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Brinckmann e Suaide lançam nova consultoria, a Inside Pensions

sergio brinckmannOs executivos Sérgio Brinckmann e André Suaide, que exerciam respectivamente os cargos de presidente e diretor de investimentos na Vexty, fundo de pensão da Odebrecht, anunciaram o lançamento de sua consultoria para fundos de pensão, a Inside Pensions. Embora eles tenham divulgado seu desligamento da fundação em outubro do ano passado, cumpriram um período de transição até o final do ano passado, durante o qual “passaram o serviço” aos novos dirigentes da Vexty.
A consultoria vai atuar nos principais níveis de funcionamento de um fundo de pensão, incluindo as áreas de governança, estratégia, gestão e investimentos. Segundo informações de Brinckmann, o leque de serviços abrange “o ajuste e remodelagem da estrutura de governança da EFPC... a avaliação da sustentabilidade da entidade, focando em ampliação das alternativas de receitas, diluição de custos e incremento da atratividade... a criação e implementação de sistemas de apoio, contemplando automação de processos... e a proposição e implementação de estruturas de investimento de diferentes modelos”.
A Inside Pensions lançada pela dupla não tem qualquer relação com a consultoria inglesa de mesmo nome, que existe na Europa desde 2008. Questionado, Brinckmann diz laconicamente que “não” há nenhuma relação.
Brinckmann atuou nos últimos dez anos como presidente e AETQ da Vexty, antigamente Odebrecht Previdência. Já Suaide estava na Vexty há seis anos, exercendo inicialmente o cargo de diretor administrativo-financeiro e nos últimos dois anos o cargo de diretor de investimentos. A Vexty fechou o ano passado com R$ 3,5 bilhões em patrimônio, 20 mil participantes e 160 patrocinadoras.

Sistema da Aditus tem suitability e simulação de benefícios

A consultoria Aditus apresentou no 41º Congresso da Abrapp um sistema que facilita aos fundos de pensão oferecer suitability e simulação de benefícios aos seus participantes de planos de contribuição definida (CD) e contribuição variável (CV), conforme determina a Resolução CNPC 32. A Resolução ressalta que as projeções dos valores dos benefícios previstos nos planos devem ser permanentemente adequados às respectivas premissas atuariais e financeiras.
Segundo informações da Aditus, uma webinar realizada no final de outubro pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) informou que 73% das EFPC não possuem sistemas de simulação de benefícios.
O produto da Aditus já está em fase operacional e funciona em qualquer sistema de computação, rodando em ambiente web, e pode ser contratado por qualquer fundação e não somente por aquelas que recebem consultoria da empresa. Segundo o diretor da Aditus, Guilherme Benitez, o sistema é customizável segundo as necessidades da fundação contratante.
O sistema permitirá ao participante simular as seguintes variáveis: Tempo de contribuição; Valor de contribuição; Aportes adicionais; Valor inicial; Expectativa de sobrevida após aposentadoria; Expectativa de retirada mensal após aposentadoria. Na parte do suitability, o sistema permite realizar enquetes de forma a avaliar o nível de conhecimento que o participante possui do mercado financeiro, seu perfil de risco, seu horizonte de investimentos e reações frente a fatores adversos do mercado
Além disso, o sistema também possui uma área dedicada à educação financeira do participante, com materiais básicos relacionando e explicando os vários tipos de ativos, mostrando como eles funcionam e como são transacionados no mercado.

Suelen Salgo é a nova CEO da Luz Soluções Financeiras

Suelen Salgo assume o comando executivo da Luz Soluções Financeiras no lugar de Edivar Queiroz Filho, que passa a fazer parte do Conselho da empresa. Suelen, que era diretora das áreas comercial e de projetos, torna-se CEO.
Graduada em matemática aplicada, Suelen está na Luz há 10 anos. Ela começou na área de pesquisa e desenvolvimento e em 2012 migrou para a área comercial, tornando-se sócia da empresa em 2016. “O ano de 2020 foi marcado por muitos desafios para empresas dos mais diferentes segmentos. Na Luz, estamos chegando ao final deste período com crescimento e muitas conquistas. O nosso objetivo é dar continuidade a essa trajetória, ajudando os nossos clientes a controlarem seus recursos de forma eficiente, segura e transparente”, afirma Suelen.

A nova cara da Luz | A CEO da consultoria diz que os fundos de pensão, com os juros baixos, estão se mostrando mais cuidados na definição das políticas de investimento

Edição 331

Num ano totalmente atípico, onde a pandemia estabeleceu os encontros virtuais como o padrão de relacionamento entre as empresas e a regra do mercado têm sido a alta volatilidade dos ativos combinada com juros baixos, a Luz Soluções Financeiras viu a demanda dos fundos de pensão pelos seus serviços de consultoria disparar. “A demanda está super-aquecida”, diz a nova CEO da casa, Suelen Salgo. Ela assumiu o cargo em novembro, em substituição a Edivar Queiróz, que passou ao Conselho da empresa.
Segundo ela, isso acontece porque os fundos de pensão estão tendo que responder à uma dinâmica de mercado a que não estavam acostumados, que combina uma conjuntura de juros baixos, resgates de grandes volumes das aplicações de renda fixa e valorização dos ativos de risco de várias classes. Suelem diz que as respostas das fundações à essa nova conjuntura está sendo um maior cuidado na definição das políticas de investimento, buscando realizar o casamento dos seus ativos com os passivos. “Eu estou sentindo cada vez mais essa tendência por parte das fundações, de juntar as análises dos investimentos com o atuarial”, diz.
A Luz está realizando um estudo para ver como os fundos de pensão vão fechar o ano de 2020 em relação às suas metas atuariais, se muito longe ou próximos dela. O certo é que, mesmo para aqueles fundos de pensão que estão conseguindo bons resultados nas suas carteiras de investimento, bater a meta neste ano não será algo fácil. “O ano de 2020 não está fácil para ninguém, bater a meta vai ser um desafio”, diz Suelem. “Falo pela observação das carteiras das cerca de 40 fundações que atendemos, algumas incluídas no grupo das 17 entidades sistematicamente importantes, e embora o nosso estudo ainda não esteja concluído já dá para perceber que não será um ano fácil do ponto de vista do atingimento das metas atuariais”.

Segundo a nova CEO da Luz, num ano de muita instabilidade como está sendo 2020 é difícil falar em uma tendência principal de investimentos. Desde março, os investimentos dos fundos de pensão passaram por várias fases, começando inicialmente com apostas na renda fixa, num momento em que bolsa não parava de pé, depois essas apostas na renda fixa tornaram-se mais difíceis porque as referências de preços dos títulos das empresas deixaram de existir por causa da volatilidade do mercado e mais recentemente as apostas voltaram-se para a renda variável. “Num espaço de oito meses, o mercado teve mudanças bruscas de comportamento, passando da água pro vinho”, diz Suelem. “Difícil a gente definir qual é a tendência dos investimentos”.
Apesar da dificuldade de prever as tendências do mercado, não dá para negar que a diversificação tem sido uma estratégia escolhidas pelos dirigentes de fundações neste ano de muita volatilidade. Além de renda variável, as fundações têm buscado também os mercados externos, que têm crescido bastante nas aplicações dos institucionais, a ponto de dirigentes reclamarem um limite maior de alocação para essa classe de ativo. Atualmente, o limite de alocação previsto na Resolução 4.661 para investimento no exterior é de 10%. Alguns dirigentes chegam a pedir que esse limite seja elevado para 20%.
Enquanto alguns dirigentes pedem mudanças em alguns limites da 4.661, não apenas dos investimentos no exterior mas também para empréstimos a participantes, por exemplo, a Previc diz estar estudando as demandas. A autarquia, entretanto, tem sido bem menos flexível em relação à discussão das regras envolvendo temas de governança, que elevaram a régua das exigências para as fundações. Na opinião de Suelem, essas exigências vieram para ficar, não vão ser reduzidas ou eliminadas.
As fundações tiveram que enfrentam os efeitos da pandemia sobre a rentabilidade dos seus ativos ao mesmo tempo em que observavam as novas regras criadas pela Resolução 4.661. “E o regulador já deu mostras de que não vai recuar das exigências da norma”, diz a executiva.

Suelem avalia que sua gestão como principal executiva da consultoria não trará mudanças significativas. “Realmente adoramos nossa estratégia, não vamos mudar”, afirmou Suelen. “Somos uma empresa que valoriza as pessoas, que dá a elas a oportunidade de ocupar novas posições. Eu sou a prova vida disso, estou há dez anos na empresa e passei por várias áreas, inclusive a comercial e a de pesquisas e desenvolvimento, e agora estou respondendo por essa nova posição, de muito mais responsabilidade”.

Executivos operam remotamente | Em quarentena, executivos demandam mais os serviços das plataformas de informações financeiras e bases de dados de investimentos

Os serviços de informação financeira, que fornecem desde cotações de empresas negociadas em bolsas até análises de fundos de investimento, tiveram um incremento de demanda grande desde o início da pandemia do coronavírus. Convivendo com mercados mais voláteis e trabalhando em esquema de home-office, os executivos de empresas financeiras e de investimento passaram a depender fortemente dessas informações para se posicionar sobre ativos e mercados com os quais se relacionam.
Na Bloomberg, que fornece informações financeiras basicamente para o mercado de investidores profissionais, aumentou tanto a demanda de informações vinda da sua base de assinantes estabelecida quanto o número de novos assinantes, explica o chefe de vendas da Bloomberg para a América Latina, Geraldo Coelho. A Bloomberg, devido à uma restrição da sua política interna, não informa os números mas Coelho garante que o crescimento da demanda neste ano é bastante significativo.
Segundo ele, os usuários têm utilizado com intensidade todos os serviços da empresa, incluindo notícias, informações sobre empresas e fundos, cotações, análises de riscos e crescentemente o sistema de negociação eletrônica de títulos. “Apesar do aumento da demanda o sistema não sofreu com instabilidades nesse período”, garante Coelho. “Isso é uma coisa que tem nos rendido muitos elogios dos clientes”.
De acordo com o executivo, cada usuário possui um token e com ele pode acessar todos os serviços do sistema. No início da pandemia a companhia, que normalmente opera com uma tela dupla de formato grande, adaptou seu sistema para reconhecer telas de qualquer tamanho e adaptar o conteúdo informativo ao formato de cada uma, tornando mais confortável o acesso por laptop dos usuários que estavam em casa em quarentena. Embora os tradicionais terminais de tela dupla da Bloomberg continuem presentes nos ambientes corporativos, com o esvaziamento dos escritórios eles tornaram-se menos utilizados e os formatos mais utilizados passaram a ser as telas pequenas dos laptops, acessados em casa pelos executivos.
Por ter todos os serviços e funções integradas, e funcionar através de um token que libera o acesso a um indivíduo identificado, o sistema da Bloomberg dá à alta gerência das empresas contratantes a rastreabilidade dos movimentos feitos por cada um dos seus usuários, em todos os canais, garantindo a compliance e a governança das operações. “Acho que a pandemia acelerou algumas tendências, tornando habituais coisas que há menos de um ano eram ainda incipientes e levariam anos para se consolidarem”, diz Coelho. “Uma coisa que notamos é o aumento da utilização da negociação eletrônica de títulos. Antes da pandemia esse serviço já existia, mas era menos utilizado, as pessoas ainda gostavam de fazer a negociação via telefone, mas agora estão usando muito a negociação eletrônica”.
Para o diretor da ComDinheiro, Filipe Ferreira, o uso de um sistema de informações com serviços e análises diversificadas mostrou-se essencial para quem está isolado operando da própria casa. Segundo ele, além do acesso aos dados do mercado local as empresas contratantes da plataforma passaram a acessar com mais frequência os dados do mercado internacional. A ComDinheiro mantém uma parceria com a MorningStar que dá aos seus usuários acesso às bases de dados internacionais de empresas e fundos. “Acho que essa é uma das áreas que mais têm crescido nos últimos meses, a demanda por dados de gestores e fundos globais”.
O aumento do uso de sistemas de informação financeira pelos investidores brasileiros teve dois importantes incentivos, na opinião de Ferreira. De um lado as taxas de juros baixas, que na última reunião do Copom chegaram à mínima histórica de 2% ao ano, o que obrigou os investidores locais a buscarem novas opções de alocação, tanto no mercado doméstico quanto internacional, que entreguem rentabilidades acima da Selic que por décadas guiou o comportamento do mercado de investimentos no Brasil. E os sistemas de informação facilitam muito essa garimpagem. Além da queda da taxa de juros, a quarentena aumentou o tempo disponível das pessoas em casa, que passaram a se interessar mais por aprender novas funções e possibilidades dos sistemas e a aplicá-las para formatar processos de análises de empresas, gestores e fundos, tanto locais quanto globais.
Além disso, segundo Ferreira, o nível de sofisticação das informações solicitadas também aumentou. Se há um ano a demanda recaia basicamente por rentabilidade de fundos, nos últimos meses avançou bastante e passou a incluir a composição das carteiras dos fundos, o histórico dos gestores e a coerência das suas decisões em relação à política dos fundos. Na ComDinheiro, segundo Ferreira, a demanda cresceu entre 50% e 60% neste ano em relação ao anterior.
Embora a maior parte das pessoas em quarentena utilizem o mesmo serviço que já usavam no escritório, mudando apenas o computador com que o acessam, alguns preferiram aderir a uma nova assinatura. É o caso do sócio e diretor da Integral Investimentos, Bruno Amadei Jr. Em casa desde o início da pandemia, Amadei Jr. fez uma nova assinatura de um provedor de informações para acessar com mais facilidade de sua residência, sem precisar mexer com o terminal que mantém no escritório. “Como estou utilizando mais que usava no escritório, achei melhor fazer isso”, diz. “Sinto por mim, pela minha própria demanda, que aumentou o uso de informações financeiras. Hoje você não tem uma separação entre casa e escritório, é tudo serviço, a gente está constantemente disponível”.
Ele avalia que boa parte desse novo padrão deve se manter mesmo após o retorno das pessoas ao escritório, provavelmente só no ano que vem após a descoberta da vacina contra a Covid-19. Além de maior uso das informações financeiras, também o uso de teleconferência para fazer reuniões online, um padrão dessa época de quarentena, deve permanecer. Além de eficientes e baratas, elas são fáceis de convocar e dão muito mais agilidade aos processos de tomadas de decisão. Segundo ele, “ontem fiz duas reuniões por teleconferência, de meia hora cada uma. Objetivas, focadas, baratas, se fosse para fazer reuniões presenciais teria que buscar um espaço na agenda minha e dos clientes e perder um dia para cada reunião, pois os clientes são em dois estados diferentes”.
Na plataforma da Economática, hoje operando de forma totalmente remota, a demanda por informações financeiras também foi sentida nessa época de pandemia. Assim como as demais plataformas, o conteúdo pode ser acessado de qualquer tela, sem restrições de tamanho. Segundo o gerente de relacionamento da empresa, Einar Rivero, o fluxo de informações passou a ser mais intenso e as solicitações sobre mercados externos são as que mais têm crescido. “Acho que é uma tendência, as pessoas não querem mais deixar todos os investimentos num mercado apenas”, diz. “Querem diversificar, inclusive para o exterior”.
Com cerca de 500 empresas assinantes do serviço, entre assets, bancos, corretoras, seguradoras, fundos de previdência e entidades de classe, a Economática possui base de dados de empresas e fundos do Brasil, América Latina e Estados Unidos. “Como cobrimos o mercado norte-americano, que negocia papéis de todas as partes do mundo, na prática conseguimos acompanhar os mercados de qualquer lugar”, diz. Isso porque estão presentes no mercado dos Estados Unidos empresas e fundos do mundo todo. Por exemplo, “Alibaba é uma empresa chinesa, mas como é negociada no mercado norte-americano, que nós cobrimos, então nós acompanhamos essa empresa”, explica.
Os serviços da Economática são assinados por áreas, o que quer dizer que uma contratante assina apenas a área que precisa. “Não tem porque uma contratante que precise de dados sobre a área de commodities agrícolas pagar pelos serviços de uma área como fundos ETFs, por exemplo”, diz Rivero.
Segundo ele, a plataforma já utilizava intensamente os meios de relacionamento digital com os clientes, mesmo antes da pandemia, para comercialização, treinamento, esclarecimento de dúvidas etc. Com a crise, ela ampliou essa opção. “O tete a tete fica restrito a situações muito especiais, na maior parte do tempo as coisas vão funcionar online daqui para a frente”, afirma Rivero.

Mercado secundário de títulos privados terá referencial semanal de preços

A Luz Soluções Finaneiras, dona da Provedora Oficial de Preços Brasil (POP BR), começará a divulgar semanalmente, a partir de amanhã (08/04), uma média de preços de diversos títulos privados de renda fixa negociados no mercado secundário em sua POP Trade, uma plataforma de negociação de ativos ilíquidos. O objetivo é criar uma referência para nortear a negociação, uma vez que falta liquidez ao mercado secundário desses papéis. Em razão das fortes distorções e da alta volatilidade, o Banco Central enviou recentemente ao Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para atuar diretamente na compra de ativos de crédito de empresas.
“Toda quarta-feira já divulgamos o valor POP de um ativo e, para ajudar o mercado neste momento, passaremos a divulgar as curvas POP de algumas debêntures, trazendo uma referência para a negociação destes papéis”, afirma Edivar Queiroz, presidente da Luz, acrescentando que o acesso à POP Trade será aberto aos interessados sem custos. “Queremos contribuir para fomentar o mercado de renda fixa corporativa, dando transparência e liquidez neste tipo de negociação. Acreditamos que a divulgação da curva de preços e o acesso à POP Trade caminham nesta direção”, afirma Queiroz.
A base de dados da POP BR inclui cerca de mil papéis de diversos emissores, sendo aproximadamente 27% de debêntures, 35% de Letras Financeiras e 12% de CRIs.

Consultoria recomenda calma às fundações e manter investimentos

Os fundos de pensão, que tem horizonte de longo prazo, devem manter a calma e procurar ver não apenas as árvores, mas toda a floresta. O conselho é de Arthur Lencastre, head de investimentos da consultoria Willis Towers Watson. “Não recomendamos desfazer posições neste momento de incertezas. Ao contrário, se houve uma discussão bem embasada no final do ano passado para definir a política de investimentos para 2020, com riscos medidos, objetivos definidos e portfólio diversificado, ficar onde está é o melhor a fazer”, disse. O especialista afirma, no entanto, que é preciso ficar muito atento o tempo todo, a todos os sinais, uma vez que o cenário está mudando muito rapidamente e a crise é inédita.
“Estamos todos tentando fazer algumas associações; se compararmos o que houve com a Bolsa na crise financeira de 2008, por exemplo, seria razoável contar com uma queda de até 50% dos índices de ações. Tudo vai depender do tempo que vai levar até a economia sair da paralisação”, lembra. Para Lencastre, a retomada tende a ser forte porque a economia parou, mas a estrutura de produção não foi destruída. “Mas são somente especulações”.

Mercer promove debate sobre impactos do Covid-19

A Mercer Consultoria vai promover no próximo dia 2, às 17h, um webinar gratuito para debater com executivos e reguladores quais os impactos da Covid-19 sobre o setor de previdência. O objetivo é auxiliar empresas, instituições e participantes a compreender e a lidar com o cenário e as novas abordagens que este exige. Serão discutidos os seguintes pontos: demandas e preocupações das fundações em relação ao COVID-19; um novo olhar de gestão previdenciária adequado para um contexto em constante mudança; estratégias de curto e longo prazo  para garantir a sustentabilidade do sistema; impulsionar a educação financeira dos participantes dos planos.

Os convidados são o subsecretário de Previdência Complementar do Ministério da Economia, Paulo Valle; o diretor-superintendente da Previc; Lúcio Capelletto; presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, o presidente da Funcesp, Walter Mendes; a presidente da Fusan; Cláudia Trindade. As inscrições podem ser feitas através do link https://mmc.zoom.us/webinar/register/1315853343047/WN_s3dIZ_EjR8mSEizHcx0r7g

Duration dos passivos será desafio das fundações, diz consultora

Sara Marques LUZ 2Acompanhar de perto as carteiras e monitorar os riscos são, neste momento, as principais preocupações dos fundos de pensão. Mas Sara Marques, diretora de Previdência da Luz Soluções Financeiras, alerta para outro desafio que logo mais baterá à porta das entidades: a duration dos passivos. “Mais beneficiários vão precisar das aposentadorias e pensões mais cedo do que o projetado, devido à alta taxa de mortalidade do coronavírus entre os mais idosos”, lembra a consultora. Segundo ela, as primeiras más notícias nesse sentido já começaram a chegar a entidades às quais a Luz presta serviços.
Sara acredita que haverá uma mudança na estimativa de mortalidade pós-Covid19, com impacto sobre a liquidez. “Quem tinha títulos com determinada taxa de juros poderá precisar marcar o papel a mercado e não mais na curva, com perda de rentabilidade”, explica.  “As estimativas precisarão ser revistas pois com mais benefícios a pagar, provavelmente essas taxas não serão mais fiéis à realidade da entidade”. 
Em relação aos ativos, ela revela que todos os clientes da consultoria estão perguntando o que fazer para lidar com a alta volatilidade e com a mudança na relação entre risco e retorno, sobre onde investir depois de uma queda de mais de 30% da Bolsa em 15 dias.  “Antes do Carnaval, achávamos que a Bolsa já estava precificada para o novo coronavírus, mas logo depois descobrimos que não estava”, afirma. Se, de um lado, resgatar agora não faz sentido para as fundações, que são investidores de longo prazo, por outro a volatilidade alterou o perfil de risco de algumas carteiras e será preciso se adequar, informa.
A executiva acrescenta que os gestores estão todos no limite dos riscos, mas ninguém sabe ainda direito o que fazer, portanto também não devem sair e entrar dos fundos de forma abrupta, “afinal a volatilidade verificada nas últimas duas semanas não é normal”.  A oportunidade de investir em títulos corporativos é outra incógnita, uma vez que a recessão em curso deve impor graves prejuízos à maioria das empresas.

NTNBs - Para Sara, porém, a melhor receita ainda é a diversificação. Ela também vê algumas oportunidades – e pelo menos um ponto positivo nesse cenário caótico gerado pela pandemia Covid-19. Segundo Sara, o lado bom é que as NTN-B já começam a ficar atraentes de novo: “Os juros estão subindo rapidamente e já fizemos algumas simulações. Quando chegarem a 5,5% - meta atuarial da maioria das fundações – pode ser uma boa hora para comprar”, diz a consultora.
O ponto positivo, segundo Sara, é a Resolução CMN nº 4.661. “Quando foi editada, o setor chiou – ninguém gosta de regulação, não é?”, diz. Mas as exigências da regra ajudaram as entidades a entender, agora, qual é a real situação das carteiras onde aplicam: “Podem estar tranquilos ou apavorados, mas estão conscientes”, diz.

Dois terços das empresas estão “muito preocupadas” com o coronavírus, diz Mercer

A parcela de empresas “muito preocupadas” com os efeitos do coronavirus aumentou de 37% em fevereiro para 66% em março. O levantamento é da Mercer, que colocou no ar, no seu site , uma pesquisa global respondida em tempo real por mais de 600 companhias ao redor do mundo até agora. A pesquisa tem 36 questionários divididos por temas – geral, política salarial e trabalho remoto -, cobrindo os diversos impactos que a pandemia pode ter sobre os negócios.

Quase 60% das empresas afirmam que tem um plano de contingência – 23% ainda está elaborando o seu; até agora metade das respondentes dizem que o impacto tem sido moderado; 62% fecharam seus escritórios, metade diz que continua contratando novos funcionários mas mudou os processos (que passaram a ser virtuais), 80% cancelaram todas as viagens internacionais e 85% contrataram especialistas em gestão de crise para se comunicar com os stakeholers.

São empresas de vários setores, a maioria de tecnologia, seguros e consultoria com sede na América do Norte.