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Estagflação volta ao vocabulário

Edição 341

O cenário econômico dos últimos meses está marcado por uma preocupação cada vez maior por parte do mercado financeiro, seja de forma oficial ou extra-oficial, com a persistente alta da inflação. É verdade que o fenômeno não é apenas brasileiro, a inflação tem fugido de padrões que davam tranquilidade aos agentes econômicos no mundo todo, mas no Brasil nós temos um agravante que é a dificuldade das autoridades de domá-la apenas com aumento de taxas de juros.
As palavras existem para serem usadas, e estagflação é uma que começa a voltar à moda e às páginas dos jornais, nos artigos de economistas respeitados. O boletim Focus do Banco Central traz semanalmente uma piora no humor dos agentes econômicos quanto ao avanço da inflação e também quanto às perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), deste ano e de 2022. Para o ano que vem, a maioria dos agentes está traçando algo abaixo de 1% de crescimento, mas já há aqueles mais pessimistas que traçam até uma perspectiva de crescimento negativo.
A pandemia certamente prejudicou muito os planos das empresas, mas questões políticas de diversas ordens talvez estejam prejudicando ainda mais. Com o calendário das eleições presidenciais de 2022 já aberto, o que inviabiliza qualquer chance de aprovação de um plano minimamente consistente de organização para atravessar esse período de agora até as eleições, e com a confiança na capacidade da economia de apresentar uma reação no ano que vem, talvez não seja um exagero falar em estagflação como alguns já estão falando abertamente.
Chegamos num ponto onde todas as decisões importantes vão ser postergadas para o pós-eleições, o que quer dizer que vão ser assumidas apenas pelo presidente que colocar a faixa no dia 1º de janeiro de 2023. No segmento de previdência complementar há várias questões pendentes que precisariam ser definidas com urgência, seja pelas instituições nacionais ou por organismos técnicos que têm competência para isso. É o caso das mudanças das leis complementares 108 e 109 e de alterações nos limites de investimento das Resoluções 4.661 e 3922, das EFPCs e RPPS, respectivamente. Não seria bom que só fossem definidas em 2023.