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Performance sob alta pressão
Em meio a mudanças constantes de cenários e uma alta alta volatilidade, o volume de recursos das gestoras alcança crescimento de dois dígitos

A elevada volatilidade do mercado submeteu as assets a rigorosos testes em 2018. Depois de um primeiro trimestre que esteve a um passo da euforia, com projeções de crescimento do PIB que chegaram a cogitar o patamar de 3%, o cenário mudou de forma radical. Crises de liquidez no exterior, a greve dos transportadores de cargas e a largada de uma corrida presidencial fora dos padrões convencionais levaram as instituições do mercado de capitais a abraçar a cautela, postura que só foi deixada de lado no último trimestre. Apesar dessa frenética alternância de cenários, o segmento de gestão de recursos cumpriu a contento a sua missão, contabilizando, em 31 de dezembro último, uma massa de recursos de R$ 4,42 trilhões, 11,27% acima de dezembro de 2017 segundo levantamento efetuado pela Investidor Institucional na 43ª edição do Top Asset.
Liderado com folga pela BB DTVM, que se prepara para atingir a marca de R$ 1 trilhão sob gestão, o ranking Top Asset teve uma alteração no pódio. Com um crescimento de 12,44% no último ano, para R$ 725,92 bilhões, a Itaú Asset Management tomou o segundo posto da Bradesco Asset Management (Bram) por escassos R$ 16,2 milhões. O bom desempenho tem relação direta, na avaliação do head of sales Arlindo Penteado, com a segmentação de fundos geradores de alfa e de beta em seu portfólio.
“Avaliamos que os fundos mútuos que abraçavam essas duas propostas iriam perder apelo frente aos veículos puros-sangues de ambas as vertentes e tratamos de ajustar a grade de produtos”, diz ele. “Foi isso o que ocorreu em 2018: captamos R$ 4,1 bilhões, nos dois extremos do segmento de ações, com o ETF BOVV11, ancorado no Ibovespa, e o Phoenix, fundo de retorno absoluto. No fim do ano, fechamos a captação do Phoenix, que cresceu R$ 1,6 bilhão em 2018, e concentramos nossas apostas no Dunamis, cuja proposta é a mesma.”
As estratégias adotadas pela gestora no último ano tomaram por base um otimismo algo cauteloso. Perspectivas de reformas na economia e de retomada do crescimento acabaram por não se confirmar, e a manutenção da taxa Selic e da inflação em patamares reduzidos foram os pressupostos do plano de voo, que permanece de pé para 2019. “O cenário externo é mais delicado. A tensão comercial entre Estados Unidos e China já perdeu força, mas há fatos preocupantes no horizonte, como o imbroglio do Brexit e sinais de desaquecimento de grandes polos econômicos, casos de União Europeia e China”, assinala.
Postura semelhante foi e continua a ser seguida pela Bram.“Na renda fixa, a partir do segundo trimestre do ano passado, houve migração de posições em prefixados na porção média da curva para posições mais centradas em juro real e NTNs na parte intermediária da curva”, conta o CIO de renda fixa Marcelo Toledo. “Foi só no fim de agosto que alongamos as posições dos ativos e aumentamos a exposição ao risco”
A prudência também caracterizou a gestão de renda variável. No primeiro quadrimestre, a asset soube capturar bons ganhos em papéis de empresas exportadoras graças à volatilidade do câmbio. A partir de maio, com a greve dos caminhoneiros e o início da corrida eleitoral, a exposição ao risco sofreu forte redução. “Optamos por carteiras bem próximas à do Ibovespa”, diz o CIO de renda variável Marcelo Nantes. “Só voltamos a abrir espaço ao risco a partir do quarto trimestre e passamos a apostar em algumas estatais, acreditando que elas terão suas gestões aprimoradas ou serão até privatizadas.”
Para 2019, a expectativa da Bram é de um maior apetite dos investidores por ativos menos convencionais. A tendência é ditada pela política monetária expansionista do Banco Central, que poderá ser reforçada no segundo semestre com novos cortes na Selic. “Há um grande interesse por crédito privado, mas a oferta de ativos, como letras financeiras e debêntures, ainda está bem abaixo da demanda”, diz Toledo.
Igualmente positivas são as perspectivas dos fundos de ações e multimercados. “O mercado está mais otimista e disposto a se expor a graus maiores de risco, inclusive, para os fundos de pensão”, assinala Nantes.
Tal movimentação, na ótica da SulAmérica Investimentos, já está em curso. Teve início, segundo o vice-presidente Marcelo Pimentel Mello, com a troca de alocações em renda fixa por posições em crédito e depois se estendeu para fundos multimercados e, mais recentemente, para a renda variável. “Os multimercados se beneficiaram desse processo”, diz Mello.
No plano doméstico, prevê Mello, o desempenho do mercado estará atrelado ao trâmite da reforma da previdência no Congresso. “O fato, sem dúvida, é que todo dia será um novo dia para os mercados, dependendo do noticiário de Brasília.”
Nona colocada no ranking Top Asset, a gestora francesa BNP Paribas Asset Management vem ajustando a sua grade de produtos ao cenário de juros reais declinantes. A fórmula adotada, que privilegiou os segmentos de renda fixa corporativa, multimercados e renda variável, viabilizou um salto de 16,64% no volume sob gestão, o segundo maior índice registrado entre as dez principais instituições do setor, e crescimentos expressivos em fundos condominiais (11,79%) e exclusivos (22,74%). A aposta em ativos de maior risco só não é maior, segundo o CEO, devido ao conservadorismo de boa parte dos fundos de pensão atendidos pela casa. “Há entidades que têm verdadeira aversão aos ativos de risco. Só que essa postura pode representar riscos concretos, a médio e longo prazo, considerando a tendência de queda do juro real”, comenta o CEO Luiz Sorge.

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