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Em alta, hoje e amanhã
A tão sonhada conscientização para investir em renda futura começou a virar realidade e deve sacramentar a liderança dos institucionais

A soma de recursos das três vertentes que compõem o sistema de previdência fora do INSS, que são os fundos de pensão, a previdência aberta e os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), alcançou R$ 1,54 trilhão no fechamento de 2018, com crescimento expressivo em relação aos 12 meses anteriores. Enquanto os fundos de pensão cresceram 12,59% no período, a previdência aberta cresceu 10,16% e os RPPS 9,97%. Segundo especialistas ouvidos por esta publicação, o crescimento dos investimentos previdenciários fora do INSS aconteceu fundamentalmente em função das discussões sobre a reforma da Previdência.
Os mesmos especialistas avaliam que essa trajetória de alta deve se manter nos próximos anos. “As pessoas passaram a pensar no assunto [aposentadoria e previdência]. Vamos viver mais e com menos emprego no futuro”, aponta Luiz Godinho, head de Relacionamento com Investidores da Verde Asset Management. “É preciso resolver essa situação”, diz Godinho.
Para ele, o crescimento expressivo na captação de recursos de previdência aberta pela Verde é resultado de um processo iniciado com a flexibilização da legislação que regula os investimentos dessa categoria, permitindo aportes em carteiras não só de renda fixa, mas também de fundos de ações e multimercado. “A colocação desses produtos junto à Icatu Seguros e ao Itaú Seguros impulsionou a captação”, conta. “Em dezembro passado, a oferta foi ampliada para o Bradesco e XP. O volume sob gestão com Icatu e Itaú está em torno de R$ 7 bilhões e com Bradesco, R$ 200 milhões.”

Foco – “Terminamos bem um ano muito volátil”, comemora Aroldo Medeiros, diretor executivo comercial e de produtos do BB DTVM. “Encerramos 2018 como o maior gestor de recursos de fundos de pensão, com R$ 148,73 bilhões. Também na previdência aberta nos tornamos os maiores, com R$ 258,87 bilhões, e alcançamos o segundo posto no segmento de RPPS, com R$ 55,07 bilhões”, resume.
Entre as estratégia adotadas pelo BB DTVM, segundo Medeiros, está o trabalho da área exclusiva para atender investidores institucionais, já há algum tempo. “Em parceria com o Banco do Brasil atendemos esses clientes diretamente”, explica.
Medeiros conta que, para este ano, o BB DTVM vai complementar a prateleira de opções de produtos com foco direcionado para os RPPS, como um fundo com títulos de renda fixa com vencimento superior a um ano e um multimercado alocações imobiliário. “RPPS pode diversificar carteira em imóveis sem investimentos diretos”, explica. “Com a queda da Selic, temos de ser inovadores na oferta.”
Marcelo Mello, da SulAmerica Investimentos, destaca que entre 70% a 80% dos volumes sob gestão da marca, que alcançam um total de R$ 42 bilhões, provêm do segmento institucional. “A SulAmerica sempre teve um alinhamento muito forte com investidores institucionais, notadamente com os fundos de pensão”, diz.
Segundo Mello, o crescimento dos aportes de previdência complementar, registrado no ano passado, se deu em função de uma grade bem completa no portfólio de produtos e de uma performance diferenciada. “Todos os produtos da SulAmerica, dos mais conservadores aos mais arrojados, têm apresentado uma boa performance, não só em relação aos indicadores, mas em relação ao mercado. O investidor acaba premiando quem consegue entregar, de forma sustentável, um resultado satisfatório e mostramos consistência no longo prazo.”
Outro ponto de destaque no crescimento dos investimentos de previdência, principalmente das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), é o foco especializado e o tratamento diferenciado com as quais são abordadas. Fernando Lovisotto, da Vinci Partners, justifica: “Temos uma presença forte no institucional. Trabalhamos com o segmento há 20 anos. Conhecemos bem o pessoal e os produtos que podem complementar o asset location dos fundos de pensão.”

Estrangeiros – Apesar do aumento da participação dos estrangeiros nos investimentos em 2018, há uma expectativa de crescimento ainda maior nos aportes com a realização das reformas estruturais sinalizadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (leia reportagem na página 60), seja via mercado de capitais, seja por meio do investimento direto no País.
“O investidor estrangeiro está aguardando a confirmação das reformas prometidas pelo governo , especificamente a da Previdência, para retornar ao mercado brasileiro”, confirma Godinho.
“O investimento estrangeiro cresceu muito em 2018”, aponta Lovisotto. “Trabalhamos com investidores mais sofisticados, mas acostumados com mercados emergentes, com foco no retorno de longo prazo, com os FIPs [fundos de investimento em participações].”
O executivo da Vinci ressalta que, no ano passado, muitos investidores estrangeiros enxergaram uma oportunidade de negócios no mercado brasileiro com a cotação do dólar em alta e os índices e a movimentação na B3, a bolsa de valores brasileira, em baixa momentaneamente.” Depois do tranco da greve dos caminhoneiros, o mercado reagiu. A bolsa teve valorização de quase 40% em dólar e registrou um dos melhores desempenhos do mundo no último ano.” Lovisotto ressalta ainda que a maior parte dos investidores do mercado externo são institucionais.

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