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Private equity e economia real | Opini√£o: Alberto Cam√Ķes

Mesmo antes da pandemia, investidores institucionais e family offices no Brasil já estavam com o desafio de investir em um ambiente de juros baixos. No início de 2020, os investidores brasileiros, depois de muitos anos com retornos de renda fixa altos quando comparáveis aos níveis internacionais, estavam começando um movimento de migração de renda fixa para outras categorias. A partir de março, se viram altamente impactados pelos efeitos da pandemia em ativos líquidos: queda de bolsa, incremento da percepção de risco de ativos de dívida privada, desvalorização cambial, redução dos juros etc.
Passados os primeiros meses ap√≥s este impacto, nos quais havia grande incerteza sobre a extens√£o mundial da pandemia, come√ßa a haver maior consenso sobre o futuro, apesar de ainda haver certo grau de incerteza. A pandemia e a recess√£o dela decorrente trouxeram uma perspectiva de manuten√ß√£o de um cen√°rio de juros baixos no Brasil, por um longo per√≠odo. A migra√ß√£o de ativos de renda fixa para outros ativos, incluindo renda vari√°vel, continua e n√£o se reverter√° t√£o cedo, tendo em vista a grande concentra√ß√£o existente hoje em renda fixa na maior parte dos investidores institucionais brasileiros. Uma substancial recupera√ß√£o do Ibovespa j√° ocorreu, como natural consequ√™ncia dessa migra√ß√£o. E agora, nesse ambiente, abstraindo-se de aloca√ß√Ķes t√°ticas de curto prazo, volta-se √† pergunta do in√≠cio do ano: como fazer uma aloca√ß√£o de longo prazo nesse novo ambiente, sem uma perspectiva de aumento significativo de juros reais nos pr√≥ximos anos?
Se fizermos um paralelo com o que ocorreu no exterior nos √ļltimos 12 anos, com o ambiente de juros baixos ap√≥s a crise de 2008-2009, a resposta dos investidores institucionais estrangeiros foi investir cada vez mais em ativos alternativos, aqui no Brasil representados por fundos estruturados, onde se inclui os FIPs entidade de investimento (fundos de ‚Äúprivate equity‚ÄĚ). Pesquisa da Willis Towers Watson com fundos de pens√£o de 7 pa√≠ses que comp√Ķem 91% do total de ativos de fundos de pens√£o do mundo mostra que a aloca√ß√£o em ativos alternativos cresceu de 7% do total destes maiores mercados em 1998 para 19% em 2008 e continuou crescendo at√© 23% no √ļltimo estudo da s√©rie em 2019. Desses 23%, 7% s√£o representados por fundos de ‚Äúprivate equity‚ÄĚ.
O pr√™mio que se obt√©m em investimentos em ‚Äúprivate equity‚ÄĚ quando comparado ao retorno de √≠ndices de a√ß√Ķes listadas em bolsa explica o aumento da aloca√ß√£o nesta classe de ativos. Segundo o benchmark da consultoria Cambridge Associates, fundos de ‚Äúprivate equity‚ÄĚ que investem em teses de crescimento (‚Äúgrowth capital‚ÄĚ) t√™m um retorno da ordem de 14% a.a. ao longo de 15 a 20 anos, ou seja, um pr√™mio da ordem de 5% a.a. em rela√ß√£o ao retorno do √≠ndice de a√ß√Ķes S&P 500. Com o hist√≥rico de muitos anos de juros muito baixos no exterior ‚Äď quando n√£o negativos ‚Äď √© compreens√≠vel entender por que as aloca√ß√Ķes em ativos alternativos de maneira geral, e em ‚Äúprivate equity‚ÄĚ em particular, t√™m crescido tanto nos √ļltimos 20 anos.
Contrastando esse cen√°rio, no Brasil um levantamento com dados do ‚ÄúConsolidado Estat√≠stico‚ÄĚ da ABRAPP mostra em 2013 que 3,0% dos ativos dos fundos de pens√£o (EFPCs) estavam alocados em FIPs entidade de investimento (boa parte disso n√£o sendo uma carteira e sim investimento em ativo √ļnico), percentual que caiu ainda mais em 2019, para 1,1%, ou cerca de 6 vezes mais baixa que os 7% dos maiores mercados internacionais.
Impactos do Private Equity
Os fundos de ‚Äúprivate equity‚ÄĚ t√™m outros atrativos, pois s√£o propagadores:
(1¬ļ) De efici√™ncia via reorganiza√ß√£o de empresas e setores,
(2¬ļ) De planos de crescimento e expans√£o ‚Äď com gera√ß√£o de emprego e renda, e, ainda mais importante que esses dois pontos no momento atual,
(3¬ļ) Das melhores pr√°ticas em ESG (Environmental, Social and Governance), pois sua posi√ß√£o de investidores com participa√ß√£o direta nos conselhos permite promover tais pr√°ticas objetivamente, com mais influ√™ncia do que outros fundos de a√ß√Ķes.
Como investimentos em ‚Äúprivate equity‚ÄĚ comandam pr√™mios de retorno atrativos numa perspectiva de juros mais baixos no longo prazo, no Brasil os investidores institucionais e family offices tendem a aumentar sua aloca√ß√£o nesses fundos, como ocorreu nos √ļltimos 20 anos no exterior. E vale lembrar que esses investimentos em anos de crise tendem a ter retornos mais altos que a m√©dia, pois se beneficiam de investimentos com valoriza√ß√Ķes de entrada mais atrativa e mais oportunidades de crescimento por aquisi√ß√Ķes em processos de consolida√ß√£o ‚Äď o que refor√ßa as raz√Ķes para se considerar esse tipo de ativo atualmente.

Alberto Cam√Ķes √© s√≥cio-diretor do Grupo Stratus

Introdução ESG na Prática | Opinião: Francisca Brasileiro

O ano de 2020 certamente deixar√° legados, muitos deles n√£o positivos. Mas tamb√©m ser√° conhecido como o ano em que as quest√Ķes ligadas √† ESG, ou ASG (Ambiental, Social e Governan√ßa) viraram o tema central nas discuss√Ķes de investimentos, aqui e no mundo!
Podemos atribuir o gatilho √† carta que o presidente da BlackRock enviou aos CEOs das companhias investidas, ou ent√£o ao foco dado ao tema no F√≥rum Econ√īmico Mundial, mas a verdade √© que o interesse nesse assunto vem crescendo a cada ano.
Mas, não podemos negar, que a Pandemia acelerou esse processo ao nos mostrar como somos frágeis perante certos acontecimentos aleatórios. Ou melhor, como nossos portfolios são frágeis à eventos que ainda não podemos prever ou evitar.
Mas ser√° que n√£o podemos mesmo? Sim, ainda estou falando sobre ESG. Ou melhor, da habilidade de prever como os nossos investimentos podem ser impactados por quest√Ķes intang√≠veis, no caso, relacionadas ao tema sustentabilidade e suas derivadas.
Integrar os aspectos de ESG significa justamente isso: Identificar e estimar os riscos inerentes aos eventos ligados √†s esferas Ambiental, Social e de Governan√ßa. Falar parece f√°cil, mas considerar os aspectos de ESG na carteira √© uma arte que reside justamente em encontrar caminhos para objetivamente mensurar tais riscos. Mas, como fazer isso? Como sair do ‚Äúbl√° bl√° bl√°‚ÄĚ e colocar em pr√°tica esse tema?
Infelizmente, ou felizmente, n√£o existe um roteiro a ser seguido, mas podemos resumidamente agrupar em 4 abordagens a maneira como os investidores implementaram essas pr√°ticas globalmente:
Exclus√£o: Essa √© a forma mais antiga, e tamb√©m a mais comum. Identificando pa√≠ses, setores ou companhias considerados como um risco elevado, cria-se uma lista de ativos ‚Äúproibidos‚ÄĚ. √Č comum encontrar nas Pol√≠ticas de Investimentos globais veda√ß√Ķes √† empresas de setores como arma, tabaco, ou que tenham se envolvido em esc√Ęndalos recentes, por exemplo.
Impacto: S√£o investimentos que buscam agregar mudan√ßas positivas em seus meios. Com um efeito mais indireto no resultado dos investimentos, s√£o menos comuns no portf√≥lio, mas ainda assim s√£o vistos como uma forma de adicionar (ao inv√©s de excluir) medidas positivas e consequentemente melhorar o ‚Äúrating de ESG‚ÄĚ do portf√≥lio total.
Engajamento: Sob a √≥tica das companhias a participa√ß√£o dos investidores atrav√©s do voto, ou a press√£o nos conselhos por medidas ‚Äúpr√≥-ESG‚ÄĚ, como aquelas alinhadas com as diretrizes de SDG (Sustainable Development Growth) da ONU, t√™m crescido significativamente.
Integra√ß√£o: Por √ļltimo e talvez mais importante vem a abordagem que considera os riscos ligados a ESG como parte do processo de avalia√ß√£o de um determinado investimento, agregando esses aspectos √† avalia√ß√£o tradicional. Desta maneira, ao inv√©s de excluir uma determinada companhia, busca-se estimar qu√£o exposta ela est√° a riscos como falta de √°gua no mundo, inunda√ß√Ķes, esc√Ęndalos de corrup√ß√£o, risco de imagem por press√Ķes sociais nas m√≠dias etc.
O grande desafio reside em quantificar esses riscos. Por exemplo, √© poss√≠vel estimar qual o impacto do aumento da temperatura do globo no pre√ßo de uma carteira dos im√≥veis, endere√ßando corretamente a quest√£o do aquecimento global? Segundo um estudo da Euroif, como consequ√™ncia de eventos ligados a mudan√ßas clim√°ticas entre 2016 e 2018 foram gastos $378 bilh√Ķes de d√≥lares, s√≥ nos EUA. Uma an√°lise mais profunda desses dados leva a modelos de proje√ß√£o capazes de estimar esses riscos, assim como fazemos com a infla√ß√£o.
Para ajudar nessa miss√£o, muita coisa tem sido desenvolvida: As companhias divulgam relat√≥rios padr√£o de atendimento a esses crit√©rios, e j√° temos uma atribui√ß√£o de ratings ESG, que buscam consolidar as informa√ß√Ķes ligadas ao tema, criando assim um ‚Äúscorecard card‚ÄĚ complementar a avalia√ß√£o das companhias.
Buscar integrar os aspectos de ESG nos investimentos é, então, uma busca pela melhora da qualidade dos ativos e do retorno, redução de riscos, e práticas que contribuam para um desenvolvimento mais sustentável do globo.
Sob a √≥tica das funda√ß√Ķes, o passo mais importante √© justamente criar um roteiro para verificar como os gestores est√£o integrando esses aspectos na montagem da carteira e escolha dos investimentos. Para aquelas funda√ß√Ķes maiores, as pol√≠ticas de engajamento e voto s√£o a forma mais r√°pida para colocar em pr√°tica a teoria. E para todos os agentes de mercado, construir internamente um conjunto de diretrizes para melhorar as pr√≥prias pr√°ticas ligadas √† ESG √© o melhor caminho. Sempre!

Francisca Brasileiro é diretora da Tag Investimentos

Produtividade é o nome do jogo | Opinião: Solange Srour

Após o relaxamento das medidas de isolamento social e o religamento de várias economias, assistimos a uma onda de otimismo em relação ao ritmo de recuperação da atividade no mundo. Dados recentes mostram que com a volta da mobilidade nos mais diversos países, o consumo foi retomado com força, assim como a confiança dos empresários.
O argumento de que o colapso econ√īmico √© em grande parte devido ao v√≠rus ganhou for√ßa. Sendo assim, na aus√™ncia de uma segunda onda muito grave, o consenso √© de que as economias voltar√£o a operar no mesmo ritmo e padr√£o que antes do Covid19. Esta vis√£o, no entanto, deixa de lado mudan√ßas estruturais decorrentes da crise. Pesquisas dispon√≠veis sugerem que as pessoas devem, de alguma forma, ter novos h√°bitos de consumo, poupan√ßa, lazer e que os modelos de produ√ß√£o ser√£o outros. Os impactos dessas transforma√ß√Ķes no mercado de trabalho ser√£o enormes e podem impedir a volta r√°pida dos empregos, da renda e do PIB.
Do lado da oferta, o trabalho remoto, por exemplo, tem se mostrado uma forma menos custosa e mais produtiva de organiza√ß√£o, estimulando um enorme aumento de investimentos em equipamentos e plataformas digitais. A legisla√ß√£o que inibia alguns servi√ßos de avan√ßar, como o caso da telemedicina, teve que ser modernizada. Do lado da demanda, a pandemia for√ßou consumidores a testar novas formas de consumir, como a atividade de compras online, a qual agora √© valorizada por sua conveni√™ncia e seguran√ßa. Alguns servi√ßos, como viagens ou eventos de neg√≥cios, ser√£o drasticamente reduzidos depois que reuni√Ķes virtuais se tornaram uma alternativa mais f√°cil e barata.
Como reflexo, empresas como Amazon, Microsoft, Apple, Tesla, Facebook, PayPal, Netflix, Shopify, Zoom passaram por uma valoriza√ß√£o expressiva. De outro lado, v√°rias companhias a√©reas, hot√©is e lojas de departamentos est√£o entrando em recupera√ß√£o judicial, reestruturando e reduzindo suas opera√ß√Ķes de forma permanente.
Historicamente, as respostas do mercado de trabalho a choques s√£o lentas. Fatores idiossincr√°ticos, como as habilidades espec√≠ficas do trabalhador, impedem sua transfer√™ncia r√°pida entre setores e regi√Ķes. Por essa raz√£o, um pa√≠s que carece de m√£o-de-obra qualificada, como o nosso, n√£o ter√° uma recupera√ß√£o econ√īmica r√°pida, mesmo que a pandemia seja controlada dentro de alguns meses.
Pol√≠ticas p√ļblicas s√£o fundamentais para a velocidade da recupera√ß√£o. A magnitude e a rapidez da paralisa√ß√£o da economia foram sem precedentes e justificaram, em v√°rios pa√≠ses, programas de sustenta√ß√£o da renda, subs√≠dios √† reten√ß√£o de funcion√°rios e a expans√£o do cr√©dito bancada pelos governos √†s empresas mais afetadas.
Nos p√≥s-Covid, deveremos assistir a uma substitui√ß√£o de pol√≠ticas excepcionais por pol√≠ticas sustent√°veis nos m√©dio e longo prazos. Pa√≠ses como o Brasil, que n√£o disp√Ķem de espa√ßo fiscal, ter√£o que ajustar o crescimento do gasto p√ļblico e ao mesmo tempo lidar com um enorme contingente de desempregados. A agenda para uma recupera√ß√£o menos traum√°tica passa por uma s√©rie de reformas estruturais que possam gerar um aumento da produtividade do trabalho e facilitar a realoca√ß√£o da m√£o-de-obra.
Em primeiro lugar, para incentivar o investimento privado e aumentar o investimento p√ļblico, teremos que fazer uma ampla revis√£o do gasto p√ļblico. Sua composi√ß√£o √© altamente prejudicial ao crescimento, com 80% das despesas sendo destinado √† Previd√™ncia e ao funcionalismo. N√£o teremos como deixar de fazer a reforma da Previd√™ncia nos Estados e munic√≠pios e o avan√ßar com a reforma administrativa.
Precisamos urgentemente de uma ampla revisão nas regras e procedimentos para aprovação de projetos, uma legislação que incorpore as contrapartidas de impactos ao meio ambiente e um arcabouço institucional que diminua a enorme insegurança jurídica presente.
Para facilitar a realocação da mão-de-obra, teremos que aprofundar a reforma trabalhista, iniciada no governo Temer. A tão debatida reforma tributária, ao simplificar o dia-a-dia das empresas e diminuir seu enorme contencioso tributário, deveria sair do campo das ideias e ser posta em votação no Congresso.
A discuss√£o atual infelizmente est√° focada na expans√£o dos programas sociais bancada por um aumento da carga tribut√°ria. Sem d√ļvidas, reduzir a desigualdade social √© um desejo louv√°vel. No entanto, precisamos ir al√©m. Esta crise nos traz novos desafios e o principal deles √© como tornar nossos trabalhadores mais produtivos e aumentar o potencial de crescimento da economia, sem os quais n√£o h√° recupera√ß√£o c√≠clica r√°pida nem sustent√°vel.

Solange Srour √© Economista-chefe da Arx Investimentos 

Atuar mais nas empresas investidas | Opini√£o: F√°bio Coelho

Em meio √† pandemia do coronav√≠rus e √† incerteza derivada, √© f√°cil relegar quest√Ķes primordiais das quais depende a higidez do mercado, como a excel√™ncia da gest√£o, a cria√ß√£o de valor a longo prazo e quest√Ķes ambientais, sociais e de governan√ßa. No entanto, momentos como o atual favorecem iniciativas que alteram o status quo.
Foi assim que, na crise de 2008, nasceram conceito e códigos de stewardship, cujo propósito foi prevenir eventos ruinosos para a economia real mediante o engajamento em bases constantes e de maneira construtiva entre investidores e companhias investidas na perseguição de práticas de governança, estratégias de longo prazo e desempenho financeiro.
Ocorre que a aplicação desses conceitos, princípios e regras exigem players determinados a dar-lhes materialidade e efetividade. Cabe aos acionistas o monitoramento ativo e, quando necessário, a intervenção nas empresas investidas visando seu desempenho a par de sua sustentabilidade. Como detentores dos recursos que mantêm as diferentes classes de ativos, os institucionais são agentes talhados para a missão de assegurar gestão diligente e transparente.
Os fundos de pens√£o despontam como, possivelmente, os que est√£o mais bem equipados para assumir papel central na defesa da sustentabilidade de empresas e mercados. J√° existem bons exemplos de funda√ß√Ķes que se conscientizam cada vez mais da necessidade de participar e votar em assembleias de acionistas e de indicar representantes para os conselhos de administra√ß√£o das investidas, mas outros passos precisam ser dados nessa dire√ß√£o.
As funda√ß√Ķes poderiam mais facilmente exigir a ado√ß√£o de melhores pr√°ticas de governan√ßa e incentivar alinhamento de interesses na cria√ß√£o de valor para os acionistas. Um exemplo exitoso foi o engajamento realizado por dois dos maiores fundos de pens√£o na empresa BRF, na qual buscaram atua√ß√£o para indica√ß√£o de conselheiros e aperfei√ßoamento da gest√£o em momento delicado de conflitos, que comprometiam n√£o s√≥ o valor de mercado mas tamb√©m a pr√≥pria longevidade operacional da empresa.
O aprofundamento das a√ß√Ķes implica abordar e tratar outros temas de interesse social, como remunera√ß√£o da administra√ß√£o, transa√ß√Ķes com partes relacionadas, conflitos de interesse, gest√£o da inova√ß√£o, disclosure de informa√ß√£o, dentre outras a√ß√Ķes de transpar√™ncia. Mais recentemente, em fun√ß√£o da pandemia, dois outros temas ganharam destaque: a aten√ß√£o sobre como as empresas est√£o lidando com a pandemia e a diversidade nos conselhos (colegiados mais diversos s√£o entendidos como mais capacitados a executar o processo decis√≥rio, o que, em √ļltima an√°lise, robustece a cria√ß√£o de valor sustentada no longo prazo).
A despeito das oportunidades de aprofundamento nas atua√ß√Ķes dessa natureza, o primeiro passo em busca da amplia√ß√£o do engajamento deve se dar na discuss√£o interna sobre quais empresas do portf√≥lio abordar. Esse debate sobre a materialidade nas escolhas se torna dif√≠cil quando funda√ß√Ķes apresentam carteiras diversificadas e com grande n√ļmero de empresas, uma vez que √© impratic√°vel monitorar todas as companhias do portf√≥lio. Em geral, recomenda-se escolher as mais relevantes do ponto de vista da participa√ß√£o na carteira ou aquelas com potencial de gerar impacto elevado para a sociedade. √Č o que faz, por exemplo, o BNDESPAR, que em dezembro de 2018 aprovou normativo estabelecendo crit√©rios balizadores quantitativos e qualitativos para o comparecimento e o consequente exerc√≠cio do direito de voto em empresas investidas.
Segundo relat√≥rio de stewardship de 2018 da institui√ß√£o, ‚Äúpara as participa√ß√Ķes em empresas de capital aberto, foram considerados crit√©rios quantitativos a materialidade do percentual de participa√ß√£o acion√°ria detido pela BNDESPAR no ativo (5% do capital social) e a relev√Ęncia de seu valor perante o valor total de sua carteira de participa√ß√Ķes acion√°rias (0,25% do valor dos ativos sob gest√£o) ‚ÄĚ.
Para auxiliar as entidades a navegar esse mundo de juros baixos por tempo prolongado, o que implicar√° aportes maiores em participa√ß√Ķes acion√°rias, uma boa fonte de informa√ß√£o s√£o os relat√≥rios de stewardship divulgados pelos institucionais ao redor do mundo. No site da AMEC, por exemplo, h√° v√°rios dispon√≠veis para consulta, permitindo que sirvam de inspira√ß√£o sobre como o engajamento contribui para a perenidade das empresas, e para a valoriza√ß√£o de suas participa√ß√Ķes por meio da melhoria de performance de longo prazo. Ganham as empresas, as funda√ß√Ķes, seus participantes e indiretamente a sociedade.

Fábio Coelho é Presidente da Amec e ex-superintendente da Previc.

Repensando a alocação em tempos de crise | Opinião: Jorge Simino

Obviedade inicial: o mundo e o Brasil enfrentam, desde janeiro deste ano, uma crise sanit√°ria e econ√īmica. O Brasil em adi√ß√£o tamb√©m apresenta sinais de turbul√™ncia pol√≠tica.
Algumas breves palavras sobre esta √ļltima. Constata√ß√£o tamb√©m √≥bvia √© a exist√™ncia de muito ru√≠do na condu√ß√£o pol√≠tica. Como os ru√≠dos afetam os pre√ßos dos ativos financeiros depende basicamente da sensibilidade auditiva e da lateralidade de cada agente econ√īmico. Independentemente da escolha de cada qual, uma coisa √© certa: ru√≠dos n√£o ajudam; ru√≠dos atrapalham.
Um ditado antigo diz ‚Äúde m√©dico e louco todo mundo tem um pouco‚ÄĚ. Pois bem, nos √ļltimos meses o lado m√©dico, agora com especializa√ß√£o em epidemiologia, assolou as √°reas de an√°lise econ√īmica. Gr√°ficos, tabelas e modelos estat√≠sticos povoam os relat√≥rios numa tentativa, legitima, diga-se de passagem, de antecipar algum sinal de decl√≠nio da pandemia. Mas a verdade √© que a ci√™ncia apesar de todos os esfor√ßos, e neste curto espa√ßo de tempo, ainda n√£o conseguiu desenvolver um f√°rmaco eficiente e muito menos uma vacina. Neste sentido √© preciso absorver a ideia que as incertezas provocadas pela pandemia t√£o cedo n√£o ser√£o dissipadas.
Assim sendo, devemos concentrar nossos esfor√ßos para entender a evolu√ß√£o da crise em termos econ√īmicos e financeiros.
Duas especificidades podem ser atribuídas a esta crise. Primeira, pela natureza sanitária, e pela inexistência de um tratamento eficaz a adoção da técnica do isolamento social para restringir a propagação atingiu a oferta e a demanda simultaneamente. Segunda, é a velocidade com que tanto a doença quantos seus efeitos se espalharam.
Tempos excepcionais, medidas excepcionais. Nos pa√≠ses desenvolvidos em geral, e particularmente nos Estados Unidos, a magnitude dos est√≠mulos fiscais e monet√°rios superaram tudo o que j√° foi visto no passado, inclusive na crise financeira de 2008. Do lado fiscal, o governo americano aprovou no Congresso um pacote de 2 trilh√Ķes de d√≥lares para socorrer pessoas f√≠sicas e jur√≠dicas. Do lado monet√°rio, o FED (banco central americano) cortou os juros b√°sicos para praticamente zero em duas reuni√Ķes extraordin√°rias em mar√ßo e usou seu balan√ßo para comprar ativos no mercado (os ativos do seu balan√ßo montavam a 3,8 trilh√Ķes de d√≥lares, no final de 2019, voltaram a crescer nos √ļltimos tr√™s meses e atingiram a cifra de 7,2 trilh√Ķes de d√≥lares). Em resumo, a inje√ß√£o de liquidez na economia foi gigantesca.
No Brasil tivemos movimentos an√°logos, com alguma hesita√ß√£o inicial, dado o conjunto de nossas limita√ß√Ķes. Tamb√©m tivemos redu√ß√£o de juros e pacotes de ajuda fiscal, seja para pessoas f√≠sicas seja para empresas.
L√° e c√° a d√ļvida central est√° na velocidade e na magnitude da recupera√ß√£o econ√īmica e no t√≠pico jarg√£o do mercado as poss√≠veis recupera√ß√Ķes recebem apelidos usando letras: V, U W e por a√≠ vai.
Para al√©m das letras, creio que seja mais razo√°vel perguntar como as fam√≠lias, as empresas e o pr√≥prio governo (nos tr√™s n√≠veis ‚Äď federal, estadual e municipal) se comportar√£o dado que todos sair√£o da crise mais endividados, com remunera√ß√£o menor (leia-se rendimentos, receitas operacionais e tributos, respectivamente)? E dada a capacidade ociosa, que j√° existia antes da crise, e que certamente se ampliou com seus efeitos, a vari√°vel investimento tamb√©m n√£o deveria despertar muito entusiasmo. Tudo posto fica dif√≠cil imaginar uma recupera√ß√£o mais robusta em 2021.
A quest√£o fiscal √© outro ponto que me parece claramente subestimado. As proje√ß√Ķes de d√©ficit prim√°rio para este ano giram ao redor de 10% do PIB. Mas para 2021 as expectativas giram ao redor de 3% do PIB, um ajuste de sete pontos percentuais do PIB. E sem aumento de tributos!
Enfim, um ajuste de contas p√ļblicas em magnitude nunca vista nos √ļltimos vinte anos. Temos aqui um sinal claro de muito otimismo (e n√£o custa lembrar as palavras de Candido ‚Äď personagem de Voltaire: ‚Äúo otimismo √© a f√ļria de sustentar que tudo est√° bem quando se est√° mal‚ÄĚ).
Para os investidores em geral, e para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar em particular, os desafios de investimento aumentaram muito. De um lado, o custo de oportunidade nunca foi tão baixo, mas por outro lado as incertezas associadas a alocação em ativos de maior risco são também imensas.
Conclusão: o cenário DP (Depois da Pandemia) é completamente diferente do cenário AP (Antes da Pandemia) e, assim sendo, a gestão do portfólio também há de ser diferente. O processo de alocação em ativos de maior risco continuará sendo necessário, mas precisará ser repensado com cuidado.

Jorge Simino é diretor de investimentos da Fundação Cesp - Funcesp

A reeducação do mercado | Opinião: Carolina da Costa e Luiz Fernando Figueiredo

Na Teoria Econ√īmica, h√° uma m√°xima que dita que o comportamento dos agentes econ√īmicos √© fun√ß√£o dos incentivos oferecidos. S√£o, portanto, rea√ß√Ķes. No √Ęmbito do mercado financeiro, sele√ß√£o e aloca√ß√£o de ativos s√£o perfeitas express√Ķes da l√≥gica reativa. Mercado √© consequ√™ncia. Causa ‚Äúmercado‚ÄĚ a pol√≠tica econ√īmica, que prop√Ķe incentivos (nem sempre produzindo o que intencionou), novos fatores de produ√ß√£o, assim como mudan√ßas profundas em h√°bitos e valores morais dos agentes econ√īmicos. Se pretendemos inovar estruturalmente naquilo que fazemos, questionar a l√≥gica de causalidade pela qual explicamos efeitos √© um bom ponto de partida. Na ci√™ncia, essa rotina tem sido respons√°vel pelo surgimento de diversas teorias que ora conflitam, ora se complementam, mas sempre expandem conhecimento. Por exemplo, na biologia para explicar adapta√ß√£o das esp√©cies, no desenvolvimento humano para explicar fen√≥tipos, na f√≠sica para explicar movimentos planet√°rios e por a√≠ vai. E no √Ęmbito do mercado financeiro, h√° espa√ßo para mais protagonismo que cause transforma√ß√£o?
A crise que vivemos trar√° enormes consequ√™ncias sociais. Estima-se que at√© o final desse ano, haver√° cerca de 15 milh√Ķes de desempregados, 4,4 milh√Ķes de crian√ßas abaixo da linha da pobreza, d√≠vida p√ļblica brasileira acima de 90%, 6% de queda no PIB nacional. Todas as esferas da sociedade perder√£o renda, exceto a m√°quina p√ļblica cujo peso do gasto com funcionalismo se amplificar√° desproporcionalmente aos demais setores. Uma adequada pol√≠tica fiscal ser√° fundamental para direcionar corretamente o comportamento dos agentes e gerar mais proporcionalidade e equil√≠brio no balan√ßo de perdas. O mercado financeiro tamb√©m dever√° contribuir com a sua cota de sacrif√≠cio. N√£o simplesmente por arcar com a diminui√ß√£o dos ativos sob gest√£o (R$74bi sa√≠ram de fundos desde o in√≠cio desse ano), mas tamb√©m pela necessidade de repensar sua forma de atuar para co-liderar mais ativamente um processo de transforma√ß√£o j√° em curso.
A consci√™ncia dos impactos da crise intensificou entre os gestores de ativos e alocadores o discurso sobre longo prazo e impactos sociais e ambientais dos investimentos. Boa not√≠cia vermos a sigla ASG (Ambiental, Social e Governan√ßa ou, em ingl√™s, ESG) cada vez mais presente nas pautas. Estudos mostram que o volume de ativos sob gest√£o no mundo em finan√ßas sustent√°veis ultrapassa U$ 31 trilh√Ķes (dados GSIA). O S&P 500 ESG index mostrou retornos 3% acima quando comparado ao benchmark S&P 500 (2019/2020) e 6 em 10 fundos ASG tiveram retornos superiores aos convencionais na √ļltima d√©cada (FT, 13/6/20). A somat√≥ria de ativos em fundos de impacto relacionados com algum dos 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustent√°vel) ultrapassa U$ 500 bilh√Ķes (segundo GIIN). Tudo isso impulsionado por mudan√ßas regulat√≥rias recentes que contribuem para reprecificar riscos, incentivar novos projetos ambientais (ex. na linha de redu√ß√£o de emiss√Ķes de carbono) e cr√©dito ‚Äúverde‚ÄĚ. Novas abordagens de rating passam tamb√©m a incluir aspectos sociais e ambientais (exemplo da MorningStar que comprou a Sustainalytics). √Č bastante motivador notar a qualidade de porta-vozes de diferentes ind√ļstrias defendendo mudan√ßas estruturais para um novo capitalismo. Destaque para grupos de estudo atuando nesse momento na ANBIMA, ABVCAP, al√©m de importante advocacy puxado pela Converge Capital e CEBDS. O rec√©m lan√ßado Capital Reset √© agora leitura essencial sobre o tema.
Mas ainda h√° um longo caminho para verificarmos at√© que ponto discursos se tornar√£o pr√°tica efetiva. Acreditamos que estamos diante de uma grande oportunidade de reeducar o mercado financeiro para uma atua√ß√£o mais protagonista, para al√©m da sele√ß√£o e aloca√ß√£o de ativos. N√£o √© mais suficiente investir em um ativo pela ‚Äúbarganha‚ÄĚ de hoje, pois um pouco mais √† frente, quando os pre√ßos se equilibrarem, o real valor se dar√° com base em novo paradigma de valuation que abarque amplo impacto para sociedade. Podemos criar novos neg√≥cios baseados em ecossistemas que promovam rela√ß√Ķes mais simbi√≥ticas entre investidores e investidos (muitos ainda aguardando oportunidades decentes de acesso ao capital). Podemos abrir espa√ßo para profissionais advindos de outros setores com formatos inovadores de intera√ß√£o em rede para a constru√ß√£o conjunta de solu√ß√Ķes. Podemos promover novos mindsets sobre o que significa ‚Äúganhar, perder e servir‚ÄĚ.
Estamos diante de uma oportunidade hist√≥rica de reinven√ß√£o que se dar√° para aqueles que aceitarem o desafio da reeduca√ß√£o para maior protagonismo social. Esse movimento n√£o √© apenas para o benef√≠cio de nossos neg√≥cios, mas para o legado que intencionamos deixar para as futuras gera√ß√Ķes e para o planeta.

Carolina da Costa √© s√≥cia da Mau√° Capital e professora do Insper e Luiz Fernando Figueiredo √© CEO da Mau√° Capital e ex-diretor do BC

Perfis de investimento em tempos de crise | Opini√£o: Ricardo Pena

A pandemia da Covid-19 pegou o mundo de surpresa e tem causado estragos incomensur√°veis. Nessa crise de sa√ļde p√ļblica, a preserva√ß√£o da vida humana √© o ponto de partida para qualquer a√ß√£o e preocupa√ß√£o elementar esperada daqueles que t√™m a responsabilidade para decidir. A crise √© um momento de reflex√£o e de humildade. Todos teremos que lidar com as consequ√™ncias das decis√Ķes tomadas. A primeira e mais importante decorrer√° da resposta √† pergunta: ‚ÄúFomos solid√°rios e respons√°veis?‚ÄĚ. Gestores do patrim√īnio financeiro de milhares de pessoas, como n√≥s, ter√£o mais perguntas a enfrentar: ‚ÄúAgimos com transpar√™ncia? Atuamos com efici√™ncia e prontid√£o? Protegemos nossos participantes, assistidos e funcion√°rios?‚ÄĚ
Todos os planejamentos estrat√©gicos de curto, m√©dio e longo prazo foram afetados decisivamente pelas incertezas. Inegavelmente o cen√°rio exigiu um realinhamento de diretrizes, metas e indicadores. Al√©m disso, muita flexibilidade foi necess√°ria para qualquer gest√£o estabelecer um patamar m√≠nimo de seguran√ßa nas suas opera√ß√Ķes.
No caso da Funpresp, essa profunda mudança coincidiu com a implementação da oferta por perfis de investimentos para seus participantes, fruto de mais de quatro anos de estudos. Tudo foi planejado detalhadamente para entregar ao participante o protagonismo sobre as suas preferências e expectativas quanto à evolução das suas reservas previdenciárias e de seu benefício futuro.
O produto elaborado pela Funda√ß√£o permite que participantes de um mesmo plano de benef√≠cios tenham sua poupan√ßa individual tratada de maneira customizada, conforme suas caracter√≠sticas pessoais. O par√Ęmetro utilizado foi o de ciclo de vida, que combina faixas et√°rias pr√©-definidas (em fun√ß√£o do est√°gio de vida) com tipos de investimentos adequados a maior ou menor toler√Ęncia a riscos. S√£o quatro perfis oferecidos em duas carteiras distintas, batizadas com os nomes ‚ÄúPerformance‚ÄĚ e ‚ÄúPreserva√ß√£o‚ÄĚ. Os pr√≥prios nomes deixam antever a natureza de cada uma delas e como o ciclo de vida se encaixa perfeitamente nas aloca√ß√Ķes predominantes nessas carteiras. Para cada uma delas, diretrizes de investimento claras e longamente refletidas foram estabelecidas. Esse modelo tem se mostrado robusto no enfrentamento da crise, trazendo perspectivas de recupera√ß√£o no m√©dio e longo prazo.
Refor√ßamos a comunica√ß√£o com o participante de forma a prover informa√ß√£o objetiva, transparente e orienta√ß√£o em suas decis√Ķes de investimento. Nesse momento, a Funpresp busca garantir aos seus participantes todo o apoio para decis√Ķes racionais, que n√£o resultem, √† frente, em preju√≠zos ao esfor√ßo de longo prazo que os planos de previd√™ncia envolvem. Mais do que nunca, √© preciso refor√ßar os la√ßos de confian√ßa e cuidado.
Aprofundamos análises de cenários de forma a garantir o aproveitamento de oportunidades. Já em abril, observamos recuperação das perdas registradas em março, em especial nos perfis com maior presença de ativos de renda variável. Nossa expectativa é ao final deste ano estarmos alinhados ao planejamento de 2020.
A Funda√ß√£o diversificou a distribui√ß√£o dos ativos financeiros da sua carteira de investimentos, reduzindo os t√≠tulos p√ļblicos federais de curto prazo para aumentar os de longo prazo, com taxas de juros reais superiores a 4%a.a. A Funpresp tamb√©m adquiriu cotas de fundos de investimento no exterior, reduzindo o risco da carteira, e cotas de fundos de investimentos em a√ß√Ķes (com Ibovespa abaixo de 70 mil pontos).
Apesar de ser uma Entidade jovem, a Funpresp j√° √© considerada robusta: conta com mais de 96 mil participantes e R$ 2,65 bilh√Ķes de patrim√īnio. Est√° ainda na fase exclusiva de capta√ß√£o de reservas uma vez que tem uma popula√ß√£o jovem, (idade m√©dia de 36 anos) e paga pouco mais de 100 benef√≠cios. Independentemente disso, o cen√°rio atual de muita oscila√ß√£o dos mercados, devemos seguir atentos e cautelosos na gest√£o dos riscos. Ainda mantemos a estrat√©gia conservadora, de preserva√ß√£o de valor, com 93% do portf√≥lio em t√≠tulos p√ļblicos federais, que vem norteando a pol√≠tica de investimentos da Entidade desde a sua cria√ß√£o. Mas sem deixar de operar no monitoramento constante dos mercados, observando as oportunidades do momento e as diretrizes estabelecidas pelas pol√≠ticas de investimentos dos planos que administramos.
Nossa atitude tem sido de an√°lise sistem√°tica pois sabemos que ainda n√£o √© poss√≠vel mensurar todas as consequ√™ncias da pandemia no cen√°rio econ√īmico, nem como se comportar√° a retomada do mercado. Todos est√£o ainda sujeitos a varia√ß√Ķes negativas, mas estamos dispostos a n√£o desviar o nosso foco e planejamento que s√£o os ganhos de longo prazo.
Esse é o recado que passamos diariamente aos nossos participantes. Estamos exercitando a transparência ativa como forma de passar tranquilidade sobre o que a Funpresp está fazendo e como vem se comportando perante as adversidades. Como uma fundação de previdência que tem uma relação de longo prazo com seus participantes, entendemos que esse é o momento de reforçar os laços de confiança que nos unem. E isso tem sido realizado com uma comunicação clara, autêntica e verdadeira, pois sabemos que só com essa união e solidariedade iremos ultrapassar todas as dificuldades que hoje se apresentam.

Ricardo Pena é presidente da Funpresp

As escolhas no mundo pós Covid-19 | Opinião: Eliane Lustosa

Nesses tempos l√≠quidos, como diz Bauman (Zygmunt Bauman, soci√≥logo e fil√≥sofo polon√™s), no qual nada √© est√°vel, tudo flui, conceitos como solidariedade e coletividade s√£o substitu√≠dos por individualismo e consumismo. No mundo atual, muitas vezes denominado de VUCA (ou VICA, na sigla em portugu√™s para Vol√°til, Incerto, Complexo e Amb√≠guo), vemos muito desencanto, perplexidade, medo e at√© desespero - agora agu√ßados pela crise mundial de sa√ļde p√ļblica. A pandemia nos levou a cen√°rio de isolamento, desacelera√ß√£o e, consequentemente, muita reflex√£o a respeito das profundas desigualdades sociais, que desaguaram em movimentos globais de solidariedade. Nesse contexto, investidores e consumidores conscientes e respons√°veis, que consideram as consequ√™ncias, ainda que marginais, de suas a√ß√Ķes individuais no coletivo, poderiam ser o motor propulsor de novo paradigma civilizat√≥rio, migrando para o conceito de stakeholder value, ou seja, levando em conta todas as partes interessadas.
O mundo pr√© covid-19 j√° evidenciava severos desafios - mudan√ßas clim√°ticas, escassez de √°gua, desigualdade crescente, fome, pobreza estrutural e guerras, dentre outras distopias. Com a crise, que atingiu ricos e pobres, afloraram reflex√Ķes ainda mais profundas sobre o agravamento do atual estado de coisas e a enorme desigualdade na sociedade contempor√Ęnea. Teremos capacidade de refletir e modificar os crit√©rios que balizam nossas escolhas e prioridades, especialmente em rela√ß√£o √† forma que lidamos com a sa√ļde, o meio ambiente e a desigualdade social? N√£o se trata de algo t√£o abstrato como abra√ßar √°rvores, mas tomar decis√Ķes concretas pautadas por esses conceitos b√°sicos. Um exemplo simples: em nossas aplica√ß√Ķes financeiras, questionamos o grau de responsabilidade social e ambiental das empresas em que investimos, seja via equity ou d√≠vida?
√Ä medida em que cresce a consci√™ncia social dos indiv√≠duos, que passam a cobrar ‚Äúqualidade social‚ÄĚ em suas aplica√ß√Ķes financeiras, cria-se c√≠rculo virtuoso, aumentando o incentivo de gestores e investidores institucionais a exercer suas respectivas responsabilidades fiduci√°rias, buscando alocar seus recursos em investimentos mais inclusivos e de impacto. Dito de outra forma, ao passo em que investidores pressionam, empresas buscar√£o se ajustar para atrair esses recursos. Aqui observa-se importante oportunidade de pol√≠ticas p√ļblicas mais inclusivas, qual seja: utilizar os chamados instrumentos de blended finance para alavancar o capital privado em prol de investimentos com forte conte√ļdo ASG (Ambiental, Social e Governamental, ou ESG, na sigla em ingl√™s) via instrumentos de mercado de capitais.
Os Investidores Sociais, ao atrair aten√ß√£o para determinadas a√ß√Ķes de cunho filantr√≥pico, podem atuar para conscientizar e alavancar iniciativas com externalidade positiva relevante para a sociedade. Nesses casos, ao ajustar a rela√ß√£o risco-retorno de um projeto, assumindo parcela mais do que proporcional dos riscos, pode-se atrair e alavancar capitais de mercado para viabilizar o volume de recursos necess√°rios √† sua implementa√ß√£o. Trata-se, portanto, de ‚Äėjogo de soma positiva‚Äô, formado pela sinergia de interesses entre a√ß√Ķes filantr√≥picas e de impacto com institui√ß√Ķes e agentes financeiros, p√ļblicos ou privados.
No que se refere a infraestrutura, investimentos privados com forte conte√ļdo ESG podem ser incentivados pelos chamados investidores concessionais (como ag√™ncias multilaterais e bancos de fomento) utilizando instrumentos de refor√ßo de garantias, notadamente no per√≠odo pr√© completion, quando os riscos do projeto s√£o mais elevados. Ap√≥s o in√≠cio da opera√ß√£o, com a rela√ß√£o risco-retorno mais equilibrada, o incentivo inicial pode ser significativamente reduzido ou eliminado, permitindo, via mercado de capitais, a substitui√ß√£o dos recursos p√ļblicos por capital privado. Importante notar que, uma vez maduros, investimentos bem estruturados podem e devem prescindir da interven√ß√£o p√ļblica, o que se mostra especialmente relevante em contexto de forte restri√ß√£o fiscal
Dentre as ferramentas de refor√ßo de cr√©dito utilizadas para atrair recursos privados com foco no atingimento dos ODSs, pode-se destacar seguros de performance, fundos garantidores ou, ainda, instrumentos de mercado de capitais, como cotas subordinada ou junior em estruturas de FIPs (Fundos de Investimentos em Participa√ß√Ķes), FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Credit√≥rios) ou social impact bonds, estes ainda pouco utilizados. Crowdfunding e fundos patrimoniais (endowments), tamb√©m poderiam alavancar recursos para causas sociais, especialmente se a atual mobiliza√ß√£o de cunho solid√°rio for duradoura.
√Č diante de uma grande amea√ßa, como a atual pandemia, que podemos quebrar paradigmas, para sairmos mais fortes, coesos e preparados para os novos desafios que o mundo p√≥s Covid vai desvendar. Solidariedade, coopera√ß√£o e coordena√ß√£o de esfor√ßos por uma sociedade mais justa e inclusiva tamb√©m devem fazer parte do dia a dia dos agentes de mercado. Sim, a responsabilidade √© de todos n√≥s!

Eliane Lustosa é ex-diretora de investimentos do BNDES

Desastre natural de duração indefinida | Opinião: Marcelo Toledo

O melhor paralelo a ser realizado em rela√ß√£o √† crise atual n√£o √© com o que ficou conhecido como a Grande Recess√£o de 2008, mas sim com um desastre natural. Contudo, √© um desastre natural com duas caracter√≠sticas muito raras: o fato de atingir simultaneamente diversos pa√≠ses e, mais importante, ser de dura√ß√£o indefinida. O alcance deste ‚Äúterremoto‚ÄĚ tamb√©m n√£o √© puramente definido pelas leis da f√≠sica (ou da biologia no nosso caso), uma vez que o comportamento da epidemia em um determinado pa√≠s depende de forma muito relevante da resposta do sistema p√ļblico de sa√ļde. Haver√° custos econ√īmicos desse desastre natural, sendo maiores ou menores dependendo do sucesso de cada pa√≠s em controlar a crise de sa√ļde p√ļblica at√© que haja uma solu√ß√£o definitiva por meio de um tratamento eficaz ou uma vacina dispon√≠vel em larga escala.
Ao final de mar√ßo, as medidas adotadas em diversos pa√≠ses j√° permitiam estabelecer algum tipo de padr√£o: pa√≠ses com frequentes e rigorosas restri√ß√Ķes √† mobilidade de pessoas e fechamento de setores econ√īmicos; pa√≠ses que estavam obtendo sucesso, at√© o momento, em conter a epidemia sem tantas restri√ß√Ķes. A China havia atravessado a primeira forma e ingressado com sucesso no segundo padr√£o. Os preju√≠zos √† atividade econ√īmica eram diretamente proporcionais √† intensidade das restri√ß√Ķes.
O impacto econ√īmico dos per√≠odos de rigorosas restri√ß√Ķes ficou claro com os dados econ√īmicos da China durante o m√™s de fevereiro (retra√ß√£o de cerca de 20% das vendas no varejo, sendo de 90% em ve√≠culos, e de 30% da produ√ß√£o industrial). Com o fim das medidas mais restritivas, houve retomada relativamente r√°pida da atividade, mas ainda para patamar abaixo do pr√©-crise. Assim, observamos um padr√£o de recupera√ß√£o r√°pida, mas no qual a retomada n√£o ocorre de forma completa, com o PIB permanecendo abaixo do pr√©-crise possivelmente por um per√≠odo prolongado. Em termos gerais, contudo, podemos considerar que quanto maior a dura√ß√£o do per√≠odo de contra√ß√£o, menor ser√° a velocidade de retomada e mais duradoura a queda da atividade para um determinado pa√≠s (o caso da It√°lia aponta para uma recupera√ß√£o prolongada e dif√≠cil).
As respostas de pol√≠tica monet√°ria e pol√≠tica fiscal dos pa√≠ses t√™m sido bastante intensas e r√°pidas. Do lado dos bancos centrais, foco em medidas de estabilidade financeira (como a provis√£o de liquidez para o sistema banc√°rio e o mercado de capitais) e queda de taxas de juros. O Fed liderou o movimento, com redu√ß√£o dos juros para zero. Do lado da pol√≠tica fiscal, a√ß√Ķes para transfer√™ncia tempor√°ria de renda para fam√≠lias e empresas. As ‚Äúpontes‚ÄĚ de cr√©dito para empresas e fam√≠lias atravessarem um per√≠odo tempor√°rio de queda de receitas e renda t√™m sido providas tanto pelos bancos centrais (programas de provis√£o direta ou indireta de cr√©dito) quanto pelas autoridades fiscais (posterga√ß√£o de impostos e antecipa√ß√£o de benef√≠cios).
Nesse contexto, a elabora√ß√£o de cen√°rios permite construir tr√™s possibilidades mais relevantes para os pa√≠ses: (1) uma r√°pida conten√ß√£o da crise de sa√ļde com medidas pouco restritivas (caso da Coreia); (2) um per√≠odo de rigorosas restri√ß√Ķes √† mobilidade, seguido por uma pol√≠tica mais branda (como na China); (3) per√≠odos de rigorosas restri√ß√Ķes sendo intercalados pelo afrouxamento das restri√ß√Ķes em ciclos at√© o fim da epidemia.
Devemos reconhecer que o momento √© de substancial e at√≠pica incerteza, tendo em vista a natureza da crise atual. Contudo, √© preciso construir cen√°rios que possam servir de refer√™ncia. Considero, para o caso do Brasil, a segunda e a terceira possiblidades como pontos de refer√™ncia adequados. Ao mesmo tempo isto reconhece a dificuldade de conter processos velozes de dissemina√ß√£o e tamb√©m a dificuldade em termos sociais de per√≠odos intensos e muito prolongados de restri√ß√Ķes √† mobilidade.
Do ponto de vista das rea√ß√Ķes da pol√≠tica econ√īmica, o cen√°rio contempla continuidade da queda de juros (para a faixa dos 3%), medidas adicionais de provis√£o de liquidez e pol√≠ticas fiscais tempor√°rias com impacto da ordem de 4% do PIB. Dessa forma, a pol√≠tica econ√īmica est√° provendo suporte para que a economia possa atravessar o desastre natural. Ser√° importante que as medidas fiscais tenham efeitos apenas tempor√°rios e, frente ao aumento da d√≠vida p√ļblica em decorr√™ncia dos est√≠mulos, que haja medidas de m√©dio prazo para trazer a pol√≠tica fiscal de volta ao equil√≠brio em 2021.
A retra√ß√£o do PIB precisa ocorrer da forma mais organizada poss√≠vel. A intensidade dessa contra√ß√£o e a recupera√ß√£o posterior depender√£o essencialmente da dura√ß√£o da crise de sa√ļde, que por sua vez est√° relacionada ao sucesso do sistema de sa√ļde. A epidemia ter√° um final, mas cabe √† sociedade encontrar o mais breve poss√≠vel uma maneira que se possa controlar o desastre natural at√© uma solu√ß√£o definitiva.

Marcelo Toledo é superintendente da Bram

√Č hora de repensar investimentos | Opini√£o: Edivar Queiroz e Marcos Fava Neves

Quando o assunto √© investimentos, 2020 pode ficar marcado como um novo divisor de √°guas. Diferentemente das crises de 2001, 2008 e at√© 2014, o ano come√ßou com uma crise de sa√ļde p√ļblica mundial sem precedentes. O temor e a r√°pida expans√£o do novo coronav√≠rus (COVID-19) afetou o dia a dia de milhares de pessoas, impactando os mais diferentes setores da economia e, obviamente, o sistema financeiro.
Apesar das iniciativas dos Bancos Centrais, com a redu√ß√£o das taxas de juros e inje√ß√£o de capital nos sistemas produtivo e financeiro, os mercados desabaram, os juros futuros subiram e a busca por d√≥lar acelerou, levando as cota√ß√Ķes para novos recordes.
Trazendo o cen√°rio de p√Ęnico e caos para o mundo dos investimentos, vemos a maioria das carteiras de fundos de investimentos, incluindo os chamados renda fixa, com rentabilidade negativa. Em alguns casos, dependendo da alavancagem, as perdas s√£o muito maiores do que a pr√≥pria desvaloriza√ß√£o do Ibovespa.
Todo este contexto mostra uma nova realidade, principalmente, para gestores de grandes volumes, como os institucionais e fundos de pensão. Se já estava difícil atingir o retorno desejado com os juros nos níveis mais baixos da história, agora, com o mercado financeiro em crise, a situação torna-se ainda mais crítica. E como resolver a situação? A resposta está no setor produtivo.
O patrim√īnio dos fundos de pens√£o brasileiros soma cerca de R$ 1 trilh√£o. Direcionar parte destes recursos para empresas privadas, com incentivo √† pesquisa e inova√ß√£o, pode ser a sa√≠da para a dificuldade de rentabilidade dos fundos e o acesso a capital para as empresas. E boas oportunidades de investimento em inova√ß√£o no Brasil n√£o faltam.
Para escolher um dos setores, √© s√≥ olhar para a forma√ß√£o do nosso PIB. Se tiver de escolher apenas um, destacaria o agroneg√≥cio. Este, sem d√ļvida, continua - e continuar√° - sendo uma oportunidade fant√°stica para quem quer investir em um segmento no qual somos refer√™ncia global.
Muito mais que simplesmente ‚Äúum pa√≠s com voca√ß√£o agr√≠cola‚ÄĚ, o Brasil √© um pa√≠s com ‚Äúcompet√™ncia agr√≠cola‚ÄĚ. N√£o somos considerados o ‚Äúceleiro do mundo‚ÄĚ porque temos ‚Äúvoca√ß√£o‚ÄĚ, mas sim por conta dos esfor√ßos cont√≠nuos de diferentes agentes das cadeias produtivas. Na contram√£o de muitos setores da economia, nas √ļltimas d√©cadas, o agro se mostrou uma verdadeira m√°quina de cria√ß√£o de riqueza √† sociedade brasileira.
Se considerarmos apenas as exporta√ß√Ķes, o agroneg√≥cio foi o grande respons√°vel pela entrada de d√≥lares no Pa√≠s, favorecendo o pre√ßo do c√Ęmbio e permitindo a importa√ß√£o de outros bens, principalmente durante os booms de comercializa√ß√£o de commodities. Temos mais de 400 produtos provenientes do agroneg√≥cio em exporta√ß√£o. Al√©m de muitos gr√£os e das carnes, o Brasil ainda sobe no p√≥dio dos maiores produtores e exportadores de outros produtos como a√ß√ļcar, algod√£o em pluma, papel e celulose, caf√© e suco de laranja. H√° tamb√©m in√ļmeras oportunidades de agrega√ß√£o de valor em muitos destes produtos.
De modo geral, podemos destacar quatro megatendências que já começaram a mudar a agricultura. A primeira é a da Economia Digital e Tecnologia. Com a utilização de drones, máquinas e sensores, o conceito de hectare está sendo substituído pelo metro quadrado, trazendo resultados mais eficientes às propriedades.
A segunda √© a Inova√ß√£o e Diferencia√ß√£o. Produtos org√Ęnicos, vegetarianos, veganos, supremos s√£o alguns exemplos que come√ßam a ocupar as prateleiras das redes varejistas. Dessa forma, se faz necess√°rio a revis√£o da proposta de valor e cria√ß√£o de diferenciais competitivos condizentes com o ambiente atual.
A terceira consiste na Economia Circular, a ideia de integração de atividades, de modo que o subproduto ou resíduo de uma atividade se torne o insumo de outra, aproveitando materiais e reduzindo impactos ambientais.
A √ļltima tend√™ncia diz respeito √† Economia Coletiva e Compartilhamento. Nos pr√≥ximos anos, os agricultores n√£o ter√£o mais a necessidade de possuir in√ļmeros equipamentos, nem tantos ativos e m√°quinas, porque tudo poder√° ser compartilhado, dentro do modelo Uber, por exemplo.
Al√©m disso, os desafios mundiais daqui para frente s√£o enormes, com as mudan√ßas no ambiente socioecon√īmico mundial, aumento populacional, aumento na expectativa de vida, urbaniza√ß√£o e novos padr√Ķes de consumo etc.
Ou seja, se precisamos repensar os investimentos e redirecionar os recursos com foco em retorno no m√©dio e longo prazos, migrar para o setor produtivo, especialmente para o agroneg√≥cio, pode ser uma excelente alternativa para diversifica√ß√£o do portf√≥lio. O agroneg√≥cio brasileiro precisa estar preparado para, n√£o apenas continuar sendo o protagonista da nossa economia, como tamb√©m para assumir o protagonismo alimentar de 10 bilh√Ķes de pessoas em 2050.

Edivar Queiroz √© CEO da LUZ Solu√ß√Ķes Financeiras e Marcos Fava Neves √© S√≥cio da Markestrat Consulting Group