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Funcorsan estima R$ 100 mil em danos
Planejamento realizado na época da pandemia foi fundamental para manter o funcionamento da entidade em meio à tragédia no RS

Edição 367

Stodulski,AdimilsonLuis(TchePrev) 24mai 02A Funcorsan, fundo de pensão da Companhia de Saneamento do Rio Grande do Sul, é uma entre as 18 fundações gaúchas que está lutando para se reerguer depois da tragédia ambiental que atingiu o estado no mês passado, em decorrência de fortes chuvas que caíram a partir de 27 de abril. O prédio da entidade, no Centro de Porto Alegre, foi bastante atingido pelos alagamentos e a fundação foi obrigada a trabalhar em esquema de home office.
O diretor financeiro e administrativo da Funcorsan, Adimilson Stodulski, explica que as instalações da Funcorsan não foram diretamente atingidas pela água. “Estamos entre o segundo e o quinto andar do prédio. A inundação subiu a 1,80 metro do portão. Ficamos sem acesso ao edifício durante todo o mês de maio, foram 28 dias de alagamento. Não havia energia e nem internet, acabamos isolados de nossa sede.”
A solução foi promover o serviço remoto, ao qual os funcionários já estavam acostumados, uma vez que trabalhavam em esquema híbrido desde a pandemia da Covid-19. Foi justamente nessa época que a Funcorsan elaborou seu plano de contingência, que se mostrou tão importante nesse período emergencial.
“É muito importante ter um plano de contingência e continuidade dos negócios, o que foi colocado à prova nesse momento. Temos várias entidades em Porto Alegre, e todas enfrentaram algum tipo de dificuldade. Nosso planejamento foi fundamental. Estruturamos em 2018, concluímos em 2019, pouco antes da pandemia. E, na época, conseguimos passar do presencial para o home office em apenas dois dias”, lembra.
Graças a esse planejamento, a fundação conseguiu manter em dia o pagamento da folha de aposentados sem precisar paralisar os trabalhos. O único ponto afetado foi o atendimento presencial, que teve que ser interrompido, mas já tem previsão de ser retomado em julho. “Essa interrupção, entretanto, não tem um impacto muito grande para as pessoas, uma vez que todo o processo pode ser feito de forma automática”, avalia Stodulski.
Em relação aos funcionários, o diretor conta que dois colaboradores tiveram as casas totalmente alagadas. “Eles ficaram mais de um mês com água até o teto. Perderam móveis, colchões, eletrodomésticos... Foi tudo embora”, relembra. Mas admite a dificuldade de estimar o número de atingidos indiretamente pela tragédia. “Eu mesmo, por exemplo, tive uma irmã que ficou com a casa toda alagada”, conta.
Para ajudar os funcionários afetados diretamente, a entidade antecipou salários para desconto em 24 meses, concedeu vale-alimentação extra até o fim do ano e pagou a coparticipação dos planos de saúde para atendimentos psicológicos, além de liberar seus colaboradores para atividades de limpeza e organização.
“Também fizemos campanhas de arrecadação, sendo uma com nossos próprios funcionários e outra em parceria com a Tchê Previdência, a nível nacional. Além disso, divulgamos as campanhas de arrecadação próprias de cada um dos atingidos”, detalha Stodulski.

Nova casa - Enquanto não retorna à atividade presencial, a Funcorsan avalia o tamanho do prejuízo causado pelas enchentes. É certo, porém, que os gastos se limitarão a obras destinadas a reparar os danos causados no prédio onde está localizada a entidade.
“Ainda não recebemos a conta do condomínio, indicando o que vai nos caber. Acreditamos que será um custo bem significativo, por conta da troca de bomba d’água, limpeza de caixa. A estimativa é de uns R$ 100 mil de gastos”, afirma Stodulski.
Quando a fundação deixar o home office, estará de casa nova. Isso porque o plano antigo, de mudar o endereço de sua sede, deve finalmente sair do papel. “Já vínhamos avaliando essa troca de espaço, até por conta do trabalho híbrido, e acabamos definindo a troca. Vai nos dar uma economia de escala e melhor ambiente. Nossa nova casa será em um lugar mais alto, não suscetível a alagamento.”