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Risco ganha espaço
Alavancados pelo bom desempenho da bolsa de valores, os produtos lastreados em renda variável foram o grande destaque da indústria

Classificação dos Fundos de Ações
Classificação 12 meses 24 meses 36 meses
Excelentes (verdes) 57 54 55
Adequados (amarelos) 52 48 42
Insuficientes (vermelhos) 93 90 85
Total analisado 202 192 182


A indústria de fundos colheu seus resultados mais expressivos ao longo do último ano no mercado de ações. A forte evolução do Ibovespa, o principal índice da B3, que registrou alta de 31,58% em 2019, aliada à queda dos juros para o menor patamar da história turbinaram os indicadores dos fundos de renda variável. Eles fecharam o ano com a captação líquida recorde de R$ 87,74 bilhões, 137,61% acima do pico anterior, registrado em 2017, e elevaram seu patrimônio líquido total para R$ 496,88 bilhões, 54,02% a mais do que em dezembro de 2018, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
“O fato de maior peso no mercado em 2019 foi, sem dúvida, a redução da taxa Selic de forma acentuada e sustentável, que provocou uma forte migração de recursos da renda fixa para fundos de renda variável, multimercados e, em menor escala, de investimentos no exterior. Esse movimento, que prossegue, é particularmente intenso entre as entidades de previdência fechada, que terão de aumentar as suas exposições em ativos de risco para garantir o cumprimento das metas atuariais de seus planos de benefícios”, comenta Marcelo Pacheco, diretor executivo de gestão de ativos da BB DTVM, com seis fundos de ações verdes neste levantamento da Investidor Institucional.
Atenta às demandas dos fundos de pensão, a asset tratou de reforçar o seu cardápio voltado a esse público. A estratégia contemplou os lançamentos, em 2019, de dois fundos de ações, um multimercado e um de investimentos no exterior. De quebra, a BB DTVM abriu aos institucionais vários fundos antes preferenciais a pessoas físicas. “Enquadramos seis fundos – cinco de renda variável e um multimercado – à Resolução 4.661”, observa Pacheco.
Ao contrário de 2018, quando episódios como a greve dos caminhoneiros e a corrida eleitoral contribuíram para uma sequência de altos e baixos do mercado de ações, a vida das gestoras no segmento de renda variável foi muito mais tranquilo no ano passado. Ao longo do exercício, algumas das principais apostas da controlada do Banco do Brasil foram papéis de empresas mais fortemente ligadas ao mercado doméstico, beneficiadas pela tímida recuperação da atividade econômica, e à construção civil. “A infraestrutura também ofereceu oportunidades interessantes de negócios e segue como uma opção preferencial de aplicação, até em razão das necessidades do país na área”, diz Pacheco.
O bom desempenho dos fundos de ações contou ainda com a decisiva contribuição dos IPOs. As emissões de papéis atingiram a marca recorde de R$ 90,1 bilhões ao longo de 2019, dos quais R$ 79,9 bilhões em novas chamadas e R$ 10,2 bilhões em ofertas iniciais, superando em quase oito vezes o volume registrado em 2018. “O dado relevante é que as emissões foram absorvidas basicamente por investidores locais, os grandes responsáveis pela alta da bolsa de valores no último ano”, diz Marcelo Nantes, CIO de renda variável da Bradesco Asset Management (Bram). “Houve forte retração dos investidores externos que, com a eclosão do surto de coronavírus, tendem a seguir evitando os mercados emergentes.”

Com quatro fundos de ações considerados excelentes, a Bram surfou em meio às emissões de papéis e soube montar bons estoques, em particular nas operações de privatização de empresas federais. Soube, ainda, tirar proveito do aquecimento do mercado imobiliário, especialmente com empresas que atuam no segmento de moradias de média e alta renda em São Paulo, além da gripe que afetou o rebanho suíno da China. “Nos posicionamos muito bem, e com antecedência, em papéis de exportadoras locais de carnes e também small caps”, diz Nantes. “Em cenários de início de recuperação econômica, como o atual, o segmento de small caps costuma entregar resultados com maior rapidez. O fenômeno se repetiu em 2019 em várias pequenas e médias companhias.”

A 4UM Investimentos também teve o que comemorar nesse nicho da indústria de fundos, no qual marca presença desde a década passada. O fundo de small caps da casa, que contabiliza um patrimônio líquido ao redor de R$ 161 milhões, apresentou rentabilidade de 62,43% em 2019, batendo a variação do Ibovespa por folgados 30,85 pontos percentuais. O ganho foi fruto, entre outras estratégias adotadas, da realização de lucros com a venda de posições em Hering e Qualicorp, e do reforço da carteira – formada por cerca de dez papéis – com ações de Rodobens e Terra Santa.
“Os fundos de small caps já começam a atrair a atenção de investidores institucionais”, assinala o diretor de gestão da 4UM Investimentos, Giuliano Silvio Dedini. “O interesse é ditado pela necessidade das fundações de encontrarem opções à queda da taxa Selic para poderem cumprir suas metas atuariais”, diz ele. “Por sinal, essa busca foi a principal responsável pela alta do mercado acionário em 2019, já que os resultados das companhias nada tiveram de excepcionais.”

Na Vinci Partners, com três fundos de ações verdes, as preferências mudaram ao longo de 2019. Logo no início do ano passado a gestora abria espaço em suas carteiras de renda variável a papéis de empresas com atuação de destaque no mercado interno. A partir do último bimestre do ano a aposta passou a ser em grandes exportadoras locais de commodities, mas as fichas foram retiradas logo em seguida.
“Com o fim da guerra comercial entre Estados Unidos e China, em dezembro, a tendência era que os mercados emergentes, Brasil inclusive, fossem beneficiados”, conta o sócio e CIO Fernando Lovisotto. “Logo em seguida, porém, houve a eclosão do surto de coronavírus na China, que ganhou o mundo, e as perspectivas mudaram radicalmente. Voltamos, então, a concentrar atenções em ações de empresas ligadas ao consumo do mercado doméstico.”
A pandemia, que vem provocando seguidas interrupções em pregões de todos os cantos do planeta, levou a gestora a tomar providências drásticas. Até mudanças no panorama local e internacional, o risco de suas carteiras de ações e fundos multimercados segue reduzido a um terço do patamar usual. Apesar dos pesares, Lovisotto considera o momento atual sob medida para as EFPCs elevarem as posições em renda variável nas carteiras de seus planos de benefícios. “Os preços das ações estão muito atrativos. Agora é a hora de diversificar”, diz ele.
Avaliação semelhante é a de Cassiano Leme, CEO da Constância, asset paulista que adota o método de investimentos baseados em big data (ver reportagem nesta edição). O atual surto de coronavírus, a seu ver, reúne grandes probabilidades de causar menos estragos do que o surto da síndrome respiratória grave (SARS, na sigla em inglês), ocorrido entre 2002 e 2003 também a partir da China. Virada essa página, Leme acredita que a recuperação das companhias abertas brasileiras terá sequência.
“Nossos relatórios indicam que, após uma queda contínua a partir de 2012, o lucro das empresas se recuperou em 2016 e, desde então, evoluiu numa proporção muito superior ao Ibovespa”, observa. “Há, portanto, espaço de sobra para a alta das ações. Ou seja, não estamos no fim de um ciclo de lucros, e sim às portas de uma grande fase do mercado acionário.”

Os melhores gestores de fundos de ações (em pdf)

Os melhores gestores de fundos de ações
  12 Meses 24 Meses 36 Meses
Gestores  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total
BB DTVM 6 6 14 26 5 2 16 23 4 5 14 23
Oceana 5 0 0 5 0 3 0 3 2 0 0 2
BRAM - Bradesco AM 4 9 19 32 8 6 18 32 9 5 18 32
Itaú Unibanco 4 3 4 11 5 3 3 11 4 3 4 11
XP 4 0 0 4 4 0 0 4 2 0 0 2
Vinci 3 1 2 6 1 3 2 6 3 1 2 6
Sul América 3 0 0 3 2 0 1 3 2 0 0 2
Constância 2 0 0 2 1 1 0 2 1 1 0 2
4UM 2 0 0 2 1 0 1 2 1 0 1 2
Caixa 1 4 10 15 2 2 11 15 1 3 11 15
BNP Paribas 1 2 3 6 1 0 4 5 1 0 4 5
Western 1 1 4 6 0 0 6 6 0 0 5 5
Sharp 1 1 0 2 2 0 0 2 1 1 0 2
J. Safra 1 0 5 6 0 2 4 6 0 2 3 5
Banrisul 1 0 4 5 1 1 3 5 2 0 3 5
AZ Quest 1 0 1 2 1 1 0 2 1 1 0 2
Bahia 1 0 1 2 0 2 0 2 1 1 0 2
Multinvest 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Atmos 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Bogari 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Constellation 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Equitas 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Indie 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
L3 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Moat 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Patria 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Velt Partners 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Guepardo 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 1
HIX 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Pacifico 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Perfin 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Schroder 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Neo 1 0 0 1 0 0 1 1 1 0 0 1
Plural 0 3 0 3 0 1 2 3 0 1 2 3
Leblon 0 2 0 2 2 0 0 2 1 0 0 1
Ibiuna 0 2 0 2 0 2 0 2 0 1 0 1
Somma 0 2 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0
Santander 0 1 6 7 1 2 3 6 0 1 5 6
Icatu Vanguarda 0 1 1 2 1 1 0 2 0 1 1 2
BTG Pactual 0 1 1 2 0 1 1 2 1 0 1 2
Navi 0 1 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Meta 0 1 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Claritas 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
FAR - Fator Adm. Rec. 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Daycoval 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Banestes 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Grou 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
STK 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Queluz 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 1
Studio 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 1
Fama 0 1 0 1 0 0 1 1 1 0 0 1
Franklin Templeton 0 1 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1
J. P. Morgan 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
ARX 0 0 2 2 1 1 0 2 1 1 0 2
SPX 0 0 2 2 0 0 2 2 0 2 0 2
Sicredi 0 0 1 1 1 0 0 1 0 1 0 1
Alaska 0 0 1 1 1 0 0 1 0 0 0 0
Apex 0 0 1 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Occam 0 0 1 1 0 1 0 1 0 1 0 1
Próprio Capital 0 0 1 1 0 0 1 1 0 1 0 1
JGP 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Verde 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Solis 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Única 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BNB 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Credit Suisse 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
BlackRock 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Nest 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 0
Austro 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0