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A nova cara da Luz
A CEO da consultoria diz que os fundos de pensão, com os juros baixos, estão se mostrando mais cuidados na definição das políticas de investimento

Edição 331

Num ano totalmente atípico, onde a pandemia estabeleceu os encontros virtuais como o padrão de relacionamento entre as empresas e a regra do mercado têm sido a alta volatilidade dos ativos combinada com juros baixos, a Luz Soluções Financeiras viu a demanda dos fundos de pensão pelos seus serviços de consultoria disparar. “A demanda está super-aquecida”, diz a nova CEO da casa, Suelen Salgo. Ela assumiu o cargo em novembro, em substituição a Edivar Queiróz, que passou ao Conselho da empresa.
Segundo ela, isso acontece porque os fundos de pensão estão tendo que responder à uma dinâmica de mercado a que não estavam acostumados, que combina uma conjuntura de juros baixos, resgates de grandes volumes das aplicações de renda fixa e valorização dos ativos de risco de várias classes. Suelem diz que as respostas das fundações à essa nova conjuntura está sendo um maior cuidado na definição das políticas de investimento, buscando realizar o casamento dos seus ativos com os passivos. “Eu estou sentindo cada vez mais essa tendência por parte das fundações, de juntar as análises dos investimentos com o atuarial”, diz.
A Luz está realizando um estudo para ver como os fundos de pensão vão fechar o ano de 2020 em relação às suas metas atuariais, se muito longe ou próximos dela. O certo é que, mesmo para aqueles fundos de pensão que estão conseguindo bons resultados nas suas carteiras de investimento, bater a meta neste ano não será algo fácil. “O ano de 2020 não está fácil para ninguém, bater a meta vai ser um desafio”, diz Suelem. “Falo pela observação das carteiras das cerca de 40 fundações que atendemos, algumas incluídas no grupo das 17 entidades sistematicamente importantes, e embora o nosso estudo ainda não esteja concluído já dá para perceber que não será um ano fácil do ponto de vista do atingimento das metas atuariais”.

Segundo a nova CEO da Luz, num ano de muita instabilidade como está sendo 2020 é difícil falar em uma tendência principal de investimentos. Desde março, os investimentos dos fundos de pensão passaram por várias fases, começando inicialmente com apostas na renda fixa, num momento em que bolsa não parava de pé, depois essas apostas na renda fixa tornaram-se mais difíceis porque as referências de preços dos títulos das empresas deixaram de existir por causa da volatilidade do mercado e mais recentemente as apostas voltaram-se para a renda variável. “Num espaço de oito meses, o mercado teve mudanças bruscas de comportamento, passando da água pro vinho”, diz Suelem. “Difícil a gente definir qual é a tendência dos investimentos”.
Apesar da dificuldade de prever as tendências do mercado, não dá para negar que a diversificação tem sido uma estratégia escolhidas pelos dirigentes de fundações neste ano de muita volatilidade. Além de renda variável, as fundações têm buscado também os mercados externos, que têm crescido bastante nas aplicações dos institucionais, a ponto de dirigentes reclamarem um limite maior de alocação para essa classe de ativo. Atualmente, o limite de alocação previsto na Resolução 4.661 para investimento no exterior é de 10%. Alguns dirigentes chegam a pedir que esse limite seja elevado para 20%.
Enquanto alguns dirigentes pedem mudanças em alguns limites da 4.661, não apenas dos investimentos no exterior mas também para empréstimos a participantes, por exemplo, a Previc diz estar estudando as demandas. A autarquia, entretanto, tem sido bem menos flexível em relação à discussão das regras envolvendo temas de governança, que elevaram a régua das exigências para as fundações. Na opinião de Suelem, essas exigências vieram para ficar, não vão ser reduzidas ou eliminadas.
As fundações tiveram que enfrentam os efeitos da pandemia sobre a rentabilidade dos seus ativos ao mesmo tempo em que observavam as novas regras criadas pela Resolução 4.661. “E o regulador já deu mostras de que não vai recuar das exigências da norma”, diz a executiva.

Suelem avalia que sua gestão como principal executiva da consultoria não trará mudanças significativas. “Realmente adoramos nossa estratégia, não vamos mudar”, afirmou Suelen. “Somos uma empresa que valoriza as pessoas, que dá a elas a oportunidade de ocupar novas posições. Eu sou a prova vida disso, estou há dez anos na empresa e passei por várias áreas, inclusive a comercial e a de pesquisas e desenvolvimento, e agora estou respondendo por essa nova posição, de muito mais responsabilidade”.