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Fapes quer mais fundos no exterior
A entidade elevou suas aplicações no exterior ao limite permitido pela regulamentação e colheu retorno de cerca de 30% no primeiro semestre

Com uma participação que chegou a ser de 14% do seu patrimônio líquido alocado no exterior em abril, o fundo de pensão dos funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Fapes) vem acompanhamento atentamente o debate sobre a revisão da Resolução 4.661, especialmente em relação à perspectiva de elevação do limite de aplicação no exterior dos atuais 10% para algo na faixa de 15% a 20% dos recursos garantidores.
“Por volta de abril, o segmento externo chegou a responder por cerca de 14% do nosso patrimônio líquido, já que os mercados internacionais reagiram de forma muito mais rápida e intensa à forte desvalorização dos ativos ocorrida em março, devido à pandemia da Covid-19. Tivemos de efetuar resgates parciais dessas aplicações para corrigir o desenquadramento passivo e retornar ao limite de 10%”, comenta o diretor de investimentos André Soares Loureiro.
A aposta firme além-fronteiras foi traçada no fim do último ano, durante a elaboração da política de investimentos para o atual exercício. Além de resolver quadruplicar suas alocações em fundos de investimento no exterior, que correspondiam a 2,5% da carteira consolidada em dezembro último, a Fapes decidiu mudar o seu modus operandi na área. Em janeiro, transferiu os cerca de R$ 366 milhões alocados em três fundos abertos da BB DTVM – BB BlackRock, BB Nordea e BB Global Select –, responsáveis por um retorno médio de 28,25% em 2019, para multimercados exclusivos pilotados por três grandes assets estrangeiras, Schroders, Legg Mason e Aberdeen, que receberam aportes adicionais de R$ 1,1 bilhão. “O processo de seleção levou em conta, além do porte e da expertise dos gestores, a prestação de serviços de orientação e análise”, diz Loureiro.
Ancoradas em cotas de diversos fundos, as três estratégias, que não contam com mecanismos de hedge cambial, têm características distintas. O produto pilotado pela Schroders mantém em sua carteira cotas de fundos de renda variável de vários gestores, incluindo a própria Schroders, ao passo que o da Legg Mason também aloca em fundos de terceiros e sua maior concentração é em renda fixa. Já o da Aberdeen tem como proposta realizar alocações em diferentes países, regiões do globo e classes de ativos. “Os três apresentam características muito semelhantes às de fundos de retorno absoluto. Compram e vendem posições tendo por meta a geração de alfa”, observa o executivo.
O objetivo principal do trio foi alcançado com sobras durante o turbulento primeiro semestre de 2020 com um ganho por volta de 30%, que contribuiu para a redução da perda do portfólio consolidado da entidade para 5% no período. Os fundos conduzidos pela Aberdeen e Legg Mason chegaram a apresentar retornos levemente negativos em março, logo após a eclosão da crise causada pela pandemia da Covid-19, mas se recuperaram rapidamente, tendo fechado aquele mês com ganhos na faixa de 8,4% e 12,7% e alcançado, no encerramento da primeira metade do exercício, índices positivos entre 23,4% e 26,45%. Mais expressivo ainda foi o desempenho do produto da Schroders, que funcionou no azul desde o seu lançamento, na primeira dezena de janeiro, e alcançou rentabilidade de 33,56% nos primeiros seis meses do ano.
“A maior exposição ao mercado externo e, também, ao câmbio surtiram efeitos positivos em nossa estratégia de diversificação de aplicações”, assinala Loureiro, que aguarda novas deliberações do CMN sobre o teto de investimentos externos para fundos de pensão. “Se o limite for elevado e identificarmos boas chances no exterior, haverá perspectivas de crescimento dessa carteira.”

Na carteira de renda variável doméstica, o retorno de 34,74% em 2019 contribuiu decisivamente para o crescimento de 21,27% do portfólio consolidado no último ano, o maior apurado desde 2012. A Fapes segue gerenciando internamente algo em torno de R$ 2,5 bilhões em ações, mas tem efetuado alterações no time encarregado da gestão terceirizada. Em março, resgatou de dois fundos abertos geridos pela XP e JGP, de dois exclusivos conduzidos pela ARX e a AZ Quest, a aplicou em dois fundos abertos da Vinci Partners e Leblon Equity, além de um exclusivo pilotado pela Moat Capital. A medida ainda está longe de render frutos capazes de reverter as perdas acumuladas no mercado acionário, que em maio correspondiam a 29,1%, mas é avaliada de forma positiva pelo fundo de pensão. “Desde a troca, o desempenho da carteira terceirizada tem superado a variação do Ibovespa”, assinala o diretor de investimentos.
Em razão da crise causada pelo novo coronavírus, a entidade elevou seu caixa. As aplicações em fundos de altíssima liquidez saltaram de 5,16%, em dezembro, para 12% hoje, crescimento que contou com recursos resgatados de aplicações em fundos externos.