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Leque amplo de estratégias
Gestores com atuação na classe de fundos previdenciários, que representam 17% do Asset Under Management (AUM), falam sobre esse mercado

Edição 345

A Capitânia Investimentos, 9ª maior do ranking na classe de fundos previdenciários, atingiu R$ 7,324 bilhões sob gestão no final do ano passado mas continuou a crescer no primeiro trimestre e chegou perto dos R$ 9 bilhões em 31 de março de 2022, triplicando assim o volume de R$ 2,8 bilhões que tinha um ano atrás. O crescimento foi fruto de uma rentabilidade consistente, diz Flavia Krauspenhar, sócia. “Foi um ano ótimo e agora em março atingimos R$ 21 bilhões em recursos totais sob gestão”, afirma. As estratégias adotadas nos fundos previdenciários da casa estão concentradas em crédito, ativos imobiliários e infraestrutura, presentes nos quatro fundos da Capitânia. “Fomos uma das primeiras assets a desbravarem esse mercado e pioneiros entre as gestoras independentes, com um histórico de cinco anos com acréscimo de rentabilidade em relação aos pares”, conta.
A rentabilidade em 2021 ficou entre 150% e 170% do CDI nos quatro fundos de previdência aberta que estão disponíveis (dois da Icatu e dois da XP Seguros). A casa tem ainda um quinto fundo, do BTG Pactual. “Em 2020, apesar da crise da pandemia, entregamos boas rentabilidades porque somos muito ativos no ganho de capital por meio da compra e venda no mercado secundário e também fazemos originação própria de ativos”, detalha. A diversificação é a marca dos produtos de previdência, com um número elevado de ativos em cada carteira e baixa concentração média em relação ao patrimônio, o que garante um retorno interessante com risco mitigado.
Na área de infraestrutura, o fundo investe em debêntures incentivadas, que tiveram um papel relevante no resultado do ano e, embora devam entregar retorno um pouco menor este ano, ficarão acima do CDI. “O mercado ficou mais difícil devido aos efeitos da guerra e da alta das NTN-Bs. Dos quatro fundos, só um dos produtos da Icatu não tem uma parcela de até 10% em fundos imobiliários, então os outros três sofreram um pouco por causa disso. Os fundos que investem em estratégias imobiliárias “de tijolo” são apenas um pedaço pequeno mas tiveram retorno interessante, diz Flávia. O fundo de Reits entregou 207% do CDI.
O crédito é high grade e os ativos precisam ter rating mínimo duplo A nas carteiras de previdência, com alavancagem sempre abaixo de três vezes (dívida líquidaxEBITDA). “O risco pulverizado por setores é bem dimensionado para entregar “mais do mesmo”, o que passa confiança aos investidores”, diz. A originação própria de ativos, com um time dedicado só a isso, deve ser um elemento chave para continuar a crescer em crédito. “Em ano eleitoral, a oferta de ativos fica menor e há grande demanda por renda fixa, o que garante uma vantagem para quem tem originação própria para abastecer seus fundos”, pondera.

A 5ª maior em fundos previdenciários e a 6ª maior em gestão de recursos da previdência aberta, a Icatu Vanguarda reflete o resultado de uma mudança que começou a ser feita há alguns anos, quando a Icatu Seguros, do mesmo grupo, fez uma abertura para PGBLs e VGBLs de outros gestores. “Aproveitamos para nos modernizar também e passamos a oferecer mais produtos. Em 2021 veio o movimento de aversão ao risco e a nossa expertise em renda fixa e crédito privado contribuiu para reforçar os resultados”,diz Bruno Horovitz, sócio e responsável pela área de RI. O carro-chefe, o Icatu Vanguarda Absoluto FI Previdenciário RF CP, que existe desde 2015, cresceu em captação por conta do aumento da demanda por proteção de capital.
A parceria com a Itaú Vida e Previdência para montar produtos de renda fixa/crédito em CDI foi outro vetor de expansão. “Captamos R$ 1 bilhão no fundo do Itaú que é um espelho do Absoluto, enquanto o próprio Absoluto captou R$ 600 milhões, ou seja, as duas estratégias de crédito em CDI captaram R$ 1,6 bilhão no ano. Também tiveram destaque os fundos data-alvo e os PGBL/VGBL, com R$ 1 bilhão sob gestão em cada uma dessas categorias. “Começamos com o conceito data-alvo em 2006 e ele é imbatível em previdência porque elimina aquela questão de ter que redefinir o nível de risco todo ano; é um produto para quem faz aportes recorrentes mensais ou todo ano. Ele tem, porém, uma volatilidade elevada e as pessoas ainda têm dificuldade de olhar o longo prazo.
Cresceu também o fundo multimercado previdenciário que captou R$ 200 milhões em 2021 e que combina o risco do juro com o book de crédito, um produto “atemporal”, que “flutua” para estar mais exposto à inflação ou ao risco de mercado de acordo com o momento. “Caso se repetisse o ambiente de compressão dos spreads de crédito, como ocorreu em 2019, por exemplo, não valeria a pena estar exposto ao risco desse mercado. Este ano, quem tinha esse mix conseguiu retorno melhor porque quando as taxas de juros estavam estressadas, em fevereiro, vendemos e ganhamos a partir de março”, diz.
Ao todo, a asset tem R$ 10 bilhões em crédito, dos quais só R$ 1 bilhão com liquidez elevada (d+zero a d+1) mas está fechando os fundos de liquidez curta e indo para outros de liquidez longa (d+30), conta Horovitz. “São fundos PGBL/VGBL para o investidor qualificado porque nos fundos 555 já fechamos no ano passado os produtos mais curtos e fomos para os mais longos, que dão maior flexibilidade à gestão”.

À exceção dos recursos de um fundo de investimento em ações, todo o AUM da Ibiuna Investimentos está embalado na estrutura de multimercados, incluindo a famílias de fundos macro, de ações e a de crédito. Os fundos 555 e os produtos Hedge e Hedge STH somam R$ 20 bilhões, com mais R$ 6 bilhões nos multimercados previdenciários. A asset aparece na 9ª posição entre as maiores gestoras de fundos multimercados. “Passamos por diversos eventos e crises do mercado desde o lançamento de nosso primeiro fundo, em novembro de 2010, e o mais importante é saber que eles demandam horizonte um pouco mais longo de avaliação, de pelo menos três a cinco anos, porque apesar de toda a sua flexibilidade, os bons multimercados em geral entregam retorno consistente acima do CDI nesse período”, avisa Caio Santos, sócio e responsável pela área de RI.
Em 2021, ano difícil em que a dispersão de performances nessa classe foi muito grande no mercado, a Ibiuna avalia que conseguiu evoluir nas suas áreas de cobertura e na quantidade de ativos e gestores que suportam os seus produtos. “O foco, contudo, é sempre operar ciclos de política monetária, nossa especialidade e onde se ganha muito dinheiro nos pontos de inflexão. Vivemos isso nos últimos anos, operando muito juro aqui e nos países desenvolvidos, além de emergentes da América Latina, do Leste Europeu, Middle East e África”, conta. Além disso, as estratégias operam moedas e índices de bolsa, que são os mais conectados com os ciclos dos mercados.
“Desde 2019 vivemos dois anos de estímulos monetários, impacto sobre a atividade e as curvas de juros, mas entre 2021 e 2022 isso foi invertido para dois anos de retirada de estímulos , movimento que começou nos emergentes e nós pegamos isso bem, o maior ganho até agora foi com a posição tomada em juro dos EUA”. A projeção é de fazer crescer a captação em R$ 3 bilhões dos fundos Hedge e a versão previdenciária do Hedge STH.

por Classes (em pdf)