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O novo figurino da Fachesf
Fundo de pensão dos funcionários da Chesf renova equipe de investimentos, revê modelo e muda estrutura de alocação de recursos

Edição 367

Andrade,FelipeRamos de(Fachesf) 24junA troca de comando e de parte dos integrantes que compõem a gerência de investimentos da Fachesf, promovida no segundo semestre de 2023, trouxe também mudanças na gestão de investimentos da entidade e uma série de ajustes a risco que ganham ainda maior tração este ano, explica o diretor administrativo e financeiro Felipe Ramos de Andrade.
O objetivo principal tem sido o de imunizar o máximo possível o passivo desde que, em 2023, a entidade trocou o indexador do IGP-M para o IPCA. “Na virada do ano passado para este, começamos a montar uma política de investimentos mais de acordo com a nossa cabeça. Ela está voltada para reduzir expressivamente o risco dos planos de benefícios e fazer uma gestão mais adequada ao perfil de cada um deles”, diz.
A saída de uma parte dos profissionais, que foram ocupar cargos mais altos dentro da fundação, trouxe essa oportunidade, que foi aproveitada para planejar numa revisão ampla. Andrade, que era o gerente anterior, passou a ser o diretor de investimentos, e foram trazidas quatro novas pessoas para compor o time, a começar por Kepler Corrêa Alves Dias, que depois de 21 anos na Forluz assumiu a gerência de investimentos na Fachesf em outubro de 2023.
Além de Dias, vieram três analistas, sendo dois deles de fora da entidade, somando-se aos profissionais que já estavam na casa. A equipe completa, composta por oito profissionais, conta também com Antonio Andrade Silva Filho; Marcos Joaquim Barbosa; Odair Douglas da Silva; Lucas Frazão da Silva, Welliton Aragão Bezerra de Souza Filho e Kelly Any Teixeira Américo de Lima.

Imunização acelerada - Até agora já foram imunizados, na média, 50% a 60% dos planos, com mais de R$ 1,8 bilhão em movimentação do passivo por meio da compra de NTN-Bs, títulos públicos atrelados ao IPCA. Considerando a movimentação de compra e venda de títulos, foram mais de R$ 5 bilhões, segundo Andrade.
Em maio deste ano, a entidade vendeu R$ 787 milhões em NTN-Cs, títulos públicos indexados ao IGP-M, dentro do processo de imunização. ”O objetivo foi reduzir o risco de descasamento entre ativos e passivos”, diz Andrade. Ele observa que o processo foi cuidadoso e todas as compras de títulos foram feitas acima das taxas indicativas da Anbima.
Com R$ 8,4 bilhões em ativos e cinco planos de benefícios: um de Contribuição Definida que é subdividido em duas diferentes submassas; dois planos de Benefício Definido e um de Contribuição Variável, a fundação está acelerando também o processo de diversificação de investimentos em direção aos fundos de investimento líquidos.

Novos fundos - No dia 11 de junho foram aprovados quatro novos gestores para quatro fundos abertos, líquidos, de crédito privado, que devem quase duplicar o total investido nessa classe pela fundação e inaugurar sua alocação em fundos líquidos de crédito.
Recursos no valor de R$ 200 milhões serão distribuídos entre os fundos dos gestores Sul América, JGP, Bradesco e Root. Até agora o investimento nessa classe estava concentrado apenas em fundos fechados, de longo prazo, que respondem por 3,5% dos ativos totais da entidade, e que serão mantidos.
O crédito privado é uma prioridade de investimentos da entidade, afirma Andrade, e vem logo depois dos títulos públicos, que hoje ocupam 45% da carteira total, sendo a grande maioria deles com marcação na curva.
Nos próximos dias serão aprovados novos gestores para fundos de IMAB-5 e para fundos multimercados. No início de julho, a entidade espera aprovar também novos gestores de fundos de renda variável.
A seleção dessas casas também segue novos critérios e metodologia, que mudaram tanto em termos qualitativos como quantitativos, mais próximos das métricas do mercado. “No início deste ano fizemos 67 calls com gestores nessas quatro estratégias, além de 30 diligências presenciais entre São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma Kepler Dias.
A distribuição das carteiras entre os fundos será feita de acordo com fatores de risco e haverá um fundo consolidador de cada classe, com gestão Fachesf, onde cada plano poderá fazer suas compras de estratégias. Todos os planos passarão a ter acesso aos mesmos fundos, mudando apenas o percentual a ser alocado por meio do fundo consolidador.
“Foi uma simplificação de estrutura, porque os diversos planos poderão comprar com facilidade essas estratégias de acordo com o seu nível de exposição a risco; os processos de seleção foram montados de acordo com cada uma dessas caixinhas”, explica Dias.
Os fundos multimercados e os de renda variável já contavam com fundos consolidadores, mas isso está sendo ampliado para todas as classes pelo novo modelo. Para os títulos públicos também será usado esse desenho, diz o gerente, para que seja possível olhar melhor a contribuição e a performance de todas as “caixinhas” de alocação.

Menos risco - Para levar adiante os processos de ajuste em cada classe foi feita uma redução da exposição ao risco em algumas delas, explica Dias. O plano CD reduziu de 20% para 11% sua exposição à renda variável, por exemplo, que na média de todos os planos está hoje perto de 5% dos ativos totais. Essa redução significou a venda de R$ 366 milhões de renda variável, além de R$ 250 milhões da carteira de exterior e R$ 66 milhões de multimercados por um único plano.
“O timing dos ajustes foi bem executado e, como resultado, registramos um ganho de R$ 150 milhões na carteira total agora em abril, na comparação com a carteira de dezembro de 2023”, afirma Kepler Dias.

Exterior e FIP no radar - Dentro do novo modelo, no segundo semestre de 2024 a fundação também abrirá espaço para ampliar a alocação em exterior, hoje restrita à renda variável e que foi reduzida para cerca de 2% de seus ativos totais.
A nova estratégia de exterior incluirá, além da renda variável, também as carteiras de renda fixa e de hedge funds, explica Felipe Andrade, e todas passarão a ser vistas como complementares às respectivas carteiras locais de alocação nessas classes. Ele acredita que será possível reduzir o risco graças à maior diversificação das carteiras. Com isso, os futuros estudos de ALM poderão sugerir aos planos terem maior percentual de exterior.
Está também em discussão a seleção de novos fundos de private equity, com a aprovação de novos gestores para FIP (Fundos de Investimento em Participações). A entidade tem hoje 12 FIPs, com R$ 250 milhões consolidados, e pretende renovar sua estratégia de planejamento de acordo com as safras de fundos. “No ano passado não fizemos novos FIPs e as safras mais antigas são de 2007/2008 mas de 2017 para cá vem aumentando. Há um FIP de 1997 que está em fase de liquidação e outra parte que está em fundos novos, diversificados, incluindo fundos florestais, veículos com critérios ESG e até mesmo um fundo de impacto ESG.