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Foco no investidor estrangeiro
Ciclos de liquidação dos negócios cada vez mais rápidos obrigam os prestadores de serviços da área a ter todo o processo automatizado

Edição 346

Entre os meses de abril de 2021 e março de 2022, período em que o volume total de ativos estrangeiros na indústria de investimentos no Brasil ficou praticamente inalterado, o Citibank manteve a liderança em serviços para esse segmento, com R$ 1,166 trilhão em recursos aplicados por não residentes (Resolução Bacen 4373) ou 66,1% do volume de R$ 1,763 trilhão somado pela indústria nessa categoria. Ao todo, incluindo também os ativos alocados em DRs (Depositary Receipts) a instituição somou R$ 1,176 trilhão em custódia para o mercado externo. “Em ano de forte volatilidade, foi importante termos conseguido preservar os mesmos relacionamentos e os portfólios dos nossos clientes passaram a representar 66,1% do total do mercado de não-residentes, até mesmo com uma pequena alta frente aos 65,9% do ano passado”, observa Roberto Paolino, diretor de securities services do Citi.
Os serviços para investidores estrangeiros continuam como o foco principal da instituição, que investe para manter uma área robusta e com alta visibilidade junto a esse público. O banco aposta em sua capacidade de ir além da custódia e liquidação de títulos para ser “os olhos e ouvidos” dos seus clientes aqui, uma diretriz alinhada à estratégia cross border adotada pela instituição globalmente. “Isso nos leva a trabalhar muito próximos aos reguladores no País, em questões que estão sempre evoluindo no âmbito da inovação tecnológica como a do real digital e da tokenização de ativos, assim como eventuais mudanças no câmbio, por exemplo”, diz Paolino.
As demandas dos investidores estrangeiros, discutidas inclusive no primeiro evento presencial promovido pelo banco depois da pandemia, em Nova York, incluem a discussão sobre a nova lei do câmbio, que deve impactar bastante suas aplicações no Brasil.
A nova legislação é positiva mas ainda não traz nada relativo à Resolução 4373 e a expectativa é de que talvez surja algo novo nesse sentido. “A Resolução 4373 regula toda a legislação de custódia de recursos externos no Brasil, vai além do contrato de câmbio e pode incluir por exemplo, o registro dos ativos. Continuamos acompanhando de perto isso na Anbima, é o que os clientes esperam de nós”, afirma.
O conceito de business-led technology orienta o desenvolvimento de ferramentas que facilitem a vida dos investidores que têm seus ativos em custódia. Manter os ativos em rede e ter todo o processo automatizado é fundamental, ainda mais quando se olha as tendências dos mercados que apontam para ciclos cada vez mais curtos de liquidação dos negócios. “Nos EUA, a liquidação e a custódia ainda são feitas em prazo D+2 mas eles podem ir para o D+1 e temos discutido essa possibilidade com diversas bolsas lá porque as novas tecnologias ajudaram o mercado a caminhar para ciclos mais rápidos”, observa.
A tendência é de que, nos próximos anos, prevaleça em todo o mundo o encurtamento dos prazos e uma convergência para o D+1, ou seja, liquidação dos negócios com ações já no dia seguinte à realização da operação, o que exige um alinhamento de todos os participantes do mercado para garantir a segurança dos negócios.
Nesse mundo cada vez mais ágil, a tokenização dos ativos é outro ponto relevante pois permitirá que a transferência de tokens e recebimento de dinheiro sejam feitos na mesma transação. “A tokenização é o que os clientes querem para a custódia e achamos que teremos esse direcionamento, mas é preciso levar em conta a capacidade do ecossistema todo do mercado, que terá que ser alterado. Além disso, eventualmente também poderá ser necessária uma base jurídica”, lembra.
A discussão levada pelo Banco Central brasileiro sobre como regulamentar o real digital e como seria feita a liquidação de títulos nesse novo modelo, via ativos tokenizados, é portanto um dos pontos centrais de interesse para a custódia. A nova moeda digital deverá entrar em testes já em 2023, segundo estimativa do BC, seguindo uma inovação que tem sido feita por vários bancos centrais e cria um ambiente final de liquidação com garantias de que a operação foi finalizada.
O real digital permitiria associar a entrega de um título à transferência dos recursos num único clique de botão, vinculando os ativos aos recursos. “Os clientes estrangeiros continuam com foco no Brasil, diz Paolino. “Eles veem o País como inovador nos aspectos tecnológicos de custódia, consideram a B3 como parceira. Isso aumenta a necessidade de acompanhar as mudanças muito de perto porque temos que estar prontos para oferecer isso nos nossos serviços”.
A instituição também faz investimentos globais em ferramentas que trabalham com data analytics e permitem capturar todas as informações dos clientes online para que eles montem seus relatórios como acharem melhor.

O ciclo de alta do juro no Brasil, que acelerou rapidamente em 2021, beneficiou as aplicações de renda fixa e atraiu maiores volumes de investimentos estrangeiros para o País ao longo do ano, ampliando o fluxo de ativos sob custódia no BNP Paribas no Brasil. Nesse ambiente, o banco concretizou um avanço estratégico ao obter novos mandatos e atingir R$ 133,4 bilhões em ativos totais sob custódia, dos quais R$ 68 bilhões no segmento de estrangeiros.
Graças à conquista de um novo mandato para não-residentes, em 2021, no valor de R$ 60 bilhões, a casa saltou para a terceira posição no ranking de custódia de ativos estrangeiros no País. “Saímos da sétima posição e galgamos espaço nesse mercado para chegar ao terceiro posto no ranking em março deste ano”, afirma Antonio Nascimento, diretor de securities services no Brasil. Em 2022, a meta é crescer mais 30% em relação a 2021 na área de securities services como um todo, uma área estratégica para a instituição, até por integrar o seu banco de investimentos.
O crescimento médio dos serviços de custódia do banco tem sido de 20% ao ano no período de cinco anos até 2021, informa Nascimento. “A ambição agora é definir onde estamos e para onde queremos ir mas o crescimento deverá seguir forte este ano e já há bastante mandatos acontecendo” diz. O fluxo de investimentos continua expressivo em 2022, tanto para fundos locais quanto para não-residentes.
A expansão ocorreu também ocorreu no segmento de fundos locais, dobrando o número de fundos para os quais a instituição faz administração e custódia, hoje num total de 500 carteiras. A liderança em administração e custódia de ETFs (fundos de índices) no Brasil, segmento em que o banco detém 60% de market share, foi outro fator importante de crescimento e a tecnologia tem sido o grande trunfo para isso. “Como provedor global, o BNP Paribas foi beneficiado por seu acesso aos mercados internacionais, atraindo inclusive os fundos locais que têm estratégias de investimento globais”, diz.
Para os investidores estrangeiros, a casa utiliza o sistema proprietário do grupo, que dá maior flexibilidade aos processos para quem utiliza a mensageria swift, facilitando o fluxo automatizado de dados. Para os clientes que não acessam o swift, como os fundos locais, tudo é feito por meio de um portal web da instituição. “Tudo é feito por meio de sistemas locais atrelados a ferramentas globais e conversas entre administração, liquidação e custódia e controladoria. Trazer ferramentas globais de administração e custódia que se conectam com o sistema local e mensageria swift torna o processo mais robusto”, afirma. O pacote de tecnologia utilizado pelo banco globalmente é outro benefício dessa interação.
A seletividade na escolha dos clientes é outro aspecto fundamental, diz Nascimento, porque tudo depende de como a instituição percebe o nível de expectativa de entregas por parte dos clientes internacionais, que costuma ser muito alto e exige um viés de tecnologia muito forte.
Para atender essa demanda, é preciso reduzir ao mínimo as interações manuais e, no caso dos serviços internacionais, os processos já são totalmente automatizados. Para os ativos locais, a automatização deixa de ocorrer apenas em aspectos específicos ligados às características da indústria local de fundos.
No segmento de clientes não-residentes, a demanda vem tanto de grandes assets quanto de investidores que vêm diretamente para aplicar em renda fixa e renda variável, além dos que operam derivativos. Desde 2019, a casa também oferece serviços de clearing, para locais e estrangeiros, com demanda crescente de diversos players, diz Nascimento. Ele lembra que o grande diferencial para os estrangeiros está no uso das ferramentas globais que permitem aprimorar fluxos desde a entrada do cliente até a liquidação do câmbio. “Para nós, é fundamental continuar a ganhar novos mandatos, locais ou internacionais, que tragam mais avanços e mais tecnologia de forma constante”, conclui.