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Segmentação com foco no cliente
A primeira em tamanho do ranking Top Asset, com R$ 1,36 tri sob gestão, mantém prateira de produtos que atendem as necessidades do mercado

Edição 345

O ano de 2021 levou os mercados a conviverem com duas fases bem distintas – a primeira, de otimismo com o fim da pandemia, e a segunda, que acendeu um sinal amarelo em relação à inflação e à alta dos juros ao redor do mundo. “Apesar disso, a diversificação estava bem presente e os fundos de investimento no exterior, por exemplo, abriram muitas oportunidades graças às diferenças de recuperação entre os países. Ao todo, a indústria de gestão de recursos no Brasil cresceu 14% segundo os dados da Anbima e nós crescemos quase 17% no ano”, constata Júlio Vezzaro, diretor comercial e de produtos da BB DTVM.
Primeira no ranking Top Asset, a casa mantém destaque em vários segmentos, a começar pela gestão de recursos de fundos de pensão e de RPPS. “O primeiro motivo para esse resultado está na assessoria financeira especializada para cada um desses dois segmentos de público, é uma estratégia intencional de segmentação que permite oferecer esse olhar específico tanto dentro da asset quanto para os distribuidores”, conta. Os canais de distribuição e a grade ampla de produtos completam o esforço.
Entre outros pontos, a asset intensificou no ano passado a inovação na prateleira de fundos temáticos para investir no Brasil e no exterior. Foram 25 novos fundos lançados em 2021, dos quais a esmagadora maioria é de ações no exterior e multimercados com gestão livre para trabalhar os mercados local e internacional. Entre os “campeões de audiência” nesse grupo esteve o fundo de ações agro, que investe em ações de empresas brasileiras e em BDRs de empresas internacionais, que tenham receitas ligadas ao agronegócio. “O BB Ações Agro foi lançado em fevereiro e que chegou rapidamente a R$ 500 milhões de patrimônio líquido, então foi o destaque mas o exterior como um todo foi a principal classe”, explica.
Em 2022, o conservadorismo maior do cliente deve ser atendido com novas soluções em renda fixa “mas sempre com atenção à otimização dos portfolios”, diz. Este ano, a demanda por soluções mais conservadoras decorre em parte da alta do juro e também pelo ambiente de conflito que afeta o mercado global, negativo para o mercado de ações. “Já se percebe uma redução na captação dos fundos de exterior e redução do seu patrimônio líquido este ano, assim como uma reversão da visão sobre as boas teses em mercados desenvolvidos pois hoje esses mercados são os mais incertos”, afirma. No mês de março já ficou claro o apetite pelos emergentes, incluindo alguns cases relevantes, como o do Brasil no mercado de commodities.
A gestora mantém um pipeline relevante de novas teses no exterior, “que valem a pena em cenário de normalidade, a longo prazo”, explica. Algumas delas ligadas ao tema da inovação, incluindo um fundo de criptomoedas, voltado às pessoas físicas e que explora também novas soluções financeiras de blockchain.

O ano de 2021 foi relevante em crescimento em diversas estratégias para a XP Asset Management, a maior das independentes e sexta no ranking geral, embora algumas classes tenham sofrido mais, diz o CEO Bruno Castro. Em 2022, o objetivo é continuar a reforçar a grade e abrir novas estratégias, cada vez mais sofisticadas, para atender à demanda dos investidores a longo prazo. “No ano passado, crescemos em praticamente todas as três grandes linhas de atuação: fundos alternativos, líquidos e os passivos”, afirma.
Um dos destaques foi o grupo de alternativos, com fundos fechados e períodos de investimento mais longos. Um desses fundos, um FoF de private equity e venture capital com um pouco de ativos distressed, captou R$ 1,2 bilhões”. Foram mais de R$ 3 bilhões captados em 2021 nos produtos alternativos, o que ajuda a gerar recursos de longo prazo e amplia o público ao sair do private e ir para o investidor qualificado e para o institucional também, diz o executivo. Outra frente foi a dos alternativos listados, como um FII de infraestrutura que até agosto, antes da alta do juro, teve boa captação.
No grupo dos fundos líquidos, o destaque foi para de renda fixa/crédito privado, que captou mais de R$ 15 bilhões, dos quais R$ 7 bilhões apenas em crédito. “Ganhamos também mandatos exclusivos de fundos de pensão e seguradoras”, conta. O terceiro bloco, o dos fundos passivos, também cresceu, em especial o dos temáticos, que investem em ouro ou na China, por exemplo, enquanto os fundos de investimento internacional captaram R$ 5 bilhões. “A captação líquida foi positiva nos três grupos e a performance também, ainda que algumas classes não fossem tão bem, como a de renda variável, um das poucas que não tiveram captação líquida”, diz. Neste início de ano, os fundos internacionais têm sofrido e a captação não foi positiva. “Nosso AUM é dolarizado, então houve alguns resgates nos dois primeiros meses de 2022”, explica
Os FIIs também enfraqueceram depois de agosto e deixaram de ser uma janela de captação expressiva no último quadrimestre do ano, embora o FII do hotel Fasano, que a asset lançou no ano passado, tenha conseguido captar mais de US$ 50 milhões em outubro. Em 2022, diz Castro, a casa tem registrado captação positiva na classe de crédito privado. Seu fundo de oportunidades especiais captou R$ 900 milhões para investir em crédito de empresas de porte até o middle market e que precisam de capital rápido com boa qualidade de crédito. “Há espaço para continuar crescendo em outros segmentos de crédito e as equipes estão sendo ampliadas também para análise de em agro, imobiliário, infraestrutura, plain vanilla e high yeld.
Para os multimercados, a captação de 2021 “andou de lado” na estratégia macro, conta o executivo. No primeiro quadrimestre de 2022, entretanto, a classe teve uma reação positiva forte e somava captação líquida na margem no ano, com R$ 500 milhões. “O ano passado foi desafiador mas o nosso fundo macro aproveitou oportunidades de mercado aqui e lá fora, capturamos bem as tendências iniciadas com a vacinação e a virada da bolsa. O fundo macro teve rentabilidade de 140% do CDI, enquanto o Macro Plus conseguiu 201% do CDI”, informa.
A expectativa é de novos resultados positivos dessas estratégias que, até abril haviam conseguido se posicionar para explorar a alta do juro nos EUA. O juro americano, aliás, foi a principal posição tomada nesses fundos desde dezembro passado. “Continua como o principal risco entre as posições tomadas em EUA. O ano de 2022 está bom para ativos de risco”, avalia.

A alta do juro em magnitude e velocidade acima do esperado foi a principal variável em 2021, o que se conectou ao cenário inflacionário local e global, trazendo dois semestres muito distintos entre si e o aumento da atratividade pelos ativos de renda fixa, avalia Rudolf Gschliffner, head de produtos da Santander Asset Management. Em 2022, o cenário foi agravado pela questão geopolítica na Ucrânia mas o pano de fundo continua a ser a inflação e a pressão do Fed sobre o juro nos EUA, com reflexos na zona do euro e na China, o que leva a projeções de menor crescimento econômico. “Com tudo isso, revisamos os números de nossas projeções para a atividade econômica, juros e inflação no Brasil, lembrando que o mercado local enfrenta ainda as incertezas do desafio fiscal”, lembra.
A maior entre as gestoras estrangeiras e a terceira entre as casas privadas, a Santander revisou recentemente suas projeções macroeconômicas para o Brasil e, embora ainda estime um quarto trimestre positivo para o PIB, passou a ter projeções negativas para 2023. “Estamos um pouco mais otimistas, na média, em relação aos pares, que precificam recessão este ano, mas em relação à inflação estamos mais pessimistas e projetamos inflação de 8% e Selic de 13,25%”, diz.
A renda fixa continua relevante enquanto o prognóstico para o mercado off-shore é mais desafiador. “O câmbio foi beneficiado pelo fluxo de recursos estrangeiros no País mas este mês já mostra o reflexo da aversão ao risco, com mais desafios para a bolsa. O investidor institucional, entretanto, tem se mostrado mais resiliente e não vemos resgates como acontece no segmento de pessoas físicas”, diz. Na asset, os fundos de pensão que já estavam com alocação internacional acima do limite de suas políticas, aproveitaram a mudança conjuntural para fazer ajustes, contudo sem reduções muito relevantes.
A gestão quantitativa tem sido fundamental para que o investidor institucional não dependa da bolsa como único fator de risco no mercado global. “Em multimercados, criamos alternativas que mesclam renda fixa, moeda e bolsa off-shore, sempre em gestão quantitativa. Isso deu uma conversa boa com os institucionais, sempre levando em conta o viés do investidor local porque ele tem um bias Brasil”. A combinação de estratégias quantitativas com a diversificação de classes foi um driver relevante de performance em 2021 que continua a ser explorado. Isso permitiu capturar a alta do juro americano nos multimercados, por meio de posições tomadas na curva de juros dos EUA. “Usamos esse ângulo para provocar o institucional e temos conversado para acelerar o seu posicionamento off-shore usando essa solução”, diz.
A troca da liderança, com a chegada de Carlos André como o novo CEO, reforçou o compromisso do grupo Santander com a asset e sua atuação no segmento institucional, avalia Gschliffner. “A figura do especialista em portfolio tende a se fortalecer daqui para a frente e o momento de alta volatilidade no Brasil cria um diferencial competitivo para a asset no investimento off-shore pelo custo de oportunidade”, acredita.

Sexta maior asset estrangeira, a Schroders teve um ano positivo em todas as frentes de negócios, afirma Daniel Celano, country head no Brasil. “Crescemos em especial nos fundos de crédito/renda fixa e em mandatos exclusivos lá fora, nenhuma caixinha ficou negativa em 2021. Nosso objetivo maior tem sido integrar os times locais e internacionais e fazer isso de modo que o cliente tenha uma experiência melhor”, afirma. Entre as classes que se beneficiaram dessa integração, ele cita os fundos PGBL e VGBL. Em 2022, a projeção é de mais uma série de desafios, em especial o geopolítico e o da inflação.
Para as fundações, a grande preocupação é com a inflação e o juro global, diz Huang Seen, head de renda fixa e CFA. “Nos nossos mandatos exclusivos de investment solutions, que já tinham isso no radar, o efeito da alta dos juros e o aumento do risco não foi tão significativo em 2021, mas nos mandatos globais de equities, mais direcionais, algumas decisões de alocação foram postergadas pelas fundações”,conta.
A casa trabalha para colocar mais produtos que sejam atrativos para os fundos de pensão. “Hoje atingimos um tamanho em que cada cliente é importante para nós, já vínhamos fazendo gestão para as entidades abertas, mas queremos estender isso para os fundos de pensão”, observa Celano. Ele lembra que a meta é captar R$ 1,5 bilhão, mas o mais importante é cumprir a meta de longevidade dos canais mantidos com os diversos públicos porque de nada adianta crescer muito num ano e perder no outro. Os mandatos de exterior para institucionais ganharam aportes de R$ 400 milhões entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022. Em 2021, a casa ganhou pelo menos mais três desses mandatos. “O time de investment solutions lá fora entende bem o cliente brasileiro, o que ajuda a gerar maior escala”, diz.

Ranking - Data base 31/12/2021 (arquivo em pdf)

Raio X - Data base 31/12/2021 (arquivo em pdf)

Perfil de controle / por Segmentos / por Classes / por Estruturas (arquivo em pdf)

Empresas no Ranking (arquivo em pdf)