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Bram disputa mercado de ETFs | Depois de apresentar produto ancorado no Ibovespa, gestora prepara estratégia do gênero para renda fixa e investimentos no exterior

Ainda em processo de formação, com uma massa de recursos por volta de R$ 20,24 bilhões, o mercado doméstico de fundos de investimentos ancorados em índices e cotados em bolsas de valores, os chamados ETFs (acrônimo de exchange traded funds), começa a ganhar escala e novos competidores de porte. Anteriormente formado por BB DTVM, BlackRock, Caixa, Itaú Asset Management e Mirae, o grupo de instituições com operações no segmento passou a contar, desde junho, com a Bradesco Asset Management (Bram), que apresentou o seu BOVB11, baseado no Ibovespa e devidamente listado na B3. Os R$ 750 milhões captados na operação, que rapidamente se multiplicaram para a casa de R$ 1,78 bilhão, garantiram à estreante, de cara, o terceiro posto no ranking nacional dos gestores de ETFs, atrás apenas de Itaú (R$ 11,87 bilhões de patrimônio líquido em agosto último) e BlackRock (R$ 10,76 bilhões), e aguçaram de vez a disposição da casa de oferecer mais opções na área.
“A queda da taxa Selic abre espaço para uma forte oferta de ETFs, que são uma excelente opção de diversificação para investidores em geral – inclusive os institucionais, que representam cerca de 80% do volume de aplicações no BOVB11”, comenta o superintendente-executivo da Bram, Ricardo Eleutério. “O potencial de crescimento do produto nesse novo cenário estrutural, marcado por juros em patamares reduzidos, é enorme. Basta dizer que os fundos de índices contabilizam, no mercado global, ativos de cerca de US$ 5 trilhões, o correspondente a 10% do patrimônio líquido total dos veículos de investimentos, ou seja, 9,8 pontos percentuais a mais do que no Brasil”, complementa o executivo.

ETF de renda fixa – No momento, o executivo e a sua equipe estão debruçados sobre dois projetos do gênero. O primeiro, com lançamento previsto ainda para este ano, é um ETF de renda fixa. Será, salvo surpresas, o terceiro da modalidade no país. Os pioneiros no nicho foram Mirae e Itaú, que apresentaram o FIXA11 e o IMAB11 em setembro de 2018 e junho último, pela ordem. O segundo teve como patrocinador o Tesouro Nacional, que, em parceria com o Banco Mundial, promoveu, há 12 meses, uma licitação para a escolha do gestor do referido fundo, para o qual se comprometeu a realizar uma emissão direta de Notas do Tesouro Nacional da série B (NTNs-B) proporcional à captação. Apesar do prestígio dos organizadores e das garantias oferecidas, a asset do Itaú foi a única inscrita. “Consideramos que as condições da licitação não eram interessantes. Resolvemos desenvolver o produto por conta própria”, diz Eleutério.
O primeiro desafio da Bram será eleger um índice de referência distinto dos adotados por Itaú e Mirae, que optaram, respectivamente, pelo IMA-B, atrelado ao IPCA, e um indicador próprio, desenvolvido sob encomenda pela S&P Dow Jones, baseado em contratos futuros de depósitos interfinanceiros (DI) de três anos. Há três potenciais candidatos em análise, mas a gestora, por cautela, não dá pistas a respeito. “Uma coisa é certa: a carteira do ETF terá prazo médio de vencimento superior a 720 dias, para garantir aos investidores pessoas físicas a alíquota de 15% de Imposto de Renda, qualquer que seja a duração da aplicação, e a não incidência do chamado ‘come cotas’, como é conhecida a antecipação, em maio e novembro, do Imposto de Renda sobre os rendimentos de fundos de investimento”, observa o superintendente-executivo.

Taxas baixas – Os planos da asset incluem um apelo ao bolso dos investidores. A ideia é oferecer, na área de renda fixa, taxas de administração inferiores às da concorrência, seguindo a mesma estratégia do BOVB11, cujo “pedágio”, de 0,20% ao ano, é o menor da sua faixa de mercado. “Estamos buscando um ponto de equilíbrio, uma taxa que garanta uma justa remuneração pelos serviços prestados e seja, ao mesmo tempo, o mais acessível possível”, diz Eleutério, que já definiu um dos públicos-alvo. “Os ETFs de renda fixa, acreditamos, devem atrair muitos investidores atuantes no mercado de tesouro direto, que movimenta cerca de R$ 56 bilhões. A meta traçada para o nosso produto é um volume de aplicações na faixa entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.”

Mercado em formação
Principais indicadores do segmento de ETFs no país
  Patrimônio líquido
(em R$ milhões)
Fundos listados
na B3
Itaú Asset Management 11.870,61 8
BlackRock 10.760,91 5
Bradesco Asset Management 1.788,67 1
Mirae 210,46 1
Caixa 89,43 1
BB DTVM 32,9 1
Fonte: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e B3

 

O terceiro item da família de ETFs da Bram, ainda em fase de elaboração, promete trazer inovação ao segmento. O veículo em questão, com lançamento previsto para 2020, é um fundo de investimentos no exterior que será atrelado a umas das centenas de índices de renda variável existentes no mercado internacional. Uma das prioridades estabelecidas é a seleção de um referencial que ofereça blindagem em relação à forte onda de intempéries no cenário externo, com o acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, a retração das economias europeias e a novela que se tornou a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. “Para mitigar riscos, avaliamos, entre outras propostas, basear a carteira em papéis de nichos e setores com grandes perspectivas e, portanto, maior capacidade de resistência a eventuais crises externas. Dois exemplos são tecnologia e cuidados com a saúde”, explica Eleutério.
A investida da Bram no filão começou a ser planejada em 2018, 15 anos após o surgimento do primeiro fundo de índices nacional, o PIBB11, da Itaú Asset Management. O projeto teve como marco a criação de uma equipe e de uma mesa de operações voltadas a produtos indexados. O novo time não tardou a mostrar serviço. Antes mesmo de formatar o BOVB11, contribuiu para o desenvolvimento, com o recurso a tecnologias quantitativas, de três fundos previdenciários que somam, com 12 meses de operações, R$ 13,2 bilhões em carteira. A equipe aguarda, agora, o sinal verde da cúpula da asset para iniciar a ampliação da grade de fundos indexados. “Outros ETFs poderão surgir, pois estamos empenhados em oferecer diversificação aos investidores. Se houver espaço e demanda, iremos reforçar o nosso enxoval na área”, diz Eleutério.

ETF de Renda Fixa do Itaú capta R$ 2 bi; negociação das cotas começam hoje na B3

A primeira emissão do IT Now ID ETF IMA-B Fundo de Índice, o ETF Renda Fixa administrado pelo Itaú Asset Management, distribuiu 29,6 milhões de cotas, a R$ 67,50, perfazendo uma captação total de R$ 2 bilhões. As cotas passaram a ser negociadas na B3 nesta segunda-feira, com nome de pregão IT NOW IMA-B e código de negociação de IMAB11.
O ETF IMA-B é o primeiro do gênero no Brasil e conta com o apoio do Tesouro Nacional e do Banco Mundial. O objetivo do investimento é refletir as variações de rentabilidade, deduzidas taxas e despesas, do IMA-B, índice calculado pela Anbima. O IMA-B é uma carteira sintética composta por todas as NTN-Bs emitidas pelo governo brasileiro com diferentes vencimentos. O peso de cada título no índice é definido pelo valor de mercado dos ativos.

Grandes ficam de fora | Gestoras não demonstram interesse por edital do Tesouro ETF de renda fixa, mas não descartam estruturar seus próprios produtos do tipo no futuro

Não despertou muito interesse de grandes gestoras, como Bram e Caixa o tão aguardado ETF de renda fixa, que após cerca de cinco anos das discussões iniciais no mercado e no governo teve seu edital lançado em maio pelo Tesouro. Embora o resultado do edital do Tesouro para selecionar a casa que colocaria o primeiro veículo do segmento no mercado brasileiro ainda não tenha sido anunciado, a Mirae Asset se antecipou e lançou no início de setembro seu próprio ETF de renda fixa no país.
O Tesouro não informou quantas nem quais gestoras participaram do edital, mas há especulações de que não foram muitas as casas interessadas no produto. Procuradas por Investidor Institucional, casas como BB DTVM, Itaú e BlackRock, que já atuam no mercado brasileiro de ETF, preferiram não se manifestar.
Segundo o CEO da Bradesco Asset Management (Bram), Ricardo Almeida, não há muita diferença entre um ETF de renda fixa e um fundo indexado passivo que acompanha determinado índice. “Por essa razão a gestora não participou do edital lançado pelo Tesouro, já que temos uma grade bem completa de fundos passivos, e ao menos no momento, não trabalhamos na estruturação de um produto do tipo”, diz o executivo.
Almeida afirma também que alguns aspectos técnicos e operacionais, como a eventual dificuldade de encontrar ativos de renda fixa no mercado de balcão que possam replicar perfeitamente o índice no ETF, dada a baixa liquidez do secundário, podem até mesmo encarecer o veículo em comparação com um fundo passivo. “Dado o volume dos institucionais, eles conseguem taxas mais em conta em fundos passivos do que deve ser a cobrada pelo ETF do Tesouro”, afirma o executivo.
No mercado de renda variável, prossegue o CEO da Bram, essa possível dificuldade em encontrar ativos no mercado para replicar determinado benchmark no fundo de índice não existe, já que as operações são realizadas na bolsa. E por essa razão a asset do Bradesco está no momento em estudos para lançar seu primeiro ETF de ações no mercado. “Não temos ainda, no entanto, estimativa de quando deve ser o lançamento ou qual será o índice de referência”, pondera Almeida.
De acordo com o executivo, nos mercados desenvolvidos o segmento de ETFs de renda fixa é representativo pelas vantagens tributárias que oferece aos investidores, o que segundo ele não acontece no Brasil.
A Caixa também optou por não participar do edital lançado pelo Tesouro, mas segundo o superintendente nacional de gestão de ativos de terceiros, Sérgio Bini, está nos planos do banco a estruturação de um produto do tipo nos próximos meses. “Mas ainda não temos nada concreto a respeito”, ressalta Bini, que prefere não detalhar os motivos que fizeram a Caixa decidir não participar do edital do governo.

Amadurecimento – Na avaliação do superintendente da Caixa, o mercado brasileiro ainda precisa de uma cultura mais forte de investimentos em bolsa, onde serão negociadas as cotas do ETF de renda fixa, para que as gestoras tenham maior interesse em lançar novos produtos desse tipo. “Nos últimos anos tivemos uma estagnação, com até uma pequena queda no número de investidores pessoa física negociando na bolsa brasileira”, constata o especialista.
O fato da Selic estar na mínima histórica, reconhece Bini, reduz um pouco a atratividade do produto, não apenas do ETF de renda fixa mas também da classe como um todo. “Com a taxa em 6,5% o investidor acaba buscando outras alternativas que possam entregar maior retorno”.

Retornos – Para o diretor de investimentos da Mirae, André Pimentel, embora a taxa de juros esteja na mínima histórica, mesmo nos vértices mais curtos da curva de juros, que são aos quais o ETF da casa estará exposto, os prêmios oferecidos estão bem acima dos 6,5%. “A taxa de julho de 2021, por exemplo, está próxima de 10,20%, entendemos que é um patamar bastante atrativo, de dois dígitos, quando nos desenvolvidos o prêmio ainda está muito abaixo disso”. O BNP Paribas vai atuar como administrador do fundo, e a Mirae ainda busca uma instituição para trabalhar como formadora de mercado.
Pimentel explica que a casa optou por não participar do edital lançado pelo Tesouro porque já vinha há dois anos trabalhando na estruturação de seu próprio ETF de renda fixa. “Foi uma coincidência nosso produto ter ficado pronto em momento próximo ao lançamento do edital”, afirma Pimentel, que reconhece que após a divulgação do edital o trabalho de estruturação foi acelerado para que a Mirae fosse a primeira a colocar no mercado brasileiro um produto do tipo.
A expectativa da Mirae é de, ao longo dos próximos dois anos, captar cerca de R$ 10 bilhões com o novo produto, tendo entre o público em potencial investidores institucionais e estrangeiros.
“A decisão de colocar um prazo de três anos é para oferecer uma boa liquidez aos investidores, e junto com a taxa de 0,30%, foram as formas que encontramos de trazer um produto competitivo”, diz o gestor.

Tesouro vê com bons olhos evolução do nicho
Através de nota, o Tesouro Nacional informou que o processo de seleção do gestor do ETF ainda iria se estender por mais alguns dias. “O ETF é uma inovação financeira bem-sucedida no mundo, porque é uma aplicação flexível, transparente e democrática, voltada tanto para pessoas físicas quanto para investidores institucionais. Esse mercado ainda não existe no Brasil e por isso o Tesouro Nacional, em conjunto com o Banco Mundial, apoia o lançamento do produto no país, pois o vê como uma maneira de desenvolver o mercado, estimular a educação financeira e trazer esses benefícios para os pequenos e grandes aplicadores locais”, aponta a autoridade monetária no comunicado. A nota do Tesouro acrescenta ainda que trata-se do primeiro ETF apoiado pelo emissor – que é o próprio Tesouro Nacional – do mundo, e que ao emitir diretamente a cesta de títulos para a carteira do gestor, o Tesouro reduzirá os custos de lançamento do produto.
“É importante destacar”, prossegue o órgão do governo, “que este não é um produto do Tesouro Nacional e sim um produto apoiado pelo emissor mas gerido e ofertado por uma instituição privada”. Segundo o Tesouro, o seu objetivo com o projeto é, sobretudo, fomentar esse mercado, “por isso a instituição vê com bons olhos o surgimento do interesse de gestores e corretoras em torno dessa modalidade de aplicação. Todo o projeto de lançamento, que envolveu discussões ao longo dos anos e um trabalho conjunto com outras instituições, foi bastante frutífero nesse sentido, pois resultou na definição da forma de tributação, na criação de sistemas de negociação em conjunto com a B3 e na elaboração do arcabouço regulatório para o ETF”, finaliza o comunicado.

B3 começa a negociar ETF de renda fixa da Mirae

A B3 iniciou nesta segunda-feira, 10 de setembro, a negociação do primeiro ETF de renda fixa do Brasil, desenvolvido pela Mirae Asset Global Investments em conjunto com a provedora do índice de referência S&P Dow Jones Indices. Segundo comunicado da B3,  produto seguirá o S&P/B3 Índice de Renda Fixa, que medirá o desempenho de uma carteira hipotética composta por contratos futuros de DI de três anos. Aos adquirir as cotas do ETF negociadas na B3, o investidor passa a deter indiretamente todos os ativos de renda fixa da carteira teórica do índice de referência.

O ETF foi desenvolvido pela Mirae antes do lançamento do ETF do Tesouro Nacional, que lançou um edital para selecionar um gestor para o ETF de renda fixa. O caminho feito pela Mirae Asset, entretanto, foi de se antecipar a esse movimento e não se vincular ao edital, encerrado no dia 6 de agosto. Já o vencedor do edital do ETF do Tesouro Nacional foi a Itaú Asset Management. O índice de referência será o IMA-B, que representa a evolução de carteira de títulos indexados a índices de preços, as NTN-B.

Retomada do mercado | Fundos de índices crescem 61,31% nos últimos doze meses beneficiados pela valorização da bolsa e pelo aumento da demanda dos investidores

Edição 298

 

Evolução dos negócios (em pdf)

Com a queda dos juros e a busca dos investidores por ativos de maior risco, os ETFs (Exchange Traded Funds) foram um dos grandes beneficiados do mercado brasileiro em 2017, funcionando como canalizador da migração dos agentes da renda fixa para renda variável. O Patrimônio Líquido dos 15 ETFs ofertados no mercado brasileiro passou de R$ 3,80 bilhões em outubro de 2016 para R$ 6,13 bilhões em outubro de 2017, crescimento de 61,31%. Apesar do incremento, que inclui a valorização dos benchmarks no período, o montante representa apenas 3% da liquidez do mercado acionário brasileiro.
O BOVA11, ETF da BlackRock que replica o Ibovespa, é de longe o maior, com R$ 3,69 bilhões, seguido pelo PIBB11, que segue o IBrX-50, do Itaú, com R$ 1,05 bilhão. As duas casas concentram o negócio de ETFs no mercado brasileiro dividindo a gestão de 13 ETFs. A Caixa e o Banco do Brasil, em escala bem menor, com um ETF cada, também atuam no nicho.
“Esse crescimento dos ETFs está em linha com a realocação das carteiras dos investidores com a redução dos juros e a necessidade de adequação do portfólio para os próximos anos para atingir os retornos almejados no médio e longo prazo”, afirma Rodrigo Araújo, diretor da BlackRock.
Apesar da evolução apresentada pelos ETFs no mercado brasileiro, em termos globais esse é um segmento que gira cerca de US$ 4,5 trilhões através de aproximadamente cinco mil produtos, o que denota o potencial de crescimento do instrumento domesticamente. Desse montante global, 78% são ETFs de renda variável, 16% de renda fixa e 6% voltados para commodities e outras modalidades alternativas. “Enxergamos potencial para o mercado de ETFs no Brasil e globalmente também”, diz o diretor da BlackRock. Segundo avaliação do especialista, conforme os investidores forem ao longo do tempo aumentando seu posicionamento em ativos de maior risco é natural que classes de ativos como a renda variável recebam fluxos cada vez mais significativos de recursos, “o que fará com que o mercado de ETFs no Brasil cresça na mesma magnitude observada nos mercados desenvolvidos”.

Utilização – Araújo nota que, a despeito da forte valorização dos benchmarks da bolsa nos últimos meses e de uma procura crescente dos investidores por estratégias de gestão ativa em bolsa, os ETFs devem seguir com espaço nas carteiras dos investidores.
O diretor da BlackRock conta que, no mercado global principalmente mas também no brasileiro de maneira incipiente, investidores e gestores de recursos utilizam o ETF como um dos ativos que compõem as carteiras de ações, fazendo parte de uma combinação que busca um retorno diferenciado em relação a determinado referencial. “Em uma hipotética carteira com dez ativos, o gestor pode escolher nove ações e um ETF como forma de compor um portfólio que ele acredita que possa entregar retorno agregado superior à média do mercado”.
O profissional da BlackRock, que tem globalmente US$ 5,7 trilhões em ativos sob gestão, destaca que os ETFs são utilizados pelos investidores tanto como uma estratégia tática de curto prazo, para tirar proveito de eventuais movimentos de forte alta ou baixa dos mercados, como também nas alocações estruturais de longo prazo.
“Temos observados os investidores institucionais aumentando o uso dos ETFs, assim como os gestores de recursos, e mesmo o investidor pessoa física que também está voltando a ter alguma exposição em renda variável e acaba utilizando o ETF pelo fácil acesso, boa liquidez e custo mais baixo”. Em outubro de 2017 os institucionais respondiam por 55,89% dos negócios com ETFs no mercado brasileiro, seguidos pelas instituições financeiras, com 21,14%, pelos estrangeiros, com 16,14%, e pelas pessoas físicas, com 5,54%. Em outubro de 2016 a fatia dos institucionais no segmento era de 44,74%, enquanto as instituições financeiras ficaram com 36,23%; os estrangeiro com 13,21% e investidores pessoa física com 4,88%.

Temáticos – Renato Eid, gestor de portfólio da Itaú Asset, nota que ETFs temáticos tendem a ganhar cada vez mais espaço nas carteiras dos investidores nos próximos anos, em detrimento daqueles que apenas seguem um índice amplo. A gestora do Itaú oferta oito ETFs em sua grade, sendo que alguns já tem como proposta temas como sustentabilidade e governança. O executivo da casa ressalta que outras questões que também começam a ser mais valorizadas pelo mercado, como mulheres nos conselhos de administração das empresas, são passíveis de serem adotadas como baliza para possíveis futuros ETFs. “Até pela nossa experiência entendemos que não podemos apenas esperar pela demanda do cliente”, pontua Eid. Ele acrescenta que a capacidade de fomentar estratégias com ETFs é quase infinita, mas que para isso ocorrer é necessária uma maturidade maior do mercado. “Ainda estamos caminhando nesse sentido”, afirma o gestor.
Ao longo de 2017, até pelo bom desempenho apresentado pela Bovespa no período, os ETFs voltaram a atrair o interesse dos clientes da Itaú Asset. Neste ano, até outubro, a gestora teve um crescimento de 25% na captação por meio dos ETFs. Ainda assim, o nicho representa apenas 1% do patrimônio total gerido pela Itaú Asset de aproximadamente R$ 3 bilhões. “Esse é um mercado virtualmente inexistente no Brasil, mas temos uma forte convicção de que em algum momento ele vai se tornar muito grande”, pondera Eduardo Camara, head de ‘portfolio solutions’ da Itaú Asset.
Eid nota que a liquidez no mercado de ETFs é um vetor que deve pesar na decisão dos investidores de optar por esses instrumentos ao migrarem parte de seus recursos para ativos de maior risco. Em outubro de 2017 o volume negociado pelos ETFs na Bovespa somou R$ 6,29 bilhões, contra R$ 4,30 bilhões em igual período do ano passado, incremento de 46,27%. “Poder determinar em que momento fazer a entrada ou saída do investimento traz flexibilidade para o investidor escolher por uma alocação estratégica ou tática e é uma das grandes vantagens do instrumento”.
Segundo ele, os ETFs servem tanto a investidores que tem a intenção de carregar uma posição de renda variável por um longo período, pelo reduzido custo, quanto ao investidor de curto prazo, preocupado com a liquidez, pelo grau de liberdade que encontra nele. “O ETF funciona como um coringa, por ser possível de ser adotado em diferentes situações”.

Renda fixa – Sobre as discussões acerca do ETF de renda fixa, Camara comenta que se trata de tema acompanhado de perto pela instituição. “Ainda vemos algumas restrições que impedem o lançamento do produto, relativas à regulamentação e mesmo questões operacionais das clearings da bolsa; mas estamos monitorando e no momento adequado vamos analisar para ver se faz sentido entrar ou não”.
Sérgio Bini, superintendente nacional de gestão de ativos de terceiros da Caixa, também aponta “questões operacionais de sistema que ainda precisam ser superadas por parte dos agentes envolvidos, mas o projeto está caminhando”. Previsões dão conta de que os ETFs de renda fixa podem começar a chegar às prateleiras ao longo de 2018.

Retorno – Jorge Ricca, gerente executivo dos fundos de ações da BB DTVM, destaca o bom desempenho do ETF gerido pela casa, lastreado no benchmark S&P Dividendos, que subiu 38,6% no acumulado de 2017 até outubro, contra 23,4% do Ibovespa e 27,9% do Idiv. Ricca explica que por conta da diferença na metodologia utilizada pelo benchmark de dividendos da S&P em relação ao da Bovespa os nomes que compõem os índices são diferentes, o que explica a diferença nos retornos. “O objetivo ao criar o benchmark era ter um termômetro mais efetivo para o mercado local como proxy para ações de dividendos”, explica Ricca.
O retorno do ETF da BB DTVM foi o segundo mais alto no período, entre os 15 ofertados no mercado brasileiro atualmente, atrás somente do ETF de small caps da BlackRock. Até pelo bom rendimento apresentado, a BB DTVM registrou durante o ano crescimento aproximado de 20% na captação do produto. Ainda assim, o patrimônio de R$ 19,97 milhões ao final de outubro o coloca como o ETF de menor tamanho da indústria no país.
Ricca acredita que, por conta de suas características intrínsecas, como baixo custo, transparência e diversificação, os ETFs devem obter importante crescimento nos próximos meses em um ambiente de juros baixos e maior busca por risco. “As plataformas abertas voltadas ao varejo devem impulsionar os ETFs”, prevê o gerente da BB DTVM, que ressalta que da base de 630 cotistas do ETF da asset, que cresceu 93% no ano, a maior parte já é formada por esse público. “Estamos começando a popularizar nosso ETF, que é referenciado em um índice ainda não tão conhecido no Brasil todo como os índices amplos da B3”, diz o gerente.

Queda – Apesar da forte valorização da bolsa, o ETF da Caixa registrou queda no seu PL, de R$ 77,57 milhões em outubro de 2016 para R$ 58,97 milhões em outubro de 2017. Segundo Sérgio Bini, nos últimos meses a procura dos investidores atendidos pela Caixa se concentrou em estratégias ativas em detrimento das passivas no segmento de renda variável . “O público institucional tem como característica buscar estratégias que geram algum alfa em relação ao benchmark”.
Bini comenta que, por conta da liquidez do ETF, que tem suas cotas negociadas na bolsa, o produto do banco tem maior apelo junto a investidores que operam com o foco mais voltado para o curto prazo. Em relação a possíveis novos ETFs de renda variável, Bini fala que hoje já existem ETFs para praticamente todos os principais benchmarks do mercado, o que deve impedir a chegada de novos produtos, ao menos por parte da Caixa.