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Sempre haverá riscos e tensão internacional | Independente desses riscos, o investidor de longo prazo precisa de alocação global

Embora o cenário geopolítico global apresente nuvens carregadas, elas não devem influenciar a tomada de decisões dos investidores de longo prazo com apetite por ativos internacionais. “Coronavírus, eleições nos EUA, Irã, guerra comercial entre EUA e China, sempre haverá alguma coisa a preocupar, mas é essencial que investidores de longo prazo, como os fundos de pensão, mantenham um percentual alocado em ações globais, sejam ativos escolhidos pela própria entidade, seja uma seleção feita por gestores em mandatos mais completos”, observa o sócio fundador da M Square, Arthur Mizne.
Mizne vê um paralelo entre o atual momento de alocação global no Brasil e o que ocorreu nos EUA nos anos 1990. “Era muito parecido com o nosso caso, eles tinham pouco investimento em outros países. Hoje, os fundos de pensão americanos alocam entre 25% e 50% de seu patrimônio no exterior, o que demonstra que, apesar de terem um poderoso e variado mercado doméstico de gestão de ativos, enxergam a força da diversificação internacional”.
Focada em exterior, a M Square tem R$ 5 bilhões sob gestão e, desde o advento da 4.661, já criou um fundo exclusivo e tem outro no pipeline. A filosofia é de longo prazo e, à exceção da China, a opção foi por deixar os emergentes de lado. Seus fundos de ações são fundamentalistas e analisam as empresas com uma visão voltada para aquelas que têm atuação global, não importando se estão baseadas nos EUA ou na Europa. Já em renda fixa, Mizne explica que a preferência recai sobre o mercado dos EUA. “Em primeiro lugar porque o dólar é a nossa moeda de referência mas também porque os EUA têm a melhor jurisprudência e o melhor arcabouço para enfrentar eventuais casos de default”.
Com oito a nove fundos investidos, a tendência é de que a M Square aumente esse número. “Há 15 anos vamos ao mercado global buscar os melhores gestores, esse é um trabalho constante para encontrar os especialistas. Não esperamos que eles venham ao Brasil, é preciso ir atrás”, diz a CEO, Luciana Barreto.

Outra gestora que nota o aumento do interesse dos fundos de pensão brasileiros por alocação no exterior é a Pimco, que tinha, em dezembro do ano passado, R$ 2,86 bilhões em ativos sob gestão em feeders no Brasil, dos quais R$ 2,72 bilhões em fundos que são aderentes a Res. 4661. “Notamos um aumento na demanda, seja através dos produtos que já disponibilizamos no Brasil, seja através de processos de Request for Information (RFI) e Request for Proposals (RFP) para soluções customizadas”, diz o responsável pela gestora no Brasil, Luís Otávio Oliveira.
Segundo ele, a demanda está relacionada às baixas taxas de juros no Brasil e à necessidade de diversificação. “Temos gerido recursos em ambientes de juros próximos a zero (e, mais recentemente, negativos) há mais de uma década. Estamos em conversas avançadas com algumas fundações”, afirma Oliveira. “Os investidores institucionais brasileiros estão cada vez mais sofisticados e estão evoluindo muito rapidamente no que tange a benchmarks e estratégias.”

Para o gestor de fundos de fundos da BNP Paribas Asset Management, Tiago Cesar, o tema de investimentos no exterior é cada vez mais presente nas estratégias das fundações. “Temos tido diversas reuniões com entidades, mas esse é um jogo de tabuleiro em que os participantes avançam por casas’, avalia. Segundo ele, a demanda existe tanto por veículos locais (feeders) como por fundos de fundos.
Há basicamente quatro formas de alocar no exterior. A primeira é comprando ativos de fora mas listados na bolsa local, como BDRs e ETFs. A segunda é usando feeders locais para acessar estratégias de um determinado gestor, com ou sem hedge. A terceira é criando um fundo de fundos local a partir dos feeders disponíveis. E a quarta é criar fundos de fundos locais que acessam diretamente o exterior, com todo um leque de sabores, cores e aromas lá fora. Segundo Cesar, “as duas primeiras alternativas atendem bem os portfolios menores”. Já a terceira “é um modelo excelente porque fica super descorrelacionado e dá um balanço de risco muito bom, permitindo consolidar os fundos de fundos preferidos numa única estratégia”, explica o gestor.
Ainda de acordo com Cesar, a quarta possibilidade “exige maior volume alocado e portanto um trabalho maior de seleção de ativos, é um modelo mais complexo mas vai dominar os fóruns de debate daqui para a frente”, avalia. Segundo ele, essa alternativa está em fase de discussão no BNP Paribas, em especial com as maiores EFPC. “Não temos mandatos para isso ainda mas estamos preparados para eles”.

Embora a alocação média das EFPC em exterior via feeders ainda seja baixa, menos de 0,5% dos ativos do sistema, somando cerca de R$ 3 bilhões, a expectativa é de crescimento, avalia o diretor da Schroders Brasil, Fernando Cortez. “Estimamos cerca de 5% dentro de dois a três anos, mas algumas entidades já estão próximas de bater o limite de 10% e então esse teto precisa ser majorado”.
Na Schroders, os planos incluem o lançamento de novos veículos para institucionais este ano, via feeder funds. Outros caminhos incluem mandatos customizados com fundos de fundos de base local. A casa aposta no crescimento desse tipo de mandato, que segue o modelo investment solution. “Fechamos o primeiro agora em janeiro, com recursos de R$ 450 milhões, e há mais três mandatos previstos para acontecer ainda no primeiro trimestre”, explica Cortez.
Segundo Cortez, “o objetivo do modelo investment solution é gerar mais alfa e pouco beta, seja em renda variável ou renda fixa. O que pode significar alocação mais forte em long short ou, na renda fixa, um perfil de retorno absoluto. A alocação em ativos de crédito, por sua vez, pode buscar mais risco soberano com mais retorno absoluto”. As metas são distintas, de acordo com os interesses de cada entidade, e os gestores fazem a ponte com o mercado global. O time da Schroders baseado em Londres conta com 50 pessoas, conhecimento do institucional brasileiro e tem US$ 60 bilhões sob gestão em customização global.

Na busca de resultados, os fundos de pensão brasileiros estão exigindo das gestoras uma grade de exterior com mandatos cada vez mais sofisticados. Na Western, a prateleira de benchmarks inclui desde o mais simples (MSCI, S&P) até instrumentos hedgeados que buscam dólar mais 3% ou mais 4%, sem especificar renda variável ou renda fixa, eplica o diretor executivo da asset, Marc Forster. “A carteira global é montada por nós com base no apetite a risco de cada cliente e no retorno esperado. A partir daí, buscamos fazer com que as carteiras conversem entre si e se complementem”, conta Roberto Tepperman, diretor da global Legg Mason, cujos fundos são distribuídos no Brasil pela Western.
O início dos investimentos no exterior começa com produtos mais simples, na fase de aprendizado, seguindo depois para os mais sofisticados como os fundos de fundos e fundos de ETFs, explica Tepperman. Segundo ele, a maioria dos clientes da gestora ampliou a fatia de exterior. “O volume sob gestão era de R$ 2 bilhões em 2019 e passou para R$ 3, 2 bilhões este ano”. A casa opera com várias estratégias, incluindo equities global, de Estados Unidos, long short de Europa, long short de crédito, small caps.

Segundo o presidente da BlackRock no Brasil, Carlos Massaru Takahashi, as EFPC fizeram ajustes de regulamentos e revisão de políticas no segundo semestre de 2019, para chegar a 2020 preparadas para ampliar os investimentos no exterior. Ele pondera que a diversificação global é essencial para garantir retornos e amortecer o risco de concentração. Boa parte dos ativos na bolsa doméstica já tem preços bem ajustados e mesmo que o Ibovespa bata nos 130 mil pontos, olhando ativo por ativo já há muitos deles próximos do valor upside.
Algumas EFPC começam a olhar estruturas mais complexas e procuram gestores com histórico mais longo e estratégias que já foram testadas. “As fundações precisam ter muito claro o que estão aprovando em seus mandatos”, diz Takahashi. Manter uma parcela hedgeada também é fundamental diante dos passivos das fundações, que são em reais.
Na BlackRock, as alternativas mantém baixa correlação com as exposições domésticas, usando como benchmark o MSCI World, por exemplo, e buscando retornos em ativos de EUA, Europa e China de forma bem diluída por setores e empresas, além da diversificação geográfica.
Além da renda variável, Takahashi vê espaço para crescimento na renda fixa e lembra a importância de olhar para ativos globais que sigam critérios ASG (sustentabilidade ambiental, social e governança). “Diversas entidades já são signatárias do PRI (Principles for Responsible Investment) e esse é um caminho interessante, encontrar fundos específicos de ASG no exterior já que essa oferta ainda é pequena no mercado doméstico”.

A prateleira de produtos de exterior da Santander Asset vai passar a incluir ativos ASG. A casa espera fechar parceria internacional para oferecer uma nova série de fundos equity global, com hedge cambial e selo ASG. “Essa é uma demanda que deve crescer, permitindo ao institucional combinar num mesmo produto a alocação off shore, equities e ASG”, diz o superintendente de Produtos da Santander Asset, Rudolf Gschliffner.
Outra demanda que deve crescer são as estratégias quantitativas globais. A Santander Asset vai entrar de maneira efetiva na disputa pelos investidores interessados nessas estratégias. “Elas ocuparão parte relevante do investimento internacional, uma vez que oferecem relação risco/retorno mais consistente e menos dependência aos movimentos de mercados”, avalia Gschliffner. Segundo ele, o mercado off shore é ideal para o exercício dessas estratégias porque envolve ativos de elevada liquidez.

Para o vice-presidente de Institutional Sales da Franklin Templeton, Luiz Fernando Pedrinha, os juros baixos e os novos limites da Res. 4.661 colocaram os investimentos no exterior definitivamente no radar dos institucionais. Mas esse ainda é um “mundo novo para os fundos de pensão”, que precisam compreender e saber lidar com as diferenças de estrutura, arcabouço regulatório e estratégias dos mercados lá fora. “É essencial fugir das comparações entre as estruturas dos fundos internacionais e dos locais porque os tomadores de decisões de investimentos precisam se sentir confortáveis com isso”, afirma Pedrinha.

RPPS com apetite global | Institutos de previdência, que demoram mais a obter autorização para investir no exterior, agora querem tirar a diferença e alguns já estão batendo no limite

As entidades de previdência social dos servidores públicos (RPPS), na esteira de regras de investimento e de governança revistas e atualizadas, mostram disposição de entrar para valer no mercado global. Algumas delas já bateram o limite máximo permitido por lei, outras devem atingi-lo este ano e mesmo as que ainda não foram ao exterior já exibem apetite para avançar na conquista de posições lá fora.
Para gestoras como a BB DTVM, que tem no RPPS um foco prioritário, a aposta nos fundos globais deverá render frutos este ano. Com uma área interna dedicada exclusivamente aos institutos de previdência municipais e estaduais, a BB DTVM fechou em novembro passado o primeiro contrato para alocação de um cliente RPPS no exterior, via fundo de global equities. A perspectiva é otimista para este ano, diz o diretor Comercial e de Produtos da asset, Aroldo Medeiros, que comemora a grande quantidade de propostas já colocadas na mesa. “De 2019 para cá temos visto uma migração forte de parte das carteiras para o exterior e em 2020 o RPPS deverá aumentar sua busca por diversificação global, esta é uma evolução do mercado”, conta. Ele assegura: “Estamos preparados para colher os frutos de um trabalho que plantamos no ano passado e incluiu centenas de visitas aos RPPS”.
Esse esforço está estreitamente ligado ao seu distribuidor, o Banco do Brasil, com sua extensa rede de agências especializadas em governo. Como resultado, até dezembro de 2019 estavam sob sua gestão R$ 62,1 bilhões em recursos dos RPPS, ou 36,2% do total de ativos desse segmento. Em 2019 foi reformulada toda a grade de produtos para RPPS e o portfólio agora procura atender os mais diversos perfis. Ao todo, a BB DTVM tem disponíveis para esse público 13 fundos de renda fixa, oito de ações, cinco multimercados e 9 no exterior, incluindo renda fixa e renda variável.
A BB DTVM mantém parcerias de longo prazo com gestores internacionais para atender à demanda por ativos do feeder fund local. No caso dos RPPS, Medeiros explica que a assessoria às entidades ajuda a definir o mix de produtos que seja compatível com os objetivos da política de investimento de cada uma delas e leva em conta a descorrelação com suas carteiras locais. São estratégias taylor made para garantir o máximo benefício da diversificação a partir de três modalidades: fundos de ações globais; fundos de renda fixa global e fundos de renda fixa na modalidade Brazil fixed income, que alocam em papéis emitidos por empresas brasileiras no exterior e contam com suporte das três corretoras da BB Securities lá fora.

No Instituto de Previdência do Município de Jundiaí, Iprejun, o limite de 10% no exterior foi atingido em dezembro de 2019, como parte de uma estratégia de forte descorrelação. Os investimentos são feitos em renda variável, por meio de fundos de ações e multimercados. A entidade trabalha com seis gestores e alguns dos fundos têm investimentos em ações de empresas nos cinco continentes. “Há estratégias distintas e bom nível de dispersão, sendo quatro carteiras com hedge cambial e duas não hedgeadas. Isso nos garantiu retorno de 170% a 180% de nossa meta atuarial, que é de IPCA mais 6% ao ano”, conta o diretor presidente do Iprejun, João Carlos Figueiredo.
Ao invés de perseguir o benchmark de cada fundo, a opção foi obter um retorno alinhado à meta atuarial, até porque no mercado global há uma grande variedade e complexidade de benchmarks. Os 10% investidos foram resultado de uma política gradual, explica Figueiredo: “Começamos há algum tempo investindo por meio de fundos pequenos, depois passamos a incluir também BDRs e viemos alocando volumes cada vez maiores a cada mês até chegar ao percentual de 10%”.
A principal preocupação é com a descorrelação entre as carteiras. Integrante do Grupo de Trabalho criado no ano passado pela Secretaria da Previdência para discutir a revisão da regulamentação dos investimentos do RPPS (Resoluções CMN nº 3.922 de 2010 e nº 4.695 de 2018), Figueiredo lembra que os estudos de ALM produzidos já na nova conjuntura de mercado, com juros menores, apontam a necessidade de ampliar as fatias de renda variável e, para isso, o mercado local ainda é limitado. O Iprejun tem hoje 47% de seus ativos em renda variável (local e global), mas pode ir até 50% em renda variável local e 10% no exterior. Uma das opções portanto é ampliar o percentual de renda variável como um todo, mesmo sem reduzir o percentual local. “É uma opção interessante, até porque o risco dos fundos no exterior equivale a apenas 60% do risco a que estamos expostos em fundos de renda variável locais”.
O orçamento de risco prevê espaço maior na renda variável pois o risco de renda fixa está muito baixo. “Estamos desenvolvendo um trabalho para redimensionar esses volumes e buscar outros gestores”, diz Figueiredo. Estão em estudo ainda oportunidades em renda fixa e crédito no exterior mas esses mercados ainda não são competitivos em relação ao que o Iprejun já tem em renda variável.

Sem alocação no exterior até 2019, o Ipreville (Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Joinville) definiu na política de investimentos deste ano um percentual de até 10%, já deu início ao processo de seleção e espera fazer as primeiras aplicações sem perda de tempo para atingir esse limite ainda no primeiro semestre. “A alocação incluirá ações globais e estratégias específicas de acordo com a experiência de cada casa gestora. Essa expertise definirá as estratégias e os percentuais a serem aplicados, em alinhamento com a nossa equipe de gestão”, informa o diretor presidente do Instituto, Sergio Luiz Miers.
Os objetivos de retorno seguirão a meta atuarial da entidade, explica Miers. Já os riscos envolvidos consideram questões como a variação cambial e eventuais crises nos países em que os fundos investem, assim como o risco de falta de conhecimento e de experiência dos gestores nesse segmento. Para enfrentar esses riscos, os critérios de seleção dos gestores levam em conta o tempo de experiência da equipe com esse tipo de carteira, sua performance, PL dos fundos sob gestão, número de cotistas desses fundos, governança e aprovação pelo comitê de Investimentos do Ipreville, além de seu credenciamento junto ao Instituto.
A decisão de diversificar passa também pela ampliação da renda variável local, conta Miers. “Atualmente temos 8% dos ativos de investimento alocados em renda variável local mas a pretensão é de ampliar esse percentual em 2020 diante da perspectiva de baixa rentabilidade na renda fixa”.

O Rio Previdência, Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, ainda não tem aplicações no exterior mas “temos muita vontade de explorar esse segmento, assim que estiver concluída a atual fase de montagem da carteira própria e a capacitação da equipe de gestão”, informa o diretor presidente da entidade, Sergio Aureliano Machado da Silva. O planejamento político da entidade já inclui a opção de investir até 10% no exterior.
O plano previdenciário, criado em 2013 e superavitário em R$ 650 milhões, tem hoje cerca de R$ 1,8 bilhão em ativos e passa por uma reformulação que incluiu a criação de uma diretoria de investimentos. Atualmente, o plano investe apenas em renda fixa mas com a nova carteira o primeiro passo será na direção da renda variável. “Em seguida, serão avaliadas as demais possibilidades e a alocação no exterior mostra potencial para ser um bom investimento”, diz Silva.
A entidade mantém ainda o plano financeiro, segregado do plano previdenciário , e que sofre os efeitos negativos da securitização dos royalties do petróleo no RJ, em três operações realizadas pelo governo do estado em 2014, 2015 e 2018 num total de R$ 11 bilhões. A maioria dos títulos está no mercado americano e, embora tenha sido importante essa venda futura de petróleo, o custo para o Rio Previdência é caro demais. “Pagamos 9,75% aos investidores estrangeiros, em dólar, então estamos tentando negociar com os investidores americanos porque o saldo devedor hoje é de R$ 10 bilhões, informa Silva.

Fundações otimistas com alocações globais | Investimentos no exterior são oportunidade de diversificação e bons retornos em mercado com juros no mínimo histórico

O teto de 10% dos ativos totais estabelecido pela legislação para as entidades fechadas de previdência complementar alocarem no exterior ameaça ficar pequeno em pouco tempo. Com o rendimento baixo na renda fixa e a renda variável doméstica limitada em um número não muito alto de opções, os mercados internacionais entraram definitivamente na lista das prioridades das EFPC. Para as casas gestoras, o momento é de avançar na montagem de propostas e, em alguns casos, na oferta de soluções de investimento mais sofisticadas. A mudança nas regras de investimento, definida na Resolução CMN 4.661, também abriu espaço para aquecer mais rapidamente esse mercado.
Na Previ, a aprovação da Resolução 4.661 abriu espaço para o crescimento dos investimentos no exterior.Segundo o diretor de investimentos da Previ, Marcelo Otávio Wagner, “nossa política de investimentos já previa investimentos no exterior, mas a atual regulação permitiu aumentarmos os percentuais de alocação”.
“O cenário de taxa de juros nominal na casa de 4,40% a.a., que representa praticamente zero em termos reais, nos impõe um mega desafio de buscar novas classes de investimentos”, avalia Wagner. “A participação de investimentos no exterior vai crescer, mas diante do patrimônio dos planos o impacto, seja de ganho ou de minimização de riscos, será pequeno num primeiro momento”, complementa.
A Previ deve finalizar ainda no primeiro semestre deste ano o processo para alocação em dois fundos exclusivos, que deverão ser os veículos para investimento nas cotas dos fundos domiciliados no exterior, que já foram analisados e aprovados. A ideia é ter dois fundos, sendo um para renda fixa e o outro para renda variável. “Na alocação em renda fixa, as estratégias mesclam títulos soberanos, de empresas e securitizados (sem risco cambial). Já em renda variável, o objetivo é diversificar geograficamente em diversos mercados/regiões, mas com foco na gestão ativa”, detalha Wagner.
No que diz respeito aos multimercados, a possibilidade ainda está em análise, diz o diretor. Ele lembra que boa parte dos multimercados locais, uma indústria robusta no Brasil, também tomam risco lá fora. “Então, de certa forma, esses fundos já embutem uma diversificação de mercado, além é claro da própria diversificação de estratégias que é inerente aos multimercados’. A atual política e diretrizes de investimentos da Previ, informa seu diretor, norteia para uma migração suave de renda variável para renda fixa e para as demais classes de investimento.

Já na Valia, com uma exposição entre 5% a 6% de seus ativos em fundos de investimento no exterior, até agora só o plano BD apostava em mercados globais. Mas o lançamento, em janeiro deste ano, do modelo ciclo de vida permitirá um aumento dessa exposição. “Teremos investimentos no exterior tanto em fundos de ETF (fundos que replicam o comportamento de diversos índices) quanto em fundos de ações com estratégias passivas”, informa o diretor de Investimentos da Valia, Maurício Wanderley.
Segundo ele, investir no exterior para ampliar a diversificação tem tudo a ver com o conceito do ciclo de vida, oferecendo investimentos mais arrojados para os participantes mais jovens. A Valia oferece oito opções de ciclos, aplicáveis a dois planos de benefícios. Os percentuais de alocação no exterior, assim como os de outras classes de ativos, irão variar conforme os diferentes estágios de vida. Mas o percentual alvo de exterior, definido na política de investimentos para o ciclo de vida este ano vai até 9% dos ativos.
“O objetivo desse modelo é totalmente compatível com a diversificação internacional, isso nos permitirá alocar em renda fixa mais longa e renda variável mais ativa no mercado local, enquanto os fundos de exterior continuarão sendo de renda variável passiva e ETF”, explica o diretor. O ciclo de vida passou a ser o default e os novos trabalhadores das empresas patrocinadoras serão encaminhados diretamente para ele. Além disso, ele também receberá migrações de participantes do atual modelo de perfis de investimento.
A Valia usa como benchmark o MSCI World e o retorno obtido por seus fundos no exterior foi o destaque das carteiras em 2019. “A rentabilidade ficou próxima de 30%, graças ao desempenho em bolsa. Em 2018, o ganho foi assegurado pela variação do câmbio porque aproveitamos também a diversificação de moedas”.

Na Previ Ericsson, que aposta em fundos de investimento no exterior desde 2012, a fatia de alocação nesse segmento vai crescer nos próximos meses. A fundação tem mantido uma média de 5% a 6% de seus ativos no exterior, sem interrupções, mas em 2020 pretende bater no limite máximo legal, de 10%, o que provavelmente acontecerá até a metade do ano. “Já temos fundos tanto no mercado de equities globais (EUA e Europa) como um fundo específico para ações de empresas européias, além de fundos de renda fixa e multimercado”, conta o diretor superintendente da entidade,Rogério Tatulli.
Os fundos de ações da Previ Ericsson não têm proteção cambial, o que tem lhes garantido ganhos relevantes com a variação de moedas (dólar no fundo global e euros no fundo europeu), enquanto os multimercados e renda fixa são hedgeados. “Com essa combinação mantemos uma estratégia “mezzo a mezzo”, faturando a cereja do bolo das oscilações cambiais de vez em quando mas sem correr muito risco, o que tem mostrado resultados bem superiores do que se tivéssemos perdido tempo tentando operar o câmbio”, afirma Tatulli. Segundo ele, o importante é garantir diversificação geográfica, cambial e de estratégia graças à mistura de diferentes classes de ativos.
Em 2019, o fundo global de equities da Previ Ericsson rendeu 30% contra uma variação cambial de 8% no período. “Temos sido muito bem sucedidos e o resultado reflete a capacidade do gestor entregar o alfa prometido”, lembra Tatulli. Para ele, “ficar esperando o dólar baixar é uma conversa de surdos que acabou gerando prejuízos para quem perdeu a oportunidade de ganhar no exterior”.
Ele vê espaço para que as assets ofereçam maior diversidade e sofisticação em suas grades de produtos daqui para a frente, mas admite que esse movimento dependerá da demanda apresentada pelos investidores. “Há uma infinidade de opções mais complexas lá fora mas a oferta disponível hoje para o institucional brasileiro ainda está engatinhando”, acredita Tatulli.

Para a Fibra, que começou em 2014 seu aprendizado em alocação internacional, esse segmento representa uma fatia próxima a 1,8% do patrimônio, devendo terminar este ano com 2%. O equilíbrio cuidadoso entre fundos de ações locais e internacionais é fundamental para explorar melhor as vantagens da diversificação, avalia o diretor de Administração e Processos da fundação, Marcos Aurélio Litz. Ele lembra que a rentabilidade de 29,3% garantida pelos dois fundos de global equities foi importante no ano passado mas acabou sendo superada pelo desempenho do mercado de ações local. O movimento feito pela Fibra para adequar suas carteiras de ações a esse quadro foi uma jogada que deu certo. “No início de 2019, entendemos que o cenário lá fora seria um pouco mais complicado e fizemos um ajuste nas carteiras; estávamos certos porque o ganho aqui foi maior e os nossos fundos de ações no Brasil renderam 34,2%”, afirma o diretor.
Litz lembra que há uma segregação formal mas na prática existe uma visão integrada dos mercados de ações global e local, com uma relação de 70% da carteira no Brasil e 30% lá fora. O ajuste feito em 2019 alterou esse balanço para 80% na bolsa aqui e 20% em bolsas internacionais, o que permitiu à Fibra capturar o retorno positivo das ações no mercado doméstico.
Em 2020, essa relação voltará aos percentuais de 70% e 30%, porém com maior diversidade. A alocação continuará exclusivamente em equities, sem nada de crédito ou outros mercados, mas a intenção é diversificar mais em gestores para buscar novas estratégias. Hoje a Fibra mantém suas carteiras nas mãos de dois gestores mas, como pretende chegar a 2% dos ativos aplicados no exterior, será preciso ter estratégias um pouco mais sofisticadas. “Ainda estamos mapeando os fundos e seu retornos para definir até março como serão feitos os novos aportes”, conta Litz.

Na Fundação Copel, a alocação no exterior será o próximo passo na diversificação de investimentos. “Tínhamos uma restrição, por conta de um pedido antigo de imunidade tributária que já foi solucionado, e isso nos impedia de investir tanto em multimercados como em exterior. Desde que fomos liberados, há um ano e meio, começamos a estudar as opções”, explica o diretor de Investimentos da fundação, José Carlos Lakoski. Até o final de 2019 foi dada prioridade aos multimercados e também aos Fundos de Investimento Imobiliário. Neste início de 2020, o objetivo é concluir o processo de seleção para fazer as primeiros incursões no mercado global até o final do primeiro semestre. O orçamento prevê percentuais de até 10% dos ativos do plano CD e 10% do plano CV (que é CD na parte de capitalização). Há ainda a perspectiva de alocar 5% dos ativos de cada BD, mas a fundação vai começar pela parte CD.
“Já com um primeiro gestor selecionado, fornecemos a ele dados do nosso portfólio, nível de risco e benchmark e pedimos alternativas para melhorar o nosso índice de Sharp (risco/retorno)”, diz Lakoski. A fundação espera terminar essa etapa de seleção com dois gestores escolhidos entre as 28 propostas recebidas. As alternativas poderão incluir equities ou renda fixa, com um percentual que oscilará em cerca de 70% equities e 30% renda fixa. A expectativa é de que a carteira global tenha um hedge natural via descorrelação entre bolsa e dólar. Lakoski considera o atual limite de 10% adequado à demanda da Fundação.

Personalizando hedge funds | Institucionais dos EUA usam o poder dos seus portfólios para negociar com gestores a personalização das estratégias de hedge funds

Os investidores institucionais estão cada vez mais solicitando personalização nas principais estratégias de hedge funds para adequá-las às suas necessidades de investimento. Como essas estratégias personalizadas, tanto de hedge funds quanto de hedge funds-of-funds, são oferecidas geralmente em contas gerenciadas separadamente, o investidor possui total controle e transparência, incluindo acesso em tempo real ao portfólio de participações dos gestores, diz reportagem da publicação Pension & Investment.
A pedido dos institucionais, gestores de hedge funds estão criando uma ampla gama de estratégias personalizadas. As variações incluem ajustes nas principais estratégias padrão, como isolar e investir em uma estratégia específica a partir de uma abordagem de portfólio multi-estratégia e criar uma solução específica para uma demanda de portfólio.
“A personalização é o novo normal para investidores institucionais de hedge funds”, diz a head das Américas da AIMA (Alternative Investment Management Association), Michelle Noyes. “O setor de hedge funds se tornou mais orientado aos institucionais e esses proprietários de ativos estão se tornando mais exigentes. Com a personalização, eles podem obter mais daquilo que desejam em estratégias de hedge funds”, explica Noyes.
Uma pesquisa da AIMA com 118 gestores de hedge funds realizada no primeiro trimestre deste ano constatou que 53% dos entrevistados concordaram que oferecer soluções personalizadas aos proprietários de ativos é importante para alinhar seus interesses com os do investidor, em comparação com apenas 14% que concordavam com isso em 2016.
Por enquanto, apenas grandes investidores, com mandatos de pelo menos US$ 100 milhões, conseguem obter essas carteiras personalizadas. Um mandato dessa grandeza é suficiente para convencer um gestor a criar uma estratégia personalizada de hedge fund, a manter uma conta gerenciada separadamente e a lidar com questões operacionais e de conformidade, explica Steven Nadel , sócio da Seward & Kissel LLP, um escritório de advocacia de Nova York.
“Da perspectiva de um grande gerente de hedge fund, a oferta de estratégias personalizadas é impulsionada pela oferta e demanda. A conta (gerenciada separadamente) vale a pena? Depende do tamanho”, afirma Nadel, que trabalha em estreita colaboração com investidores e gestores para configurar veículos personalizados de hedge funds.

O tamanho a seu favor – Investidores grandes e sofisticados, como o Teacher Retirement System do Texas (TRS), com US$ 152,2 bilhões em ativos, sabem do peso de um grande portfólio na hora de convencer os gestores de que a estratégia personalizada desejada pela TRS vale a pena. “Acreditamos que a TRS é um investidor único e a oferta ‘de prateleira’ nem sempre é a ideal”, diz Brad Gilbert, diretor sênior de hedge funds da fundação. “As vantagens competitivas da TRS incluem tamanho, liquidez e horizonte de investimento (longo prazo). Nossa equipe está constantemente procurando maneiras de utilizar essas vantagens para melhorar as estratégias de investimento”, acrescenta Gilbert.
Como a alocação média do fundo de pensão para estratégias personalizadas de hedge funds é de US$ 300 milhões e pode contar com a atenção dos gestores, Gilbert diz que tarefa da equipe, de criar portfólios exclusivos com uma variedade de estratégias de hedge funds ficou mais fácil. Segundo Gilbert, cerca de 25% das carteiras de hedge funds, que somam de US$ 12,4 bilhões, são de estratégias personalizadas.
Da mesma forma, a equipe de investimentos do PRIM (Massachusetts Pension Reserves Investment Management), teve “sucesso esmagador” em convencer os gerentes de hedge funds a criar portfólios personalizados. Segundo Eric Nierenberg, diretor de estratégia do PRIM, “todos os nossos fundos personalizados tiveram um desempenho muito bom”.
“Com hedge funds personalizadas, você se torna o CIO do seu portfólio multigestor de hedge funds”, diz Nierenberg, enfatizando que “o valor de contas gerenciadas separadamente (inclui) controle direto sobre as carteiras de hedge funds, transparência total, capacidade de modificar as carteiras de hedge funds conforme a necessidade e reduções de taxas “.
O PRIM começou a usar hedge funds personalizados a partir de 2014 e cerca de 35% da sua carteira de hedge funds, que soma US $ 6 bilhões, é gerenciada com estratégias personalizadas. Nierenberg diz que acordos de confidencialidade o proíbem de identificar os gestores que executam essas estratégias personalizadas para o PRIM, mas disse que um dos sucessos do fundo incluiu “criar” uma estratégia de créditos exóticos para um fundo de hedge que estava produzindo “retornos medíocres”. A conta criada separadamente para essa estratégia de crédito produziu retornos mais fortes do que o fundo principal, explica Nierenberg.
“Eu via a personalização como uma parte crítica das estratégias de futuros” e, muitas vezes, “essencial para obter taxas mais baixas”, disse Nierenberg. “Se o tamanho do ticket para uma estratégia personalizada é grande o suficiente, os gestores geralmente fornecem uma redução de taxa”, disse ele, observando que a redução de taxa para algumas estratégias nas quais a PRIM investiu foi de 40%. As taxas médias ponderadas para as contas personalizadas de hedge funds do PRIM são de 1% para gestão e entre 12% e 13% por performance.

Taxas diminuem – Em relação às taxas, o ganho de eficiência das contas separadas oferecidas pelas subsidiárias de grandes bancos, incluindo a State Street, Bank of New York Mellon e o Societe Generale, resultou em um drástico declínio nas taxas, conta o chefe de desenvolvimento de negócios globais da State Street Managed Account Services, Robert Vanderpool. Ele também é presidente da InfraHedge North America, parte do negócio de contas gerenciadas da State Street.
As taxas para contas dedicadas diminuíram entre 50% e 70% nos últimos três anos e agora variam entre 3,5 a 7 pontos base nos hedge funds, em comparação com 15 e 25 pontos base há três anos, diz Vanderpool.
Executivos de investimento de seis grandes institucionais que aplicam em hedge funds enfatizaram que atingir taxas de administração mais baixas era um objetivo importante na decisão de mudar para estratégias personalizadas, mas a geração de alfa ainda é a preocupação fundamental.
“Nossa visão é de que os hedge funds estão no portfólio principalmente para produzir alfa e complementar os retornos beta do nosso portfólio de longo prazo”, diz Michael Weinberg, diretor administrativo e chefe de hedge funds da APG Asset Management. Ele diz que APG usa estratégias personalizadas há mais de uma década, observando que “fomos pioneiros em adotar abordagens personalizadas. Os fundos de pensão adoram trabalhar conosco porque somos um parceiro de longo prazo. Tendemos a receber taxas muito boas”. A gestora tem aplicações de gigantes do setor de fundos de pensão, como a ABP holandesa e outros.
O APG usa abordagens personalizadas para otimizar o portfólio geral, eliminando a sobreposição entre as carteiras de hedge funds, bem como ampliando as melhores ideias de investimento de alguns gestores de hedge funds por meio de fundos de co-investimento.
Todo investimento feito pela APG deve aderir aos seus princípios ASG, de meio ambiente, sustentabilidade e governança. A APG não divulga o tamanho de seu portfólio de hedge funds ou o percentual investido em estratégias personalizadas.
O TCDRS (Texas County & District Retirement System), de US$ 31,9 bilhões, recorreu a estratégias personalizadas com gestores de hedge funds e de long-only de crédito “para garantir que os fundos/estratégias subjacentes tenham o mandato, a liquidez e as taxas de investimento adequadas”, afirma Casey Wolf, diretor de investimentos do fundo de pensão. A fundação analisa se há “questões específicas do portfólio que uma estratégia personalizada de hedge fund poderia resolver melhor que a estratégia padrão do gestor”
Wolf diz que a equipe de investimentos quer garantir que seus gerentes de hedge funds tenham discricionaridade apropriada para maximizar retornos, observando que se um gestor “realmente não estiver vendo oportunidades no curto prazo (por causa das condições do mercado), não queremos que eles sejam forçados a abreviar, porque esse é o mandato do fundo”.
Em fevereiro, o TCDRS investiu US$ 200 milhões em seu primeiro hedge fund de crédito personalizado por meio de uma conta separada com o Chatham Asset Management. O fundo de pensão investe um total de US $ 1,7 bilhão em cinco fundos de crédito personalizados de longa duração.

Diversificação – Dois outros grandes fundos de pensão voltaram-se para hedge funds personalizados, principalmente para complementar ou diversificar outros investimentos do portfólio geral.
O Conselho de Administração do Estado da Flórida, que administra um total de US$ 206,4 bilhões, incluindo US$ 163,1 bilhões do Sistema de Aposentadoria da Flórida, está diversificando a exposição patrimonial do plano BD da fundação com dois hedge funds personalizados. “Gostamos de adicionar estratégias diversificadas” na carteira de US$ 4,5 bilhões de hedge funds, incluindo futuros, macro global, valor relativo e estratégias quants, diz Trent T. Webster, diretor sênior de investimentos.
A BlackRock Inc. e a J.P. Morgan Asset Management administram aproximadamente US$ 500 milhões em estratégias personalizadas de hedge funds para o Conselho de Administração do Estado da Flórida, que são focadas em estratégias quants e futuros. O fundo da J.P. Morgan é especializado em investir com gestores quants e que usam inteligência artificial para alimentar suas decisões de investimento.
Quanto à disposição dos gestores de hedge funds de verem institucionais lançando novas estratégias personalizadas, os avanços tecnológicos nas negociações automatizadas nos últimos 10 anos tornaram mais fácil implementar essa estratégia através de alocações em várias contas, diz o chefe de desenvolvimento de negócios globais da State Street Managed Account Services, Robert Vanderpool.
A facilidade de negociação e a maior facilidade operacional convenceram mais empresas a dar aos investidores exatamente a estratégia de hedge fund que eles desejam, acrescenta Vanderpool.

Bons ventos além-mar | Apesar da volatilidade global, em virtude da guerra comercial e do Brexit, os fundos de pensão que investiram no exterior não têm do que reclamar

As fundações que apostaram nos fundos de investimento no exterior estão colhendo bons frutos em 2019. Eles se destacam como a maior rentabilidade do ano, até agosto, dentre as principais opções na carteira da EFPC. No período, os dois principais benchmarks internacionais adotados pelas entidades (S&P 500 e MSCI Global) sobem 18,82% e 15,63%, respectivamente. É bem verdade que não se trata de uma distância tão grande em comparação com o Ibovespa (15,07%), mas a rentabilidade dos ativos globais pode ser turbinada pelo dólar. No ano a moeda americana sobe cerca de 7% contra o real (apenas em agosto, a alta foi de 8,5%, a maior variação mensal desde setembro de 2015). Na renda fixa internacional, os ganhos são mais modestos, mas também na casa dos dois dígitos e acima do mercado local – o IMA-Geral sobe 9,1% de janeiro a agosto, enquanto o índice de multimercados da Anbima (IHFA) avança 6,6%.
As intempéries do cenário global, que traz no bojo a guerra comercial e o Brexit, não impediram os investidores de faturar alto. A expectativa de um crescimento mais brando das grandes economias tampouco desanimou os profissionais do mercado. Pelo contrário. Ela serviu na verdade como pretexto para o desempenho positivo dos ativos internacionais. A aposta em um novo ciclo de afrouxamento monetário reduziu os prêmios no mercado de juros, beneficiando os fundos de renda fixa que fazem a precificação diária da carteira (marcação a mercado), diz Giuliano de Marchi, diretor da JP Morgan Asset para América Latina. Surfando essa onda, o fundo de juros e moedas da casa, com o hedge do dólar, subiu 11,1% em 2019, até agosto. Sob o mesmo pano de fundo, as bolsas subiram com a aposta de que os juros em queda manterão as economias pujantes mesmo com as tensões geopolíticas. Embalado pelo elevado apetite ao risco dos investidores, o fundo de ações da gestora, com a adição do câmbio, avança 22,4% nos oito meses do ano.

Patinando – A rentabilidade atraente, entretanto, não foi o suficiente para demover as fundações. A alocação consolidada segue com dificuldades para ultrapassar a barreira de 1% do total de recursos no sistema – segundo a consultoria Aditus, o exterior corresponde a cerca de 0,70% da indústria da previdência fechada. A carteira de ativos globais da JP Morgan Asset no país soma cerca de R$ 1,2 bilhão. A gestora não divulga o crescimento recente, e embora se trate de volume relevante ainda é muito pouco em termos relativos. Na América Latina, o portfólio global da asset ultrapassa R$ 100 bilhões, com os investidores andinos bem mais adiantados no processo de internacionalização.
A volatilidade do front internacional tem de fato retardado o movimento dos fundos de pensão para além das fronteiras, diz de Marchi. Ele adverte, contudo, que o comportamento comum de tentar acertar o melhor momento para entrar no mercado não é o mais indicado. “Temos notado um aumento no interesse sobre o exterior e acredito que em pouco tempo teremos um aumento importante nessa alocação por parte das fundações”, diz ele.

Novos mandatos – Marc Forster, diretor da Western Asset, também está animado com a perspectiva para o crescimento no volume às estratégias globais. “Pelos processos de concorrência nos quais estamos participando, projetamos que cerca de R$ 1 bilhão deve ser alocado em nossos fundos em breve”, afirma. Caso confirmado, será um aumento próximo de 50% frente a carteira de R$ 2 bilhões da Western, que ficou relativamente estável nos últimos meses com a deterioração do cenário global.
Apesar do ambiente internacional desafiador, a confortável posição de estacionar no CDI não é mais possível, o que força o investidor a partir em busca de novas alternativas, afirma Forster. “O exterior precisa entrar na carteira dos investidores”, diz ele. “Ao fazer uma diversificação somente com ativos locais, a fundação estará sujeita aos mesmos riscos”, diz o executivo, fazendo referência ao episódio ‘Joesley Day’. A divulgação do grampo do sócio do frigorífico no ex-presidente Michel Temer em maio de 2017 sacudiu os preços de todos os ativos do mercado local. “Essa questão não teve interferência no desempenho dos ativos globais”, afirma o diretor da Western Asset. Ele diz ainda que o receio de um eventual aumento da volatilidade na carteira não deveria servir como desculpa para as EFPCs que preferem manter todo o portfólio dentro de casa. Isso porque, segundo Forster, por acessar uma gama maior de alternativas em comparação com os fundos locais, os pares globais têm uma volatilidade até 50% menor devido à diversificação. É o caso de dois fundos de ações da Legg Mason, controladora da Western Asset. Ambos os produtos, com o hedge cambial, sobem cerca de 20% no ano. Um compra ações de grandes empresas conhecidas dos consumidores como Apple, Microsoft, Samsung e Disney. O outro investe em empresas de infraestrutura listadas nas bolsas globais. “São produtos com retornos superiores aos do mercado local e com uma volatilidade menor”, afirma Roberto Teperman, diretor da Legg Mason.
Os dois fundos foram trazidos sem a flutuação do dólar porque a demanda inicial era mais voltada para essa opção. Com as mudanças na legislação e a própria sofisticação das entidades, Teperman diz que a procura por fundos de prateleira começa a diminuir. “Os fundos de pensão começam a buscar soluções customizadas”.

Exclusivo – Na M Square, o diretor de relações com investidores, Ariel Morgenstern, também tem notado uma procura crescente das fundações por um fundo global para chamar de seu. A asset acaba de estruturar no fim de agosto um fundo de fundos exclusivo para a Fundação Promon, um dos primeiros do setor nesses moldes. “Por termos o foco exclusivo em investimentos globais, nos dedicamos bastante nos últimos meses para entender todos os detalhes operacionais e regulatórios para estruturar o fundo”, diz Morgenstern. “Não foi um trabalho muito fácil e demorou cerca de seis meses até ficar pronto”.
O trabalho da M Square consiste em colocar de pé a estrutura do fundo de fundos e encontrar os melhores gestores para as diferentes classes de ativos no mercado global. “Com a estrutura que temos, não conseguimos fazer uma análise aprofundada, por exemplo, do mercado acionário europeu”, diz o diretor da M Square. “Mas conseguimos identificar os melhores gestores nesses mercados para fazer o trabalho”. Graças ao garimpo, a carteira global de gestores de ações da asset rende 26% no ano, até agosto, considerada a variação cambial.

In loco – A Geo Capital, no entanto, comprova que não necessariamente é preciso ter equipes sediadas no exterior para auferir bons retornos com os ativos globais. Baseada em São Paulo, o fundo da gestora exposto ao dólar sobe 29,97% de janeiro a agosto. A Geo foi fundada em 2013 e tem aproximadamente R$ 750 milhões de investidores de alta renda. Com o histórico do fundo na manga, ela começa a prospectar o público institucional.
Segundo Gustavo Aranha, diretor de distribuição da Geo Capital, o desempenho de destaque do fundo se deve à filosofia da casa que tem como um dos pilares a análise criteriosa do preço do papel. Hoje muito se fala sobre os atritos entre as lideranças mundiais e as consequentes turbulências nos ativos quando se analisa o mercado global, mas pouca atenção se dá ao atual patamar do preço das ações, diz o executivo. “Os mercados subiram bastante desde 2009, e há diversos papéis caros no mercado”, afirma Aranha. Entre os nomes no portfólio da Geo estão alguns nomes bem conhecidos, como AB Inbev e Moody´s, mas outros nem tanto, como John Deere e Comcast, do setor de tratores e mídia, respectivamente.
Apesar dos poréns com os inúmeros riscos no horizonte internacional, o momento de partir para o exterior parece ter chegado a um ponto limite para as fundações. “É compreensível o investidor se refugiar no CDI a 14%, mas quando a taxa cai a menos da metade, diversificar a carteira com o exterior é inevitável”, diz Forster, da Western Asset. “Sempre haverá algum barulho no cenário global, o mercado nunca oferece 100% de certeza”, afirma de Marchi, da JP Morgan Asset. “A diversificação geográfica deveria ser um movimento estrutural”, diz o diretor da Geo Capital. “O conjunto da obra ao ter duas fontes de retorno completamente distintas é muito melhor do que apenas uma isolada”, afirma Aranha.

Fundação Promon vai além da oferta local
André Natali, diretor de investimentos da Fundação Promon, afirma que a opção pelo fundo exclusivo foi para não limitar o menu às opções nas prateleiras das gestoras. “Ao invés de ficar esperando as ofertas chegarem, partimos diretamente para o exterior, onde a quantidade de opções é muito maior”, diz Natali. “Aumentar o rol de ativos elegíveis vai melhorar consideravelmente a relação risco/retorno da carteira”, afirma o diretor.
Os R$ 60 milhões do novo veículo, uma pequena fração perto da carteira de R$ 1,6 bilhão da Fundação, são oriundos dos fundos globais de ações em que a EFPC já investia anteriormente. “Temos agora um fundo que vai buscar os melhores gestores globais tanto de ações, mas também de crédito ‘investment grade’, ‘high yield’ e multimercados”. O custo para ter uma estrutura customizada aumentou, mas o diretor entende que vale a pena, dado o retorno esperado. A estimativa de rentabilidade do fundo é de 5% ao ano mais a variação cambial.

Geo cobre o mercado global a partir do Brasil | Gestora adora filtros rigorosos para escolher as empresas que entram no portfólio

Especializada em ações de empresas listadas fora do Brasil, a GEO Capital aposta que a queda das taxas de juros levará os institucionais a buscar diversificação e colocar mais risco nas carteiras. Segundo o sócio da asset, Gustavo Aranha, “o investidor em geral ficou mais atento às alternativas porque o CDI não é mais uma boa ideia e as alternativas de alocação em ações no Brasil ainda são muito restritas em número de empresas e em liquidez”, analisa Aranha.
A GEO mantém a alocação dentro de um universo de cobertura que inclui empresas filtradas a partir de um critério claro: elas devem ter processos de negócios saudáveis e que sejam sustentáveis como tal durante os próximos cinco anos. “O filtro é rigoroso, essas empresas precisam ter a capacidade de dobrar lucros em cinco anos. Nesse universo de cobertura, hoje composto por 60 empresas, são escolhidas aquelas que irão para o portfolio e aí as empresas passam por outro filtro, o de preços”, explica o gestor. Ou seja, precisam seguir o critério de qualidade do negócio e de preços para entrar na carteira. Parece uma obviedade mas não é, principalmente na comparação com gestões passivas porque os fundos indexados não olham para isso, diz Aranha.
“Atualmente, nosso portfolio tem apenas 12 ativos (em junho eram 15) porque o valuation dentro do universo de cobertura mostrou que algumas estavam com os preços esticados e precisamos considerar o risco de preço”. Como gestora independente, a liberdade para investir em recortes específicos de mercado tem sido um diferencial importante para aproveitar os melhores ativos pelos melhores preços. Dois aspectos relevantes são considerados: como as ações reagem no mercado aos eventos políticos e econômicos, e as consequências de novas políticas. “As duas coisas não andam necessariamente juntas porque há empresas que não reagem da mesma maneira a premissas macro, por exemplo, como as do setor de luxo”, lembra Aranha. Nesse caso, as crises, choques, mudanças tributárias, etc, encontram maior resiliência dos papéis a cenários ruins.
No período de 12 meses, o destaque do portfolio da GEO ficou por conta das ações listadas nos EUA, mas elas passam pelo filtro de qualidade do negócio, o que significa que muitas dessas empresas são referência em seus setores e, em geral, tem atuação global. Os papéis da Moody’s, John Deere e Disney são alguns exemplos disso. “Nosso modelo de gestão tende a se beneficiar de modo global dos melhores ativos”. Até o final de junho, o fundo global equity da GEO acumulava rentabilidade de 11,28% contra 5,5% do MSCI e de 20,51% contra 15,6% do MSCI nos seis meses.
A GEO deu início em 2019 à montagem de uma força de vendas específica para atrair os investidores institucionais. “Até agora não havíamos feito isso porque não tínhamos cinco anos de track record mas a expectativa é elevada e até o final do ano esperamos concluir alguns processos que já estão bem adiantados com as EFPC”, informa Aranha.

Previ deve aumentar investimentos no exterior

O fundo de pensão dos funcionários do banco do Brasil, a Previ, começa a rever algumas estratégias para enfrentar uma conjuntura de juros baixos e taxas atuariais elevadas. Entre outras definições, a fundação pretende ampliar seus investimentos no exterior.

A Previ tem hoje cerca de R$ 200 milhões aplicados em fundos no exterior e pretende mais que dobrar esse volume nos próximos 12 meses. As alocações no exterior contemplam, além da renda variável, também investimentos em fundos de renda fixa.

Os recursos para elevar a participação em investimentos no eterior deve vir da venda de participações acionárias, um segmento no qual a fundação dos funcionários do Banco do Brasil está super-exposta. Atualmente a Previ tem cerca de 45% da sua carteira em renda variável, muito acima da média do setor, e planeja reduzir gradativamente esse volume para 30%.

Essa nota foi corrigida em 18/7, pois originalmente dizia que a Previ pretendia aumentar a participação também em FIPs, o que foi negado pela fundação.

Uber vai estrear na bolsa de NY com greve de motoristas em sete cidades

Os motoristas do Uber de sete grandes cidades dos EUA estão organizando uma paralização para 8 de maio, dia em que a companhia iniciará suas operações na Bolsa de Nova York, segundo agências de notícias internacionais. Os motoristas alegam que o Uber vem reduzindo o valor dos pagamentos, além de não oferecer benefícios ou segurança e não ser transparente. Motoristas de São Francisco, San Diego, Los Angeles, Chicago, Minneapolis, Filadélfia e a capital Washington devem paralisar os serviços prestados por até 12 horas.
A captação do Uber em seu IPO está prevista entre US$ 9 bilhões e US$ 10,35 bilhões, com a emissão de 180 milhões de ações, no lote principal, e mais 27 milhões, em lote suplementar. Com a operação, a expectativa é que a empresa alcance um valor de mercado entre US$ 79 bilhões e US$ 90 bilhões.

Moderação do Fed pode estimular renda fixa | Fim do processo de alta nas taxas de juros americanas desanuvia preocupações

O cenário internacional, que nos últimos meses foi um fator de preocupação para os investidores que alocaram no exterior, começa a se distencionar. ”O maior stress na renda fixa global, por conta das altas no juro americano, aparentemente ficou para trás e o Fed está próximo de ter atingido uma taxa neutra depois de várias elevações desde 2015”, avalia o vice-presidente sênior para a América Latina da Pimco, Luis Otávio Oliveira.
A gestora de origem californiana, que tem US$ 1,7 trilhão em ativos sob gestão, precifica apenas mais uma alta do juro pelo Fed no final de 2019. A economia americana está reduzindo sua velocidade de crescimento, lembra Oliveira, mas não deve entrar em recessão este ano. “A chance disso acontecer agora é de 30%, percentual que aumentou em relação às previsões feitas em 2018 mas ainda é relativamente baixo. O mais provável é que os EUA entrem em recessão apenas no final de 2020 ou no primeiro semestre de 2021”. Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu deve encerrar o seu programa de quantitative easing.
Especialista em renda fixa, a Pimco sabe que nos momentos de alta volatilidade esse segmento costuma performar muito bem. “Estamos otimistas porque o risco de recessão é relativamente baixo este ano e a previsão é de mais uma alta do juro ou manutenção da taxa atual, com melhor previsibilidade quanto a essa variável”, diz Oliveira. Além disso, a projeção é de maior volatilidade nos mercados este ano, favorecendo os ganhos do segmento. As altas dos juros americanos nos últimos anos também melhoraram esses retornos, mas é preciso lembrar que há riscos para a renda fixa, o que nos mantém em estratégias conservadoras”, diz Oliveira.
As estratégias da Pimco priorizam o risco de duration (juro) em relação ao risco de crédito em seus portfolios porque os papéis de crédito ainda estão altos, explica Oliveira. São estratégias com hedge em moeda e yeld de 6% a 6,5% ao ano em dólar (era de 5,5% há um ano), retorno potencial de 150% do CDI e volatilidade de 3% a 5%. Os portfolios tem uma parte principal em ativos dos EUA mas também alocam 13% em emergentes . “Cuidado especial com o Reino Unido por conta do Brexit, as posições short já precificam isso porque o impacto de um “hard Brexit” sobre a economia é estimado pelo mercado em até 8% do PIB”.

Emergentes e EUA – O crédito hedgeado é uma das opções na renda fixa global e há espaço para estratégias com exposição razoável a países emergentes ou a crédito corporativo, lembra Marcelo Toledo, da Bram. Faz pouco sentido ter títulos públicos de países desenvolvidos no portfolio porque as taxas ainda são baixas nos EUA e negativas na Europa. Uma opção interessante é manter crédito corporativo nos EUA, com ou sem investment grade, porque há liquidez e exposição a diferentes setores e empresas de atuação global. “Ou ir para países emergentes, tanto em títulos públicos quanto no mercado de crédito, mas sem exposição às suas moedas locais porque o retorno é baixo e há correlação com o Brasil”, explica Toledo.
Uma estratégia importante tem sido a de parcerias com assets que tem características específicas para manter títulos em dólar e de empresas que estão mais atuantes nos EUA e Europa, porém também com posições globais. “Isso significa crédito corporativo global em dólares”, destaca o economista-chefe da Bram.

Câmbio é uma variável muito importante | Se houver alguma apreciação no segundo semestre tendência é de entrada de recursos

Apesar do aumento para 10% do percentual que os institucionais podem alocar no exterior, a presença desses ativos nos portfólios ainda continua próxima ao que era em 2014. “Hoje não é nada muito diferente do que havia naquela época, cerca de 0,4% dos ativos totais, embora tenha aumentado um pouco em 2015. Atualmente os investidores locais olham mais para o câmbio e para ativos com bom potencial de valorização, então os limites legais para alocar em fundos globais ainda não foram testados”, avalia o diretor comercial do canal de institucionais do Itaú, César Ming.
Embora haja necessidade de diversificar geograficamente e de acessar ativos não disponíveis no mercado interno, os investimentos no exterior tendem a encontrar crescentes dificuldades, lembra o diretor da Itaú Asset Management, Marcello Siniscalchi. Segundo ele, preocupa a variável dos juros nos EUA já que o Fed está conduzindo a última etapa de um ciclo de aperto monetário e isso exige cautela especial do investidor. “Em 2019 deveremos ter mais uma alta do juro americano, o que costuma reprecificar ativos no mundo todo”, analisa.
Além disso, se o Brasil conseguir cumprir as expectativas de reformas esperadas pelo mercado, será uma oportunidade de se descolar dos demais emergentes, acredita Siniscalchi. “A fatia de alocação tática no exterior não deverá crescer neste ano, até porque poderemos ter performances superiores aqui dentro, mas para os próximos anos é uma opção”.

Processo demorado – “Investir no exterior é um processo lento para as fundações brasileiras e está demorando mais do que imaginávamos”, observa o vice-presidente de Investimentos, Vida e Previdência da Sul América, Marcelo Mello. Ele ressalta que neste início de ano está havendo alguma aceleração e o assunto parece estar maduro nos Conselhos das entidades fechadas de previdência complementar, “mas nas carteiras ainda não se vê crescimento”.
Quem já alocava no exterior está buscando aumentar esse percentual, mas a virada deste ano foi neutra em contraste com a virada de 2017 para 2018, quando houve maior apetite por consultas, avalia o superintendente executivo da Santander Asset Management, André Cobianchi. Ele atribui essa reação vagarosa ao cenário global mais desafiador e ao maior otimismo local.
“A percepção é de que estão privilegiando alocações diferentes das tradicionais no mercado doméstico, com gestão mais ativa para buscar retorno em renda variável local e multimercados estruturados; exceto por casos pontuais, o apetite das entidades por exterior está menor do que no início de 2018”, afirma Cobianchi. A médio e longo prazo, porém, ele acredita que a tese da diversificação global irá prevalecer.
Com o juro interno em 6,5% contra 2,6% nos EUA, o mais baixo diferencial em muitos anos mesmo em termos reais, o câmbio depreciado também atua como fator inibidor dos investimentos no exterior. “Se apreciar um pouco no segundo semestre, isso tornará a alocação no exterior mais atrativa”, diz o economista-chefe da Bradesco Asset Management (BRAM), Marcelo Toledo. A gestora trabalha com projeção de R$ 3,65 para o dólar no final deste ano.

Agilidade obrigatória – As incertezas globais desorganizam a capacidade do investidor fazer contas e alocar em ativos de risco, ressalta o diretor de vendas da Legg Mason no Brasil, Roberto Teperman. “O risco de uma trade war, por exemplo, impacta os fluxos e o crescimento global e amplia a incerteza sobre os setores que poderão ser mais atingidos”.
Ele argumenta que uma trade war, em qualquer cenário, trará impacto sobre a curva de juros e de câmbio, no Brasil e no mundo. Nesse ambiente, garantir proteção significa tirar a especificidade dos mandatos. “O momento não é de ficar refém de uma ou outra classe de ativos, é preciso forçar os gestores a serem mais ágeis em suas reações às mudanças dos cenários globais”, avisa Teperman.