Transparência nas operações é fundamental|Selic baixa levou investimentos a se sofisticarem e demandar novos serviços

Muito além do tamanho da fatia de mercado que conseguem abocanhar no presente, as instituições responsáveis pela custódia de ativos de investidores brasileiros e estrangeiros precisam assegurar sua participação nesse mercado com um olhar para o futuro. Colocar em foco novos esforços para ampliar a qualidade e a complexidade dos serviços oferecidos é uma demanda que tende a ser cada vez maior. Transparência absoluta nas informações prestadas aos investidores, gestores, cotistas e ao mercado como um todo é uma exigência que ultrapassa o mero cumprimento da regulação e será mesmo uma questão de sobrevivência. Já há inclusive uma preocupação institucional com a certificação das custódias, a exemplo de outros segmentos do mercado de investimentos que tem buscado aperfeiçoar a segurança das operações.
No ranking da Anbima que mostra as posições dos custodiantes nos doze meses encerrados em abril deste ano, o total de ativos custodiados atingia R$ 6,4 trilhões, sendo R$ 4,7 trilhões em ativos de investidores do mercado doméstico e R$ 1,6 trilhão em ativos de investidores externos. Bradesco mantem a liderança com 24,4% do total enquanto Itaú Unibanco continua na segunda colocação com 22,8% dos ativos custodiados. Banco do Brasil aparece em terceiro lugar com 15,6% do total, Citibank em quarto com 12,8% e Santander em quinto com 6,2%.

 

Ranking Geral
Ativos custodiados em abril de 2018 (em R$ milhões)
RK Instituição
Custodiante
Total de Ativos
Custodiados
Participação
Relativa (%)
1 Bradesco 1.561.985,30 24,39
2 Itaú Unibanco 1.457.623,51 22,76
3 BB DTVM 997.740,99 15,58
4 Citibank 820.057,76 12,8
5 Santander (Br)  398.575,74 6,22
6 JP Morgan 266.510,14 4,16
7 Caixa 243.833,49 3,81
8 BNY Mellon  116.846,96 1,82
9 Safra 96.701,24 1,51
10 BNP Paribas 77.177,82 1,21
11 BTG Pactual 63.630,90 0,99
12 BRL DTVM 54.693,87 0,85
13 Votorantim 38.165,83 0,6
14 Cooperativo Sicredi 34.922,64 0,55
15 Oliveira Trust 29.821,39 0,47
16 Credit Suisse (Br) 22.681,54 0,35
17 Banco Paulista 22.664,39 0,35
18 Bancoob 17.069,36 0,27
19 Planner Corretora 13.452,09 0,21
20 Banco Finaxis 12.453,09 0,19
21 Banrisul 10.403,82 0,16
22 Intrader DTVM 6.545,70 0,1
23 Deutsche 5.078,10 0,08
24 BBM 5.033,19 0,08
25 Modal 4.778,28 0,07
26 Gradual CCTVM 4.079,70 0,06
27 BRB 3.862,76 0,06
28 BMF 3.810,59 0,06
29 Magliano 3.063,54 0,05
30 BNB 2.138,88 0,03
  Outros 9.054,87 0,14
   Total 6.404.457,50 100
Fonte: Anbima

 

A maior complexidade das estratégias de investimento adotadas no mercado brasileiro desde o início do ciclo de redução da Selic já começa a mostrar efeitos também nessa área, com serviços oferecidos pelas principais instituições, tanto no que diz respeito ao mercado doméstico quanto aos clientes estrangeiros, exigindo apostas mais robustas em qualificação. As exigências da regulação, que tem evoluído e crescido em rigor nos últimos anos, também contribuem para que a custódia demande cada vez mais investimentos em tecnologia e equipes profissionais. Maior proximidade entre a custódia e a gestão é um item obrigatório, de modo que o custodiante possa complementar o trabalho do gestor e dar ao investidor uma visão mais clara sobre o processo de precificação e os resultados oferecidos em cada classe de ativos.

Valorização dos ativos – Com R$ 1,56 trilhão em ativos sob custódia em abril, o Bradesco encerrou o período de doze meses na liderança desse segmento. A diferença para o segundo colocado no ranking da Anbima, entretanto, continuou estreita já que o Itaú Unibanco registrou R$ 1,45 trilhão sob custódia em abril.
O crescimento de 12% do Bradesco em relação a sua posição no mesmo período do ano anterior, quando atingiu R$ 1,39 trilhão em custódia, ocorreu mais em decorrência da valorização dos ativos em si e não de qualquer estratégia ou movimentação específica. “De 2017 para cá houve na verdade uma consolidação dos participantes desse segmento e não ocorreram novas compras entre as instituições”, explica o diretor de custódia do banco, André Bernardino, referindo-se à compra da operação do HSBC pelo Bradesco que lhe permitiu ocupar a liderança do ranking no ano passado.
A consolidação é a marca do mercado de custódia em 2018, avalia o diretor. “O momento é de manter posições e ampliar a seletividade em relação a parceiros e veículos de investimento, com atenção especial aos fundos estruturados, particularmente FIDCs e FIP’s”, diz. Depois de um 2017 turbulento e um primeiro semestre de 2018 idem, a realidade na área de custódia foi a consolidação. “Os prestadores de serviços são os mesmos, depois da desistência de alguns que preferiram sair desse mercado, o que concentra as operações em um número relativamente pequeno de atores”.

 

Mercado Doméstico
Ativos sob custódia em abril de 2018 (em R$ milhões)
RK Instituição
Custodiante
Total Da própria
instituição
De outras
instituições
1 Bradesco 1.368.358,36 795.850,45 572.507,91
2 Itaú Unibanco 1.251.433,93 744.122,93 507.310,99
3 BB DTVM 996.100,75 891.799,61 104.301,13
4 Santander (Br)  308.727,26 241.761,00 66.966,26
5 Caixa 243.833,49 239.453,47 4.380,02
6 BNY Mellon  114.293,69 6.959,51 107.334,18
7 Safra 93.279,31 93.152,80 126,51
8 BTG Pactual 58.772,12 33.156,83 25.615,28
9 BRL DTVM 54.693,87 45.512,88 9.181,00
10 Votorantim 38.133,79 27.966,95 10.166,84
11 Citibank 36.864,25 16.452,31 20.411,94
12 Cooperativo Sicredi 34.922,64 31.510,20 3.412,44
13 BNP Paribas 34.843,56 16.403,45 18.440,11
14 Oliveira Trust 29.821,39 4.536,94 25.284,45
15 Banco Paulista 22.664,39 4.281,01 18.383,39
16 Bancoob 17.069,36 17.069,36 0,00
17 Planner Corretora 13.362,95 7.258,72 6.104,23
18 Banco Finaxis 11.610,89 2.060,36 9.550,53
19 Credit Suisse (Br) 11.033,01 11.033,01 0,00
20 Banrisul 10.403,82 10.403,82 0,00
21 Intrader DTVM 6.545,70 1.134,81 5.410,89
22 BBM 4.900,03 584,06 4.315,97
23 Modal 4.778,28 2.467,57 2.310,71
24 Gradual CCTVM 4.079,70 0,00 4.079,70
25 BRB 3.862,76 1.286,94 2.575,82
26 BMF 3.582,37 0,00 3.582,37
27 Magliano 3.063,54 73,74 2.989,80
28 BNB 2.138,88 2.138,88 0,00
  Outros 9.059,36 5.143,01 3.916,36
  Total 4.792.233,44 3.253.574,61 1.538.658,83
Fonte: Anbima

 

Em relação à custódia de ativos dos fundos de pensão, nicho no qual o Bradesco detinha R$ 266 bilhões em abril último, a evolução desde o ano anterior também não mostrou nada além do efeito da valorização dos próprios ativos. “Acreditamos no mercado de custódia de ativos, ainda que ele enfrente alguns problemas em seu marco regulatório, mas o importante este ano continua sendo a manutenção das posições”, afirma Bernardino.
O diretor observa ainda que a nova regulação dos investimentos das EFPC, trazida pela Resolução 4.661, será um passo importante para a governança interna das fundações, com melhorias na definição de portfolios e das responsabilidades. “Nesse ambiente, caberá aos prestadores de serviços – custódia entre eles - atenção ainda maior para cumprir estritamente o que for estabelecido pela nova legislação”.

Portfolio saudável – Já o Itaú Unibanco, segundo maior player do mercado, definiu como ponto central de sua estratégia a busca de um portfolio saudável, visto com maior relevância do que a mera conquista de novos espaços em market share. Com um programa de investimentos da ordem de R$ 150 milhões em avanços tecnológicos para garantir que seus processos sejam adequados ao nível de automação exigido pela indústria de investimentos, a instituição iniciou em 2017 um programa de evolução tecnológica que será concluído em 2019, explica o diretor-executivo de Wealth Management & Services - WMS do Itaú Unibanco, Flávio Souza.
Ao mesmo tempo, o avanço de market share foi menor este ano. “Houve uma certa desaceleração recente porque o crescimento vinha sendo de 20% ao ano e agora atingiu 10%, um desempenho que foi em parte influenciado pelo próprio ciclo da Selic, que afeta o estoque de ativos”, diz o diretor. Ainda que mantenha uma atuação abrangente e uma posição importante no ranking, o Itaú Unibanco prioriza o crescimento sustentável, destaca Souza. “O segmento de custódia impõe atualmente alguns pontos de atenção, a começar pelo ambiente regulatório mais exigente nos últimos anos e às instruções da CVM que fizeram a barra subir”.

Nem sempre, entretanto, esses esforços são compensados pela remuneração dos serviços prestados, já que as margens de ganho são apertadas, diz Souza. Segundo ele, as instituições precisam definir claramente seus focos de atuação, o perfil dos clientes, suas demandas e a capacidade de atende-las. Essa é uma característica específica do mercado brasileiro, em que a remuneração dos administradores e custodiantes costuma ser muito menor do que a dos gestores, ainda que em alguns casos seu risco seja mais elevado. “É importante que os custodiantes tenham claro quais são os clientes para quem pretendem prestar serviços e como isso será feito, para evitar assimetrias na relação risco/retorno em alguns ativos de seus portfolios”, observa Souza.
Nesse sentido, o Itaú Unibanco tem sido extremamente seletivo para a classe de fundos estruturados, cuja custódia representa uma fatia de apenas 2% do segmento. A instituição procura concentrar foco nos fundos 555 com ativos líquidos e gestores com os quais tenha maior proximidade. “Mas tudo depende muito da expectativa dos gestores, às vezes eles preferem se concentrar na gestão e deixar administração, custódia e middle office para os provedores específicos, então é sempre necessário definir corretamente essas escolhas”, diz o diretor.
“As novas Instruções Normativas da CVM, que trouxeram mais exigências e controles, assim como as próprias melhorias de governança introduzidas pela Bolsa para aperfeiçoar a liquidação, afetam a necessidade de um arcabouço de custódia mais complexo, lembra Lai Yen Ling, superintendente de produtos da área de Securities Services do Itaú Unibanco. Até porque vem aí a liquidação em D+2 na B3, trazendo novas adequações para a custódia.

Exigências e controles – Para o diretor de Custódia do Citibank, Roberto Paolino, a liquidação em D+2 precisa ser trabalhada pelos custodiantes para que não seja apenas um adiantamento de 24 horas na liquidação mas que traga maior eficiência ao processo. “Temos trabalhado em conjunto com a B3 para assegurar a preparação dos sistemas e a correta informação aos clientes sobre a mudança, o que é fundamental”, diz Paolino.
Os dados compilados pela Anbima em seu ranking de custódia e controladoria revelam um quadro no qual os principais custodiantes continuam a ser as maiores instituições, mas já fica clara também uma tendência de especialização e busca de nichos específicos. O Citibank, por exemplo, decidiu concentrar seus esforços na custódia de ativos para clientes internacionais (à exceção da custódia das ADRs, consideradas na prática como custódias locais para empresas locais de suas ações compradas lá fora por investidores dos EUA e outros países).
Em primeiro lugar no ranking da Anbima para o mercado externo, o Citibank mantinha um total de R$ 760,6 bilhões em custódia em abril (já descontados R$ 22,6 bilhões em ADRs), sendo que R$ 119,8 bilhões eram da própria instituição, com os restantes R$ 640,8 bilhões em ativos de terceiros. O Citi aumentou sua participação relativa na custódia de ativos de mercado externo, de 59% em 2017 (R$ 588 bilhões) para 60% em abril deste ano (R$ 760,6 bilhões).
“Houve um crescimento de aproximadamente 30% dos ativos sob custódia, principalmente em ativos de bolsa e renda fixa, com maior entrada de investidores no país nesse período”, explica o diretor de custódia do Citibank no Brasil, Roberto Paolino: “Nosso foco no Brasil passou a ser 100% nos clientes estrangeiros, com destaque para a América Latina, região na qual somos líderes”.

Nova estrutura operacional – Em meio a um ambiente desafiador para os investimentos nos dois últimos anos, sob o impacto do ciclo de redução da taxa Selic, a diversificação das aplicações fora dos segmentos tradicionais - que trouxe por exemplo a expansão dos fundos multimercados -, teve reflexos diretos nos serviços de custódia, reforça o diretor da Santander Securities Services, Joaquin Alfaro Garcia. “Como consequência dessa evolução, a custódia tem precisado investir no aumento de capacidade tecnológica e operacional para atender as especificidades dos clientes”, diz Garcia.
O Santander, quinto lugar no ranking de custódia para o mercado externo, reorganizou sua estrutura operacional e definiu uma equipe full time dedicada exclusivamente aos clientes estrangeiros. No final do ano passado a área de custódia da instituição registrava crescimento de 25% na comparação com o final de 2016, com 23 novos clientes. Segundo Garcia, a expectativa do banco é que a tendência de crescimento continue neste ano.
“À medida que o mercado ganha sofisticação na busca de alfa para os investimentos, surgem mais gestores das plataformas digitais e a custódia precisa se adequar a isso, garantindo uma troca de informações eficiente com gestores e cotistas”, afirma Garcia. Segundo ele, “graças à estrutura de uma filial dedicada exclusivamente à custódia, o Santander tem feito investimentos contínuos em tecnologia que garantem um diferencial de qualidade e eficiência no atendimento a clientes estrangeiros e do mercado doméstico”.
Já o BNP Paribas, com R$ 77,1 bilhão ao final de abril, é outro que disputa o mercado de clientes não residentes. Segundo o head da área de Securities Services do BNP Paribas Brasil, Andrea Cattaneo, o banco tem cerca de 50% de seus recursos sob custódia vindo de grandes players internacionais. Já foi mais, mas aos poucos o banco de origem francesa tem conseguido espaço para crescer junto aos players locais, explica o responsável comercial da área, Antonio Nascimento.
Para Cattaneo, a implantação da liquidação em D+2 será um evento importante para o mercado de capitais brasileiros pois ajudará a atrair mais investidores internacionais. “Vai incentivar o fluxo de capitais para a bolsa brasileira”, analisa. Hoje, segundo ele, 50% do movimento da bolsa de valores estão nas mãos de investidores estrangeiros, que tendem a se sentir mais confortáveis com as mudanças de infraestrutura que estão sendo implementadas pela B3 e Anbima.
Ainda de acordo com ele, outro fato novo que terá grandes repercussões no mercado de custódia e administração de recursos será o lançamento dos ETFs de Renda Fixa. O Tesouro já lançou edital para selecionar a melhor proposta, que resultará na escolha de um gestor para esse instrumento. Segundo Cattaneo, o BNP Paribas tem mais de 70% da custódia do mercado de ETFs brasileiros e está investindo para se manter como um dos principais players nessa classe de ativos. “Acreditamos que esse segmento crescerá bastante no Brasil e estamos preparados para atender os gestores que atuam com esssa classe de fundos”, afirma Cattaneo.

Migração e serviços diferenciados – O BNY Mellon, oitavo lugar no ranking total, aposta na oferta de serviços e produtos diferenciados para atrair clientes. Sua participação no segmento cresceu aproximadamente 78% nos últimos 12 meses encerrados em abril passado. Segundo o ranking da Anbima, fechou o mês de abril de 2018 com R$ 116,8 bilhões sob custódia, frente aos R$ 65,70 bilhões registrados no mesmo mês de 2017, informa o diretor de Asset Servicing da instituição, Carlos Saraiva.
“Essa expansão ocorreu como resultado de uma contínua estratégia de migração de fundos iniciada no ano de 2016”, diz Saraiva. Segundo ele, o banco mantém uma forte atuação voltada a alavancar a prestação dos serviços aos atuais clientes assim como à prospecção de novos clientes por meio da oferta de produtos que agreguem valor.
Em abril último, o BNY Mellon custodiava R$ 114,2 bilhões do mercado doméstico e R$ 2,55 bilhões do mercado externo. Em relação a ativos de fundos de pensão, o banco mantinha R$ 1 bilhão sob custódia, sem variações significativas em relação ao mesmo período no ano anterior.

FIDCs – No caso do Finaxis, especializado em custódia de FIDCs, o perfil dos clientes tem sofrido uma mudança significativa ao longo dos últimos anos. A casa, que anteriormente chamava-se Banco Petra e era focada basicamente em operações de FIDCs multisacados/multicedentes com factorings, tem realizado cada vez mais operações de FIDCs monocedentes/monosacados com clientes de médio e grande porte. Segundo Ricardo Pedro, diretor de administração de recursos da Finaxis, “os grandes bancos tornaram-se muito restritivos a dar crédito e as empresas passaram a se financiar via emissão de títulos”, “Isso abriu um espaço importante para os FIDCs monocedentes/monosacados, que nós aproveitamos. É a desbancarização”, diz Pedro.

 

Mercado externo
Ativos sob custódia em abril de 2018 - origem em outras instituições (em R$ milhões)
RK Instituição
Custodiante
Total Da própria
instituição
De outras
instituições
4 Citibank 783.193,51 119.773,15 663.420,36
6 JP Morgan 266.510,14 266.510,14 0,00
2 Itaú Unibanco 206.189,58 49.559,54 156.630,05
1 Bradesco 193.626,95 30.145,17 163.481,78
5 Santander (Br)  89.848,48 62.692,50 27.155,98
10 BNP Paribas 42.334,26 21.620,24 20.714,02
16 Credit Suisse (Br) 11.648,53 11.648,53 0,00
23 Deutsche 5.073,62 3.917,30 1.156,32
11 BTG Pactual 4.858,79 444,99 4.413,80
9 Safra 3.421,93 3.308,10 113,83
8 BNY Mellon  2.553,27 0,00 2.553,27
3 BB DTVM 1.640,25 1.640,25 0,00
20 Banco Finaxis 842,20 474,71 367,49
28 BMF 228,21 0,00 228,21
24 BBM 133,16 0,00 133,16
19 Planner Corretora 89,14 89,14 0,00
13 Votorantim 32,05 32,05 0,00
  Total 1.612.224,06 571.855,80 1.040.368,27
Fonte: Anbima

 

A Finaxis fechou abril com R$ 12,4 bilhões em recursos sob custódia, algo com 25% acima dos R$ 10 bilhões de 12 meses atrás. “Poderíamos ter crescido num ritmo até maior, mas estamos sendo bastante conservadores na análise das nossas operações”, explica o diretor comercial e de produtos da Finaxis, Paulo Marins. De acordo com ele, o segmento de FIDCs como um todo cresceu 37% no último ano.
De acordo com Marins, 100% dos recursos sob custódia no Finaxis são provenientes de terceiros. “Somos uma casa com esse foco em Custódia/Administração, não oferecemos crédito”, explica.

Insegurança dos estrangeiros – O mercado de custódia ainda procura compreender melhor as exigências de prestação de informações relativas aos ativos dos investidores não residentes no país. “Há uma certa insegurança jurídica sobre a interpretação dessa regulação”, aponta Flávio Souza, do WMS do Itaú Unibanco. Os clientes estrangeiros representam um segmento muito importante e que respondem atualmente por algo em torno de R$ 1,3 trilhão em ativos, é uma parcela relevante do financiamento da dívida pública brasileira e precisa ter as questões regulatórias melhor definidas.
“O novo marco regulatório deixa uma certa dúvida sobre o que se espera em termos de informações dos não residentes, procuramos ter um nível de abertura pleno dessas informações e percebemos que, comparados com outros mercados, a prática recente brasileira tem gerado algum desconforto”, avalia Souza. Segundo ele, como resultado disso, há postergação e mesmo redução da exposição de estrangeiros no país, independente de fatores conjunturais econômicos e políticos.

Voto eletrônico – Para o Citibank, um dos pontos mais importantes globalmente e que está no centro da evolução do mercado de custódia no Brasil é o uso dos votos eletrônicos como instrumento de governança, um aspecto essencial para o investidor estrangeiro e que exige forte investimento em tecnologia. A B3, via CVM, lançou a possibilidade do voto eletrônico, que foi regulamentado pela CVM em 2015 mas só se tornou obrigatório este ano. “Nós mergulhamos de cabeça no assunto, de tal modo que entre 2017 e 2018 tivemos até 98% dos votos eletrônicos na bolsa”, afirma Paolino.
Segundo ele, em 2015 o Citi teve um total de 39,800 ordens de voto; em 2016, ainda com pouquíssimos votos eletrônicos sendo utilizados, foram 37,500 votos totais na bolsa, número que saltou para 52 mil em 2017 sem que houvesse grandes alterações das empresas. “Esse salto demonstra portanto que o processo eletrônico simplificou de fato os procedimentos para a participação dos clientes via voto”, diz Paolino.
Em 2018, até o início de junho o banco já contabilizava um total de 56 mil votos, dos quais 44,8 mil foram eletrônicos. Paolino estima que o número total de votos deve ultrapassar os 65 mil até o final deste ano, com uma forte parcela de ordens eletrônicas. “Por meio dessa modalidade de voto o mercado brasileiro possibilita acesso integral aos investidores estrangeiros e o Citibank procura tornar esse produto o mais transparente possível”, explica o diretor.

EFPCs – No ranking dos serviços para as EFPCs, o total sob custódia era de R$ 430,3 bilhões em abril, sendo os principais custodiantes o Bradesco, Itaú, Santander, BNY Mellon, Caixa e BB. Os fundos de pensão representam uma linha crítica de negócios na área, diretamente relacionada ao negócio de gestão de ativos como um todo, lembra Joaquin Garcia. “A dinâmica de investimentos das EFPCs exige maior alfa e mais sofisticação para que a entrega de resultados seja satisfatória”. A qualidade da custódia é cada vez mais essencial diante da evolução da complexidade operacional dos mercados e de um atendimento mais eficiente às EFPCs. “Diante da nova dinâmica e maturidade do mercado brasileiro, a estrutura de serviços precisa ser flexível e temos visto crescer o debate sobre a regulação de novas classes de ativos em fóruns como a Anbima e a Previc, tudo isso resulta em maior cobrança por serviços qualificados”, pontua Garcia.
Entre os fundos de pensão, a demanda é crescente por serviços mais sofisticados de custódia, compatível com a necessidade de maior diversificação dos investimentos, concorda o superintendente comercial da área de Securities Services do Itaú Unibanco, Guilherme Saramago. Em abril, 25% do total sob custódia na instituição eram de EFPCs.
Uma tendência que tem aumentado, inclusive incentivada pela Previc, é a centralização de custódia das EFPCs, sublinha o consultor Flávio Bacellar, da PPS Portfolio Performance. Hoje os planos de benefícios precisam ter uma conta individualizada de custódia, o que é obrigatório por lei, mas a centralização ainda não é exigência legal. A custódia centralizada permite uma segregação mais efetiva e melhor controle, facilitando o gerenciamento dos investimentos, esse é um movimento que tende a crescer. “O ideal seria que cada plano tivesse uma conta de custódia na Cetip, com o mesmo custodiante, o que permitiria um controle maior da supervisão sobre todos os fundos de pensão, mas aí entra a discussão dos custos”, diz o consultor.

RPPS e seletividade – Os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), são a principal base institucional da custódia da BRB DTVM, explica o gerente de custódia da instituição, Silvano de Oliveira Júnior. “ Temos atuado com entidades estaduais em função do volume de ativos e, no futuro, pretendemos estender nossos serviços também aos regimes municipais, bem como ao universo das EFPCs”.
Com foco na custódia de ativos para o mercado doméstico, a BRB segue crescendo e sua posição do ranking da Anbima revela a 27ª colocação em abril, com perto de R$ 4 bilhões sob custódia. “O trabalho atual visa os três pilares da custódia – processos, controles e sistemas – que precisam estar sempre bem alinhados. O objetivo é crescer mas sem comprometer o atendimento personalizado aos clientes”, afirma Oliveira Júnior.
A qualificação para assegurar o atendimento personalizado é crucial, diz o gerente da BRB DTVM. A ideia é não ultrapassar uma carteira de 150 clientes para que seja possível agregar valor ao serviço de custódia e, inclusive, discutir a questão da precificação de ativos. “Como custodiantes, devemos estar aptos para ajudar os clientes a avaliar seus portfolios de forma globalizada, prever eventuais problemas futuros e mitigar riscos, porque no final do dia é a custódia que irá servir como referência para os cotistas, reguladores, gestores e demais agentes”.
A BRB DTVM atua no mercado de custódia de ativos de institucionais desde 2015, quando passou a investir para melhorar o compliance junto à CVM e à Anbima, conta a diretora da instituição, Andréia Lopes. Segundo ela, investimentos em processos que resultaram em transparência e padronização “nos aproximaram dos investidores institucionais, a começar por uma base significativa de entidades do RPPS”.

 

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