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Cresce a disputa no segmento
O surgimento de novos planos instituídos alavanca os negócios no segmento de sistemas de gestão, com empresas desenvolvendo soluções sob demanda

Edição 339

Empresas de nicho que fornecem sistemas de gestão de previdência complementar tentam crescer nesse segmento, dominado pela Sinqia que nos últimos anos realizou várias aquisições de concorrentes e passou a deter a liderança do segmento. Uma delas é a MAG Gestão Previdenciária, do Grupo Mongeral Aegon, que vem apresentando o seu sistema para fundos de pensão instituídos e entidades de funcionários públicos.
“As entidades voltadas a servidores públicos de estados e municípios estão entre as nossas prioridades”, diz Tatiana Cardoso, diretora da MAG Gestão Previdenciária. Nos últimos dez meses a empresa conquistou duas novas entidades que passaram a usar seu sistema, a ALPrev e a CE-Prevcom, dos servidores públicos de Alagoas e Ceará, respectivamente. Segundo Cardoso, “seguimos atentos às licitações de outros entes federativos, no momento estamos participando de três processos”.
A empresa também tem prospectado negócios junto a entidades com planos instituídos. Em janeiro deste ano a empresa foi contratada pela OABPrev de Santa Catarina, o primeiro fundo de pensão entre as seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), criado em 2005. A implementação integral dos serviços atuariais e contábeis se estendeu por quase três meses, até março.
“Foi um sucesso. Em apenas três meses, concluímos a migração de dados de mais de 8 mil participantes, sem afetar as operações da OABPrev-SC no período”, diz Tatiana, que se prepara para receber mais uma entidade ligada às OABrevs. Ela, entretanto, prefere não nominar a entidade. “Vamos dar início à transição para o nosso sistema de processos atuariais, contábeis e de back office a partir de setembro”, afirma.
Criada há 13 anos, a MAG Gestão Previdenciária responde hoje por 13 planos de benefícios de oito fundos de pensão, com ativos por volta de R$ 1,85 bilhão e mais de 100 mil participantes. Voltado originalmente à gestão de passivos, o sistema da empresa ganhou melhorias ao longo dos últimos três anos, incluindo aplicativos voltados ao atendimento da população dos planos, uma plataforma de captação digital de participantes e a completa digitalização das operações de empréstimos.
“Para enfrentar a concorrência de fintechs e planos abertos, as entidades precisam oferecer produtos mais baratos e eficientes, como aplicativos e áreas digitais restritas para que os participantes possam conferir suas reservas e fazer solicitações”, diz Tatiana. “Temas como tecnologia, inovação e eficiência operacional têm de estar incorporadas à rotina das entidades.”

A Serel é outra fornecedora de sistemas que atua junto às entidades previdenciárias. A empresa foi contratada pela OABPrev-GO/TO há quase dois anos, comprometendo-se a desenvolver uma solução específica para o segmento de fundos de pensão instituídos. Segundo a gerente-geral da entidade, Marlene Gontijo, a solução foi desenvolvida ao longo do tempo e atualmente a casa está prestes a contar com um sistema 100% ajustado às suas demandas.
O trabalho conjunto começou a ser desenvolvido em setembro de 2019, com a OABRev-GO/TO repassando à Serel todos os dados processados pelo seu provedor à época. A migração de dados dos cerca de 5,5 mil participantes para o sistema da Serel foi concluída em agosto do ano passado. Desde então, o sistema vem recebendo retoques pontuais. “Faltam apenas alguns ajustes de ‘manequim’, como trocas de cores e de formatos de alguns relatórios”, diz Marlene.
Criada há 32 anos por um grupo de ex-profissionais da Femco, o fundo de pensão da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), absorvido pela Previdência Usiminas em 2010, a Serel atende atualmente 18 fundos de pensão. A lista de serviços inclui, entre outros itens, módulos de gestão previdenciária, investimentos, contabilidade, obrigações fiscais, informações gerenciais e empréstimos. “Só não contamos com produtos de gerenciamento de riscos e de suporte para as eleições das entidades. Mas estamos planejando uma solução para cobrir a lacuna na área de riscos”, diz o sócio Frederico Esteves.
O projeto desenvolvido para a OABprev-GO/TO já vem rendendo dividendos para a Serel. Prova disso é o contrato recentemente firmado com a AnabbPrev, cuja instituidora é a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), o qual foi obtido graças às recomendações da entidade voltada aos advogados. Atenta ao interesse das fundações instituídas, a empresa se prepara para ampliar a sua atuação junto a um novo segmento, o dos regimes próprios de previdência. “O produto deverá ser lançado até o fim do ano”, diz Esteves.

Outra que se prepara para entrar no segmento é a Sebrae Previdência, fundo de pensão dos funcionários do Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A entidade encomendou a uma consultoria catarinense o levantamento das companhias capacitadas à criar uma plataforma digital de grande capacidade para ser usada em um plano instituído voltado às 18 milhões de micro e pequenas empresas (MPEs) que a fundação pretende lançar em 2022. “Como não há soluções disponíveis no mercado para um sistema dessa envergadura, resolvemos colocar em pauta o desenvolvimento de uma solução sob medida”, diz o diretor-presidente Edjair Alves.
O cronograma do Sebrae Previdência prevê a realização de testes do novo produto e da sua plataforma a partir do primeiro semestre do próximo ano. Os “laboratórios”, ainda a serem definidos, serão regiões com universos mais diversificados de PMEs em um ou alguns estados de médio porte. “A intenção é apresentar o plano para as micro e pequenas empresas em outubro de 2022, durante as comemorações dos 50 anos do Sebrae”, diz Alves, que não descarta a possibilidade de comercialização do sistema a ser desenvolvido para outras entidades. “Se tivermos êxito nesse projeto, passaremos a contar com um diferencial de competitividade do qual não abriremos mão.”

Outra entidade que desenvolveu um sistema próprio, só que voltado à gestão de investimentos, é o Reciprev , o RPPS dos servidores públicos de Recife. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no segundo semestre de 2020, o sistema entrou em operação em fevereiro deste ano e tem recebido ajustes para a solução de pequenos “bugs”. Segundo o gerente de investimentos da Reciprev, José Marcos Alves de Barros, “os trabalhos em conjunto com a UFPE deverão se estender até setembro do próximo ano. Após a execução dos últimos ajustes o sistema será colocado à disposição de outros regimes próprios, sem custo algum”.
A ferramenta é composta por três módulos, o primeiro voltado ao cadastramento de fundos e gestores, o segundo à definição e aplicação de premissas econométricas e atuariais à política de investimentos da entidade e o terceiro ao controle do fluxo da carteira. O instrumento permite a elaboração de ALMs por períodos de cinco anos e leva em conta, no processo de seleção dos fundos para a montagem da carteira, conceitos como Sharpe Ratio, Value at Risk (VAR) e a teoria moderna de portfólio, desenvolvida por Harry Max Markowitz.