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Instituto aposta na renda fixa
RPPS acredita que investimentos focados no CDI conseguirão repetir neste ano a performance dos dois últimos exercícios

Edição 367

Terzi,Rafael(IPSMSaoJose) 24junO Instituto de Previdência do Servidor Municipal de São José dos Campos definiu os fundos de renda fixa como caminho para manter-se performando acima da meta atuarial. Chefe de investimentos do instituto, Rafael Terzi explica que a ordem é fazer movimentos cada vez mais conservadores.
“É o que nossa política de investimentos e o momento pedem”, considera. No fim de abril, 77,12% da carteira consolidada do IPSM estava em renda fixa. Os outros investimentos, no exterior (8,76%), em fundos estruturados (7,12%) e renda variável (7,01%) não somavam sequer um quarto do portfólio.
Com 7,2 mil servidores ativos e patrimônio de R$ 1,9 bilhão, o RPPS foca seus esforços em manter sua rentabilidade no positivo. Em abril, a carteira do regime próprio rendeu 0,09% no consolidado dos seus dois planos, o fundo financeiro (deficitário) e o previdenciário (superavitário). Foi o pior resultado do quadrimestre, mas ainda assim no azul. Nos últimos 12 meses, a rentabilidade acumulada foi de 13,62%, contra 9,38% da meta. “A gente faz muita análise. Apesar de sermos cobrados a curto prazo, investimos em busca de casas vencedoras a longo prazo”, diz Terzi.
Para seguir performando bem, o RPPS tem ampliado os investimentos de baixo risco e pretende focar no CDI nos próximos meses. A estratégia é minimizar a instabilidade causada pelas últimas decisões do Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) e a desaceleração nos cortes da taxa Selic.
“O que costumamos fazer é mirar no CDI. Estávamos em um caminho de busca de fundos de renda fixa ativa, que ficam expostos a debêntures. Em abril, eles não foram bem, e a gente acabou saindo. Zeramos os dois fundos que tínhamos desse tipo e fomos para CDI.”
Esse procedimento é, inclusive, um plano de fuga caso a situação do mercado não melhore ou venha até a piorar. “Essa seria nossa proteção para bater a meta no ano. Porque o CDI tem cara de que vai vencer de novo, assim como bateu as metas em 2022 e 2023. Então, a gente tem isso em mente. Com a inflação tão baixa assim, o CDI ainda vira uma estratégia”, analisa Terzi.

Acima do alvo - A política do RPPS de São José dos Campos tem como alvo 14% da carteira em títulos públicos. Por conta das alterações recentes em busca de rentabilidade, atualmente 34,8% da carteira está em investimentos desta natureza. A tendência é de que, até o fim do ano, o número fique ligeiramente acima do alvo. “Vai chegar bem perto de 14% em dois meses, quando tivermos o pagamento das NTN-B que vencem em agosto. Mas deve ficar um pouco acima desse número, porque compramos alguns títulos públicos nessa subida da curva que teve em março, abril”, aponta o chefe de investimentos.
“A gente quis aproveitar, já que estava pagando próximo a 6,20%, acima da inflação e quase 1% acima da nossa meta. A gente quis pegar na curva para pegar um pouco da rentabilidade.”

Bolsa não é opção - Uma alternativa para flexibilizar a carteira poderia ser os investimentos na Bolsa, uma vez que os preços das ações estão historicamente mais baixos do que o comum, mas a instabilidade assusta. “Não vamos ampliar nossa alocação em bolsa, por enquanto. Estamos mantendo o que temos, só realocamos, olhando bastante para fundos de proteção que são estruturados. Ou multimercados de proteção, que são interessantes, tentam pegar o benchmark mas também com uma proteção, já que o mercado está um pouco instável. E estamos gostando, também, de fundos long biased. Assim, claro, ficamos exposto à variação da bolsa, mas não 100%”, explica Terzi.
Enquanto boa parte dos fundos sofre para bater suas metas, o chefe de investimentos do instituto vê com naturalidade o momento e não se desespera com as decisões mais recentes do Copom sobre a taxa Selic. “O que temos ouvido dos especialistas é que realmente não é o momento para continuar uma corrida de corte. A economia está razoável, não está pedindo, não estamos em uma situação de desemprego, para precisar cortar logo e se recuperar. Então, essa desaceleração pode ser a melhor estratégia mesmo.”
Sobre o futuro, Terzi parece otimista em relação à rentabilidade do instituto. “Se a bolsa continuar andando de lado, sem nenhuma nova crise, nenhuma escalada da situação nos Estados Unidos, acho que bateremos a meta ao fim do ano.”

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