Nesse ambiente, garantir prote√ß√£o significa tirar a especificidade dos mandatos. ‚ÄúO momento n√£o √© de ficar ref√©m de uma ou outra classe de ativos, √© preciso for√ßar os gestores a serem mais √°geis em suas rea√ß√Ķes √†s mudan√ßas dos cen√°rios globais‚ÄĚ, avisa Teperman.