CuritibaPrev quer os sem teto
Em busca dos servidores que recebem abaixo do teto do INSS, EFPC paranaense quer triplicar base de 1,1 mil segurados até junho

A maior parte dos recém criados fundos de pensão voltados aos servidores públicos, como reflexo da reforma da Previdência, tem no radar de potenciais segurados aqueles que recebem acima do teto do INSS. Não é o caso da Fundação de Previdência Complementar de Curitiba, a CuritibaPrev. Ela, naturalmente, vai atender esses servidores mais bem aquinhoados, mas ao contrário de seus pares a EFPC também quer conquistar funcionários públicos com salário inferior aos R$ 6.101, oferecendo a eles o benefício da contrapartida financeira do ente federativo. “Em termos absolutos, são poucos os servidores que recebem acima do teto do INSS”, diz José Rauen, presidente da CuritibaPrev. “ Por uma questão de justiça social, não queremos nos limitar a atender apenas a elite do funcionalismo público”, afirma o dirigente.
Com pouco mais de um ano de existência, tendo iniciado as atividades em 1° de outubro de 2018, a fundação tem cerca de 1,1 mil participantes e aproximadamente R$ 2 milhões de patrimônio, sendo a única criada por um município brasileiro. Segundo Rauen, a atual base de beneficiários é composta majoritariamente por servidores com rendimento inferior ao teto do INSS.
Pelo escopo de atuação mais amplo que o de outras entidades similares, as projeções para o crescimento da CuritibaPrev são ambiciosas. “No ano passado, nossas estimativas indicavam que teríamos 3,5 mil participantes e R$ 5 milhões de patrimônio até dezembro deste ano”, afirma Rauen. “No entanto, essas marcas devem ser ultrapassadas ainda no primeiro semestre. Teremos de refazer os cálculos”, diz o dirigente.

A expectativa de aumento expressivo no número de segurados não deriva apenas dos novos servidores que devem tomar posse em cargos na capital paranaense nos próximos meses. A fundação também prevê a criação de planos regionais voltados aos municípios paranaenses e de todo o Brasil, e também a estados interessados em ter seu plano de benefício previdenciário administrado por um terceiro.
“Estamos em negociações para que o Estado do Paraná tenha seu plano junto ao CuritibaPrev”, afirma Rauen. “O martelo ainda não foi batido, mas as conversas estão em estágio bastante avançado”. E em visitas aos municípios, o dirigente tem gastado bastante a sola do sapato – em 2019, ele já visitou 88 cidades para oferecer os serviços do fundo de pensão, e agora começa a colher os primeiros frutos. Um protocolo de intenções foi firmado no início de 2020 com o município de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, para ter seu plano com o fundo de pensão. “Inclusive, avaliamos alterar o nome da entidade, já que podem existir estados e municípios que gostariam de ter um plano conosco mas não querem se vincular a um fundo de pensão com o nome de outra cidade”, diz o dirigente.
Haverá dois modelos de planos regionais na prateleira da CuritibaPrev – um para os que quiserem oferecer a previdência complementar apenas para os servidores que recebem acima do teto do INSS; e outro para os que, assim como a capital do Paraná, também terão o benefício para os que recebem abaixo do limite.

Além dos estados e municípios, a CuritibaPrev também irá estruturar um plano, já aprovado pela Previc, para abrigar os antigos servidores da capital paranaense que estão no RPPS da região, o IPMC, do qual Rauen foi o presidente antes de assumir o atual posto na EFPC. Segundo o dirigente, as projeções apontam para um potencial de 15 mil participantes neste plano, o que corresponde a cerca da metade do total de segurados do instituto de previdência municipal.
O fundo de pensão prepara ainda dois novos planos, um para os familiares dos participantes da CuritibaPrev e outro, também voltado para parentes, mas que terá como instituidor a associação dos aposentados e pensionistas do município. Pelas contas do presidente da entidade, o plano que terá a associação como instituidora tem um potencial de trazer 18 mil participantes à fundação. “Temos a expectativa de nos tornar em alguns anos o maior fundo de pensão da região sul do país”, afirma Rauen.