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Planos família ganham espaço
Desenvolvidos para dotar as entidades fechadas de previdência de um produto competitivo, os planos família crescem rapidamente

Edição 367

Biagi,Jarbas de(Abrapp) 24jun 01Os planos família têm se tornado uma alternativa cada vez mais atrativa para os fundos de previdência. Atualmente, 43 das 236 fundações ligadas à Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) possuem esse tipo de plano. E a expectativa é de que esse número aumente.
“O plano família é um instrumento de fomento muito forte. A previdência privada tem crescido muito nesse sentido, e a gente tem convicção de que esse é mesmo o caminho. Temos de oferecer alternativas de crescimento financeiro também para quem não tem vínculo formal de emprego”, afirma o presidente da Abrapp, Jarbas de Biagi.
Em quase 10 anos, o plano família viu seu público crescer em mais de 25 vezes. Em 2015, eram apenas 5.368 participantes, contra 141.419 ao fim de 2023, segundo dados consolidados da própria Abrapp. A evolução do patrimônio foi ainda superior. De R$ 30 milhões em 2015, passou para R$ 1,85 bilhão no ano passado, representando um aumento de 60 vezes.
Frantz,Regidia(Previsc) 16abr 01“Esse crescimento é muito positivo. Afinal, trata-se de uma forma de disseminar a importância da previdência e da educação financeira, além de ótima alternativa para proporcionar planejamento financeiro para aqueles que amamos. Com as incertezas quanto ao futuro da previdência social, a melhor forma de garantir um futuro mais tranquilo é investir em formas de complemento à aposentadoria. Os planos para familiares são ideais para isto”, avalia a superintendente da Previsc, Regidia Frantz.
Para o participante, o plano família é uma forma de assegurar renda a seus entes para o futuro. E para os fundos de previdência, incluir esta alternativa entre os serviços oferecidos também traz benefícios.
“É um plano facilmente administrável. O custo, a escala, são fáceis de absorver. É uma forma de fortalecer a marca, com viés positivo. Deve crescer cada vez mais. Não vejo perdas, apenas ganhos para as instituições”, considera Juliana Koehler, superintendente do InfraPrev.
O presidente da Abrapp considera que outra vantagem dos planos família é o ingresso de uma população mais jovem na entidade. “É uma população que pode garantir a perenidade da entidade”, diz Biagi. “Tem também a questão vocacional, que é a proteção previdenciária, mas como negócio o plano família barateia o custo da entidade”, completa.
Segundo Biagi, por desinformação, mais de 80% das associadas da Abrapp ainda não possuem planos família. “Muitas vezes, isso acontece por dificuldades com a patrocinadora do plano. É preciso negociar, e elas, muitas vezes, acham que essa opção vai trazer uma massa de participantes diferente dos empregados, apesar de serem familiares. É questão do modelo de negócio, tem fundo que não quer ter família no seu portfólio. Tem dirigente que não é vocacionado para o fomento.”

Histórico do plano - O atual modelo de plano família foi desenvolvido pela própria Abrapp e incluído na categoria de plano de benefício instituído. Para o presidente da Abrapp, tratou-se de um movimento natural em resposta à modernização das relações de trabalho, que obrigou a entidade a buscar novas alternativas que “abrangessem toda a população” em seus planos previdenciários.
“Se você observar o histórico da relação de emprego no Brasil, saímos de um estado empresário para um estado liberal. Então, a relação formal foi diminuindo, a ‘pejotização’, a mudança cultural dos novos trabalhadores, que passaram a não ficar mais toda a vida em um só emprego. Então, era preciso pensar em mudanças.”
O plano família se consolidou como forma de trazer novos participantes para os fundos.“A gente precisava de um plano mais barato e flexível em relação aos que já tínhamos. O plano família tem uma flexibilidade maior no regulamento. Podemos oferecê-lo aos participantes como uma forma de não perdê-los para outros planos de mercados, como os dos bancos. E ainda tem a questão de dar educação financeira para uma população mais jovem”, aponta Koehler.

Mais participantes - Duas das primeiras entidades a apostarem no plano família, a InfraPrev, fundo de pensão patrocinado por empresas do setor aeroportuário, e a Previsc, sociedade de previdência complementar fundada pelo sistema Fiesc, se mostram bastante satisfeitas com o modelo.
Atualmente, a Previsc possui 1,3 mil participantes no plano exclusivo para familiares, quase 10% do total de participantes. “É um número expressivo e que queremos que cresça cada vez mais. Temos algumas estratégias elaboradas pelo nosso setor de mercado para divulgar o plano, como: campanhas comerciais, palestras, visitas de divulgação etc.”, comenta Frantz.
No caso da entidade catarinense, a criação do plano aconteceu em 2010, com o nome de Previsc Família. De lá para cá, foram diversas mudanças de nome, estratégia e identidade visual, até 2021, quando a última reformulação resultou no “Previtê”, mantido até hoje.
“Os planos voltados aos familiares são uma forma de ampliar o número de pessoas com cobertura previdenciária. Por isso, vamos continuar atuando na conscientização da educação financeira, e na divulgação do plano Previtê por meio de campanhas comerciais, palestras e visitas nas empresas que fazem parte dos nossos instituidores”, conta a superintendente.
Atualmente, a Previsc mantém três opções de investimentos dentro do plano família, com aporte mínimo de R$ 30. O perfil Conservador, com benchmark de CDI, rendeu 3,48% no acumulado do ano (até abril) e 11,34% nos últimos 12 meses. O Moderado, com benchmark de CDI + 1%, rendeu 1,52% de janeiro a abril e 12,49% nos últimos 12 meses. Já o arrojado, com benchmark de CDI + 2% foi o que mais sofreu com a atual instabilidade econômica, rendendo negativamente em 2024, - 0,91%, mas chegando a 13,49% nos últimos 12 meses.

Koehler,Juliana(Infraprev) 24junInfraPrev mira futuro - Para o InfraPrev, a criação do plano família foi um pouco mais conturbada. Ela aconteceu em 2012, ainda chamado de plano instituído, mas o novo produto não decolou. O número de participantes foi diminuindo, até chegar a 20, com um patrimônio de cerca de R$ 400 mil.
“Cogitamos fechar o plano, achamos que não era viável”, relata Koehler. “Mas decidimos fazer um movimento em 2022, e tivemos como ‘cereja do bolo’ a entrada da Abrapp como instituidora. Abrimos bastante o nosso leque e pudemos oferecer essa nova opção. E, desde então, vem crescendo cada vez mais.”
Atualmente, são 369 participantes no plano, sendo 213 ativos e 156 assistidos, com contribuição mínima de R$ 28,75. A rentabilidade acumulada dos últimos 12 meses foi de 12,96%, contra 12,33% do benchmark (CDI), resultando em um patrimônio de R$ 26 milhões ao fim de abril.
“Em um ano e meio conseguimos sair de um patrimônio de R$ 400 mil para R$ 26 milhões. E isso sem ter custo nenhum. A campanha é toda feita internamente, justamente para não gerar gastos. Era uma aposta nossa, que acabou dando muito certo”, aponta a superintendente do InfraPrev.
“Nossa estratégia para o futuro é ensinar educação financeira voltada para as crianças. No curto prazo, queremos aproximar as famílias, trazer elas para dentro do Infraprev. Vamos ter movimentos em breve.”

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