Novas estratégias na Libertas
A Fundação Libertas inicia processo de seleção de gestores e discute com Conselho ampliação dos limites para investimentos de risco

Sob novo comando, desde janeiro, a Fundação Libertas, fundo de pensão das principais companhias estatais de Minas Gerais, traça planos e já toma providências para se ajustar ao cenário ditado pela taxa Selic no menor patamar da história. Liderada por Lucas Ferraz Nóbrega, que deixou a Previbayer em setembro último, e com a área de investimentos a cargo do também recém-chegado Rodrigo Eustáquio Barbosa Barata, a diretoria tem como uma de suas prioridades diversificar a carteira da entidade, que em dezembro apresentava concentração de 80,67% em renda fixa.
“Nós e todo o sistema fechado de previdência complementar teremos de buscar opções de aplicações e correr mais riscos para fazer frente ao paradigma de taxas de juros cada vez menores e expectativas de vida cada vez mais longas”, comenta Barata, que respondeu pela condução dos investimentos da Forluz entre 2012 e 2018. “Estamos debatendo com o conselho deliberativo da Libertas propostas de aumento da exposição em ações, hoje ao redor de 7%, e em crédito privado, além de mais espaço para fundos multimercados e de investimentos no exterior.”
Até que as conversações com os conselheiros resultem, de fato, em novas diretrizes para as aplicações, o executivo planeja se valer dos limites estabelecidos pela atual política de investimentos. O documento estabelece tetos de cerca de 15% dos recursos garantidores para renda variável, 5% para multimercados e outros 5% para ativos internacionais.
“Dispomos, portanto, de um cheque em branco que corresponde a quase 20% do patrimônio líquido da fundação e pretendemos, claro, utilizá-lo”, diz Barata. “Nossa intenção é surfar nas fortes ondas que serão geradas no mercado de ações com a aprovação da agenda de reformas estruturais em curso no Brasil. Não dá mais para ficar sentado sobre a renda fixa.” As declarações de Barata foram feitas antes da semana negra de 9 a 13 de março, quando as bolsas caíram abaixo dos 80 mil pontos.
Para oxigenar o portfólio, que somava R$ 3,45 bilhões em dezembro, a entidade deu início, recentemente, à seleção de novos gestores externos. O projeto, conduzido com o apoio de uma consultoria, deve incluir a criação de dois a três fundos exclusivos de renda variável e multimercados.
“Queremos fundos com gestão ativa, pois passiva podemos fazer por aqui mesmo. Os veículos terão de oferecer ganhos em relação à variação do Ibovespa”, observa Barata. “Assim que o consultor indicar os gestores vamos chamá-los para conversar. Pretendemos agir rapidamente e concluir o processo no prazo máximo de dois meses, para não desperdiçarmos boas oportunidades.”

Além de aumentar a agressividade de seu potfólio, a Libertas também prepara a constituição de perfis de investimentos, produtos com os quais Barata e Nóbrega lidaram intensamente durante as suas passagens pela Forluz e a Previbayer. A novidade deve ser oferecida aos 16.431 participantes ativos da entidade.
“A proposta deve ser apresentada ao conselho deliberativo até o fim do ano, com implantação prevista para 2021”, diz Barata, que planeja, em paralelo, um forte trabalho de educação financeira e previdenciária para os participantes, pouco ou nada familiarizados com conceitos como renda fixa ativa e investimentos no exterior. “A experiência mostra que, por mais que você informe, grande parte dos participantes sempre troca de perfil na hora errada. Basta sair na imprensa que a bolsa subiu para um grande número deles migrar para perfis de maior risco.”
No front externo, um público-alvo já definido são Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) dos municípios mineiros. A estratégia é atender à demanda dessas entidades por planos de previdência complementar fechada, cuja oferta a servidores com vencimentos acima do teto da Previdência Social tornou-se obrigatória com a Emenda Constitucional 103, de novembro do último ano. “Como já somos, de fato, uma entidade multipatrocinada e multi-instituída, não teremos dificuldades para plugar novos patrocinadores”, diz Nóbrega. “A partir do próximo ano, pretendemos disputar o mercado estadual de planos fechados para RPPS com a Prevcom-MG.”