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Diversificação ganha escala
Com os juros em patamares reduzidos, fundos imobiliários, de recebíveis e de participações ganham espaço nas grandes gestoras

Em um cenário marcado pela permanência da Selic na casa de um dígito e a forte oscilação da bolsa de valores – devido, sobretudo, à greve dos caminhoneiros, em maio, e à corrida eleitoral –, os investidores tiveram de recorrer de forma crescente, em 2018, à diversificação. Essa busca contou pontos valiosos a favor dos fundos de direitos creditórios (FIDCs) e dos fundos imobiliários (FIIs), que embora representem um percentual pequeno do total dos investimentos exibem índices de crescimento elevados em 6 e 12 meses. “A queda dos juros vem exigindo mais diversificação”, constata Aroldo Medeiros, diretor executivo e comercial da BB DTVM, a líder do segmento de gestão de recursos no país.
Atenta à maior disposição dos aplicadores de se exporem ao risco, a instituição deu início a ajustes em sua carteira, na grade de produtos e até mesmo no organograma. Prestes a atingir a marca de R$ 1 trilhão em ativos, a controlada do Banco do Brasil centraliza as suas apostas em fundos multimercados e de renda variável, opção que motivou a fusão do comando das duas áreas sob um único cargo. De quebra, prepara um multimercado sob medida para entidades dos regimes próprios de previdência do funcionalismo público, as RPPS, focado no segmento imobiliário.
“Títulos de renda fixa tendem a perder espaço em nossa carteira para a renda variável. Hoje com uma fatia ao redor de 5%, as ações terão a sua participação reforçada em 20%, regra que também valerá para os multimercados”, diz Medeiros, que vem lançando mão de serviços de terceiros com o objetivo de reforçar a remuneração dessa classe de ativos. “Para gerar mais alfa, estamos fazendo alocações em fundos internacionais de renda variável de outras casas.”
Nos próximos meses a asset planeja colocar em sua vitrine duas novas opções de produtos voltados ao mercado externo, um fundo de ações globais e um ETF de índices de ações internacionais. “Ambos serão voltados a investidores institucionais, que terão de se expor mais ao risco, devido à redução dos juros oferecidos pelos títulos públicos federais de longo prazo, para cumprir suas metas atuariais”, diz Medeiros.

Algoritmos – A diversificação também dá o tom na Bradesco Asset Management (Bram), que colheu bons resultados com a apresentação, em setembro de 2018, da plataforma Multiestratégia, cujo menu de ativos se estende de títulos públicos federais brasileiros à renda variável estrangeira. Trata-se de uma família de fundos de previdência que se vale de algoritmos, criados pela equipe de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da casa, para alinhar os máximos retornos possíveis em função dos limites de risco estabelecidos para cada uma das carteiras.
“Captamos cerca de R$ 6 bilhões com a Multiestratégia em pouco mais de seis meses, o equivalente aos ativos de uma asset independente de porte razoável”, comenta o CEO Ricardo Almeida, que revela interesse crescente por aplicações menos convencionais. “Estamos analisando produtos de infraestrutura e imóveis, bem como fundos de índices, os ETFs.”
Sétimo colocado no ranking Top Asset, o BTG Pactual vem reforçando a sua grade de produtos na maior parte dos segmentos considerados prioritários pela casa: veículos de investimento imobiliários, multimercados, de crédito e renda variável. Na seara das ações, uma novidade prevista para este mês será o lançamento de um fundo lastreado em papéis de companhias abertas latino-americanas de ponta. “A carteira, com viés fundamentalista, contará com papéis de boa liquidez de um grupo de 20 a 30 emissores de diversos ramos de atuação. Além de brasileiras, o projeto contemplará empresas colombianas, mexicanas, chilenas, peruanas e talvez argentinas”, conta o sócio e diretor de operações e gestão de recursos globais Allan Hadid.
No ramo de crédito, duas novidades foram apresentadas ao longo dos últimos 12 meses: um fundo lastreado em títulos privados com liquidez em 60 dias e outro em debêntures incentivadas. A carteira do primeiro, cujos ativos já somam cerca de R$ 632 milhões, tem composição idêntica à do Crédito Corporativo I, com resgate em 30 dias, que teve a sua captação fechada. “Optamos por crescer no segmento com produtos de prazos mais longos”, observa Hadid. “O mercado de crédito privado vem sendo muito demandado, o que causou um encolhimento dos prêmios. Estamos analisando a conjuntura, buscando originar os próprios créditos e participando como âncoras de algumas emissões, para ajustar as taxas.”
Esforço igualmente relevante foi executado pela asset no ramo imobiliário. Entre as várias operações na área, destacam-se o lançamento, em 2018, de um fundo lastreado em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), com captação prevista de R$ 70 milhões, e a sétima chamada de capital do BTG Pactual Fundo de Fundos, encerrada no início deste mês, com a captação de R$ 202,49 milhões.
Imóveis – Titular da plataforma de investimentos Genial, com 140 mil investidores, o grupo Brasil Plural vem apostando firme em vendas em larga escala de cotas de FIIs, inclusive dos da casa, a pequenos aplicadores. Isto, contudo, sem perder de vista uma clientela potencial de porte muito maior, as entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs), que terão de zerar suas posições nos chamados imóveis físicos até 2030. “Recebemos consultas constantes de entidades interessadas em conhecer a mecânica, o processo de migração de investimentos diretos em imóveis para fundos imobiliários. Este, não há dúvida, é um segmento muito promissor”, comenta Rafael Neves, responsável pela divisão de real state.
O leque oferecido pelo Brasil Plural na área consiste em três fundos listados na B3. “Estamos de olho em novas oportunidades em shoppings”, diz Neves, que destaca o aquecimento do nicho de FIIs. “A queda da Selic injetou gás nos fundos imobiliários, garantiu liquidez ao mercado”

Estrangeiros – Com grande expertise em ativos e produtos alternativos, a Vinci Partners teve como um de seus pontos altos em 2018 a carteira de FIPs. “A demanda dos investidores estrangeiros aumentou muito. É um público sofisticado, acostumado com opções de longa maturação, caso dos FIPs, e que soube aproveitar as oportunidades surgidas em 2018, como a momentânea queda da bolsa e a desvalorização do real”, diz o sócio e CIO Fernando Lovisotto.
A vitrine de produtos da Vinci não tem apresentado muitas novidades. Duas das raras exceções são o FIP Nordeste III, projeto de private equity de âmbito regional, e um fundo imobiliário prestes a ser apresentado ao mercado. “Nossa estratégia é crescer nos segmentos em que já atuamos”, observa Lovisotto, mas que demonstra interesse por uma nova categoria de investimento. “A recente regulamentação dos fundos de infraestrutura pela CVM é uma ótima notícia. Já estamos realizando estudos a respeito.”

Segmentação por Veículo de Investimento (em pdf)