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O segredo está na diversidade
Operar bem as curvas de juros, assim como ter avaliação precisa das tendência em diferentes mercados, fez a diferença nas casas de gestão

Edição 339

A análise de política monetária, que está na origem da gestão de fundos multimercados feita pela Ibiuna, ajudou a casa a calibrar suas carteiras nesse período em que o juro básico no Brasil mergulhou até 2% para depois iniciar uma trajetória de alta em ritmo acelerado. No ambiente global, a criação e posterior retirada dos estímulos monetários pelos diversos bancos centrais do mundo em resposta à pandemia também faz parte do dia a dia da montagem de posições, explica o sócio da gestora, Caio Santos. “Os movimentos da política monetária foram explorados em cada ponto do ciclo e o nosso time de economistas acompanha mais de 30 bancos centrais, incluindo Brasil e outros emergentes. Operar ciclos de juros é o que sabemos fazer melhor”, diz Santos.
Com R$ 22,5 bilhões sob gestão, dos quais cerca de R$ 19 bilhões alocados em estratégias macro, a Ibiuna teve quatro de seus fundos multimercados destacados com o selo de excelentes neste ranking. A casa tem a maior parte da sua alocação macro concentrada em dois fundos, o Hedge FIM, criado em 2010, e a sua versão mais alavancada, o Hedge Sth, lançado em 2012, com quase três vezes mais risco e alta volatilidade. Além disso, seu multimercado Long Short lançado em 2011 opera apenas renda variável e tem o objetivo de superar o CDI com volatilidade entre 5% e 6%. Sua estratégia é sempre neutra, ou seja, procura neutralizar o risco de mercado ao explorar a análise de empresas com potencial de valorização.
Operar as curvas de juros foi o diferencial para ganhar dinheiro, diz Santos, pois as posições assumidas pelos fundos da casa seguiram essas curvas e anteciparam o efeito da atuação rápida e intensa dos bancos centrais. Em meados de 2020 e até agosto o ponto central foram os estímulos monetários e os juros baixos. “Os vetores de ganho naquele momento vieram da aplicação em juros, porque houve a percepção de que as curvas seriam amassadas e criariam oportunidades tanto nos mercados desenvolvidos como nos emergentes, incluindo Chile, México, leste europeu e África do Sul, entre outros”, detalha o gestor.
À medida que os estímulos monetários globais passaram a funcionar, entre agosto e novembro, a casa começou a zerar posições e migrou para operações táticas em moedas e bolsas. Com os sinais de reabertura da economia global e menor necessidade de estímulos, no final do ano passado, os fundos voltaram a olhar para índices de bolsa como o S&P and MSCI Emerging Markets.
A partir de fevereiro de 2021, quando começou a segunda etapa de retirada dos incentivos e os bancos centrais sinalizaram a normalização monetária nos EUA e em outros mercados desenvolvidos, a gestora passou a tomar juros. “Com isso, conseguimos explorar a primeira “pernada” dos treasuries e desde então operamos nesse movimento, tomados em juros para acompanhar as diferentes velocidades da normalização”, explica Santos.
Atualmente a maior posição da gestora é em treasuries de dez anos, operando o tamanho dessa posição pois ela não é linear. Há também posições em Europa e, com doses menores, nos emergentes porque aí o ciclo de alta do juro deverá ser mais forte. “Conseguimos precificar bem a aceleração das curvas no Chile em grande escala, por exemplo”, lembra o gestor. Ele observa que o Brasil só vai entrar na carteira se houver melhores oportunidades aqui do que lá fora mas o componente Brasil hoje é mais tático porque o risco/retorno é pior do que em outros países e aqui há muito ruído político dificultando a percepção dos dados, apesar do prêmio elevado na ponta longa dos juros. “A gente até opera, mas não é um posicionamento estrutural, é só tático mesmo”, afirma.

Na Icatu Vanguarda, com R$ 34,5 bilhões sob gestão, a filosofia de investimento segue a abordagem de grandes gestoras internacionais, apostando na diversidade de objetivos e demandas e na disciplina de investimento em todas as categorias de fundos para perseguir esses objetivos, diz o sócio e CEO Bernardo Schneider. A casa teve seis de seus fundos multimercados classificados como excelentes.
A casa tem um time de 60 pessoas, das quais 40 estão dedicadas às atividades de análise e gestão, com grande atenção à compatibilização entre objetivos e riscos. No perfil conservador, por exemplo, usa-se várias definições de riscos e não apenas a métrica da volatilidade. Entre os multimercados, há dois grupos de fundos que buscam otimizar as reservas de previdência, detalha o gestor. Enquanto os multimercados Arrojado e Moderado têm um olhar mais voltado à volatilidade, os multimercados Data Alvo buscam resultados de acordo com a data pré-estabelecida, seja em 2030, 2040 ou 2050. Seus portfólios são ajustados ao longo do tempo de modo que cheguem a essas datas em suas posições máximas em termos patrimoniais.“Essa é a modalidade que tem recebido grande parte dos aportes de previdência nos EUA nos últimos 14 anos”, lembra Schneider.
Segundo ele, ambos os fundos são adequados tanto às regras da CVM 555 quanto à regulação da previdência complementar aberta (VGBL e PGBL). Em ambos os casos, explica, a abordagem utilizada parece simples para o investidor, porém é complexa do ponto de vista dos ajustes que são feitos ao longo do tempo no portfólio.
A disciplina nesses 12 meses foi essencial para manter a diversificação e as carteiras alinhadas de maneira a assegurar os objetivos que foram combinados com os cotistas nos fundos data alvo da Icatu Vanguarda. “A consistência de resultados veio da capacidade de manter esse book bem balanceado, conta o head de renda variável Roberto Koeler Lira.
Já no fundo long biased também procuramos deixar a carteira bastante diversificada e a geração de alfa veio de diferentes teses, “o que foi importante para controlar riscos e fugir do cenário macro”, explica Lira. Sem olhar para o IBX ou Ibovespa já que procura resultados em horizontes mais longos de tempo, acima da média do mercado, esse fundo tem flexibilidade na exposição e não precisa ficar 100% comprado em ações, usando a renda fixa para gerar retorno real. A taxa de performance também é um diferencial, por ser cobrada dos investidores em janelas mais longas de tempo, de cinco anos. “O fundo conseguiu entregar retorno atrativo sem cobrar taxa de performance em janelas curtas de tempo, o que reflete um alinhamento com o investidor que a casa considera fundamental”, diz Lira.

Melhores gestores em Multimercados (arquivo em pdf)