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Mantendo o foco
O segmento de custódia fechou o mês de abril com um volume de recursos um pouco abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado

Os efeitos da pandemia, que afetaram os mercados de maneira pesada no primeiro trimestre deste ano, tiveram reflexos também nos negócios de custódia de ativos, enfrentados com estratégias diversificadas pelos principais players. O volume total de ativos sofreu principalmente por conta do movimento dos investidores estrangeiros. De acordo com o ranking da Anbima de abril, o total de ativos sob custódia somou R$ 6,96 trilhões, com uma pequena queda na comparação com os R$ 6,99 trilhões registrados em abril do ano passado. No mercado doméstico, o total subiu de R$ 5,245 trilhões para R$ 5,553 trilhões nesse período, enquanto os ativos do mercado externo recuaram de R$ 1,746 trilhão para R$ 1,408 trilhão. Para as instituições custodiantes, o ano tem sido de desafios múltiplos: manter a saúde e a segurança das equipes, boa parte em home office, garantir a eficiência operacional, negociar tarifas e sustentar ou conquistar novos clientes em tempos turbulentos e de incerteza sobre a retomada.
Detentor do maior volume de ativos sob custódia no país, o Bradesco manteve sua liderança nesse mercado em 2020, embora tenha reduzido sua participação total e também no mercado doméstico, ao mesmo tempo em que conquistou uma fatia mais expressiva de negócios do mercado externo. Com R$ 1,61 trilhão sob custódia, o banco detinha em abril 23,2% dos ativos totais, contra uma participação de 23,9% no ano passado. Em ativos custodiados no mercado doméstico, sua posição este ano ficou em R$ 1,42 trilhão com participação de 25,7%, contra R$ 1,47 trilhão e participação de 28,1% no ano passado. Já no mercado externo, o Bradesco registrou R$ 189 bilhões com participação de 13,4% neste ano contra fatia de 11% no ranking anterior.
Até o mês de março, a estratégia do banco foi aplicada sem alterações, focada em manter e buscar novas parcerias com clientes numa relação de confiança a longo prazo, o que implica total transparência e segurança, explica o superintendente executivo de operações locais do Bradesco, Fabiano Bottignon Kosaka. “Não houve crescimento por novas conquistas mas um crescimento orgânico. Entretanto, o impacto da Covid foi forte no primeiro trimestre, principalmente em março, mês em que houve 6% de queda no Patrimônio Líquido (PL), uma baixa de R$ 140 bilhões entre fevereiro e março”. Considerando o período de março do ano passado para o mesmo mês deste ano, o Bradesco havia registrado crescimento de 9,9%, que poderia ter sido ainda maior se não fosse pela crise e pela marcação a mercado dos ativos, assim como pela saída de recursos das carteiras de fundos de investimentos para outros ativos, como CDBs, LFs, CRIs ou diretamente para a bolsa, detalha Kosaka. De abril para maio, esse movimento foi revertido apenas em 0,5% ou R$ 16 bilhões, ainda muito pouco se comparado à perda de março.
O Bradesco segue líder no mercado de Depositary Receipts (DRs) e colheu os resultados da performance de papéis como os da Petrobras e Vale, bastante robustos, informa o superintendente executivo de operações internacionais do banco, Francisco Borges Neto. A custódia de DRs do Bradesco, que já havia somado R$ 123 bilhões em março, cresceu para R$ 136 bilhões em abril, frente ao volume total de R$ 231 bilhões sob custódia nesse segmento. Nos negócios com não residentes, a saída de recursos dos estrangeiros atingiu um volume significativo, diz Borges, recursos que começaram a regressar aos poucos entre abril e maio. “Ainda deve levar algum tempo para que boa parte deles volte a investir em títulos do Tesouro, então vamos ajustando os serviços às demandas dos clientes”, afirma Borges.
Para manter o market share, o Bradesco aposta na busca de novas parcerias de acordo com a capacidade de desenvolvimentos internos, observa Kosaka. São mais de 4.500 fundos de investimentos e 16 mil carteiras administradas, ao todo 20 mil veículos que precisam ser processados diariamente. O investimento em pessoas e processos é vital e isso fez com que os clientes não sentissem o impacto da mudança de 50% da equipe para o home office. Dado o cenário atual, de juros baixos, um dos principais desafios do custodiante será atender o cliente de forma mais imediata, usando ferramentas mais rápidas, lembra o superintendente executivo operacional de produtos e serviços do Bradesco, Gervásio Agustinho de Oliveira.
Um nicho importante, o das entidades fechadas de previdência complementar, tem sido mais relevante para os custodiantes desde que o órgão regulador, Previc, subiu a régua da transparência nas exigências de custódia de ativos. “Temos participado de licitações com muito cuidado nesse mercado, de maneira criteriosa porque é preciso olhar o histórico de controles dos fundos de pensão nos últimos anos, os profissionais que estão à frente das entidades e sua aderência aos códigos de governança da Abrapp e da Anbima”, afirma Kosaka. O crescimento dessa base terá que ser gradual, até para evitar que o custodiante seja questionado lá na frente por conta da falta de governança dos clientes.

Ainda que tenha mantido sua posição no segundo lugar do ranking, o Itaú Unibanco perdeu participação relativa no mercado de custódia este ano, saindo de um percentual de 22,9% do mercado em abril passado para 21,3% de participação em 2020. Seus negócios totais somaram R$ 1,48 trilhão, dos quais R$ 1,38 trilhão no mercado doméstico, com participação de 24,9% contra 26,2% anteriormente. Os negócios no mercado externo perderam participação, de 13,1% para 7%.
Para superar o impacto da pandemia nos meses de março e abril, assim como os demais desafios do mercado em 2020, a fórmula do Itaú passa pelo empenho em trazer novos clientes e ampliar essa base com a conquista de novos mandatos, informa o head de securities e funds services do Itaú, Carlos Salamonde. “Somos muito ativos nesse esforço e trazer clientes novos é o foco. Além disso, o efeito da crise em março e abril foi absorvido por outras áreas da mesma diretoria, como a de escrituração, que aumentou as receitas por conta do maior número de transações na bolsa e maior giro, então o que foi perdido na custódia recuperamos na escrituração”, explica Salamonde. Esses colchões absorveram o impacto no momento mais crítico e, de lá para cá, os mercados já permitiram uma recuperação.
A instituição saiu ilesa dos ajustes operacionais ao coronavírus e apesar de estar com 90% de seu pessoal trabalhando em home office conseguiu manter os processos sem dificuldades, inclusive na delicada virada do come-cotas, informa o diretor. “As conversas com clientes foram até mais produtivas e ficamos bem próximos deles”, diz. Outra boa notícia, segundo Salamonde, foi o esclarecimento da Receita sobre a tributação dos investidores não residentes, que deu mais clareza ao assunto, garantindo transparência e fôlego para que o Itaú continuasse a investir no nicho de não residentes, que em abril registrava apenas R$ 43 bilhões sob custódia. “Com isso, podemos trabalhar melhor esse segmento que andava travado para que os clientes ampliem seus negócios aqui”.
No mercado doméstico, o Itaú conta com um market share expressivo, tanto em serviços isolados de custódia quanto no “combo” de custódia mais administração, já que não faz administração sem custódia. A aposta para seguir conquistando espaço nesse mercado segue o modelo de “comunidades integradas” adotado por essa diretoria, com 24 times que somam aproximadamente 200 pessoas em diversas áreas. Esse trabalho integrado, desenvolvido desde o ano passado, inclui uma forte interação com os clientes para atender suas demandas. “As principais entregas e a qualidade dessas entregas deram maior conforto aos clientes e isso começa a mostrar frutos, temos um pipeline robusto tanto para clientes domésticos quanto off shore”, afirma Salamonde.
O objetivo é seguir com os projetos estruturados de plataformas tecnológicas mais modernas e concluir o projeto de Securities Services no final de 2020, diz o diretor. “A volta do home office acontecerá sem pressa, vamos voltar ao “novo normal” depois da pandemia e o modelo de trabalho remoto irá integrar essa normalidade”.

Líder da custódia para o mercado externo, o Citi registrava em abril um volume de R$ 736 ,5 bilhões nesse segmento, com participação relativa de 52,3%. Apenas para não residentes (Resolução 4.373), a instituição custodiava R$ 728 bilhões, ou 61, 8% do total de R$ 1,177 trilhão registrado pela Anbima, frente a 60,55% em abril do ano passado. Esse resultado já revela uma recuperação em relação ao mês de março, quando a forte queda nos mercados e a saída de recursos externos da Bolsa derrubou o volume para R$ 687 bilhões depois de ter atingido o recorde de R$ 1 trilhão em janeiro, informa o diretor de custódia do Citi, Roberto Paolino. “Na renda fixa o cliente perdeu menos mas, com os juros caindo, também houve vendas maiores. Perto de R$ 100 bilhões dessa queda de R$ 1 trilhão para R$ 728 bilhões, ocorrida entre janeiro e abril, aconteceram na renda fixa porque o estrangeiro diminuiu sua participação na dívida pública brasileira”, afirma o diretor.
Na comparação entre os meses de março deste ano com o mesmo mês do ano passado, o market share do Citi havia subido de 58% para 61,4%. Em abril, com R$ 751,7 bilhões sob custódia ou 10,8 % de participação no mercado, o banco pontuou em quarto lugar no ranking total. Segundo Paolino, a decisão estratégica é a de oferecer aos clientes internacionais os mesmos serviços com os quais eles contam nos demais países, o que assegura um diferencial significativo.
“Tivemos um avanço relevante de participação no mercado e conquistamos dois clientes novos importantes entre o final de 2019 e março deste ano, uma corretora americana de grande porte e um custodiante canadense, o que significou acréscimo de ativos em torno de R$ 25 bilhões”. Esses novos clientes, avalia o diretor, mostram que a plataforma de serviços é competitiva em relação aos concorrentes, uma vez que ambos já estavam no mercado brasileiro. Para voltar a recuperar R$ 1 trilhão sob custódia, será preciso contar com a disposição do estrangeiro em retomar sua presença no país, mas na avaliação de Paolino “este é um mercado em que ele precisa estar e é fundamental que tenha serviços de informação e segurança”.
Com 100% de sua equipe em trabalho remoto desde a primeira semana de março, o Citi considera ter feito bem sua lição de casa em relação ao coronavírus. Os clientes não perceberam rupturas, aponta Paolino, e a infraestrutura está pronta para quando o cliente voltar ao Brasil”. Ele acredita que a experiência do banco com os votos remotos em assembléias das companhias investidas, desenvolvida nos últimos três anos, será importante agora, até porque não houve ruptura e mais de 95% dos votos foram colocados remotamente.

Depois de um ano positivo para toda a indústria de fundos de investimentos, incluíndo administradores, gestores e custodiantes, o BNY Mellon Serviços Financeiros chegou a fevereiro de 2020 com volumes recordes em ativos custodiados e em quantidade de fundos. A instituição segue no oitavo lugar entre os custodiantes mas abocanhou mais um pedaço de market share. Em abril, sua posição no ranking mostrava R$ 243,4 bilhões sob custódia ou 3,52% de participação relativa no mercado, contra R$ 180 bilhões ou 2,6 % anteriores.
No mercado doméstico, registrou R$ 242 bilhões ou 4,4% de participação frente aos 3,4% anteriores, e no mercado externo recuou para R$ 1, 29 bilhão contra R$ 1,69 bilhão anteriores mas manteve o percentual de 0,1%. “Foram duas crises enfrentadas ao mesmo tempo, a primeira delas exigiu seguir com todas as nets e settlements funcionando enquanto fazíamos o movimento de ir para o trabalho em casa. Fizemos um teste com mais de 500 pessoas entre os dias seis e dez de março e depois disso começamos a migrar de modo que no final daquele mês já estávamos 100% em home office”, conta o responsável pelo asset servicing do BNY Mellon na América Latina e Caribe, Lizandro Arnoni.
A segunda crise veio com a queda nos números da indústria de fundos, que recuaram fortemente na crise pela desvalorização dos ativos. Apesar disso, Arnoni diz que os clientes continuaram lançando novos produtos e abrindo novos fundos no dia a dia. “Passamos de um total de 2.411 fundos em fevereiro para 2.500 fundos em abril. Apesar do patrimônio líquido ter caído 12% de fevereiro para março, subiu 6% de março para abril e no ano está positivo em 2,9%. Nos 12 meses, de abril a abril, o número de fundos cresceu 26% e o PL subiu 4,7%”, explica ele.
Segundo ele, houve um influxo de investidores migrando da renda fixa para a variável e não apenas entre os mais sofisticados mas também entre os investidores de varejo, fruto das facilidades criadas pelas plataformas digitais. Entre os não residentes, houve resgates na renda fixa e variável para fazer caixa, mas grande parte dos gestores globais com negócios no Brasil seguiu captando localmente para classes off shore e fazendo a custódia acompanhar esses movimentos de entrada, saída e governança dos recursos lá fora.
Apesar da resiliência dos negócios de custódia do BNY Mellon, a instituição mantém as consultas a estrategistas para definir cenários e estratégias para 2020 e 2021 e assegura que até agora, a despeito das preocupações, não alterou as projeções para o ano de trazer 400 novos fundos e algo como R$ 70 bilhões para a custódia. “Talvez tenhamos que trabalhar um pouco mais para alcançar isso e tenhamos que revisitar o plano estratégico com maior frequência”, afirma Arnoni.
O BNY Mellon gosta de integrar administração e custódia própria porque isso reduz o risco operacional do negócio, seguindo com os esforços de trazer seus clientes da área de administração fiduciária para a custódia ainda este ano, num projeto que está próximo de sua conclusão. “Mas sempre olhamos o momento certo de oferecer também a custódia desplugada da administração e esse será o próximo projeto, um passo a ser dado dentro de um a dois anos”, informa o executivo.

No mês de abril, o BNP Paribas detinha a 12ª posição no ranking total, caindo uma posição em relação ao ano anterior e registrando R$ 79,1 bilhões sob custódia frente aos R$ 80 bilhões do ano passado e 1,1% de participação relativa contra 1,2% do ano passado. No mercado externo, com R$ 20,7 bilhões, sua fatia foi de 1,5% contra 2,2% anteriores. Olhando para o total sob custódia, o volume não sofreu alteração e permaneceu ao redor dos R$ 80 bilhões, lembra o responsável pela área no BNP Paribas, Antonio Nascimento. “Houve uma reação inicial à pandemia e a Bovespa oscilou para baixo, num movimento natural de queda. No primeiro momento houve pouca variação na renda fixa, mas em seguida aconteceram repatriações de recursos por causa do risco, mas foi pontual porque o volume de ativos não sofreu redução”, explica Nascimento.
Ele lembra que, em março, os investidores americanos aproveitaram para capitalizar seus investimentos no Brasil. “Foram 270 mil transações em março, mais do que o dobro da média dos 12 meses anteriores, de 130 mil transações”.
Para Nascimento, a instituição tem como objetivo oferecer estratégias para os clientes globais de grande porte e, segundo ele, até o final do ano devem ser movimentados R$ 30 bilhões em novos mandatos de clientes não residentes que estão migrando de outros custodiantes para o BNP Paribas.
Paralelamente, dois mandatos estão em cotação, sendo que um deles está em fase final e que deve representar US$ 15 bilhões adicionais e outro entre US$ 5 a US$ 6 bilhões. “Ficamos praticamente estáveis no ranking, mas os novos mandatos à vista e as conversas com os outros potenciais clientes devem dobrar esses volumes”, diz Nascimento. O BNP Paribas aposta no fato de ter mandatos de referência para investidores globais no Brasil desde 2016 e na operação de uma ferramenta proprietária global que atende sua base de clientes internacionais. “Cerca de 90% de nossa base são clientes estratégicos para o banco lá fora, então o arcabouço operacional é fundamental, principalmente tecnologia e atendimento com foco no longo prazo”, ressalta o diretor da área. Ele explica que, no BNP Paribas, também não houve discussão sobre tarifas, “até porque nossos serviços são focados em atendimento e tecnologia”.

No BTG Pactual, com R$ 101 bilhões sob custódia, o impacto da crise sobre a área de custódia veio mais em função da perda de valor dos ativos até março, avalia seu diretor financeiro, João Dantas. Mesmo assim, o banco passou da décima para a nona posição entre os maiores players da área, saltando de 1,2% de participação relativa em abril do ano passado para 1,5% em abril último. No mercado doméstico, seu percentual de participação relativa subiu de 1,5% no ano passado para 1,8% neste ano, enquanto no mercado externo caiu de 0,3% para 0,2%. Mas, mais estável do que a corretagem, a custódia é considerada um negócio em franca expansão a longo prazo porque seu principal driver é a estabilidade com juros baixos e ativos com diferenciais de retorno, observa Dantas.
A posição de custódia do BTG Pactual deriva da sua capacidade de gestão, não sendo um fim em si próprio mas complementar à gestão e administração de ativos. “Essa relação, porém, tem nos empurrado de maneira interessante, com o crescimento de market share em gestão e administração, impulsionando a custódia”, diz Dantas. Por conta da maior sofisticação, o diferencial no mercado de custódia é centrado cada vez mais em tecnologia, pondera. “Nossa plataforma tecnológica é bem desenhada e aspectos como a qualidade de pesquisa, execução, aconselhamento e guarda fiduciária/custódia têm sido fundamentais”, explica ele.
Olhar os clientes internacionais de perto e manter contato com as principais empresas na oferta global de América Latina são outros diferenciais para atrair investidores institucionais que operam no mercado brasileiro, pondera Dantas. Em 2020, o cenário de alta volatilidade deve permanecer, apesar de algumas semanas de maior otimismo. “O esforço fiscal feito em vários países explica a situação de preços de ativos mais alinhados com o final do ano passado, mas ainda há muita incerteza sobre a retomada”. O ambiente político conturbado no Brasil preocupa o investidor estrangeiro, lembra Dantas, o que aliás levou a uma desvalorização maior aqui do que em outros países da região, reforçando o distanciamento do estrangeiro.

A parceria estratégica firmada globalmente em janeiro último entre a Santander Securities Services (S3) e a Caceis, do grupo Credit Agricole, resultou numa instituição com ativos de 3,9 trilhões de euros sob custódia e 2,1 trilhões de euros sob administração e que deve dar uma nova perspectiva para a operação local, diz o CEO do Santander Caceis no Brasil, Joaquin Alfaro. Segundo ele, “essa parceria nos permite acompanhar melhor o crescimento dos clientes domésticos e também dos estrangeiros que atuam no Brasil, com um time de especialistas para os dois públicos. Já tínhamos implantado a melhor plataforma digital e agora, com a Caceis, ganhamos ainda mais oportunidades na área comercial’.
Quinto maior custodiante do mercado brasileiro, o Santander registrava em abril último R$ 424 bilhões sob custódia, representando 6,1% no volume total contra 5,7% no ano passado. Enquanto sua participação no mercado doméstico subiu de 5,7% para 6,3% do total na comparação dos dois períodos, alcançando R$ 352 bilhões e a quarta posição do ranking, nos serviços para o mercado externo a participação baixou de 5,8% para 5,1%, registrando R$ 72 bilhões em abril último e a quinta posição no ranking.
Segundo Alfaro, como resultado de investimentos em tecnologia e equipes especializadas, além do reforço da fusão com a Caceis, a operação tem conquistado novos gestores. “Essa parceria foi fundamental para fortalecer a nossa resiliência diante do cenário difícil”, aponta o CEO. A meta é transformar o Santander em player de referência no mercado brasileiro, mais do que apenas garantir market share. A pandemia trouxe o desafio de focar em primeiro lugar na saúde e segurança dos funcionários e na parte operacional dos negócios. Essa realidade irá acelerar a transformação digital da indústria de investimentos para garantir maior proximidade com os clientes, observa Alfaro.
O nicho representado pelos fundos de pensão segue como oportunidade importante, especialmente nos ativos de investimento no exterior, e a instituição já começou desde o ano passado a desenvolver parceria com mais gestores off shore para ajudar na alocação e processamento desses ativos . Ao atrair os gestores terceirizados dos recursos das fundações, o banco espera ganhar espaço nesse segmento. Este ano, com a redução maior dos juros domésticos, a busca por alfa irá empurrar as fundações cada vez mais para o mercado global e a revisão esperada nas regras de investimento no exterior deverá ampliar esse movimento. “Temos que estar prontos para oferecer esses serviços e a presença da Caceis nos mercados europeus será essencial para isso”, pondera Alfaro. O que exige manter investimentos em tecnologia para melhorar a capacidade de prover relatórios e informações, ponto crítico para prestar serviços ao segmento de previdência complementar.

Com R$ 4,30 bilhões sob custódia em abril e participação de 0,3% nesse mercado, o Deutsche também se prepara para ampliar a disputa pela custódia dos investidores estrangeiros no Brasil. “Reorganizamos nossa estratégia e temos explorado os relacionamentos globais dos clientes, houve uma boa evolução mas ainda não atingimos um volume de operações que reflita o esforço feito desde o ano passado”, explica o head de securities services da instituição no Brasil, Henrique Santos. Segundo ele, isso dependerá do ritmo de retorno dos investidores estrangeiros no pós-pandemia. “Aqueles que tinham investimentos de longo prazo mantiveram posições mas os demais decidiram sair; O seu retorno vai depender de um cenário econômico mais positivo aqui, então nós já deixamos o business preparado para isso”, afirma Santos.
O banco oferece a mesma plataforma que os clientes encontram em outros mercados e houve uma readequação da equipe para absorver o aumento de negócios esperado para os próximos dois anos. Velocidade na geração de informações e na liquidação de operações, assim como equipes qualificadas para compreender a demanda dos players interenacionais são as apostas do Deutsche para capturar uma parcela mais expressiva desse público.

A pressão pela redução das taxas cobradas nos serviços foi mais forte no mercado doméstico e não ficou restrita à custódia, permeando também os serviços de gestão e administração. “O Bradesco acatou alguns pedidos de clientes nesse sentido, mas a redução foi negociada caso a caso”, conta o superintendente executivo de operações internacionais do banco, Francisco Borges Neto. Segundo o superintendente executivo de operações locais do Bradesco, Fabiano Kosaka, as pressões foram mais fortes por parte dos clientes com sede no Brasil, com pedidos para reduzir as taxas como um todo, inclusive gestão e administração. “A maior pressão veio dos fundos de renda fixa referenciados e isso acabou impactando todos os serviços, então fizemos alguns ajustes mas nada muito expressivo, até porque o custodiante hoje fica com a menor parte das tarifas”, diz Kosaka.
Segundo o responsável pelo asset servicing do BNY Mellon na América Latina e Caribe, Lizandro Arnoni, as tarifas cobradas na custódia não comportam grande margem para redução, razão pela qual a instituição decidiu não mexer nos percentuais. “Não vejo espaço para grande revisão das taxas de custódia mas sim para melhorar a forma de cobrança das taxas de gestão e administração, o que tende a acontecer no Brasil ao longo dos próximos dois anos ”, acredita Arnoni. Essa mudança viria pela busca de fórmulas mais sofisticadas de cobrança, como já acontece em outros países, com os gestores e administradores encontrando por exemplo taxas que variem de acordo com o tempo de investimento e com o tipo de mercado em que se vai alocar, e isso impactaria as taxas de custódia. Esse é um movimento que exige investimento pesado em tecnologia e, do ponto de vista operacional, será um desafio no início mas terá que acontecer pela pressão inevitável do investidor em ambiente de juros menores.
No Citi, os clientes seguiram pagando em função dos ativos que têm, isso não foi alterado”, explica o diretor de custódia Roberto Paolino. A cobrança foi menor em função da queda de volumes. No Itaú Unibanco, as taxas foram melhor calibradas, conta Carlos Salamonde. “Não elevamos o custo total mas rebalanceamos melhor a parcela que fica com os gestores e administradores, isso foi renegociado entre eles sem onerar o investidor final.

Ranking Geral
Ativos custodiados em abril/2020 (em R$ milhões)
Rk Instituição
Custodiante
Mercado Total Mercado Doméstico Mercado Externo
Ativos
Custod.
Partic.
(%)
Ativos Partic.
(%)
Ativos Partic.
(%)
1 Bradesco 1.616.124,80 23,21 1.427.095,00 25,70 189.029,80 13,42
2 Itaú Unibanco 1.480.214,09 21,26 1.381.783,39 24,88 98.430,71 6,99
3 BB 1.126.160,95 16,18 1,124,746,06 20,25 1,414,89 0,10
4 Citibank 751.724,15 10,80 15.185,16 0,27 736.538,99 52,30
5 Bco Santander(Br) 424.125,37 6,09 352.213,25 6,34 71.912,12 5,11
6 Caixa 302.923,38 4,35 302.923,38 5,45 0,00 0,00
7 JP Morgan 263.643,13 3,79 0,00 0,00 263.643,13 18,72
8 BNY Mellon 243.391,24 3,50 242.098,57 4,36 1.292,67 0,09
9 BTG Pactual 101.087,40 1,45 97.851,13 1,76 3.236,27 0,23
10 Safra 92.627,18 1,33 92.078,23 1,66 548,95 0,04
11 BRL DTVM 88.447,85 1,27 88.447,85 1,59 0,00 0,00
12 BNP Paribas 79.116,77 1,14 58.433,91 1,05 20.682,86 1,47
13 Oliveira Trust 52.620,09 0,76 52.620,09 0,95 0,00 0,00
14 Bco Coop. Sicredi 44.998,98 0,65 44.998,98 0,81 0,00 0,00
15 Votorantim 38.729,73 0,56 38.672,76 0,70 56,97 0,00
16 Banco Paulista 29.162,54 0,42 29.162,54 0,53 0,00 0,00
17 Credit Suisse(Br) 27.522,27 0,40 12.921,06 0,23 14.601,21 1,04
18 Brasil Plural Bco 27.313,27 0,39 27.313,27 0,49 0,00 0,00
19 Bancoob 24.615,38 0,35 24.615,38 0,44 0,00 0,00
20 Planner Corr. 21.257,35 0,31 21.165,42 0,38 91,92 0,01
21 Modal 20.979,27 0,30 20.979,27 0,38 0,00 0,00
22 VORTX DTVM 19.040,26 0,27 19.040,26 0,34 0,00 0,00
23 Bco Finaxis 12.213,83 0,18 10.985,66 0,20 1.228,16 0,09
24 Bco Citibank 11.427,14 0,16 11.427,14 0,21 0,00 0,00
25 Banrisul  11.015,27 0,16 11.015,27 0,20 0,00 0,00
26 Bco BMF 6.023,64 0,09 5.075,22 0,09 948,43 0,07
27 RJI CTVM  5.967,80 0,09 5.967,80 0,11 0,00 0,00
28 Banestes 5.219,43 0,07 5.219,43 0,09 0,00 0,00
29 Deutsche 4.308,13 0,06 0,00 0,00 4.308,13 0,31
30 Ourinvest 4.259,63 0,06 4.259,63 0,08 0,00 0,00
31 CM Cap Markets 4.042,30 0,06 4.042,30 0,07 0,00 0,00
32 Daycoval 3.574,85 0,05 3.574,85 0,06 0,00 0,00
33 BBM 3.089,83 0,04 2.832,98 0,05 256,85 0,02
34 BRB DTVM 2.970,82 0,04 2.970,82 0,05 0,00 0,00
35 Intrader DTVM 2.794,66 0,04 2.794,66 0,05 0,00 0,00
36 Foco DTVM 2.784,51 0,04 2.784,51 0,05 0,00 0,00
37 BNB 2.692,56 0,04 2.692,56 0,05 0,00 0,00
38 Guide Invest 1.996,77 0,03 1.996,77 0,04 0,00 0,00
39 Maxima  723,86 0,01 723,86 0,01 0,00 0,00
40 Mercantil Brasil 492,98 0,01 492,98 0,01 0,00 0,00
41 Orla DTVM 464,92 0,01 464,92 0,01 0,00 0,00
42 Fibra 184,43 0,00 184,43 0,00 0,00 0,00
43 RB Capital 48,40 0,00 48,40 0,00 0,00 0,00
  Total 6.962.121,23 100,00 5.553.899,15 100,00 1.408.222,08 100,00
Fonte: Anbima