Performance no longo prazo
Redução dos juros conduzida pelo BC fez a festa dos gestores, que entregaram altos retornos sem incorrer em grandes riscos

Classificação dos Fundos de Renda fixa
Classificação 12 meses 24 meses 36 meses
Excelentes (verdes) 94 59 72
Adequados (amarelos) 75 77 75
Insuficientes (vermelhos) 226 248 226
Total analisado 395 384 373

 

Em janeiro de 2019, a taxa básica de juros (Selic) estava em 6,5%. Em dezembro de 2019, ela havia sido reduzida em 1,5 ponto percentual, para 5%, em um processo de afrouxamento monetário conduzido pelo Banco Central (BC) sob a liderança de Roberto Campos Neto que continuou em curso e a levou para os atuais 4,25%. Bom para os tomadores de crédito, que tiveram as condições para pegar seus empréstimos junto aos bancos facilitadas. E melhor ainda para os gestores de recursos de renda fixa, que conseguiram, em boa medida graças ao trabalho do BC, entregar aos investidores retornos polpudos sem a necessidade de incorrer em grandes riscos, já que a queda dos juros provocou um automático e expressivo retorno positivo nos portfólios em decorrência dos efeitos da marcação à mercado. Em janeiro de 2019, a taxa básica de juros (Selic) estava em 6,5%. Em dezembro de 2019, ela havia sido reduzida em 1,5 ponto percentual, para 5%, em um processo de afrouxamento monetário conduzido pelo Banco Central (BC) sob a liderança de Roberto Campos Neto que continuou em curso e a levou para os atuais 4,25%. Bom para os tomadores de crédito, que tiveram as condições para pegar seus empréstimos junto aos bancos facilitadas. E melhor ainda para os gestores de recursos de renda fixa, que conseguiram, em boa medida graças ao trabalho do BC, entregar aos investidores retornos polpudos sem a necessidade de incorrer em grandes riscos, já que a queda dos juros provocou um automático e expressivo retorno positivo nos portfólios em decorrência dos efeitos da marcação à mercado. O índice IMA-B 5+, medido pela  Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), por exemplo, que aufere os rendimentos dos títulos públicos atrelados à inflação acima dos cinco anos, teve uma valorização de 30,4% no ano passado, um desempenho quase igual ao do Ibovespa, o principal benchmark da bolsa, que avançou 31,5% no período. Ou seja, o investidor conseguiu em 2019, com ativos livres de risco, um rendimento muito próximo ao que teria obtido se tivesse apostado em ações de empresas na bolsa de valores, de risco sensivelmente maior.Na Bradesco Asset Management (Bram), gestora que teve 13 fundos considerados excelentes, liderando o ranking dos melhores fundos para institucionais na categoria de renda fixa empatada com o Itaú, o economista-chefe Marcelo Toledo afirma que a convicção sobre o corte de juros ganhou força no segundo trimestre do ano passado, após os sinais de que a reforma da Previdência seria aprovada diante da aprovação folgada na Câmara dos Deputados. “Diante desse cenário de retomada da confiança com o avanço da reforma e da agenda fiscal, implementamos a estratégia de renda fixa na Bram nos posicionado em  títulos atrelados à inflação de médio prazo, com vencimento entre dois a cinco anos”, diz Toledo.Após capturar os ganhos decorrentes da queda da Selic, e diante do consequente e significativo recuo nos prêmios oferecidos pelos títulos públicos, a primeira alternativa que veio à mente dos investidores foram os ativos de crédito privado. O “problema” é que, por terem um perfil mais conservador que outras classes como a bolsa ou os investimentos estruturados, praticamente todo o mercado se voltou para as emissões corporativas. O movimento em massa fez com que os spreads dos créditos se achatassem de tal forma que fez com que muitos gestores optassem por ficar de fora desse nicho do mercado ao longo do primeiro semestre, ou ao menos reduzissem de maneira importante a exposição a ele, como foi o caso da asset do Bradesco. A saída encontrada pela gestora do banco da Cidade de Deus frente aos juros baixos, seja nos títulos públicos ou privados, foi partir para ativos de companhias brasileiras emitidos no exterior. “Como a demanda estava muito alta no mercado local, as emissões realizadas lá fora por empresas brasileiras estavam com os prêmios mais atraentes”, afirma o economista-chefe da Bram. 
A Western Asset foi outra casa que também optou por reduzir drasticamente a exposição a ativos de crédito durante o primeiro semestre diante de prêmios que não condiziam com o risco dos ativos. “No último trimestre de 2019, quando os spreads de crédito passaram a subir diante de um forte fluxo de saída dos investidores, voltamos a comprar”, afirma o CIO da Western, Paulo Clini. A gestora conquistou a terceira posição no ranking de renda fixa com oito fundos considerados excelentes, e segundo Clini, pesou para o desempenho positivo da asset uma leitura do cenário fora do consenso em momentos cruciais do ano passado.“No início de 2019, quando o mercado apostava em um PIB do Brasil próximo de 2%, nossa leitura era de que o desempenho da economia iria decepcionar e ficar aquém das expectativas”, recorda Clini. Avançando um pouco no tempo, em meados do segundo semestre, quando o otimismo dos investidores deu lugar a apreensão pelo receio de uma recessão da economia global diante de eventos como a guerra comercial entre China e Estados Unidos e a inversão da curva de juros americana, a gestora entendia que esse risco, embora existisse, era bastante modesto. “Em ambos os momentos, nos posicionamos em ativos pré-fixados e em NTN-Bs, com algumas variações entre prazos um pouco mais curtos e longos”, afirma o especialista. “Nossa estratégia levou em conta que o espaço para o corte de juros era maior do que o mercado esperava”, complementa Clini.
Na Caixa, pelo perfil intrinsecamente mais conservador que os pares por se tratar de uma instituição de natureza pública, a cautela imperou durante todo o ano de 2019. “Estivemos a maior parte do ano posicionados em ativos pré-fixados, com prazos de 1,5 a 2 anos”, afirma Fabiano Zimmermann, CIO da Caixa. Pesou para a tática escolhida a visão do banco de que a reforma da Previdência e demais medidas de caráter microeconômico teriam sucesso, abrindo o espaço necessário para que o Banco Central promovesse os cortes de juros. A percepção de que, assim como no Brasil, as autoridades monetárias ao redor do globo também agiriam para flexibilizar as condições financeiras para mitigar o risco de desaceleração das grandes economias foi outro fator levado em conta na gestão dos fundos de renda fixa da Caixa. “E apesar do choque das proteínas no fim do ano passado devido à febre suína, que afetou a inflação de curto prazo, a curva de juros se manteve em uma trajetória de queda durante todo o período, o que favoreceu o posicionamento adotado”, diz Zimmermann.
Já na Icatu Vanguarda, os gestores de renda fixa não tiveram muito trabalho para conseguir entregar bons retornos aos cotistas. Isso porque quatro dos cinco fundos de renda fixa da asset que foram premiados são indexados e simplesmente acompanham com bastante proximidade a variação dos respectivos benchmarks. “Os fundos podem ficar um pouco mais ou menos indexados, mas sem fugir muito dos índices de referência”, afirma Bruno Horovitz, diretor de relações com investidores da Icatu Vanguarda. “No fim do ano, quando tivemos a alta dos preços das carnes, optamos por aumentar a indexação, o que se mostrou uma estratégia acertada”, diz o especialista. Os fundos indexados da Icatu Vanguarda que foram premiados estão atrelados, separadamente, aos vértices mais curtos (IMA-B 5) e mais longos (IMA-B 5+) da curva de juros. “Não gostamos tanto do IMA-B, por entendermos que ele é excessivamente abrangente”, diz Horovitz. “Além disso, a duration desse benchmark acaba se alterando ao longo do tempo de maneira expressiva, enquanto isso não ocorre nos outros índices em que referenciamos nossos fundos”.

Os melhores gestores de fundos de renda fixa (em pdf)

Os melhores gestores de fundos de renda fixa
  12 Meses 24 Meses 36 Meses
Gestores  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total
BRAM - Bradesco AM 13 9 37 59 5 12 42 59 12 9 37 58
Itaú Unibanco 13 3 11 27 9 6 11 26 7 7 11 25
BB DTVM 12 7 32 51 7 11 33 51 7 11 32 50
Western 8 7 4 19 6 7 6 19 9 6 2 17
Caixa 7 13 36 56 4 8 44 56 4 8 44 56
Banrisul 5 3 6 14 1 7 6 14 0 7 7 14
Icatu Vanguarda 5 3 1 9 3 4 2 9 5 3 1 9
Banestes 5 0 4 9 4 0 4 8 4 1 3 8
BTG Pactual 3 3 7 13 5 2 5 12 4 1 6 11
Santander 3 2 19 24 1 3 20 24 3 3 17 23
Votorantim 2 2 6 10 0 2 8 10 1 3 6 10
J. Safra 2 2 1 5 1 1 2 4 1 1 2 4
Sul América 2 1 3 6 1 2 3 6 1 2 3 6
Daycoval 2 1 1 4 1 0 2 3 1 0 2 3
BNP Paribas 1 1 2 4 1 1 2 4 1 1 2 4
AF Invest 1 1 0 2 1 0 0 1 1 0 0 1
Sicredi 1 0 5 6 1 0 5 6 1 1 4 6
BRB DTVM 1 0 4 5 1 0 4 5 1 0 4 5
4UM 1 0 1 2 1 0 1 2 1 0 1 2
Plural 1 0 1 2 1 0 1 2 0 1 1 2
Única 1 0 1 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Bancoob 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Macroinvest 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Mapfre 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1
Acura 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0
ARX 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0
BRPP 0 2 4 6 0 0 6 6 0 0 6 6
Mongeral Aegon 0 2 1 3 0 1 2 3 0 2 1 3
XP 0 2 0 2 0 2 0 2 0 2 0 2
BNB 0 1 5 6 0 1 5 6 0 1 5 6
VCM 0 1 4 5 0 0 5 5 0 0 4 4
AZ Quest 0 1 2 3 0 0 3 3 0 1 2 3
Multinvest 0 1 1 2 0 1 1 2 0 1 1 2
Infinity 0 1 1 2 0 0 2 2 0 0 2 2
JGP 0 1 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Butiá 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Vinci 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Aurora 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Credit Suisse 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
XMS Invexa 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
RJI 0 0 5 5 0 0 4 4 0 0 3 3
CA Indosuez 0 0 3 3 1 0 2 3 2 0 1 3
DLM Invista 0 0 2 2 0 2 0 2 1 0 0 1
Capitania 0 0 2 2 0 1 1 2 0 1 1 2
Trek 0 0 2 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Sparta 0 0 1 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Austro 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BFL 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BRZ 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Concórdia 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Opportunity 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Porto Seguro 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Queluz 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Rio Bravo 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Gauss 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 0
Cygnus 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0
Quasar 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0