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Linha quente

Edição 3

Governo fez o ajuste na hora errada

QUEM Walter Brasil Mundell é presidente da Lloyds Asset Management (LAM), a empresa de administração de recursos de terceiros do Lloyds Bank.
Formado em administração de empresas pela FAAP, com mestrado em economia pela FGV, Mundell dirigiu anteriormente as áreas de recursos de terceiros do Unibanco Asset Management (UAM) e do Banco Real de Investimentos (BRI), de onde saiu em 97 para a LAM. Além de administrar recursos de terceiros, ele é também astrônomo amador, baterista de jazz e cuida de um jardim de 3 mil metros na cidade serrana de Atibaia (SP).

CONJUNTURA Segundo Mundell, as taxas de juros devem começar a cair já no início do ano que vem, como resultado dos cortes que o governo vai promover em suas despesas e da entrada de recursos externos via acordo com FMI.
Mas uma queda mais acentuada só acontecerá no final de 99, quando o governo puder mexer nas taxas de câmbio. “Não acredito em nenhuma grande desvalorização, mas acho que mais cedo ou mais tarde o governo vai ter que abrir mais a banda cambial e permitir uma flutuação mais explícita da moeda”, afirma.

HORA DO AJUSTE Para Mundell, o governo de Fernando Henrique Cardoso perdeu a oportunidade de fazer o ajuste das contas públicas no ano passado, antes da crise da Ásia, num momento de crescimento da economia nacional e mundial. Naquele momento, tirar renda da população seria menos traumático, pois o crescimento da economia poderia contrabalançar através do crescimento dos salários. Como não fez naquele momento, deve fazer agora, tirando renda num momento em que salários e empregos estão em queda. “Se a economia estivesse crescendo entre 5 e 6% ao ano, já haveria uma recessão média; com o desaquecimento atual, vai ser uma paulada”.

ACORDO COM FMI O acordo assinado com o FMI é altamente recessivo, mas foi a única alternativa que sobrou ao País, que não fez os ajustes necessários na hora certa. É sinal que alguma coisa na política econômica do governo deu errado. “Os termos do acordo não vão ser maravilhosos, mas o Brasil não tinha opção, fazer o acordo era uma necessidade”, diz Mundell. “A alternativa ao acordo era romper com o sistema financeiro internacional, numa volta à década de 80”.

ONDE INVESTIR Ele aconselha a quem tem mais de 1/3 da sua renda disponível, de forma consistente, a buscar alternativas mais atraentes de ganho, como os fundos de ações e os fundos de investimento no exterior (Fiex).
Recomenda dividir as aplicações, meio a meio, entre esses dois tipos de fundos. Cita os setoriais de telecomunicações como boas opções de fundos de ações, e os os fundos de C.Bonds e IDU como opções de Fiex.
Quem não pode arriscar 1/3 da renda, deve evitar esses investimentos e ficar na renda fixa, migrando de DI (indexada) para pré-fixada para aproveitar a queda das taxas de juros.