Fuga da renda fixa
A queda da Selic tira o gás dos fundos de renda fixa e reforça os apelos de veículos de investimentos com carteiras mais expostas a ativos de risco

Consistência
Fundos Excelentes nos três períodos analisados 97
         
12 Meses: 789 fundos analisados
Renda Fixa 395   Excelentes 212
Multimercados 192   Adequados 188
Ações 202   Insuficientes 389
         
24 Meses: 755 fundos analisados
Renda Fixa 384   Excelentes 162
Multimercados 179   Adequados 165
Ações 192   Insuficientes 428
         
36 Meses: 719 fundos analisados
Renda Fixa 373   Excelentes 174
Multimercados 164   Adequados 160
Ações 182   Insuficientes 385


Sempre sujeita a imprevistos, como a pandemia que aterroriza o mundo no presente, a definição de estratégias em 2019 foi feita com bases em dois eventos: a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China, no plano externo, e a tramitação da proposta de reforma da Previdência no Congresso Nacional, no âmbito doméstico. Segundo o vice-presidente de investimentos, vida e previdência da SulAmérica Investimentos, Marcelo Pimentel Mello, muitos agentes de mercado acreditavam que a reforma seria concluída ainda no primeiro semestre, que não ocorreu.
Os movimentos da indústria de fundos de investimentos em 2019 refletiram, em grande parte, as tendências macros surgidas no ano anterior. Outrora campeões da preferência dos aplicadores, os veículos de renda fixa apresentaram captação líquida negativa pelo segundo exercício consecutivo, com saques totais de R$ 64,46 bilhões, 380% acima do volume de 2018. O declínio, fruto da queda da taxa Selic para o menor patamar da história, beneficiou sobretudo os fundos de ações e os multimercados, em particular aqueles com mais renda variável. As captações líquidas da dupla atingiram, no último ano, as marcas de R$ 87,74 bilhões e R$ 75,74 bilhões, respectivamente, montantes que, somados, responderam por 77,52% do volume total de recursos injetado no sistema em 2019.
“A redução dos juros internos para patamares mais próximos aos praticados no exterior teve efeito, não resta dúvida”, comenta Marcelo Pereira, diretor executivo de gestão de ativos da BB DTVM, a maior asset do mercado doméstico. “Iniciado de forma consistente já há algum tempo, esse processo vem consolidando nos investidores, especialmente entre os institucionais, a percepção de que eles terão, necessariamente, de correr mais riscos em suas aplicações.”
A gestora, que teve 20 de seus fundos institucionais considerados excelentes neste ranking da Investidor Institucional, feito em parceria com a empresa ComDinheiro, orientou o seu trabalho por uma maior exposição ao risco, mas sem abrir mão do controle da volatilidade. A diretriz garantiu bons retornos aos multimercados macros e multiestratégias. “De uma forma geral, os multimercados estão adicionando riscos às carteiras. O leque de opções inclui, além de renda variável, ativos no exterior e estratégias de hedge”, observa Pereira.
A volatilidade subiu além do desejado no segmento de crédito privado, em razão de um forte movimento de reprecificação de títulos iniciado no último trimestre de 2019. Uma das soluções encontradas pela BB DTVM para o problema foi a criação de dois fundos de dívida corporativa voltados a fundações de previdência, hoje com patrimônios líquidos somados ao redor de R$ 100 milhões, que carregam títulos locais e internacionais. “O mercado de crédito privado está passando por grandes ajustes, caso da tendência de adoção de taxas prefixadas”, diz o executivo. “À medida que o governo for equacionando a questão fiscal e reduzir as suas necessidades de financiamento, o crédito privado ganhará força como opção de renda fixa.”
Na renda variável, em compensação, a gestora não enfrentou dificuldades. Sua grade de fundos de ações voltados a institucionais, com seis fundos excelentes neste ranking, teve 11 reforços incluindo cinco fundos que já estavam em operação e foram enquadrados à Resolução 4.661. Ajustes e adaptações do gênero continuarão, apesar da crise enfrentada pelas bolsas de valores.
“Até o fim do último ano, tudo indicava que o mercado acionário seguiria em alta, mas a epidemia global de coronavírus frustrou essas expectativas”, diz Pereira. “De qualquer forma estamos otimistas, pois a economia brasileira, apesar de alguns indicadores erráticos, apresenta sinais de uma retomada das atividades. A dúvida é em relação à velocidade desse processo.”

“A volatilidade do mercado em relação ao próprio futuro do projeto gerou boas oportunidades em juros reais e nominais”, diz ele. “Depois, com a avanço da reforma, a bolsa deslanchou de vez. No nosso caso, optamos, em renda variável, por empresas que estavam em vias de ser privatizadas, varejo e locadoras de veículos, deixando em segundo plano companhias que poderiam sofrer efeitos da disputa travada por Estados Unidos e China.”
Leituras precisas dos cenários interno e externo garantiram bons retornos à Western Asset e à Bradesco Asset Management (Bram). A primeira, na virada de 2018 para 2019, considerou exageradas as previsões da maioria do mercado de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia crescer 2% ou mais no último ano. “Nossas expectativas foram confirmadas”, observa o diretor de investimentos Paulo Clini, que voltou a acertar na mosca no segundo semestre. “Destoamos do consenso geral ao não apostar em uma recessão global.”
Já a Bram, com 23 fundos verdes nesta edição, foi particularmente feliz na análise do trâmite da reforma da Previdência. Ao concluir, em meados do segundo trimestre, que o projeto iria vingar, a gestora posicionou suas carteiras de renda fixa em títulos públicos federais atrelados à inflação de médio prazo. “Além disso, deixamos o segmento de crédito privado na primeira metade de 2019, devido ao elevado apetite dos investidores, que reduziu além do razoável os prêmios dos ativos”, conta o economista-chefe Marcelo Toledo. “A estratégia foi explorar bonds de companhias brasileiras emitidos no exterior, que estavam com prêmios mais atraentes.”
Os multimercados da Bram também sofreram ajustes. Parcelas consideráveis do retorno desses veículos em 2019 foram obtidas por meio do fechamento dos juros e de uma maior exposição das carteiras à renda variável – inclusive a ativos globais, como o índice S&P 500. “Com a queda da Selic, os investidores institucionais estão em busca de aplicações de maior risco. A procura abrange, além de fundos de ações e multimercados, até mesmo fundos imobiliários, opção que não figurava em seu radar há dois anos”, diz o CIO de renda variável Marcelo Nantes.
A demanda tende a crescer ainda mais caso o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) efetue novos cortes na taxa Selic. A hipótese, que soaria como um disparate há alguns meses, é seriamente considerada por um número crescente de gestores como forma de fazer frente aos estragos causados aos mercados globais pelo surto de coronavírus e, também, em razão do incipiente nível de atividades da economia doméstica.
“Se o pânico diminuir e as economias global e local retomarem o crescimento, talvez a redução da Selic não seja necessária”, comenta Luiz Eduardo Portella, sócio e gestor da Novus Capital. “Caso contrário, acreditamos que o Copom tem condições de reduzir a taxa de juros para até 3,25% ao ano.”

Para entender o ranking
Este ranking analisa apenas fundos com aplicações de investidores institucionais, sejam fundos de pensão ou RPPS, a partir de pesquisa realizado pela empresa ComDinheiro. A análise e classificação é feita de acordo com os seguintes critérios:
1 - São selecionados apenas fundos com 12 meses na base Anbima na data de 31/12/2019.
2 - São selecionados apenas fundos com pelo menos um cotista institucional, seja fundos de pensão ou RPPS.
3 - Não são selecionados fundos fechados, fundos exclusivos e fundos máster.
4 - Não são selecionados FIDCs, FIPs e FIIs.
5 - Não são selecionados fundos com Patrimônio Líquido inferior a R$ 10 milhões.
6 – Cumpridas as condições anteriores, a ComDinheiro agrupa os fundos segundo as classes Anbima. Por uma questão operacional, algumas classes de multimercados com orientações próximas e número muito pequeno de fundos foram juntados numa mesma categoria.
7 – A classificação foi feita pela ComDinheiro ponderando o desempenho dos fundos por Sharpe (2/3 de peso na classificação) e Retorno Absoluto (1/3 de peso na classificação). Assim, entre dois fundos com Índice de Sharpe idêntico dentro da mesma categoria Anbima, o de maior Retorno Absoluto recebe melhor classificação.
8 - A classificação, usando os mesmos critérios, é feita para os intervalos de 12 meses, 24 meses e 36 meses;
9 – Os fundos do melhor tercil foram considerados Excelentes e receberam a cor Verde; os fundos do tercil intermediário foram considerados Adequados e receberam a cor Amarela; e os fundos do pior tercil foram considerados Insuficientes e receberam a cor Vermelha.
10 – As classificações são feitas de forma independente para cada categoria e para cada intervalo.

Performance dos gestores - Total de fundos por gestor e distribuição entre Verdes, Amarelos e Vermelhos (em pdf)

Ranking - dez/2019 (em pdf)

 

Performance dos gestores - Total de fundos por gestor e distribuição entre Verdes, Amarelos e Vermelhos
  12 Meses 24 Meses 36 Meses
Gestores  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total
BRAM - Bradesco AM 23 23 61 107 15 22 70 107 23 21 62 106
BB DTVM 20 17 46 83 16 13 51 80 14 17 48 79
Itaú Unibanco 20 10 16 46 16 11 17 44 11 11 20 42
Icatu Vanguarda 11 5 3 19 8 7 3 18 9 5 4 18
Caixa 10 20 49 79 7 11 58 76 6 11 59 76
Western 10 10 12 32 7 8 17 32 10 8 11 29
Oceana 7 0 0 7 1 3 0 4 3 0 0 3
Banrisul 6 3 10 19 2 8 9 19 2 7 10 19
Vinci 5 3 2 10 2 4 4 10 4 3 3 10
XP 5 2 2 9 5 3 1 9 2 2 2 6
Sul América 5 1 6 12 3 3 6 12 3 3 5 11
Banestes 5 1 4 10 4 1 4 9 4 2 3 9
BTG Pactual 4 5 9 18 5 3 8 16 5 2 8 15
J. Safra 4 2 9 15 1 3 10 14 2 3 7 12
Votorantim 4 2 7 13 1 3 9 13 2 4 7 13
Bahia 4 1 1 6 2 3 0 5 4 1 0 5
Santander 3 7 27 37 2 6 28 36 4 5 25 34
BNP Paribas 3 4 5 12 2 1 7 10 2 1 7 10
Kinea 3 0 1 4 3 1 0 4 2 1 0 3
4UM 3 0 1 4 2 0 2 4 2 0 2 4
Mongeral Aegon 2 4 4 10 3 2 5 10 3 3 3 9
JGP 2 3 2 7 2 1 4 7 3 1 2 6
Daycoval 2 3 2 7 1 1 4 6 1 1 4 6
Ibiuna 2 3 0 5 0 5 0 5 1 2 0 3
Claritas 2 2 0 4 2 2 0 4 3 1 0 4
Verde 2 0 1 3 2 0 1 3 0 0 2 2
Constância 2 0 0 2 1 1 0 2 1 1 0 2
Pacifico 2 0 0 2 1 1 0 2 1 1 0 2
Perfin 2 0 0 2 0 2 0 2 1 1 0 2
AZ Quest 1 3 5 9 1 4 4 9 2 3 3 8
Plural 1 3 2 6 1 1 4 6 0 2 4 6
Absolute 1 3 1 5 2 1 1 4 2 2 0 4
Sharp 1 2 1 4 4 0 0 4 3 1 0 4
Navi 1 2 0 3 3 0 0 3 3 0 0 3
Somma 1 2 0 3 1 0 0 1 0 1 0 1
ARX 1 1 4 6 1 2 2 5 1 2 2 5
Multinvest 1 1 1 3 1 1 1 3 1 1 1 3
J. P. Morgan 1 1 1 3 0 1 2 3 0 0 2 2
AF Invest 1 1 0 2 1 0 0 1 1 0 0 1
Pimco 1 1 0 2 0 1 1 2 0 2 0 2
Sicredi 1 0 6 7 2 0 5 7 1 2 4 7
BRB DTVM 1 0 4 5 1 0 4 5 1 0 4 5
Capitania 1 0 3 4 1 1 2 4 1 1 2 4
Única 1 0 3 4 0 0 4 4 0 0 4 4
Apex 1 0 1 2 1 1 0 2 1 1 0 2
Solis 1 0 1 2 1 0 1 2 1 0 1 2
Schroder 1 0 1 2 0 1 1 2 0 1 1 2
Neo 1 0 1 2 0 0 2 2 1 0 1 2
Atmos 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Bancoob 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Bogari 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Captalys 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Constellation 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Equitas 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Indie 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
L3 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
M Square 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Macroinvest 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Moat 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Patria 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
TG Core 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Velt Partners 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Mapfre 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1
Guepardo 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 1
Canvas 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
HIX 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Acura 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0
Legacy 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0
Kapitalo 0 4 0 4 2 2 0 4 1 1 1 3
Garde 0 3 0 3 0 0 3 3 0 3 0 3
BRPP 0 2 4 6 0 0 6 6 0 0 6 6
Infinity 0 2 2 4 0 1 3 4 0 1 3 4
Occam 0 2 1 3 0 2 1 3 0 1 2 3
Leblon 0 2 0 2 2 0 0 2 1 0 0 1
BNB 0 1 6 7 0 1 6 7 0 1 6 7
VCM 0 1 5 6 0 0 6 6 0 0 5 5
Mauá 0 1 2 3 0 1 2 3 0 2 0 2
Novus 0 1 2 3 0 1 2 3 0 1 2 3
SPX 0 1 2 3 0 0 3 3 0 3 0 3
Rio Bravo 0 1 1 2 1 0 1 2 1 0 1 2
Saga 0 1 1 2 1 0 1 2 0 1 1 2
Queluz 0 1 1 2 0 1 1 2 0 0 2 2
Franklin Templeton 0 1 1 2 0 0 2 2 0 1 1 2
Credit Suisse 0 1 1 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Meta 0 1 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Butiá 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
FAR - Fator Adm. Rec. 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Exploritas 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Grou 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
STK 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Studio 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 1
Fama 0 1 0 1 0 0 1 1 1 0 0 1
Aurora 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Mirae 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
UBS Consenso 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
XMS Invexa 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
RJI 0 0 7 7 0 0 6 6 0 0 5 5
CA Indosuez 0 0 3 3 1 0 2 3 2 0 1 3
DLM Invista 0 0 3 3 0 2 1 3 1 1 0 2
Austro 0 0 3 3 0 0 2 2 0 0 2 2
Adam Capital 0 0 3 3 0 0 2 2 0 0 1 1
Ipanema 0 0 2 2 0 1 1 2 0 1 1 2
Truxt 0 0 2 2 0 1 0 1 0 0 0 0
Kadima 0 0 2 2 0 0 2 2 0 1 1 2
Quantitas 0 0 2 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Trek 0 0 2 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Alaska 0 0 1 1 1 0 0 1 0 0 0 0
Sparta 0 0 1 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Próprio Capital 0 0 1 1 0 0 1 1 0 1 0 1
Alfa 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BFL 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BlackRock 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BRZ 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Concórdia 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Gavea 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Opportunity 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Phenom 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Porto Seguro 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Gauss 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 0
Nest 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 0
Cygnus 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0
Quasar 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0