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Posições defensivas em 2021
Com forte presença na classe de renda fixa e crédito privado, gestora do Bradesco lidera nos segmentos de previdência aberta

Edição 345

Terceira maior gestora do ranking e segunda maior entre as do setor privado, a Bram - Bradesco Asset Management – lidera entre as gestoras privadas em recursos da previdência aberta. Diante da alta dos juros e da inflação global em 2021, com o Brasil alinhado entre as economias que mais sofreram esse impacto, a gestora adotou uma visão cautelosa que se mantém este ano porque foram adicionados novos fatores de pressão. A guerra na Ucrânia e as projeções preocupantes da economia chinesa, com o risco de uma eventual nova ruptura das cadeias de produção, entraram sob o radar em 2022, analisa Luiz Philipe Roxo Biolchini, diretor da asset. “Nosso posicionamento foi defensivo ao longo do ano passado, priorizamos ativos que se favoreceram das NTN-Bs mais curtas e ganhamos pela reprecificação de inflação no mercado, isso foi essencial tanto para a performance dos produtos de previdência quanto para os fundos condominiais”, explica.
A liderança da Bram no segmento de previdência aberta em 2021 refletiu o fato de ter uma presença forte na classe de renda fixa e crédito privado, com mais de R$ 160 bilhões e rentabilidade crescente. “Além da elevação da taxa nominal de juro, o ganho com o fechamento dos spreads de crédito trouxe resultado acima do CDI, em níveis elevados para o investidor, então essa defesa foi um diferencial importante”, diz. A captação apenas nos fundos que alocam em crédito privado no segmento de previdência somou R$ 40 bilhões em 2021.
O desempenho positivo produziu uma migração dos multimercados e fundos de ações para a renda fixa, com uma parte relevante indo para o crédito e a captação nessa classe foi bem agressiva. A casa optou por investir apenas em ativos de crédito emissores resilientes e registrou captação maciça de emissores de primeira linha. “Fomos os principais captadores nessa classe, tanto na previdência quanto nos fundos abertos”, diz.
A posição defensiva está presente também nos fundos de ações, até porque há mais de seis meses o cenário só fica mais agudo em relação à inflação. Com o choque das commodities, os portfólios aumentaram a presença de empresas mais conservadoras. Ao longo do ano passado, a casa procurou trabalhar a expansão da oferta de fundos mais diversificados em geografias e estratégias, além de ampliar o número de parcerias na oferta de produtos em que não tiver expertise ou cuja prateleira própria não seja suficiente para atender os clientes. O crescimento atingiu também os fundos de fundos, que somam atualmente mais de R$ 80 bilhões em patrimônio, um salto expressivo frente aos R$ 15 bilhões sob gestão em 2018. Ao todo, a grade de terceiros conta hoje com 150 gestores parceiros e mais de 200 fundos entre locais e internacionais em diversas classes.
A linha estratégica da Bram segue os mesmos parâmetros para crescer e ganhar mercado em 2022 seja na previdência ou nos fundos abertos, baseada na diversidade de sua grade. “O Brasil parece que está chegando ao pico da inflação e, uma vez que os fatores externos, como a pressão inflacionária recorrente nos EUA e a guerra arrefeçam, os ativos terão boa chance de recuperação mas, por enquanto, recomendamos cautela e diversificação”, diz. A chegada recém-anunciada do novo CEO da casa, Bruno Funchal, confirma o aumento de investimentos em pessoas e em pesquisa, assim como a integração dos aspectos ESG aos investimentos, pontua Biolchini.
Outro objetivo é a ampliação da grade de produtos estruturados. “Temos uma gama robusta e diferenciada de produtos, com histórico longo e liderança solidificada, o que é fundamental. Nessa linha, acabamos de lançar um FoF de private equity e um fundo high yeld, estamos reforçando nichos em que identificamos possíveis gaps e buscamos a expansão das parcerias”, afirma. Além disso, a casa continua a agregar serviços para aumentar a proximidade com os clientes, fator essencial em ambiente de volatilidade elevada e de busca do investidor por ativos mais conservadores.

Na Banrisul Corretora de Valores, quarta maior gestora de recursos de RPPS, a principal preocupação e o seu diferencial no ano foi manter uma oferta de veículos de investimentos bem alinhados ao mercado, diz Odete Bresciani, diretora de administração de recursos de terceiros. Ao mesmo tempo, a aposta é na diversificação dos investimentos, na proximidade com os investidores e no relacionamento dos profissionais de distribuição com o segmento.
Como resultado, ela informa que a captação dos fundos de investimento dos RPPS cresceu no ano, em especial na renda fixa. “Apesar do acirramento da concorrência e do cenário de alta de juros (com a Selic saindo do patamar de 2% em janeiro para 9,25% no final de 2021), o que, de certa forma, levou os gestores a movimentos de alocação em fundos de investimento de renda fixa em detrimento aos de ações e multimercados, a captação no segmento foi positiva no ano”, diz.
Quanto às perspectivas para 2022, a casa continua focada na conquista de novos mandatos para ampliar a abrangência de sua atuação no segmento dos RPPS para toda a região Sul do País. Para isso, o foco continuará no relacionamento e na diversificação de investimentos. “É uma estratégia fundamental para otimizar os investimentos dos RPPS, diminuir riscos e aumentar as probabilidades de obter bons resultados, sem ficar dependente de um cenário específico”, afirma. O objetivo é manter a gestora como parceira de investimentos dos RPPS, atenta às suas necessidades de diversificar e de estarem preparados para os movimentos cíclicos do mercado.
Outro aspecto relevante são as parcerias com gestores independentes, voltados a novas estratégias em ações e multimercados. Essas parcerias estão disponíveis na plataforma do Banrisul e a intenção é usa-las para complementar e reforçar a tradição da gestora nas classes de renda fixa e de ações.
A grade de fundos de investimento disponíveis inclui estratégias de renda fixa que atendem aos diversos cenários, inclusive o de juros altos registrados em 2021. “Por conta disso e frente ao reposicionamento dos RPPS, que buscaram posições mais conservadoras, a gestão priorizou os ativos pós-fixados em juros de curta duração”, explica.
Mantido o cenário de juros altos, a renda fixa deverá continuar a ocupar o centro das atenções dos RPPS no curto prazo. “Para o médio e longo prazos, porém, é fundamental que os RPPS atentem para a necessidade de diversificação de seus investimentos, evitando ficar dependentes de um cenário específico (no caso, juros altos) e, efetivamente, estejam posicionados em fundos de investimento alternativos aos de renda fixa”, avisa. Manter alocação também em fundos multimercados e de ações permitirá que suas estratégias estejam preparadas para os movimentos cíclicos dos mercados.

por Segmentos (em pdf)