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Tecnologia e agilidade para crescer
Em busca de alfa, os clientes têm demandado estruturas mais ágeis e flexíveis, que permitam olhar o caixa das carteiras em tempo real

Edição 346

O ano foi positivo para os negócios de custódia do Santander no Brasil, cuja meta é ser uma referência no mercado de capitais em termos de eficiência, inovação e time, analisa Joaquin Alfaro Garcia, presidente da Santander Caceis. “Foi um ano excelente porque avançamos em todos esses aspectos e conseguimos criar algumas parcerias sustentáveis com os clientes”, avalia. De janeiro a dezembro do ano passado, a casa contabilizou crescimento de 13,7% no volume de ativos sob custódia para o mercado doméstico, o que foi quase o dobro em relação à evolução do mercado nesse período. Os ativos de fundos de pensão e de seguradoras registraram crescimento de 40%, quase três vezes a alta do mercado.
“Foi um período desafiador tanto no cenário econômico quanto geopolítico. A partir de março o ciclo de alta do juro levou as aplicações para um perfil mais conservador aqui no Brasil, com um segundo semestre negativo para a captação em fundos multimercados e de ações”, lembra. Apesar disso, a casa conseguiu terminar o ano com captação líquida de quase R$ 27 bilhões nos investimentos no exterior, tanto em fundos quanto em ativos diretos, o que foi impulsionado pela estrutura tecnológica do banco e de sua estrutura global.
No período considerado pelo ranking da Anbima, até março deste ano, entretanto, sua participação relativa no mercado total de custódia recuou do percentual anterior de 5,5% para 5,2%. Em março, a instituição ocupava o quinto lugar no ranking da Anbima e seu total de ativos sob custódia era de R$ 487 bilhões, dos quais R$ 385 bilhões em recursos do mercado doméstico, no qual deteve participação de 5,4%. Os seus ativos para o mercado externo, somando os de não-residentes e os DRs (depositary receipts), atingiam R$ 102 bilhões e 4,6% de participação.
A aposta em inovação, com a melhoria da plataforma tecnológica de custódia lançada no ano passado e que deverá incluir todos os clientes até o final de 2022, é um dos fatores que devem resultar em maior agilidade e ganho de escala no mercado, avalia Alfaro. No mercado doméstico, a instituição cresceu também em número de fundos processados. Além disso, fechou o ano com 12 novas parcerias firmadas, seis das quais com gestores locais e internacionais.
O investimento em tecnologia tem sido ambicioso, diz o executivo, e é planejado para deixar os serviços mais flexíveis e ágeis. “Essa estrutura de tecnologia e o time de profissionais especializados em custódia e administração aumenta, a nossa capacidade de atuar de maneira próxima aos clientes para que eles possam gerar alfa” diz. No caso dos fundos de pensão, o foco da nova plataforma é em relatórios, uma demanda relevante. A estrutura permitirá às próprias fundações gerarem seus relatórios customizados. Além disso, outro diferencial está nos serviços de caixa online, com um sistema rápido e ágil para olhar o caixa das carteiras e dos fundos em tempo real. “Acreditamos que o volume de ativos das fundações investido no exterior crescerá, até porque esse é um caminho sem volta, e queremos ter o time e a estrutura necessários para isso”. A plataforma deverá incluir todos os clientes de custódia até o final do ano.

Atualmente as fundações e seguradoras já representam juntas 16,5% do volume sob custódia no Santander Caceis, considerando ativos de outras instituições no mercado doméstico, mas a expectativa é de ganhar ainda mais espaço em ativos da previdência complementar. O crescimento desse segmento em 2021 foi orgânico, lembra Alfaro, mas temos um pipeline para avançar ainda mais em 2022.
Em relação à custódia para o mercado externo, que já utiliza a plataforma tecnológica pelo segundo ano, o cenário continua difícil, até porque a maioria dos estrangeiros investe em equities e o ano passado esteve longe de ser positivo. “Mas agora, com o juro local elevado e o cenário geopolítico lá fora, o Brasil deve voltar a se destacar como oportunidade de investimento entre os emergentes e isso deve trazer um fluxo maior de estrangeiros, até porque os preços dos ativos no mercado brasileiros estão atraentes”, acredita. A intenção é crescer também em serviços para o mercado externo mas aí o ritmo será mais lento. “Apostamos nos dois, mas seguimos colocando esforços maiores no mercado doméstico porque é onde temos maior certeza de expansão

Recém-chegado ao mercado de serviços para o mercado de capitais, desde 2019 o tradicional Banco Daycoval decidiu colocar em campo seu histórico de 53 anos de presença no mercado para se contrapor ao que considera “gigantismo” de alguns players e oferecer serviços de custódia, administração fiduciária e controladoria de forma completa. Até então, a área era utilizada apenas para atender às demandas internas do banco e de alguns clientes. “O banco abriu essa área porque havia potencial diante das dificuldades de alguns grandes players para oferecer a agilidade e o dinamismo que a indústria de assets requer. Esses conglomerados às vezes têm um certo gigantismo. Por outro lado, havia os independentes chegando e vimos a oportunidade”, diz Erick Carvalho, diretor de serviços ao mercado de capitais.
Com um histórico consolidado, o banco é comandado pela família Dayan, que está próxima do negócio, uma característica que contribui para mostrar ao mercado que dinamismo e solidez podem e devem caminhar juntos. Desde 2019, a área saiu de R$ 6 bilhões em ativos sob serviço e passou para os R$ 55 bilhões atuais. No ranking da Anbima, relativo a março deste ano, alguns segmentos de serviços ainda ficaram de fora, o que explica o total de ativos de R$ 39,3 bilhões sob custódia que aparece ali, informa o executivo. São 92 assets clientes e 473 fundos rodando, um aumento substancial frente aos 56 fundos que havia em 2019.
Uma das principais iniciativas da área foi o desenvolvimento de uma plataforma completa para atender as necessidades cíclicas do mercado e 100% das demandas da indústria de assets. Em 2021, por exemplo, os fundos de crédito e de renda fixa líquidos sofreram enquanto renda variável e multimercados tiveram maior captação, antes que o mercado voltasse a apontar para a renda fixa e fizesse multimercados e ações sofrerem. “Os fundos alternativos ficaram estabilizados nesse período mas suas teses estão mais complexas e precisam buscar maior yield, então procuramos nos colocar de modo completo para atender todos os tipos de fundos, inclusive os fundos de investimento imobiliário, listados ou não, e os fundos de private equity”, explica. A grade de serviços inclui ainda fundos de investimento no exterior e também os recursos de estrangeiros que investem no País.

A indústria de fundos segue ciclos que se alternam à medida que a conjuntura econômica é alterada, então o diferencial do banco precisa estar na capacidade de fazer operações diversas, incluindo as de hedge. “Nós crescemos em dois anos prestando serviços para casas que admiramos e fomos bastante seletivos na escolha de clientes. Atualmente, só de pipeline em implementação há mais R$ 11,5 bilhões para daqui a quatro ou cinco meses”. Nesse mix há fundos líquidos, family offices, fundos alternativos (teses de FIDCs, FII e PE). Metade do pipeline é composto por fundos líquidos e a outra metade tem fundos alternativos. Tem sido importante ampliar os volumes por meio dos relacionamentos com os clientes da própria instituição, que funcionam como divulgadores dos serviços. São 92 assets clientes e 473 fundos rodando, um aumento substancial frente aos 56 fundos que havia em 2019. “Acreditamos que as assets não deveriam ter um único provedor desses serviços, elas podem mudar esse modelo e nós temos condições de ser um dos provedores”, defende o executivo.
A meta é seguir crescendo com a mesma estrutura completa de produtos e aprimorar a base tecnológica, assim como a educação dos 65 integrantes da equipe de funcionários, de modo que eles possam repensar a transformação tecnológica. O investimento em tecnologia é feito de maneira constante e quase “compulsiva” na busca por eficiência, com vários projetos focados nisso e na parte de automação. Já há, por exemplo, um contingente de mais de 130 robôs integrados ao trabalho da instituição. “Temos investido muito em robotização porque o dia a dia das operações já é hoje um mundo completamente diferente de quando começamos”, diz. A ideia é que as pessoas continuem sendo importantes para atuar nas questões mais complexas do mercado e do dia a dia, mas os robôs farão o resto. Hoje 82% dos processos da área são robotizados e o objetivo é aumentar esse percentual para 96% até o final de julho. Os 4 pontos percentuais restantes dizem respeito a aspectos que não admitem automatização por serem muito custosos e terem ganho mínimo de escala.
Em 2022, a instituição está surfando de forma positiva a onda de crédito, até porque o banco é tradicional nessa área, mas tem clientes também de equities e multimercados, explica Carvalho. Em relação ao mercado externo, a atuação ainda é pequena e o mercado doméstico deverá continuar a ser o principal foco. Apesar disso, já há planos para capturar um pedaço desse segmento junto às instituições estrangeiras de menor porte que precisem de serviços mais customizados ou que tenham algum conflito de marca com os grandes players.