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Indústria de fundos registra resgates líquidos no semestre

A indústria brasileira de fundos de investimento encerrou o primeiro semestre de 2020 com resgates líquidos de R$ 16,2 bilhões (diferença entre aplicações e resgates). De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a queda foi puxada, principalmente, pelos fundos de renda fixa, que apresentaram saídas líquidas de R$ 95,2 bilhões no período.
"Pela própria crise, uma parte dos resgates foi feita por investidores para honrar compromissos e obrigações. Investimentos em renda fixa são muitas vezes reserva de liquidez e essa categoria é a primeira a sofrer resgates desta natureza", explica Carlos José da Costa André, vice-presidente da Anbima.
Apesar da queda da indústria, os fundos de ações e multimercados se destacaram pela captação líquida positiva no período. Os primeiros encerraram o semestre com R$ 49,5 bilhões. O montante é 89% superior na comparação com a primeira metade de 2019. Além do desempenho positivo no período, a classe de ações não teve nenhuma saída líquida mensal nos últimos 21 meses, ou seja, desde dezembro de 2018. Os multimercados tiveram captação líquida positiva de R$ 30,9 bilhões, 22,61% a mais do que em igual período de 2019.
"Com patamar muito baixo de taxas de juros, os investidores percebem que a renda fixa tradicional é um porto seguro, mas entrega pouco retorno. Além disto, podemos destacar o trabalho educativo dos assessores das plataformas de distribuição e dos próprios bancos", afirma o dirigente.
O desempenho de 2020 se mostra superior na comparação com a crise do subprime, em 2008. Até o quarto mês da crise, os resgates líquidos em 2008 representaram 4,3% do patrimônio líquido pré-crise, enquanto em 2020 as saídas corresponderam a 2,1% do estoque pré-pandemia.
Sobre as perspectivas de retomada, o vice-presidente da Anbima destaca a melhora dos resultados ao longo dos meses. Junho, por exemplo, encerrou com captação líquida positiva de R$ 50,1 bilhões. Além disto, o dirigente chama atenção para a retomada das operações do mercado de capitais, que impactam positivamente o comportamento da indústria de fundos. "A perspectiva que enxergamos é um retorno ao ciclo anterior, com a captação se recuperando e boa representatividade das classes de ações e multimercados", assinala André.

Pegada de carbono da Fama é 7,3% do ICO2

Composto por ações de 11 empresas, o portfólio da Fama Investimentos supera, no quesito de preservação ambiental, o Índice de Carbono Eficiente (ICO2), que reúne as companhias abertas  mais comprometidas com a preservação do meio ambiente negociadas B3. Um relatório sobre pegada de carbono lançado pela própria gestora paulista afirma que as empresas presentes na sua carteira emitiram, em 2018, uma média de 7,6 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por milhão de reais investidos, contra 103,2 toneladas das empresas que compõem o ICO2. A emissão média da carteira da Fama representa cerca de 7,3% das emissões realizadas pelas empresas do ICO2 (ver abaixo).
Outro dado revelado pelo documento diz respeito às emissões líquidas das empresas investidas pela asset, que fecharam 2018 com uma absorção de 86,86 mil toneladas de CO2, graças sobretudo a projetos de reflorestamento da Duratex e Klabin. O relatório afirma que o portfólio da Fama neutralizou suas emissões, de 22 toneladas de CO2 em 2019, com a aquisição de créditos de carbono do Projeto REDD+Jari-Pará, que contribui para a conservação de 700 mil hectares da floresta amazônica.

Efeito estufa na bolsa - 2018

Portfólio Toneladas de CO2 por
R$ milhão investido
Portfólio da Fama                                 7,6
Índice de Sustentab. Empresarial (ISE)                             136,6
Índice de Carbono Eficiente (ICO2)                             103,2
Ibovespa                             231,8

Fonte: Fama Investimentos

Fundo da Finacap é classificado como Adequado por desempenho em 12 meses

O fundo de Finacap Mauritsstad FIA, da gestora Finacap, não foi incluído no Ranking dos Melhores Fundos para Institucionais, publicado na edição de março deste ano pela revista Investidor Institucional, por um erro operacional na tabulação das tabelas. O fundo cumpria todos os requisitos para participar do comparativo, entre eles o de ter investidores institucionais entre seus cotistas.
O Finacap Mauritsstad FIA deveria ter saído junto com outros 14 fundos de ações na classe Valor e Crescimento do comparativo. Com uma rentabilidade de 34,20% e uma volatilidade de 14,93 no período de 12 meses encerrado em 31 de dezembro de 2019, o fundo foi classificado como Adequado (sinal amarelo) por seu desempenho em 12 meses. Além disso, o fundo recebeu a classificação de Excelente (sinal verde) pelo desempenho em 24 meses e de Adequado (sinal amarelo) pelo desempenho em 36 meses, de acordo com os critérios de classificação utilizados pela revista e disponíveis na edição.

Crescem alocações em investimento no exterior

Levantamento feito pela consultoria Economática indica que os investimentos no exterior na indústria de fundos atingiram R$ 278,5 bilhões no mês de maio, o que representa 5,65% do total do patrimônio da indústria. Comparativamente, representa dois terços das alocações em renda variável, que representam 8,5% do patrimônio da indústria.
Em relação ao final de 2019, quando os investimentos no exterior representavam R$ 146,9 bilhões, o total de maio deste ano representa crescimento de 89,59%. Os cinco maiores gestores com investimento no exterior são os seguintes:
Itau-Unibanco, com R$ 59,91 bilhões no mês de maio. Em dezembro do ano passado a gestora alocava R$ 7,42 bilhões.
Canvas Capital, com R$ 33,69 bilhões, no mês de maio. Em dezembro do ano passado a gestora alocava R$ 1,36 bilhões.
A BW Gestão, com R$ 26,53 bilhões, no mês de maio. Em dezembro do ano passado a gestora alocava R$ 23,72 bilhões.
Santander, com R$ 23,78 bilhões, no mês de maio. Em dezembro do ano passado a gestora alocava R$ 500 milhões.
SPX, com R$ 14,04 bilhões, no mês de maio. Em dezembro do ano passado a gestora alocava R$ 11,86 bilhões.

Mudando de passo na hora certo | Perfin aproveitou a forte queda da bolsa, em março, para investir quase 30% da carteira de renda variável em ações de empresas sólidas

Em dezembro último, a Perfin Asset Management, especializada em fundos de ações e de participações, decidiu reforçar a liquidez de seus portfólios de renda variável, que hoje somam algo ao redor de R$ 900 milhões. A medida tomou por base projeções da equipe de analistas da casa de um movimento de realização de lucros no mercado acionário – à época com valorização acumulada no ano já próxima a 30% –, que criaria condições para a aquisição de papéis a preços vantajosos nos primeiros meses de 2020. “Elevamos o caixa para cerca de 30% do patrimônio dos fundos de ações, o dobro do padrão normal, e ficamos à espera do recuo das cotações. Aproveitamos, também, para realizar hedges de nossas carteiras, que superaram o Ibovespa em mais de sete pontos percentuais em 2019”, conta o sócio e gestor Alexandre Sabanai.
O ajuste de preços começou na segunda quinzena de fevereiro e ganhou intensidade nas semanas seguintes, com a crise gerada pela pandemia da Covid-19. Melhor para a Perfin, que só se lançou às compras no pregão da B3 em março, período em que o Ibovespa apresentou queda de 29,90%. “Entre a primeira e a segunda semanas de março, investimos 28% das nossas reservas de liquidez em ações”, diz Sabanai. “Com o mercado em pânico, aproveitamos ofertas maciças de papéis por parte, sobretudo, de investidores estrangeiros e fundos multimercados.”
As escolhas recaíram, em sua maioria, sobre ações com as quais a gestora já operava, casos de Natura, Totvs, Cesp, Alupar, B3 e, num segundo movimento, a partir de abril, Hypera Pharma. Uma das investidas mais ousadas foi o reforço da posição na Iguatemi, nome de destaque em um dos segmentos mais afetados pelo surto do novo coronavírus, o de shopping centers. A opção por uma ação que acumulou desvalorização de 31,75% entre 1º de janeiro e 17 de junho, explica Sabanai, foi baseada em critérios fundamentalistas de análise, seguidos à risca pela gestora.
“A Iguatemi, de fato, só deverá recuperar a rentabilidade em dois anos, mas, por outro lado, é de longe a melhor companhia do seu ramo de atuação, com baixos índices de alavancagem. Como compramos suas ações por preços reduzidos e pretendemos mantê-las por um longo período, acreditamos em retornos expressivos a partir de 2023”, argumenta ele.

As regulagens executadas nos long only Foresight e Foresight Institucional, carros-chefes de renda variável da casa, que perderam ao redor de 34% em março, surtiram efeito e permitiram retornos de 23,82% e 23,89% entre abril e maio. Embora ainda acusem retrações de 19,4% no período de janeiro e maio, os dois fundos praticamente zeraram suas perdas no acumulado de 12 meses. A gestora espera ampliar a participação dos investidores institucionais, que já respondem por aproximadamente 15% do patrimônio líquido, nesses fundos.
“A grande maioria dos fundos de pensão ainda permanece à espera de uma melhor definição dos cenários sanitário e econômico antes de se decidir por reforços em suas aplicações em renda variável”, comenta o gestor. “Acreditamos que isso só deverá ocorrer no último trimestre do ano.”
Outro segmento que ainda encontra bastante resistência do público institucional são os Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Baseado na boa aceitação do Apollo, Fip de R$ 1,5 bilhão que é ancorado em seis projetos de transmissão de energia elétrica distribuídos por cinco estados, a Perfin lançou entre o fim de 2017 e o início do ano passado dois novos Fips, o Ares 1 e o Ares 2. O primeiro é voltado à geração de energia eólica, enquanto o segundo, lançado em parceria com a Mori Energia, é lastreado em parques de geração de energia solar no norte de Minas Gerais. “Já a partir do último ano, com a melhoria da imagem dos FIPs junto ao mercado e a progressiva queda da Selic, fomos procurados por vários investidores institucionais interessados em fundos de participação, alguns dos quais até tiveram problemas no passado com essas aplicações no passado”, conta Sabanai.
“Até agora, não houve nada de concreto, mas acreditamos que é só questão de tempo. O apetite dos fundos de pensão por FIPs só tende a crescer em um cenário de juros em patamares muito baixos.” A Perfin tem R$ 3,5 bilhões sob gestão no segmento.

Fundações partem para FICs | Fundos de fundos são veículos mais adequados para as fundações que possuem uma estrutura de planos complexa e perfis de investimento

A utilização de fundos de investimento em cotas (FICs) para fazer a distribuição dos recursos de um mesmo investidor em diferentes estratégias, algo que até recentemente era bastante comum apenas no universo dos clientes private de bancos e nas family offices, está chegando com tudo aos institucionais. Os FICs, também chamado de Fofs na sigla em inglês (Funds of Funds), começa a ganhar um peso relevante nas assets que operam com os clientes institucionais. Na BNP Paribas Asset Management a área de FICs já representa R$ 5,6 bilhões, 17% a mais do que há 12 meses. “Grande parte desse crescimento veio dos fundos de pensão, o que é uma novidade para nós”, afirma o head da área de FICs da asset, Tiago Cesar. “Antes, quem dominava esse segmento eram os clientes dos fundos exclusivos dos private bank”.
Na opinião de Cesar, as fundações estão buscando através desses veículos a especialização do gestor em analisar diferentes fundos de investimento, de diferentes casas de gestão, para com eles montar um FIC que atenda uma determinada estratégia de investimentos da fundação. Para isso, além da análise dos fundos investidos o gestor do FIC deve oferecer ao contratante também serviços de due diligence nas assets investidas para conhecer suas equipes de gestão, seus controles, seus sistemas e seus processos de tomada de decisão, assim como analisar seus produtos de investimento. “Tem que ver se a casa tem, e como são, os seus planos de contingência, seu compliance, seus controles de risco e seus processos de investimento”, explica o executivo. “Depois que aprovamos a casa a gente passa a analisar os seus fundos, para ver o desempenho deles e se eles se encaixam na estratégia definida pela fundação”.

Segundo o diretor comercial, de produtos e relacionamentos da 4UM Investimentos, Luciano Magalhães, o uso de FICs é mais indicado para fundações com uma diversidade maior de estratégias, que tenham vários planos e abriguem diferentes perfis de investimento em cada plano. Na prática, cada um desses perfis acaba representando uma estratégia, com determinado apetite de risco, e a fundação aloca em cotas dos FICs exclusivos para atender a esses apetites. Por exemplo, para um perfil mais moderado de um plano BD a fundação pode comprar 95% de cotas do FIC de renda fixa, 4% do FIC de renda variável e 1% do FIC de investimentos no exterior. Já para um perfil mais arrojado de um plano CD compraria apenas 55% de cotas do FIC de renda fixa, 35% do FIC de renda variável, 5% do FIC de investimentos no exterior e 5% de um FIC imobiliário. Dessa forma, com três ou quatro FICs exclusivos a fundação conseguiria atender uma dezena ou mais de perfis de investimento. “Porisso essa estrutura funciona melhor para fundações com maior complexidade de estratégias, com mais planos e mais perfis. Para fundações com um plano só, por exemplo, não vale a pena”, explica Magalhães.
De acordo com Cesar, os FICs podem ser exclusivos ou de prateira. “Tem fundação que prefere ter os FICs com sua própria estratégia, mas tem aquelas que preferem comprar FICs de prateira”, diz. Segundo ele, a BNP Paribas está participando atualmente de sete processos de seleção de FICs, incluindo produtos exclusivos e de prateleira. “É uma área que tende a crescer bastante daqui para a frente”, avalia. Na opinião de Magalhães, esse apetite por FICs explica-se pela queda dos juros e pela redução dos títulos públicos nas carteiras das fundações, que estão buscando mais risco com o objetivo de bater a meta atuarial. “As estruturas dos FICs abrigam melhor essa diversificação de risco e facilitam também o operacional das fundações”, afirma. “Temos algumas fundações que já nos contrataram e estamos participando de várias concorrências para montar FICs, mas prefiro não falar em números”.
Na percepção do diretor da Aditus Consultoria, Guilherme Benites, o crescimento ocorre principalmente em dois casos. No primeiro, estão as fundações que precisam montar uma estratégia em classes de investimento muito novas ou que requeiram algum conhecimento específico, como por exemplo investimentos no exterior ou investimentos imobiliários. É um caso em que é difícil a fundação contar com pessoal interno especializado nesses segmentos, então é melhor contratar um gestor externo para montar um FIC que aloque nos melhores fundos do segmento. No segundo caso, estão as fundações que possuem planos abrigando perfis de investimento com diferentes níveis de risco. Nesse caso, é complicado para a fundação ficar fazendo constantes rebalanceamentos dos planos, seja por conjunturas do mercado ou porque as pessoas mudam de perfil, então preferem montar estruturas de FICs dos quais compram cotas para poder mais facilmente adequar os perfis. “Mas isso pode ser feito tanto através de fundos quanto de carteiras, o fundo obviamente é mais transparente, no final do dia está lá na CVM, além de também adicionar o conhecimento do gestor, por isso é mais caro”, explica. “Mas também funciona muito bem através de carteiras administradas”, diz.

Outra vantagem dos FICs, apontada pela Fipecq, o fundo de pensão dos funcionários da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e outros três institutos federais de pesquisa (Inpe, Ipea e Inpa), é que permitem o rebate de parte das taxas de distribuição para a própria fundação. A Fipecq, em março deste ano, transformou uma carteira própria de R$ 200 milhões num FIC Multimercado exclusivo, sob a gestão da i9 Capital, braço de gestão da consultoria i9. Registrado como Bússola, o fundo vai devolver à fundação parte das taxas de distribuição, num volume que deve chegar a R$ 300 mil no ano. “Já dá para pagar os custos da consultoria”, diz o diretor de investimentos da Fipecq, Claudinei Rolim Perez.
A decisão de transformar a carteira própria em um FIC exclusivo foi tomada no final do ano passado pelo conselho deliberativo da entidade, após constatar que a mesma estava rendendo menos do que os índices dos mercados de ações e renda fixa que perseguia. Segundo Perez, a explicação para essa insuficiência estava na limitada capacidade da equipe da fundação, composta por ele e outras três pessoas, de acompanhar a evolução de diferentes mercados. “Optamos por contratar um gestor terceirizado, que naturalmente já acompanha os mercados, e passamos a cobrar apenas os resultados”.
O FIC é usado principalmente para a estratégia de investimentos do plano CD da fundação, que representa não mais do que 5% dos seus recursos garantidores, e muito pouco para a estratégia do plano BD, que tem os 95% restantes. Do total de recursos do FIC, 65% estão alocados em fundos de ações, 25% em multimercados e 10% em renda fixa. Ele possui um comitê formado por três pessoas, sendo duas da Fipecq com poder de decisão e uma da i9 com poder de veto.
A performance do FIC não foi boa no mês da sua criação, com os fundos investidos apresentando desempenho inferior aos índices que perseguem, mas esse quadro mudou a partir de abril quando os fundos investidos passaram a superar seus benchmarks. De um patrimônio de R$ 200 milhões em março, o Bussola saltou para R$ 250 milhões no final de maio, após pegar a alta do mercado de ações em abril e maio. A Fipecq tem um patrimônio total de R$ 1,57 bilhão, sendo que desse total apenas 5% pertencem ao plano de Contribuição Definida e os 95% restantes pertencem ao plano de Benefício Definido. Segundo Perez, 75% dos recursos do BD estão aplicados em NTNBs casadas com os seus passivos atuariais.

Outra fundação que já usa e está ampliando o uso de FICs para sua estratégia de alocação é a Libertas, patrocinada por estatais ligadas ao governo de Minas Gerais. A fundação já tem um FICs em funcionamento, criado no final de 2018 para operar a estratégia de renda variável, e está criando mais dois para operar estratégias de renda fixa e de multimercados. Os gestores já foram escolhidos, mas o diretor de investimentos da fundação, Rodrigo Barata, prefere não divulgar o nome. Segundo ele, isso evita constrangimentos com as assets que foram preteridas.
De um patrimônio total de R$ 3,6 bilhões, cerca de R$ 330 milhões estão aplicados no FIC de renda variável, que no acumulado deste ano, até abril, apresentava rentabilidade negativa de 22%. “Mas ele perdeu menos do que o Ibovespa, que no mesmo período acumulava uma queda de 30,31%”, pondera Barata. Segundo ele, a casa tem cerca de R$ 2,8 bilhões aplicados em renda fixa, incluindo um fundo de caixa para atender suas necessidades de curto prazo e um fundo ALM (casando seus ativos com suas necessidades atuariais) para atender suas necessidades de médio e longo prazo. Insatisfeita com os resultados desse último, a fundação pretende migrar parte dele para dois novos FICs, um de renda fixa tradicional e outro multimercado. Também está previsto um novo FIC para investimentos no exterior.
A data dessas mudanças ainda não está definida, assim como a divisão dos valores, ou seja, qual o tamanho de cada fundo. O que está claro, segundo Barata, é a estratégia da fundação de ampliar o uso de FICs em detrimento dos fundos tradicionais. “Em primeiro lugar por causa da diversificação, por somarem num mesmo veículo várias estratégias e diferentes gestores especializados, e em segundo lugar por assumirem as atividades de duo-dilligence tanto sobre os fundos investidos como sobre as equipes de gestão”, explica. “Isso, por si só, dá mais tranquilidade em termos de governança”.

Outra fundação que passará a contar com uma estrutura de FIC é a Previsc, fundo de pensão multipatrocinado ligado à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), que está selecionando um gestor de fundo imobiliário para montar um FIC exclusivo. O fundo, na verdade um multimercado que vai operar apenas com a estratégia imobiliária, terá um patrimônio inicial de R$ 60 milhões, servindo para iniciar a fundação nesse segmento. “Com a queda de juros, decidimos que o mercado imobiliário deve fazer parte do nosso portfólio e optamos por investir via fundo de fundos”, explica o diretor de investimentos da fundação, Ricardo Esch.
Com um patrimônio de R$ 1,4 bilhão, a fundação já utiliza uma estrutura similar para outras áreas de investimentos, através de carteiras administradas. São cinco carteiras exclusivas, sendo três de multimercados 4.661 e duas de crédito privado. Além disso, investe em três fundos de investimento no exterior, dos quais dois aplicam diretamente em equity e o terceiro aloca em outros fundos.

XP contrata profissional para área de investimentos ESG

A XP Inc. contratou Marina Cançado como head de Sustainable Wealth na XP Private. A especialista trabalhará na expansão dos serviços de Wealth Planning, abordando os temas de ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês). Marina faz parte do conselho consultivo do Global Reporting Initiative e também é membro da rede The ImPact, que reúne famílias que querem fazer investimentos ESG.
"Estou muito animada de liderar essa frente dentro da XP e poder contribuir ainda mais com a expansão de investimentos ESG e de impacto no Brasil. A ideia de que por meio da gestão de patrimônio é possível não só gerar retorno financeiro mas também impacto positivo ainda é nova no Brasil e os esforços que a XP vem fazendo são fundamentais para que essa forma de investir avance no país", afirma Marina.

Fundos têm captação líquida de R$ 34,5 bilhões entre 1º e 19 de junho

Os fundos de investimento registraram captação líquida positiva de R$ 34,5 bilhões entre os dias 1º e 19 de junho, de acordo com os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O resultado é a diferença entre R$ 420,9 bilhões de aplicações e R$ 386,4 bilhões de resgates no período.
Os multimercados tiveram o melhor desempenho, com R$ 9,9 bilhões de captação líquida positiva entre 15 e 19 de junho. No entanto, o movimento foi concentrado em aporte de um único fundo de R$ 5,6 bilhões. Na sequência, aparecem os fundos de previdência com R$ 1,2 bilhão de entrada líquida, seguido dos FIDC (R$ 662,6 milhões), ETF (R$ 190,9 milhões), FIP (R$ 109,8 milhões) e cambial (R$ 41,9 milhões).
Os fundos de renda fixa tiveram resgates líquidos de R$ 2,4 bilhões, mas com retirada concentrada em um único fundo. Apesar do Ibovespa fechar a semana passada com alta de 4%, a categoria de ações teve retiradas líquidas de R$ 283,9 milhões.

Ano - Até 19 de junho, a indústria de fundos acumula no ano resgates de R$ 33,1 bilhões, o que representa menos de 1% de todo patrimônio líquido. A classe de ações merece destaque, com captação líquida positiva de R$ 48,5 bilhões no período

BTG Pactual torna-se membro da Global Impact Investing Network

O BTG Pactual se tornou esta semana membro da Global Impact Investing Network (GIIN), organização sem fins lucrativos que se dedica a promover investimentos de impacto no mundo. A adesão do BTG, o primeiro banco brasileiro a aderir ao grupo, se soma a outros nomes da indústria financeira global, como Prudential, BNY Mellon, Citi e JP Morgan, além de várias importantes fundraising como as fundações Ford e Rockfeller.
O banco, que recentemente criou uma área dedicada ao assunto, aprofunda Com essa nova associação o compromisso de engajamento no setor, oferecendo oportunidades de realizar impacto social e ambiental com retorno financeiro.
"Juntando-se a mais de 300 membros da GIIN de muitos países diferentes, visamos apoiar o desenvolvimento dessa rede e colaborar para sua expansão. Estamos avançando em nossa missão de nos tornar um centro para os investidores globais promoverem iniciativas de investimento de impacto na América Latina", diz Mariana Oiticica, sócia responsável pela área de Investimento de Impacto do BTG Pactual.

Acordo permite ao Credit Suisse comprar até 35% do modalmais

Philipp WehleO grupo Credit Suisse e o banco digital modalmais assinaram um acordo estabelecendo que o primeiro poderá adquirir ações preferenciais equivalentes a até 35% de participação no capital total do segundo. O modalmais continuará a ser controlado pelo seu fundador, Diniz Ferreira Baptista, e por seus principais executivos, incluindo os co-CEOs, Cristiano Ayres e Eduardo Centola.
Segundo o CEO da divisão de International Wealth Management do Credit Suisse, Philipp Wehle, "este anúncio reforça nosso forte comprometimento com nossos clientes brasileiros e nossa ambição de crescimento neste mercado prioritário. Esta transação nos possibilitará melhorar a maneira como servimos nossos clientes digitalmente, enquanto ganhamos acesso a segmentos adicionais de clientes em um ambiente com altas taxas de crescimento".
Para Diniz Ferreira Baptista, sócio fundador do modalmais, "o acordo com o Credit Suisse é a maior chancela que o modalmais poderia alcançar neste ponto de sua trajetória. É uma honra estar associado a uma instituição que se confunde com a própria história do mercado financeiro global. O modalmais está preparado para atingir patamares ainda mais elevados de crescimento no curto prazo. E o que é mais importante: a plataforma terá muito mais a oferecer à sua base crescente de clientes com a experiência e sofisticação do Credit Suisse".
Segundo nota divulgada pelos dois grupos, os dois bancos têm operações complementares. O Credit Suisse é um dos maiores gestores de fortunas do mundo com excelentes capacidades de banco de investimentos, enquanto o modalmais é um banco digital com uma plataforma de investimentos ágil e moderna.
O Credit Suisse e o modalmais estão trabalhando em conjunto para explorar as sinergias entre seus produtos e serviços de investimentos. Dentre as possibilidades a serem avaliadas estão:
• A distribuição, para a base de quase 1 milhão de clientes do modalmais, dos produtos do Credit Suisse, tais como notas estruturadas, fundos, operações de crédito, ofertas de ações, dentre outros.
• O acesso, pelo Credit Suisse, à tecnologia de ponta da plataforma digital modalmais e a todas as funcionalidades e possiblidades de investimentos que um banco digital completo como o modalmais pode oferecer para atender ainda melhor a seus clientes.