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Ações avançam com cautela
Mesmo com o reinado absoluto dos títulos de renda fixa, o investimento em ações está ganhando espaço em uma combinação de risco e segurança

Confirmando uma tendência verificada nos últimos anos, a participação da renda variável vem crescendo na composição das carteiras embora ainda esteja anos luz de distância em relação à renda fixa, que se mantém como o principal ativo dos investidores brasileiros. A alocação em ações e recibos no Brasil cresceu 37,21% em 12 meses enquanto a alocação em ações e recibos no exterior cresceu 56,44% no mesmo período, percentuais muito superiores aos 8,49% e 9,93% de crescimento das alocações em títulos públicos e títulos privados, respectivamente.
Mas em valores absolutos a renda fixa ainda predomina, com uma diferença enorme em relação à renda variável. A renda fixa registrou R$ 3,46 trilhões na soma de títulos públicos e privados no final de 2018, contra R$ 310,25 bilhões na soma de ações e recibos no Brasil e no exterior.
“Com a redução da taxa de juros, o investidor institucional vem migrando suas alocações gradativamente da renda fixa para o crédito, depois para os multimercados e agora já percebemos uma demanda para ações”, descreve Marcelo Mello, da SulAmerica Investimentos. “O destaque foram nosso fundo multimercado e nosso fundo indexado à inflação, que tiveram captação expressiva ao longo de 2018.”
“Este ano vai continuar sendo o ano dos multimercados, em termos de fluxo”, aponta o executivo da SulAmerica. “Isso porque deve ser mais um ano volátil no Brasil e os fundos multimercados têm uma estrutura que consegue se beneficiar não só quando os mercados de capitais estão em alta mas também quando estão em baixa.” Ele reforça que os multimercados levam ao investidor uma flexibilidade de ganhos, permitindo rentabilidade em quase todos os cenários econômicos.
Para Fernando Lovisotto, da Vinci Partners, os investimentos em 2018 foram bem distribuídos nas diversas categorias de ativos. “Foi um pouco para cada seara: bolsa, multimercados, crédito etc. São opções que refletem a busca por retornos maiores”, justifica. “Crédito oferece riscos menores, vindo a seguir, em escala crescente, multimercados e bolsa de valores.” Ele ressalta que as entidades de previdência têm de fazer frente, em média, a retornos de 5,2% acima da inflação para cumprirem suas metas atuariais. “Dá quase 150% do CDI. Não é qualquer investimento que propicia isso. Foi-se o tempo em que a NTN-B garantia retornos satisfatórios para os fundos de pensão.”
Marcelo Nantes, CIO de renda variável da Bradesco Asset Management (Bram) afirma que a expectativa para 2019 é que aumente a alocação em ativos de maior risco, seja renda variável pura ou via multimercados. “Os fundos de renda variável devem captar mais neste ano com perspectivas de melhora no médio e longo prazo. Os IPOs e ofertas de empresas já listadas podem ganhar gás com a reforma da previdência”, ressalta. “O mercado está mais otimista, mais dinâmico. É consequência da maior disposição ao risco por parte dos investidores.”
A maior demanda por ativos de maior risco pelos fundos de pensão também é confirmada por Luiz Sorge, do BNP Paribas, mas com reservas. “O processo ainda está no início, até porque os títulos públicos ainda têm remuneração elevada. Os dirigentes de fundos de pensão têm um grau de responsabilização muito grande no curto prazo e, talvez por isso, ainda tenham receio em relação a propostas de investimento de maturação de médio e longo prazo, como fundos de participações (FIPs)”, afirma.
A atração maior ou menor por ativos de risco depende, segundo Marcelo Toledo, CIO de Renda Fixa da Bram, das condições macroeconômicas. “O Banco Central está de olho na retomada do crescimento econômico no segundo trimestre, mas pode reduzir a Selic”, avalia. “Mas 6,5% já estimula a busca por mais riscos, mesmo na renda fixa. Fundos de crédito tendem a ser beneficiados por mais emissões corporativas e bancárias, com um spread mais atrativo.”
O maior retorno e as condições político-econômicas favoráveis determinam o espaço que cada ativo possui nas carteiras de investimento. “O investidor institucional vai fazer uma composição com variação percentual, com redução paulatina de renda fixa, migrando para multimercado e, depois, uma fatia maior para ações”, descreve. “A concentração em renda fixa pode acabar.”

Segmentação por Ativos alocados (em pdf)