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Reag foca em estruturados
Depois de montar a área de crédito no ano passado, gestora quer expandir em estruturação e administração de fundos exclusivos

Edição 345

Nascida com um modelo voltado à estruturação de fundos exclusivos, a Reag Investimentos cresceu em produtos estruturados e passou, entre 2020 e 2021, a ter destaque por seu papel também na originação e na gestão desses fundos, além de apostar na demanda do mercado por serviços, fatores que justificaram seu forte crescimento orgânico no ano passado. A expansão foi acompanhada pela ampliação da equipe, que passou de 60 para 120 pessoas. A 9ª maior gestora privada, a Reag é também a 8ª maior em fundos exclusivos locais e a primeira na gestão de Fundos de Investimentos em Participações (FIPs).
E prepara sua expansão não apenas em estruturação e administração de exclusivos mas como um grande player em estruturação, gestão e distribuição. “A estruturação de fundos exclusivos fala com o nosso core business que é a administração fiduciária, que nos permitiu crescer tanto em patrimônio quanto em fundos e número de executivos, além de investir em tecnologia”, afirma o sócio Octavio Vaz. Depois de fortalecer a base de clientes no ano passado, graças aos resultados da gestão dos fundos, o objetivo agora é avançar na distribuição e levar algumas das estratégias para o mercado. “Nunca fomos fortes nisso e pretendemos crescer para levar produtos de excelência ao mercado de gestão”, diz. A meta para 2022 é crescer junto com os distribuidores do varejo de modo geral.
A expansão em 2021 foi orgânica, pela própria base de clientes e pelo fato de a gestora ter começado a se organizar em distribuição. São 230 fundos entre FIPs, multimercados, fundos de investimento imobiliário e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), mas poucos deles serão distribuídos no varejo.
Para isso, um passo relevante foi a montagem da área de fundos de crédito, em 2021, com um FIDC de R$ 70 milhões já pronto para ser levado, junto com outros derivados, ao mercado”, conta. A intenção é ampliar o foco em crédito a partir de agora. Atualmente há seis dessas estratégias mas cinco delas rodam em fundos exclusivos e algumas deverão ser oferecidas ao mercado.
A casa também passou a fazer distribuição de multimercados que estavam sendo estruturados desde 2019 e já tem acordos para levar fundos líquidos (multimercados e de ações) ao mercado. “Já começamos a levar para as plataformas um fundo de renda variável e estamos olhando outras possibilidades que estão na prateleira, mas aí serão fundos abertos. Olhamos também para o ESG e já temos um fundo de preservação da Mata Atlântica para compensar créditos de carbono, mas queremos dar mais atenção ao tema ESG sem correr o risco do greenwashing” afirma.
A demanda por fundos exclusivos avançou muito de alguns anos para cá no mercado mas a montagem desse tipo de estrutura é mais cara e havia poucos players no mercado que faziam isso. “Nós conseguimos abrir um exclusivo a partir de R$ 20 ou R$ 30 milhões de patrimônio, ou mesmo a partir de R$ 10 milhões já é possível montar uma estrutura dessas para o cliente. A tendência é que, à medida que a indústria de fundos no Brasil continue a crescer, aumente também a procura por exclusivos e operações no mercado de capitais”,avalia.

Na avaliação da SulAmérica Investimentos, 9ª maior gestora de fundos exclusivos locais, o ano de 2021 trouxe situações bem distintas entre os cenários local e nos EUA, lembra Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos,vida e previdência. “No primeiro semestre, o institucional ainda demandava diversificação internacional e os multimercados e fundos de ações estavam positivos, mas no segundo semestre isso mudou porque a inflação surpreendeu e os juros nominal e futuro subiram muito forte. Naquele momento, o institucional saiu de multimercados e de ações e f oi para a renda fixa, especialmente no crédito privado”, observa.
O segundo semestre registrou captação relevante nessa classe, diz Mello, e os recursos que entraram via plataforma e institucionais foram majoritariamente para crédito privado. Este ano, a volatilidade do mercado local traz baixa demanda por multimercados e fundos de ações, diz Mello. “Não há outro mercado senão as diferentes estratégias e sub-estratégias de renda fixa. Há três fatores de risco principais que levam a isso: a eleição aqui é um deles, embora não se veja risco de ruptura dos candidatos que estão liderando as pesquisas e os ativos prefixados mais longos estão com taxas menores do que os mais curtos. O outro é a guerra da Ucrânia, que parece já estar no preço. E o terceiro fator é o crescimento global porque os bancos centrais estão atrasados no ritmo de aperto monetário e quando tomarem a frente desse movimento deverá haver um ajuste dos preços dos ativos, com impacto forte sobre a Selic.
Cerca de 70% do patrimônio total da gestora vêm de investidores institucionais, com os 30% restantes vindo das plataformas, que são o caminho de acesso para as pessoas físicas. Ao todo são 200 fundos exclusivos, dos quais 72% são de institucionais, mas esse público investe também em um ou dois dos 25 fundos mútuos da casa. A casa atingiu patrimônio líquido total de R$ 50 bilhões em maio deste ano.
“As fundações que têm fundos exclusivos estão mudando seus mandatos e migrando para a alocação em NTN-Bs porque as taxas ajudam a fazer o necessário casamento entre ativos e passivos e as taxas reais permitem a elas ficarem mais à vontade para comprar juros”, diz. O interesse por esses fundos deve continuar forte, avalia o CEO, uma vez que as fundações vinham aumentando suas carteiras próprias mas agora passaram a terceirizar mais e fazem isso via fundos exclusivos, principalmente nos mandatos atrelados ao IPCA. “Desse modo elas conseguem customizar melhor os mandatos e os custos, que ficam menores porque os tickets dos institucionais são maiores”, explica. Nos multimercados, a atratividade dos exclusivos da gestora não é tão elevada e ela fica mais restrita aos mandatos de renda fixa por conta da maior terceirização.
Em 2022, o fluxo para renda fixa se manteve firme e a asset registrou captação relevante para renda fixa/crédito no primeiro trimestre. O seu principal fundo de renda fixa/crédito privado, o SulAmérica Excellence FI RF CP captou R$ 1,6 bilhão em seis meses e já soma patrimônio líquido de R$2,6 bilhões, com investidores pessoas físicas mas também fundações.

A contratação de gestores com capacidade no mercado internacional e passagem por fundos multi estratégias marca a atuação da Kinea ao longo dos três ultimos anos, com o objetivo de aumentar a consistência da relação risco/retorno em seus fundos e a diversificação de estratégias lá fora. “Foi importante termos investido nessa estrutura, que nos trouxe performance e ganho de mercado e um diferencial relevante com uma equipe de mais de 30 profissionais voltados à gestão de fundos líquidos. Nos ilíquidos, crescemos em crédito privado (agro, real estate e infraestrutura) e este ano devemos lançar mais um fundo de crédito”, informa Marcio Verri, sócio e CEO.
A 6ª maior gestora independente e a 8ªem gestão de fundos condominiais locais, a asset funciona como uma plataforma de investimentos e, segundo o executivo, tem apresentado vetores de crescimento constante em todas as áreas, inclusive em multimercados e fundos de ações a despeito do decréscimo dessas classes no mercado como um todo.
Manter o investimento no reforço da equipe mesmo em cenário mais adverso foi um dos fatores de resiliência, assim como o lançamento e a atualização de produtos. “Esse tem sido, aliás, o segredo da nossa longevidade que já dura 15 anos, durante os quais a equipe total cresceu e chegou a 140 pessoas, tanto na área de portfolio manager quanto na parte de ciência de dados”,conta.
“Fomos pioneiros em fundos multimercados de previdência e uma característica interessante é que eles são iguais aos nossos fundos abertos, o que permite montar portfólios muito similares aos dos abertos na modalidade CVM 555, com diversos níveis de risco e performance equivalente entre os abertos 555 e os previdenciários”, diz. Essa similaridade tem sido um diferencial atrativo em épocas de crise.
Nos condominiais locais, a inflação alta no ano passado fez com que os fundos IPCA dinâmico (IMAB-5), que correm risco de mercado, tivessem uma boa performance e captassem bem, mas o multimercado de baixa volatilidade e taxa de administração mais barata, de 0,8%, também conseguiu captar recursos, enquanto os fundos de crédito terminaram o ano entregando alfa. Em 2022, a perspectiva é de que as estrelas sejam os fundos de volatilidade mais alta, com benchmark em CDI, que estão entregando retornos adicionais a esse indicador.

por Estruturas (em pdf)