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Home office ganha espaço
Fundação Libertas, de Minas Gerais, define home office como regra e manterá apenas 25% da equipe em trabalho presencial

Implantado às pressas e em caráter emergencial a partir de março, devido à pandemia da Covid-19, o trabalho remoto passou a ser adotado em caráter permanente por algumas entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs). Primeiro foi a Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, que há dois meses anunciou que passará a operar, a partir de dezembro, com 40% de sua equipe em home office durante alguns dias da semana. No mês passado foi a Fundação Libertas, patrocinada por cinco estatais mineiras, que anunciou um plano mais radical de manter apenas 25% de sua equipe, formada por 106 funcionários e 16 estagiários, em trabalho presencial. “A única exceção será a equipe voltada ao atendimento de participantes e assistidos dos planos. Excepcionalmente, poderemos realizar breves reuniões físicas com um número maior de profissionais”, diz o presidente Lucas Ferraz Nóbrega.
A decisão resultará num drástico enxugamento da infraestrutura utilizada. A entidade pretende abrir mão de grande parte da área que ocupa em três pavimentos de um prédio próprio no centro de Belo Horizonte, o Condomínio Fundação Libertas (que representava 5,1% da sua carteira imobiliária em dezembro passado). “Vamos vender ou alugar os espaços que deixaremos de ocupar”, diz Nóbrega.
A desocupação da sede, por sinal, poderá ser completa. No momento, a fundação avalia duas hipóteses: a utilização de uma área menor do espaçol ou a mudança para um novo endereço. O martelo será batido após a análise das despesas previstas para a adaptação de parte da base atual ao conceito de escritório aberto, que consiste, basicamente, em estações de trabalho de uso comum. “É bem provável que optemos, em razão de custos, pela locação de espaços em escritórios de coworking. Já estamos, inclusive, realizando prospecções em Belo Horizonte”, revela o presidente. “A intenção é utilizar cerca de 30 estações de trabalho.”
Exceto pelos encarregados do atendimento, que retomaram às suas rotinas presenciais e estão operando mediante agendamento prévio por parte de participantes e assistidos, o restante da equipe segue trabalhando de forma remota. Mesmo à distância, o departamento de recursos humanos (RH) da entidade vem se desdobrando para garantir a manutenção da produtividade e do bem-estar dos quadros da casa: depois de providenciar gratuitamente suportes de notebooks, mouses e cadeiras ergonômicas para os funcionários, a área acaba de colocar em prática o programa Saúde em Casa.
“A iniciativa prevê, entre outras ações, palestras sobre hábitos saudáveis, sessões de ginástica laboral e até consultas online com uma nutricionista”, explica a gerente de RH e administração Aline Parreiras. “Também providenciamos treinamentos para os ocupantes de cargos de chefias, para que eles possam lidar da melhor maneira com suas equipes por meio de canais eletrônicos.”

O acompanhamento da motivação dos funcionários vêm merecendo igual atenção por parte da Previsc, fundo de pensão multipatrocinado ligado à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Além de reuniões semanais para checar a motivação, a entidade se vale de um aplicativo na intranet que permite checar o humor dos usuários e monitorar eventuais problemas particulares relatados por eles. “Cerca de 10% da equipe mereceu uma assistência maior ”, diz a gerente administrativa Gitana Jamie da Costa. “A performance geral, entretanto, foi muito positiva – especialmente em relação à redução de prazos de entrega de tarefas.”
Depois de seis meses de isolamento, os 43 funcionários voltaram, a partir do fim de setembro, a frequentar a sede da Previsc, em Florianópolis. A nova rotina, que hoje prevê apenas uma jornada presencial por semana, tende a ganhar escala assim que os riscos de contágios pelo novo coronavírus sejam eliminados ou, pelo menos, sensivelmente reduzidos. “De 80% a 90% da equipe reúne condições de trabalhar em home office”, assinala Gitana. “Antes de expandirmos a prática, contudo, precisamos equacionar algumas carências em tecnologia e realizar alguns ajustes de natureza trabalhista, em sintonia com o sindicato dos funcionários.”
Alguns regimes próprios de previdência social (RPPSs) também passam a encarar o trabalho remoto como uma nova realidade. É o caso do Reciprev, da capital pernambucana, que já conta, inclusive, com uma politica formal a respeito, apresentada na Cartilha de Boas Práticas de Teletrabalho, lançada em agosto. “Dos 90 funcionários da casa, pelo menos 30% deverão seguir em home office”, diz o gerente de investimentos José Marcos Alves de Barros, que já traça planos semelhantes aos da Libertas no segmento imobiliário. “Como teremos espaços de sobra, vamos debater com os conselheiros do Reciprev a proposta de locação de áreas em nossa sede.”