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T√≠tulos p√ļblicos registram ligeira rea√ß√£o em abril

Os t√≠tulos p√ļblicos federais apresentaram retornos positivos em abril com a redu√ß√£o da volatilidade no mercado, ap√≥s os fortes ajustes nos pre√ßos dos ativos em mar√ßo. De acordo com a Associa√ß√£o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o IMA-Geral, √≠ndice que representa esses pap√©is, teve rentabilidade de 0,86%, o que diminuiu a perda acumulada no ano para 0,14%.
Os ativos de longo prazo tiveram os melhores resultados do mês. O IMA-B5+, que reflete o comportamento das Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-Bs) com prazos maiores do que cinco anos, teve ganho de 2,01% em abril, depois de registrar queda de 10,93% no mês anterior. Com o resultado positivo de abril, a queda acumulada no ano diminuiu de 10,62% para 8,82%. O IRF-M1+, que acompanha as Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e NTNs acima de um ano, apresentou retorno de 1,5% e soma rentabilidade de 2,96% em 2020.
Os papéis com prazos mais curtos também tiveram desempenho positivo em abril. O IMA-B5, que acompanha títulos de até cinco anos, avançou 0,49% no mês, mas ainda mantém variação negativa no ano de 0,09%. O IRF-M1, que reflete ativos com prazo até um ano, rendeu 0,45%, acumulando rentabilidade de 1,88% em 2020. O IMA-S, que segue a trajetória da Selic com os títulos pós-fixados, avançou 0,27% no mês e 1,26% neste ano.
Entre os títulos de dívidas corporativas, o destaque ficou com as debêntures incentivadas com vencimentos mais longos. O IDA-IPCA Infraestrutura, que acompanha esses ativos, rendeu 1,99% em abril, recuperando-se do recuo de 6,04% em março. No ano, o índice acumula queda de 2,61%. O IDA-Geral, que representa todas as debêntures, teve retorno de 0,88%, reduzindo a perda no ano para 3,28%.

IMA-B 5+ cai 2,15% desde confirma√ß√£o de 1¬į caso do coronav√≠rus no pa√≠s

Entre o dia 26 de fevereiro, quando foi confirmado o primeiro caso do coronavírus no Brasil, até o meio dia desta sexta-feira (6), o IMA-B 5+, indicador que expressa a carteira de NTN-Bs com vencimentos acima de cinco anos, acumula perda de 2,15%.

‚ÄúAs incertezas quanto ao efeito do Coronav√≠rus na economia brasileira t√™m provocado impactos nas rentabilidades dos t√≠tulos p√ļblicos de longo prazo‚ÄĚ, informa a Associa√ß√£o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em comunicado.

Segund a associa√ß√£o, por apresentarem prazos mais extensos, √© maior a exposi√ß√£o desses pap√©is √†s indefini√ß√Ķes do atual cen√°rio e de seus efeitos na economia nos pr√≥ximos meses, o que reflete na queda de seus pre√ßos no mercado secund√°rio, mesmo com as novas expectativas de cortes na Selic (o que, em tese, poderia valoriz√°-los).

T√≠tulos p√ļblicos de m√©dio prazo lideram retornos em janeiro

Os t√≠tulos p√ļblicos federais que refletem o cen√°rio de m√©dio prazo tiveram os melhores retornos no m√™s de janeiro. De acordo com relat√≥rio da Associa√ß√£o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) o √ćndice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M) 1+, que contempla t√≠tulos prefixados com vencimento superior a um ano, e o √ćndice de Mercado Anbima (IMA-B) 5, que mede o comportamento das Notas Financeiras do Tesouro da S√©rie B (NTN-Bs) com vencimento at√© cinco anos, tiveram o melhor desempenho no per√≠odo, com 1,11% e 0,56%, respectivamente. O IMA-Geral, que espelha a carteira de t√≠tulos da d√≠vida p√ļblica, encerrou o primeiro m√™s do ano com rentabilidade de 0,56%.

‚ÄúNo come√ßo do ano, os pap√©is foram impactados, principalmente, pelo cen√°rio externo vol√°til e incertezas por conta dos impactos globais do coronav√≠rus. No Brasil, os efeitos foram a atividade econ√īmica um pouco mais fraca, que resultaram em novo corte da taxa Selic‚ÄĚ, afirma Hilton Notini, gerente de Pre√ßos e √ćndices da Anbima. 

Os títulos de prazo mais longo, como o IMA-B 5+, que tem carteira composta por NTN-Bs com vencimento acima de cinco anos, foram os que mais sofreram os efeitos da incerteza no cenário internacional. Em janeiro, o preço quase não variou em relação ao mês anterior e apresentou rentabilidade de apenas 0,03%.

Os demais sub√≠ndices que comp√Ķem o IMA-Geral, por terem vencimentos mais curtos, n√£o foram t√£o impactados pela volatilidade do mercado. O IRF-M 1, que traz t√≠tulos prefixados com vencimento de at√© um ano, teve ganho de 0,44% no m√™s e o IMA-S, t√≠tulo com menor exposi√ß√£o ao risco por ser p√≥s-fixado, 0,38%.

Estoque de t√≠tulos na B3 cresce 27,8% em 2019 para R$ 627 bilh√Ķes

 

O estoque de t√≠tulos de renda fixa corporativos na B3 cresceu 27,8% em 2019, alcan√ßando R$ 627 bilh√Ķes. Est√£o entre os t√≠tulos as deb√™ntures, os Certificados de Receb√≠veis Agr√≠colas (CRA), os Certificados de Receb√≠veis Imobili√°rios (CRI) e as notas comerciais. Com crescimeto de 46,3%, para R$ 30,9 bilh√Ķes, as notas comerciais tiveram a maior expans√£o no per√≠odo. Tamb√©m registraram evolu√ß√£o as deb√™ntures (de 34,1%, para R$ 476,6 bilh√Ķes) e os CRAs (de 18,7%, para R$ 42,7 bilh√Ķes), enquanto os CRIs recuaram 1,8%, para R$ 77,1 bilh√Ķes.

Os produtos de capta√ß√£o banc√°ria tamb√©m apresentaram aumento de estoque, por√©m com crescimento mais modesto, de 5,22%, para R$ 2 trilh√Ķes.
A Letra Imobili√°ria Garantida (LIG) apresentou um aumento expressivo de 456,32%; o percentual, contudo, precisa ser analisado considerando que se trata do primeiro ano de circula√ß√£o do t√≠tulo, que come√ßou a ser emitido em novembro de 2018 ‚Äď seu estoque em dezembro passado chegou a R$ 11,2 bilh√Ķes.
Os CDBs cresceram 8,92%, para R$ 953,3 bilh√Ķes, e as Letras Financeiras, 18,15%, para R$ 357 bilh√Ķes. J√° as Letras de Cr√©dito Imobili√°rio recuram 9,4%, para R$ 141,8 bilh√Ķes.

Mais espaço para fundos de crédito de empresas menores

A aprova√ß√£o da reforma da Previd√™ncia pelo Senador Federal na √ļltima ter√ßa-feira (22/10) abre novas possibilidades para fundos de cr√©ditos de empresas menores, na avalia√ß√£o de Alexandre Muller, s√≥cio e gestor de fundos de cr√©dito da JGP Asset Management. Isto porque, avalia o executivo, a melhora das contas do governo acelera a velocidade de queda dos juros b√°sicos da economia, a Selic, que est√° em 5,5% ao ano.

‚ÄúAcreditamos que h√° espa√ßo para fundos de cr√©dito de empresas menores‚ÄĚ, afirmou o gestor da JGP Asset Management. Segundo ele, isso n√£o descarta os fundos de cr√©dito "high grade", que mant√©m em carteira pap√©is como Petrobras e outros.

‚ÄúO fato √© que todo este movimento de reformas, como a da Previd√™ncia e as que est√£o por vir, faz com que voc√™ possa trabalhar com uma curva de juro de m√©dio e longo prazo mais baixa, viabilizando novas alternativas de investimentos‚ÄĚ, concluiu.

Para Icatu, crédito privado com gestão ativa está no foco dos investidores

Engana-se quem acha que a migra√ß√£o da renda fixa para a renda vari√°vel √© a √ļnica estrat√©gia no horizonte dos investidores. Segundo o s√≥cio e CEO da Icatu Vanguarda, Bernardo Schneider Oliveira, tamb√©m o cr√©dito privado com gest√£o ativa est√° no foco dos investidores.

‚ÄúTrata-se, dentro da renda fixa, de uma migra√ß√£o de produtos mais conservadores para produtos mais sofisticados. Falo de fundos de cr√©dito privado com gest√£o ativa, por exemplo‚ÄĚ, diz o executivo, que tem sob a sua batuta R$ 26 bilh√Ķes de ativos para gerir dos mais variados clientes.

Ele explica que uma funda√ß√£o pode solicitar a troca de uma posi√ß√£o de NTN-B com vencimento em 2024 por pap√©is com remunera√ß√£o 1% acima do t√≠tulo original. ‚ÄúO que fazemos √© buscar ativos de cr√©dito privado como deb√™ntures, FDICS, notas promiss√≥rias, entre outros, que possam garantir este ganho a mais solicitado‚ÄĚ, acrescenta.

Al√©m de Bernardo Schneider, o time empregado pela Icatu para fazer essa an√°lise conta com nove profissionais qualificados, com dedica√ß√£o exclusiva. ‚ÄúTemos 17 anos de vida e fizemos um investimento grande nesta √°rea, avaliamos cerca de 150 emissores de cr√©dito privado em m√©dia‚ÄĚ. Para ele, o segredo est√° em uma equipe dedicada, ‚Äúan√°lise e cr√©dito √© em √ļltima inst√Ęncia homem hora trabalho, at√© porque nossos crit√©rios s√£o muito rigorosos‚ÄĚ.

Ita√ļ Asset lan√ßa IMA 11 | Novo ETF de renda fixa, que captou R$ 2 bilh√Ķes no primeiro m√™s, pode se tornar um divisor de √°guas na gest√£o de investimentos de baixo risco

Com uma capta√ß√£o final de pouco mais de R$ 2 bilh√Ķes em sua oferta inicial (IPO), em maio, o ETF IMAB11, estruturado pelo Ita√ļ Asset Management, superou as expectativas de seus idealizadores e apoiadores, que incluem al√©m do Ita√ļ tamb√©m a Secretaria do Tesouro Nacional e o Banco Mundial. A coloca√ß√£o m√≠nima estipulada pelo edital do Tesouro era de R$ 300 milh√Ķes, sendo que a oferta inicial atraiu um grande interesse de investidores, alcan√ßando cerca de R$ 2,3 bilh√Ķes. ‚ÄúO ETF de Renda Fixa deve ser um novo marco no mercado, como foi o BOVA11‚ÄĚ, avalia uma fonte do mercado financeiro. ‚ÄúEsse produto vai exigir uma gest√£o mais ativa nos portf√≥lios de renda fixa, j√° que a grande maioria das carteiras desse tipo gera pouco alfa em rela√ß√£o aos benchmarks.‚ÄĚ
O IMAB11 replica a carteira do IMA-B, √≠ndice calculado pela Anbima, que reflete a carteira te√≥rica dos t√≠tulos p√ļblicos brasileiros indexados ao IPCA (NTN-B). As cotas do ETF s√£o negociadas na B3 de forma semelhante √†s a√ß√Ķes. Adquirindo cotas, o investidor, indiretamente, passa a deter todos os pap√©is que comp√Ķem a carteira. A taxa de administra√ß√£o √© de 0,25% ao ano e a al√≠quota de imposto de renda √© de 15%, com reten√ß√£o na fonte no momento da venda. N√£o h√° incid√™ncia do chamado ‚Äúcome-cotas‚ÄĚ e de Imposto sobre Opera√ß√Ķes Financeiras (IOF).
‚ÄúA fam√≠lia de ETFs do Ita√ļ √© fruto de uma estrat√©gia de longo prazo que come√ßou em 2004, com o PIBB [que reflete o √≠ndice IBrX50], o primeiro do mercado‚ÄĚ, conta Arlindo Penteado, superintendente de distribui√ß√£o na Ita√ļ Asset Management. ‚Äú√Č um ve√≠culo de investimento democr√°tico, transparente, eficiente e com diversifica√ß√£o de ativos‚ÄĚ, destaca o executivo, ressaltando que o lan√ßamento de novos produtos no segmento s√£o parte de ‚Äúuma perspectiva de longo prazo para conseguirmos uma grade completa de produtos‚ÄĚ, acrescenta.
As caracter√≠sticas de transpar√™ncia, efici√™ncia, flexibilidade e baixo custo do ETF IMAB11 poder√£o provocar uma mudan√ßa na gest√£o de investimentos em renda fixa no Brasil. ‚ÄúEsse ETF vai trazer uma press√£o aos gestores para separar a gest√£o ativa da passiva em renda fixa‚ÄĚ, afirma fonte do mercado financeiro, lembrando o que j√° ocorreu com os investimentos em renda vari√°vel, h√° alguns anos. ‚ÄúSe for para o investidor pagar por uma gest√£o ativa, o gestor vai ter que entregar um retorno acima do benchmark, sen√£o tem a√≠ o ETF IMAB11 como op√ß√£o barata, l√≠quida e transparente de acompanhar e controlar os riscos‚ÄĚ, explica.

In√≠cio ‚Äď Para o gerente de distribui√ß√£o na Ita√ļ Asset Management, Stefano Dorlhac Catinella, embora o Brasil tenha convivido por muitos anos com taxas de juros altas, isso n√£o impediu que o processo de desenvolvimento da ind√ļstria de ETFs come√ßasse aqui pela renda vari√°vel, reproduzindo em condi√ß√Ķes diferentes o que ocorreu no resto do mundo, onde foi impulsionado por taxas de juros baixas. Hoje, essa ind√ļstria tem localmente Patrim√īnio L√≠quido de R$ 17 bilh√Ķes, dos quais R$ 9,5 bilh√Ķes na fam√≠lia IT Now do Ita√ļ, com nove produtos listados no Brasil e um no Chile.
‚ÄúO ETF de renda fixa vai trazer para o mercado um instrumento muito mais aderente ao perfil do investidor tradicional brasileiro‚ÄĚ, afirma Marcos Skistymas, superintende de Produtos Listados na B3. ‚ÄúA din√Ęmica de investimentos no Brasil, com alta taxa de juros, proporcionava alto rendimento com baixo risco. O investidor brasileiro acostumou-se a ter investimentos mais seguros, com destaque para renda fixa e at√© poupan√ßa, sem se preocupar em diversificar sua carteira‚ÄĚ, diz. Segundo ele, a queda na taxa de juros est√° levando o investidor a procurar op√ß√Ķes com rentabilidade maior.
ETFs listados na B3 - A B3 t√™m 13 ETFs lastreados em a√ß√Ķes de empresas nacionais, al√©m de dois em a√ß√Ķes do mercado externo e, agora, dois de renda fixa. O primeiro ETF de renda fixa foi o Fixa11, da Mirae Asset, lan√ßado em setembro do ano passado, referenciado numa carteira hipot√©tica composta por contratos de juros futuros de tr√™s anos, apurados pela S&P.
Segundo Skistymas, al√©m do Ita√ļ tamb√©m Banco do Brasil, Caixa, BlackRock e Mirae atuam hoje no mercado local de ETFs. Esse cen√°rio, segundo ele, pode mudar em breve com a incorpora√ß√£o de novos players. ‚ÄúAlguns gestores t√™m procurado a B3 para entender como funciona o produto‚ÄĚ, relata Skistymas. ‚ÄúPodemos ter novos players no mercado em breve.‚ÄĚ
O Ita√ļ tamb√©m prepara novidades. ‚ÄúTemos projetos de novos ETFs baseados nos v√©rtices de risco do mercado dom√©stico e externo‚ÄĚ, afirma Arlindo Penteado. ‚ÄúA Anbima tem outros √≠ndices que podem ser usados como benchmark de ETFs, assim como outras institui√ß√Ķes tamb√©m. E novos √≠ndices podem ser criados‚ÄĚ, explica.
Ele comemora a liquidez do rec√©m lan√ßado IMAB11, com 500 novos cotistas e movimenta√ß√£o de mais de R$ 50 milh√Ķes apenas na primeira semana de negocia√ß√Ķes. No dia 4 de junho, dez preg√Ķes ap√≥s o IPO, o volume chegou a R$ 30 milh√Ķes. Ainda √© pouco em rela√ß√£o ao ETF mais l√≠quido da B3, o BOVA11 da BlackRock, que movimenta diariamente um volume m√©dio de R$ 2 bilh√Ķes, mas j√° √© motivo de comemora√ß√£o nesse mercado que valoriza muito a liquidez.

Aluguel ‚Äď Segundo Catinella, o IMAB11 ir√° disponibilizar no terceiro trimestre do ano o aluguel das NTN-Bs e no √ļltimo trimestre o aluguel das cotas. De acordo com o executivo, o aluguel dos pap√©is e das cotas trar√° uma rentabilidade adicional ao √≠ndice que poder√°, em algumas situa√ß√Ķes, at√© compensar a taxa de administra√ß√£o. Al√©m disso, como o cupom de cada papel √© reinvestido automaticamente no pr√≥prio instrumento, isso gera redu√ß√£o de custo operacional.
Para Penteado, ‚Äúquando come√ßar a fase de aluguel, os gestores de recursos tamb√©m passar√£o a ser um p√ļblico potencial‚ÄĚ. Segundo ele, ‚Äúmuitos assets j√° usam ETFs como v√©rtice de aloca√ß√£o e os gestores poder√£o fazer posi√ß√Ķes vendidas de uma maneira r√°pida.‚ÄĚ
De acordo com o executivo, o ETF √© bastante usado por institucionais para alocar recursos temporariamente entre a sa√≠da de uma posi√ß√£o e o investimento em outra, aguardando o melhor momento de comprar, e tamb√©m na gest√£o de caixa, com estrat√©gias de arbitragem entre a cota e os pap√©is que comp√Ķem o produto.
‚ÄúOs investidores institucionais tiveram um papel importante na ado√ß√£o e no crescimento dos ETFs nos Estados Unidos, Europa, e tamb√©m na Am√©rica Latina‚ÄĚ, relata Rodrigo Ara√ļjo, diretor da BlackRock Brasil. De acordo com Estudo Anual sobre Fundos Negociados em Bolsa (ETFs) na Am√©rica Latina, promovido pela Greenwich Associates, a ado√ß√£o de ETFs pelas funda√ß√Ķes latino-americanas continua atingindo n√≠veis de aloca√ß√£o recordes. Em 2018, 18% dos ativos totais foram alocados em ETFs. Essa porcentagem foi de 13% em 2017 e de apenas 8% em 2016.

 

Carteiras com mais cr√©dito | Decididas a diversificar as suas aplica√ß√Ķes, investidores quebram a cabe√ßa para montar posi√ß√Ķes no segmento

A progressiva queda da taxa Selic e da remunera√ß√£o oferecida pelos t√≠tulos p√ļblicos federais, a partir do final do segundo semestre de 2016, despertou o apetite dos investidores institucionais por t√≠tulos de cr√©dito privado e fundos lastreados nesses pap√©is. Antes pouco valorizadas pela maioria das entidades fechadas de previd√™ncia complementar (EFPCs), tais op√ß√Ķes passaram a ganhar destaque nas pol√≠ticas de investimento do sistema, fazendo jus, inclusive, a fatias de dois d√≠gitos nos portf√≥lios de alguns fundos de pens√£o. A manuten√ß√£o dessas apostas, entretanto, est√° dando trabalho aos gestores das funda√ß√Ķes de previd√™ncia, apesar do expressivo crescimento das emiss√Ķes de deb√™ntures n√£o incentivadas ‚Äď t√≠tulos mais demandados pelo setor ‚Äď, que somaram R$ 129,1 bilh√Ķes em 2018, um crescimento de 47,54% em rela√ß√£o a 2017.
‚ÄúA oferta de deb√™ntures apresentou, de fato, forte crescimento, mas ficou bem aqu√©m da demanda, o que acabou por comprimir os pr√™mios‚ÄĚ, comenta Guilherme Benites, s√≥cio da Aditus, consultoria voltada ao atendimento de EFPCs. ‚ÄúAl√©m da remunera√ß√£o pouco atraente para as entidades, que t√™m metas atuariais a cumprir, boa parte dos t√≠tulos que v√™m chegando √† pra√ßa embutem riscos maiores de cr√©dito, pois est√£o atrelados a equacionamentos de d√≠vidas e n√£o a projetos de expans√£o, o que contribui para torn√°-los ainda menos interessantes.‚ÄĚ
A combina√ß√£o desses dois fatores adversos vem provocando revis√Ķes de alguns planos de voo. Uma das maiores funda√ß√Ķes do pa√≠s, a Funcesp, em entrevista √† Investidor Institucional h√° dois meses disse que tinha reduzido as suas aloca√ß√Ķes em cr√©dito privado em dois ter√ßos ao longo dos √ļltimos anos, para R$ 900 milh√Ķes, sem planos de rever a decis√£o t√£o cedo. A maioria das entidades, no entanto, segue em busca de op√ß√Ķes e solu√ß√Ķes.

Cr√©dito estruturado - J√° a Funda√ß√£o Copel, com 10% de seu portf√≥lio alocado no segmento, o equivalente a R$ 1,1 bilh√£o, recorreu a novos gestores da √°rea. H√° dois anos, a Capit√Ęnia foi encarregada de pilotar um fundo de cr√©dito estruturado, lastreado com certificados de receb√≠veis imobili√°rios (CRIs) e cotas de fundos de investimento em direitos credit√≥rios (FIDCs) e imobili√°rios (FIIs), entre outros, que conta hoje com um patrim√īnio l√≠quido de R$ 350 milh√Ķes. Em 2018, outras assets passaram a gerir fundos ancorados em pap√©is com ratings maiores e pr√™mios menores.
‚ÄúOu seja, primeiro contemplamos a gest√£o ativa, depois a solidez‚ÄĚ, assinala o diretor de investimentos Jos√© Carlos Lakoski. ‚ÄúAcertamos no timing e na escolha dos gestores, que t√™m grande expertise em estrat√©gias de cr√©dito mais sofisticadas. O fundo gerido pela Capit√Ęnia, por exemplo, vem compensando a sua maior exposi√ß√£o ao risco com retornos excelentes.‚ÄĚ
O desafio da EFPC ser√° implantar o mesmo padr√£o na carteira sob gest√£o da casa. A tarefa inclui uma maior diversifica√ß√£o de emissores, a exemplo do que fizeram as assets contratadas desde 2017, al√©m, claro, de spreads pelo menos equivalentes aos dos t√≠tulos que se aproximam do vencimento. ‚ÄúA inten√ß√£o √© manter a participa√ß√£o do cr√©dito privado no portf√≥lio ao redor de 10%, mas n√£o est√° sendo nada f√°cil cumprir tal meta‚ÄĚ, observa Lakoski. ‚ÄúComo reflexo da multiplica√ß√£o de fundos de cr√©dito nas plataformas de investimento, grande parte das deb√™ntures n√£o incentivadas garantem remunera√ß√£o pouco superior √† varia√ß√£o do CDI.‚ÄĚ
Situa√ß√£o ainda mais complexa √© enfrentada pela Funda√ß√£o Banrisul. Com patrim√īnio l√≠quido de cerca de R$ 4,9 bilh√Ķes, a entidade ga√ļcha pretende elevar para 12% a participa√ß√£o do cr√©dito privado em seu portf√≥lio, que caiu recentemente para 8,97% em raz√£o dos vencimentos de v√°rios lotes de t√≠tulos ocorridos no fim do primeiro quadrimestre. ‚ÄúComo as deb√™ntures das novas safras acenam com juros insatisfat√≥rios, planejamos recorrer ao mercado secund√°rio, ou seja, comprar pap√©is j√° em andamento‚ÄĚ, conta o diretor financeiro √Ālvaro de Borba Kafruni. ‚ÄúVai dar mais trabalho, pois teremos de analisar com muito crit√©rio o rating e os fluxos de pagamento, mas √© uma solu√ß√£o de curto prazo ditada pela realidade do mercado prim√°rio.‚ÄĚ
Embora n√£o seja in√©dito, o recurso ao mercado secund√°rio √© algo raro na trajet√≥ria da EFPC, que, de qualquer forma, acumula grande experi√™ncia em t√≠tulos de cr√©dito. No fim da d√©cada passada, esses ativos chegaram a responder por 32% das aplica√ß√Ķes da Funda√ß√£o, com forte concentra√ß√£o em pap√©is do setor financeiro. Tal bagagem servir√° de refer√™ncia para outra op√ß√£o de aplica√ß√£o em estudo. ‚ÄúTamb√©m estamos de olho em letras financeiras com vencimentos em at√© sete anos e pr√™mios razo√°veis. T√≠tulos com prazos mais longos, de uma forma geral, n√£o nos interessam, j√° que a incerteza do cen√°rio econ√īmico ainda √© muito grande‚ÄĚ, diz Kafruni.

Diversifica√ß√£o ‚Äď Fruto direto da necessidade de diversifica√ß√£o dos portf√≥lios, imposta pela perda de g√°s da renda fixa tradicional, o cr√©dito privado j√° come√ßa a entrar no radar de entidades sem quilometragem na √°rea. √Č o caso da Funda√ß√£o Promon de Previd√™ncia Social (FPPS), decana entre as EFPCs privadas. Com um patrim√īnio l√≠quido de R$ 1,6 bilh√£o, a FPPS come√ßou a cogitar a hip√≥tese no fim do ano retrasado, durante a elabora√ß√£o de sua pol√≠tica de aplica√ß√Ķes para o exerc√≠cio seguinte. O primeiro ensaio ocorreu na segunda metade de 2018, com uma pequena aloca√ß√£o em um FIDC de cr√©dito estruturado lastreado por pap√©is originados pelo pr√≥prio gestor. ‚ÄúO pr√≥ximo passo ser√° o debate, em nosso comit√™ de investimentos, dessa nova op√ß√£o, o que deve ocorrer no segundo semestre‚ÄĚ, diz o diretor de investimentos Andr√© Natali Schonert.
Se a proposta prosperar, a sua implementa√ß√£o se dar√°, provavelmente, por meio da constitui√ß√£o de um ve√≠culo exclusivo a cargo de uma asset especializada. A mesma diretriz, diga-se, foi adotada recentemente nos mandatos dos fundos estruturados e de renda fixa. Os gestores encarregados foram orientados a focar as suas opera√ß√Ķes em juros, moeda e infla√ß√£o, e a deixar o cr√©dito privado de lado. ‚ÄúDefinimos assim, com boa anteced√™ncia, a necessidade de contar com um fundo puro sangue no segmento sob a administra√ß√£o de experts. S√≥ assim ser√° poss√≠vel encontrar alternativas que garantam boas taxas de risco e retorno‚ÄĚ, observa o executivo.
A amplia√ß√£o do leque de aplica√ß√Ķes dos institucionais vem se traduzindo, como era previs√≠vel, em bons neg√≥cios para assets tradicionais e at√© mesmo de menor porte. Quinta maior gestora de recursos de fundos de pens√£o, com ativos de R$ 51,63 bilh√Ķes em dezembro, a Santander Asset Management registra um crescimento expressivo da procura por fundos exclusivos concentrados em cr√©dito privado, multimercados e a√ß√Ķes. ‚ÄúO cr√©dito vem ganhando corpo de forma consistente, do varejo ao atacado, desde 2016. Uma maior demanda dos institucionais, contudo, depender√° de um salto nas emiss√Ķes, o que s√≥ ser√° poss√≠vel com a retomada do crescimento econ√īmico‚ÄĚ, comenta o superintendente de gest√£o de fundos Cal Constantino.

Vis√£o otimista ‚Äď Detentor da maior carteira do g√™nero no pa√≠s, com cerca de R$ 130 bilh√Ķes em t√≠tulos privados, o grupo Ita√ļ Unibanco tamb√©m tem uma vis√£o otimista do segmento a m√©dio e longo prazos, com um cen√°rio macroecon√īmico mais favor√°vel. C√©sar Ming, diretor comercial para investidores institucionais do Ita√ļ BBA, destaca a forte expans√£o desse nicho de mercado, refletida, entre outros indicadores, pela multiplica√ß√£o de emissores. ‚ÄúAs empresas n√£o financeiras, que respondiam h√° alguns anos por algo em torno de 5% a 10% dos pap√©is, ganharam muito espa√ßo e det√™m hoje uma participa√ß√£o de 40% em nossas carteiras, chegando at√© a 80% em portf√≥lios de maior risco‚ÄĚ, observa ele, que percebe uma certa cautela dos institucionais nas apostas dos institucionais. ‚ÄúA prefer√™ncia √© maior por t√≠tulos com ratings mais elevados e remunera√ß√£o pouco acima da varia√ß√£o do CDI. √Č uma op√ß√£o que reflete uma maior consci√™ncia dos profissionais das funda√ß√Ķes de previd√™ncia em rela√ß√£o ao risco.‚ÄĚ
Com um ano de mercado, a paulista Devant Asset, surgida de desmembramento da consultoria de investimentos RTSC, come√ßa a marcar presen√ßa na praia dos institucionais. Seu trunfo √© o Solidus Cash, um fundo de renda fixa baseado em cr√©dito privado que, com patrim√īnio l√≠quido por volta de R$ 140 milh√Ķes, teve o regulamento modificado, h√° seis meses, para atender √†s diretrizes da Resolu√ß√£o 4.661 do Conselho Monet√°rio Nacional (CMN), de maio de 2018. O ajuste j√° atraiu um fundo de pens√£o privado para o time de cotistas e garantiu contatos e negocia√ß√Ķes com outros oito. ‚ÄúOs juros em queda facilitam a abordagem das EFPCs, que est√£o em busca de especialistas em estrat√©gias de maior valor agregado‚ÄĚ, diz o s√≥cio Bruno Eiras. ‚ÄúComo o Solidus Cash ainda tem muito potencial de capta√ß√£o, vamos intensificar a prospec√ß√£o de outras funda√ß√Ķes. A meta at√© dezembro √© contar com quatro novos cotistas institucionais.‚ÄĚ

Fundos de investimentos alocam mais em FIDCs

Levantamento realizado pela empresa ComDinheiro mostra que o volume de recursos alocados em FIDCs pelos fundos de investimento cresceu 23,26% entre janeiro de 2018 e abril de 2019.  Em janeiro de 2018 os fundos de investimento tinham R$ 25,45 bilh√Ķes alocados em FIDCs, volume que subiu para R$ 31,37 bilh√Ķes em abril √ļltimo.

No mesmo per√≠odo de 15 meses, os gestores respons√°veis pelas aloca√ß√Ķes nos FIDCs diminu√≠ram de 211 para 176. J√° os FIDCs alocados e os gestores desses FIDCs aumentaram, respectivamente de 295 para 338 e de 95 para 98. Veja tabela abaixo:

Data Valor Alocado
pelos Fundos em
FIDCs (R$ bi)
N√ļmero de
Aloca√ß√Ķes
Gestores
Alocadores
FIDCs
alocados
Gestores de
FIDCs alocados
jan/18 25,45 5.579 211 295 95
fev/18 25,75 5.612 210 299 96
mar/18 26,64 5.789 214 309 98
abr/18 27 5.723 213 318 100
mai/18 27,25 5.914 214 325 99
jun/18 29,51 6.330 216 332 99
jul/18 29,56 6.284 219 336 99
ago/18 30,23 6.404 217 342 101
set/18 30,86 6.448 217 349 102
out/18 32,23 6.386 217 351 103
nov/18 33,33 6.421 217 360 103
dez/18 34,73 6.500 215 373 106
jan/19 40,98 6.691 219 384 105
fev/19 26,23 3.812 179 321 99
mar/19 25,74 3.816 184 332 97
abr/19 31,37 3.697 176 338 98

Duratex conclui captação de R$ 1,2 bi com emissão de debêntures simples

A Duratex informou, h√° pouco, que concluiu a capta√ß√£o de R$ 1,2 bilh√£o em sua segunda emiss√£o de deb√™ntures simples, n√£o convers√≠veis em a√ß√Ķes, distribu√≠das esfor√ßos restritos. A remunera√ß√£o paga aos investidores ser√° de 108% da varia√ß√£o acumulada das taxas m√©dias di√°rias dos DI ‚Äď Dep√≥sitos Interfinanceiros de um dia, ‚Äúover extra-grupo‚ÄĚ, base 252 dias √ļteis.
A empresa utilizar√° R$ 554,2 milh√Ķes para resgate antecipado das notas promiss√≥rias comerciais da primeira emiss√£o.