Garde amplia fatia de “high techs” estrangeiras no portfólio

GiufridaMarceloGarde 16mai 2A Garde Asset, em função da crise causada nos mercados pela pandemia do Covid-19, está ajustando seus portfólios e dando mais ênfase, no segmento de ações, aos investimentos no exterior. Nesse segmento, cujo PL caiu de uma média de 20% para cerca de 7% do total, a fatia dos papéis negociados no exterior passou a representar quase 50%, cinco vezes o volume anterior. A preferência absoluta é por ações de companhias de alta tecnologia, cujos produtos e serviços vêm ganhando espaço em meio à quarentena forçada da população global.
“Essas empresas vão acelerar a sua penetração no dia a dia das pessoas a partir da crise atual, ao passo que a manufatura tradicional tende a perder espaço”, prevê o CEO da asset, Marcelo Giufrida. “Estamos fazendo nova ponderação das nossas carteiras de ações com base nessas projeções, dando preferência aos mercados externos, onde a oferta de papéis de companhias de ponta é muito maior.”
Nas demais classes de ativos, o leque de opções considerado pela Garde é mais restrito. A asset demonstra interesse por títulos públicos prefixados, apostando que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central terá de efetuar novos cortes na Selic para tentar estimular a atividade econômica, e descarta aplicações em papéis pós de longo prazo, em razão das incertezas.
“O câmbio, mais especificamente o dólar, também segue como um bom seguro no momento”, observa Giufrida, que compara os efeitos do quadro atual aos de uma guerra de proporções mundiais “A única diferença é que não estamos assistindo à destruição da infraestrutura das nações. A crise, porém, terá impacto muito grande sobre a atividade econômica, já que atua sobre a oferta e a demanda. No caso do Brasil, projetamos uma queda do PIB de 3% neste ano.”

Itaú recompra R$ 2 bilhões em ativos de clientes institucionais

Para atender ao aumento da necessidade de liquidez dos seus clientes institucionais, o Itaú já recomprou, desde o mês passado, R$ 2 bilhões em ativos de sua emissão que estavam nas carteiras de gestoras. A informação foi dada agora há pouco por Caio Ibrahim David, diretor de atacado do banco, durante webcast para esclarecer os impactos da pandemia sobre os negócios e o dia a dia do Itaú. O executivo, porém, não esclareceu se tais ativos são de renda fixa ou variável.
David afirmou que, do lado dos investidores individuais, houve aumento da procura por títulos de renda fixa emitidos pelo Itaú, o que configura, como ocorre em todas as crises, um movimento conhecido como “fly to quality”. Os recursos captados foram usados no aumento da oferta de crédito – segundo o banco, a demanda por parte das empresas aumentou 500% num primeiro momento, mas já está arrefecendo.
Segundo o presidente da instituição, Candido Bracher, essa crise é inédita e foi totalmente inesperada: “Desta vez o setor financeiro não é parte do problema, é parte da solução. Já rolamos 300 mil contratos de crédito de pessoas e empresas”, informou. O banco começa hoje a oferecer financiamento para folha de pagamento de empresas com faturamento anual entre R$ 300 mil e R$ 10 milhões por ano, dentro das condições da Medida Provisória 944, publicada no final de semana.

Moody´s altera para negativa perspectiva de assets na América Latina

A perspectiva que a Moody´s atribui para a indústria de gestão de ativos na América Latina foi alterada de estável para negativa em meio ao surto de coronavírus e o choque dos preços do petróleo. De acordo com a agência de classificação de risco, o cenário atual extremo limitará os fluxos para fundos na América Latina, bem como as tarifas para as gestoras de ativos.

"A maior volatilidade em consequência dos desdobramentos em torno do vírus, a desaceleração esperada na economia e a depreciação das principais moedas latino-americanas levarão a um enfraquecimento dos fluxos de investimento em 2020 na região, disse Jose Angel Montano, vice-presidente da Moody´s, em relatório.

A turbulência econômica e a maior volatilidade do mercado continuarão pesando nas perspectivas para o setor de gestão de ativos no Brasil, prevê a agência. Segundo ela, uma retomada não deve ocorrer antes do fim do ano. “Além disso, as consequências potenciais do coronavírus para o desemprego e atividade econômica pressionarão os ativos sob gestão dos fundos, especialmente no México, Peru, Chile e Colômbia”, diz o relatório divulgado pela Moody´s.

Na avaliação da agência, as gestoras de ativos mexicanas podem estar entre as mais impactadas pelo surto na região, considerando o fraco desempenho econômico em 2019 e as perspectivas ainda piores em 2020 para o país. Na Argentina, as perspectivas para a indústria de fundos continuam negativas, apesar de ter demonstrado notável resiliência à forte volatilidade nos mercados local e global, diz a Moody´s.

Persevera defende que BC zere, temporariamente, a taxa Selic

Gilherme AbbudEm carta aos investidores a gestora Persevera, comandada por Guilherme Abbud, defendeu que o Banco Central (BC) zere temporariamente a Selic como forma de criar estímulos à economia. “Certamente baixar juros não vai impedir a contração abrupta da atividade, muito menos ajudar no combate direto à pandemia”, escrevem os gestores. “Trata-se, porém de uma atitude necessária ainda que não suficiente para dar algum fôlego à economia”, diz a carta da gestora.

Na carta, os especialistas da asset reconhecem que a queda dos juros não é suficiente para sustentar a economia durante a crise do coronavirus, mas é “o ponto de partida indispensável, sobre o qual vêm todas as outras atitudes financeiras”. Os gestores da Persevera defendem também a utilização vigorosa das reservas cambiais – “não faz sentido não utilizar o seguro no meio da calamidade” – e uma atuação de “forma rápida e resoluta, única maneira eficiente em tempos de crise de confiança e empoçamento de liquidez”.

Na carta, os especialistas avaliam ainda que a autoridade monetária deve sinalizar aos agentes do mercado a total ausência de pressões inflacionárias, o que levará à manutenção da taxa de juros em patamares baixos por um longo período, de forma a reduzir a inclinação da curva de longo prazo.

“Acreditamos que o Banco Central já está no caminho de ter essa percepção e, quanto antes utilizar seu arsenal para cumprir a enorme responsabilidade que lhe recai sobre os ombros, mais contribuirá para evitar que a pandemia do coronavírus jogue o país em uma rota de estagnação crônica”, defende a Persevera. “Não há tempo a perder e não há munição a preservar. É hora de o Banco Central liderar o movimento, trazendo a taxa Selic temporariamente para zero, permitindo uma taxa nominal longa ao redor de 3% e, aí sim, uma taxa real de juros de longo prazo próxima a zero. Como no caso de Ben Bernanke em 2008 e Mario Draghi em 2012, é preciso “Coragem de Agir””.

Multimercados da Claritas ganham do CDI no acumulado do ano

Damont1Em um ano que ficará marcado na memória de todos pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia e na sociedade, com fortes ajustes nos preços dos ativos, os multimercados da gestora Claritas têm conseguido atravessar o conturbado período de forma relativamente tranquila.
O Claritas Institucional apresenta no acumulado do ano, até 24 de março, uma rentabilidade de 135% do CDI, sendo que, apenas no mês de março, o rendimento chega a 230% do benchmark. Já os fundos previdenciários da asset de baixa volatilidade sobem ainda mais, com retorno próximo a 200% do CDI no ano, e de quase 400% no mês. No mesmo intervalo, a queda do Ibovespa é próxima dos 40%.
“Desde que começamos a vislumbrar um cenário de atividade mais fraca globalmente, começamos a fazer proteções para nossos portfólios”, afirma Damont Carvalho, gestor da Claritas. Entre as apostas certeiras da casa, Carvalho aponta os ganhos advindos da queda dos juros americanos de longo prazo e das posições compradas em euro e iene contra o dólar. Ficar vendido no Ibovespa futuro foi outra estratégia que trouxe bons frutos para os fundos da asset nos últimos dias, assim como concentrar o foco em setores de menor volatilidade da bolsa, como em utilities.
No entanto, após trazerem ganhos expressivos às carteiras dos multimercados da Claritas, esses posicionamentos mais defensivos aos poucos começam a ser alterados. “Temos gradativamente buscado algumas oportunidades, como na bolsa e nos juros nominais no mercado local”, diz o especialista.
A forte queda nos preços das ações na Bovespa, assim como a perspectiva de novos cortes da Selic pelo Banco Central, faz com que a Claritas passe a adotar estratégias mais construtivas. “Além disso, mantemos, em magnitude menor do que nas últimas semanas, posições compradas no dólar contra moedas emergentes, como o real, o yuan chinês e o peso mexicano”.
Carvalho ressalta, contudo, que as incertezas no horizonte ainda são elevadas, o que exige cautela e acompanhamento diário das posições no mercado. Embora os preços de ativos de qualidade possam estar atraentes, o gestor da Claritas ressalta que o pico da pandemia ainda não chegou ao Brasil, o que fatalmente fará com que o nível da atividade local registre um tombo significativo – para o segundo trimestre do ano, a asset prevê uma queda anual de 9%, o que levará o PIB no ano a uma queda de 0,9% (no início do ano, a estimativa da gestora era de crescimento de 2,2%, que em fevereiro já tinha sido reduzida para 1,8%).
“Um ponto que conta a nosso favor é que o Brasil está atrasado no ciclo de disseminação da pandemia em relação a outros países”, afirma Carvalho. “Se os Estados Unidos ou outro país conseguir desenvolver uma medicação, por exemplo, poderemos importá-la e reduzir o impacto localmente”. 
 
 
 
 

André Esteves e Rogério Xavier cobram novas medidas do governo

andre estevesA SPX Capital prevê uma queda de 5% do PIB brasileiro em 2020 como reflexo da pandemia do coronavírus. Diante do quadro assustador que se desenha à frente, o sócio da SPX, Rogério Xavier e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, cobraram novas medidas do governo para tentar minimizar os impactos da paralisação na economia.

“O mundo está sofrendo um baque sem precedentes. No mês que vem faço 35 anos de mercado, e nunca vi nada parecido”, disse Xavier, durante uma live no YouTube promovida pelo BTG Pactual digital na quarta-feira (25). “Não por outro motivo temos visto os bancos centrais e governos através do Tesouro tomando medidas que não foram adotadas nem na crise de 2008”, afirmou o gestor. Xavier disse ainda que, apesar do Banco Central do Brasil (BCB) já ter anunciado algumas medidas, elas ainda são insuficientes e é preciso mais. “O Brasil ainda está alguns passos atrás em relação ao que o mundo está fazendo”, disse o gestor. “Por mais que tenham sido anunciadas medidas, elas me parecem ainda muito modestas pelo tamanho da crise que a gente vai passar pela frente”.

Esteves, que também participou da live, fez coro ao alerta feito por Xavier quanto à necessidade de novos estímulos, mas ressaltando a importância de essas medidas não causarem impacto fiscal para as contas públicas. “Temos um BC muito qualificado no Brasil, muito técnico, mas acho que a autoridade monetária ainda tem sido muito tímida em sua atuação”, afirmou Esteves. Segundo o fundador do BTG Pactual, o principal problema no cenário atual não é uma eventual falta de liquidez para o sistema financeiro, mas sim para que essa liquidez flua para a economia real, uma vez que os canais de transmissão estão interrompidos neste momento. “Infelizmente tivemos o sinistro, e é hora de usar o seguro”.

Tanto Esteves quanto Xavier também refutaram novas reduções da taxa Selic como solução para tentar resolver o problema. “Caso a taxa de juros seja reduzida novamente, haverá um aumento nos prêmios da curva de juros nos vértices mais dilatados, o que ocasionará em aumento nos spreads e encarecimento do crédito, fazendo com que o afrouxamento monetário acabe gerando um efeito contracionista na economia”, explicou Esteves, que disse ainda que o BC pode adotar medidas que destravem o crédito para o tomador final sem que seja necessário fazer subsídios ao sistema financeiro, que é saudável e não precisa de ajuda para fazer isso, segundo avaliação do próprio banqueiro. “Não é nem uma questão de originalidade, basta copiar medidas que têm sido adotadas nos Estados Unidos, na Europa ou mesmo em outros países da América Latina como o Chile”. O fundador do BTG Pactual também defendeu um aumento da intervenção do BC no câmbio, com um incremento nas vendas das reservas internacionais para conter a escalada do dólar.

Os dois experientes profissionais do mercado também demonstraram preocupação com as trocas previstas no comando da Câmara dos Deputados e do Senado a partir de 2021. “Apesar de saber que o Rodrigo Maia não é uma unanimidade, ele consegue ter uma organização da Câmara e acho que se trata de uma figura importante para o Brasil nesse momento, e não vamos poder contar com ele no ano que vem”, disse Xavier. “Se não tivermos uma união do governo em todos os níveis, federal, estadual, municipal, e na sociedade brasileira, a gente vai ter problema”, afirmou o gestor da SPX, que disse que o momento não é de procurar potenciais pechinchas no mercado, dada o nível de incerteza que ainda impera. Para ele, a prioridade agora deve ser tentar preservar o capital dos investidores.

“Como sociedade, temos que cobrar dos que elegemos uma atuação com bom senso e racionalidade, e em uma situação de extrema dificuldade e desafios, que atuem acima de tudo pelo bem da população e não por interesses próprios de uma futura eleição”, encerrou Esteves.

 

Mauá faz alterações no portfólio de ações como reflexo dos impactos do coronavírus

A gestora Mauá Capital promoveu algumas trocas de posições em seu fundo de ações diante das incertezas sobre o impacto da pandemia do coronavírus na economia. “Optamos por desafazer de posições em empresas que considerávamos bons investimentos, porém inseridas em setores que julgávamos ter maior dificuldade ou clareza quanto aos impactos do curto e médio prazo, e, portanto, sem uma boa relação de risco-retorno, como Gol, Via Varejo e Usiminas”, escreveram os gestores da asset, em carta aos investidores.

Ao mesmo tempo em que realizou os desinvestimentos, a gestora buscou reinvestir em empresas que julga ter um balanço sólido e resiliente, e portanto menos suscetíveis ao fluxo negativo de notícias do curto prazo. Entraram no radar da Mauá empresas com baixo grau de endividamento e/ou empresas que tivessem uma posição de caixa privilegiada. Depois de um longo tempo fora, a Vale voltou a entrar na carteira da asset. Apesar dos problemas ambientais e de sustentabilidade questionados pelos investidores estrangeiros, a companhia apresentou quedas significativas e já está negociando com múltiplo EV/EBITDA abaixo de 3,8x, apontam os profissionais da gestora. "Além disso, é uma companhia com grande exposição ao dólar e os dados mostram que o impacto do Covid-19 na China está diminuindo e a atividade econômica voltando aos poucos, portanto a demanda por minério de ferro deve retornar em breve". Na carta, os gestores dizem ainda que buscaram preservar as empresas que passaram por um processo de capitalização recente como é o caso de Magazine Luiza, Intermédica, Cogna, Eztec e Anima. Como forma de reduzir a volatilidade do portfólio, a gestora também reduziu suas posições em derivativos – como índices futuros e compras e vendas de opções de Ibovespa.

Equitas protege carteira e Brasil Capital mantém posições

Luiz Felipe AmaralEm momentos de extrema volatilidade e forte aumento da aversão ao risco dos investidores como nas últimas semanas, é uma reação comum dos gestores de renda variável aumentar o conservadorismo da carteira com um incremento nos níveis de caixa. A Equitas, por exemplo, que antes da eclosão da crise estava com a carteira quase 100% investida, chegou a ter cerca de 20% dos recursos em caixa, patamar que já recuou para aproximadamente 15%. “Uma das principais posições do fundo era na Petrobras, e acabamos zerando para fazer caixa”, afirmou Luis Felipe Amaral, durante uma live no YouTube na noite de terça-feira (24) promovida pelo BTG Pactual digital. “Normalmente nesse tipo de crise, os investidores acabam exagerando demais na avaliação do cenário e às vezes jogam os preços muito para baixo, o que acaba gerando oportunidades para voltarmos a comprar com preços interessantes”, complementou Amaral.

No entanto, a decisão de levantar a guarda em momentos incertos não é unânime entre os gestores. A estratégia mais defensiva não foi adotada na Brasil Capital. Segundo o CIO da asset, André Ribeiro, os recursos em caixa dos fundos da casa não ultrapassaram o patamar de 2% que já vigorava antes da eclosão da crise. “Ao analisarmos as empresas em nosso portfólio, verificamos que 2/3 são formados por empresas que prestam os serviços essenciais que não foram paralisados, portanto não terão uma queda tão brusca das receitas”, disse Ribeiro durante a live no YouTube. Transporte e logística, transmissão, distribuição e geração de energia, além do comércio eletrônico são os setores mais resilientes no portfólio da asset.

Já entre as empresas de caráter mais discricionário, e consequentemente mais suscetíveis à volatilidade do mercado, a equipe de gestão da Brasil Capital entendeu que, diante de quedas tão expressivas nos preços dos ativos nas últimas semanas, valia a pena seguir posicionado. Ribeiro ressalta, contudo, que a desvalorização expressiva da bolsa não significa necessariamente que há claras oportunidades de entrada. “Houve um recuo muito forte no preço das ações, mas as receitas das companhias também devem cair de maneira expressiva nos próximos meses”, disse o gestor. “Portanto, mesmo com toda a desvalorização do mercado, há papéis que estão negociando com múltiplos próximos aos que tinham antes da crise”.

Amaral, da Equitas, acredita que o momento apresenta oportunidades de entrada, citando a velha máxima do mercado de comprar na baixa e vender na alta. “A questão é que os momentos de baixa nunca são situações confortáveis”, afirmou o especialista. “Outra máxima do mercado é a de que o que é confortável raramente é rentável”, complementou. O gestor da Equitas disse também que enxergar a queda recente como uma janela para comprar ativos de boa qualidade com descontos generosos não significa que não pode haver novos dias de realizações agudas à frente. “Estamos no olho do furacão, sem conseguir traçar cenários para se apoiar e fazer posições de curto prazo”.

No acumulado de 2020, até 24 de março, o fundo da Equitas recua 42,3% e o da Brasil Capital, 42,9%, ante uma baixa de 39,7% do Ibovespa no mesmo intervalo.

Verde Asset reconhece erro ao subestimar impacto do coronavírus

Luis StulbergerA Verde Asset, do gestor Luis Stuhlberger, divulgou uma carta aos investidores na qual reconhece que cometeu um erro importante: “começamos a comprar muito cedo”. Há cerca de dez dias, a asset havia divulgado outra carta em que informou que estava adotando uma estratégia gradualista de aumentar as posições em ações do fundo aos poucos, focando no mercado acionário americano, por considerá-lo o mais resiliente e que deve se recuperar primeiro que os demais.

Já na carta desta sexta-feira (20), a gestora reconhece que subestimou alguns pontos importantes, como atribuir um peso relevante ao binômio temperatura/umidade, com base no número de casos baixíssimo de lugares como Tailândia, Cingapura e Indonésia. “Com isso acreditávamos que por volta de maio o número de casos ia retrair de maneira importante, e portanto, os mercados iam conseguir atravessar o período mais agudo de março-abril sem grande pânico”, escrevem os gestores da Verde, na carta.

Os gestores da Verde dizem também que a incerteza econômica trazida pelos seguidos lockdowns mundo afora faz com que o horizonte de investimentos de todos seja reduzido ao máximo. “Já vimos isso em 2008 e outras crises. Esta é a oportunidade”, destacam os profissionais da gestora. “Obviamente teremos impactos econômicos sérios. Mas para nós, a correção dos mercados mais do que reflete tais impactos”. Segundo os especialistas, há uma combinação de social distancing, tratamentos para o COVID-19 (seja anti-virais, antiinflamatórios, e eventualmente vacinas), com as medidas fiscais e monetárias já anunciadas, como uma ponte capaz de atravessar o período de volatilidade atual. “A China e a Coreia do Sul mostraram o caminho”.

Apesar de reconhecer o erro, a carta desta sexta da Verde informa que a gestora segue aumentado a exposição ao mercado acionário americano. “Vemos ali a melhor combinação de poder de fogo fiscal e monetário com lucratividade das empresas”. A gestora também mantém exposição a ações no Brasil e na curva de juros real, focado entre a parte intermediária e longa.

 

 

Quasar Asset vê oportunidades em bonds de cias latino-americanas

CarlosMaggioliDiante da aguda deterioração recente nos preços dos ativos como reflexo da pandemia do novo coronavírus, gestores de recursos começam a alertar os investidores sobre as oportunidades que têm surgido. A Quasar Asset, focada no mercado de crédito, enxerga nos bonds de companhias latino-americanas um nicho promissor para realizar bons negócios nos próximos dias. No início de fevereiro, a gestora liderada por Carlos Maggioli adquiriu a Galloway, asset com atuação centrada em estratégias de crédito ‘high yield’ em mercados emergentes.

“A qualidade do crédito no nosso portfólio continua boa, mas há muita volatilidade nos preços causada por fluxos de mercado e vendas forçadas por fundos indexados ou que sofreram saques que fazem pouco ou nenhum sentido do ponto de vista fundamentalista”, escrevem os gestores do fundo que investe em títulos privados globais da Quasar, em carta aos investiores. Por isso, prosseguem os especialistas, alguns nomes de melhor qualidade estão sofrendo demais, em linha com créditos mais fracos, fenômeno que eles enxergam como uma oportunidade. “Estamos começando a utilizar um pouco da posição em caixa do fundo para comprar esses bons nomes a grandes descontos que em alguns casos são maiores que 30% em relação aos seus preços do mês anterior”.

No documento, os profissionais da Quasar destacam ainda que, embora tenha ocorrido um forte ajuste de taxas nos spreads dos bonds, não há perdas no fundo a não ser em caso de default. Uma dívida que está sendo marcada a mercado a 70% ou 80% do seu valor de face, por exemplo, vai voltar a valer 100% quando for paga, explicam os gestores. “Assim, como nosso fundo possui principalmente papéis de duration médio e baixo, o retorno dos preços deve ocorrer logo”, preveem os especialistas.