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Fundos de pensão imunizam as carteiras

Edição 347

Esta edição tem como reportagem de capa a mudança de comando na Garde, gestora criada há nove anos por um grupo de executivos oriundos do BNP Paribas, alguns dos quais já vinham trabalhando juntos desde a época do CCF, instituição cuja operação local foi comprada pelo HSBC, depois comprado pelo Bradesco. Assim os anos vão se somando e as instituições vão ficando na história, enquanto novas vão surgindo. Mas o fato é que do BNP Paribas saíram os executivos que criaram a Garde, entre eles Marcelo Giufrida e Carlos Calabresi, com o primeiro assumindo a posição de CEO e o segundo a posição de CIO.
A Garde, uma casa com forte atuação em multimercados e que vinha entregando ótimos resultados aos cotistas numa conjuntura de juros altos, foi pega no contrapé quando as taxas de juros começaram a cair a partir de 2019 e nessa nova conjuntura perdeu cotistas e volume sob gestão. A asset chegou a ter mais de 15 mil cotistas e acima de R$ 8,5 bilhões sob gestão em 2018, descendo para 2,5 mil cotistas e R$ 3,9 milhões sob gestão hoje. Os motivos, assim como as explicações para a mudança no comando da asset, estão na reportagem da página 30.
Também nesta edição trazemos algumas reportagens mostrando o que estão fazendo os fundos de pensão e as gestoras de recursos na atual conjuntura de juros altos, elevados a 13,25% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). As casas de gestão estão reforçando suas estruturas, times e produtos ligados às estratégias de renda fixa, desde aquelas atreladas à inflação até os fundos de crédito. Os fundos de pensão, que sentiram na pele o que é uma conjuntura de juros reais de 2% ou menos, estão garimpando títulos públicos que pagam acima do atuarial para colocar nas carteiras e “imunizar” o passivo, para usar esse neologismo muito em moda atualmente. Também estão buscando bons fundos de crédito, pagando acima do atuarial. E reduzindo a exposição a risco.
Historicamente, um ano eleitoral sempre reserva uma dose extra de incertezas no cenário econômico, impondo aos investidores a necessidade de ações capazes de compensar os riscos. No Brasil de 2022, com a disputa pela cadeira de presidente da República à frente, os investidores estão reduzindo riscos e abastecendo as carteiras de renda fixa. Há ainda uma série de boas histórias nessa edição. Boa leitura a todos.