Mainnav

Planos de crescimento no radar
Empresas reforçam investimento em tecnologia, estreitam laços com clientes e colhem frutos após modernização de plataformas

Edição 366

Alfaro,Joaquin(Santander) 22junA S3 Caceis, empresa coligada do grupo Santander, pretende acelerar o ritmo e ampliar sua participação no mercado de custódia para clientes terceiros, tanto na prestação de serviços para investidores residentes quanto estrangeiros. “O objetivo é atingir 12% a 15% de market share nessa indústria dentro de dois a três anos”, informa o CEO da S3 Caceis Brasil, Joaquín Alfaro.
Em 2023, a casa encerrou o ano com um crescimento de 25% em ativos sob custódia no mercado doméstico no período de 12 meses. A estrutura global da instituição, inclusive em tecnologia, diz Alfaro, é um dos diferenciais que contribuem para aprimorar o atendimento aos investidores nos dois segmentos.
“Em dezembro de 2023 atingimos R$ 340 bilhões em patrimônio líquido com terceiros e hoje temos 1.935 portfólios de custódia com terceiros”, conta Alfaro. O banco ganhou 15 novos clientes de custódia em 2023, incluindo domésticos e estrangeiros, sendo três deles institucionais, o que representou um volume adicional total de R$ 23 bilhões. “No primeiro trimestre deste ano o ritmo de expansão foi mantido e o objetivo é continuar ampliando os serviços para terceiros nos dois segmentos – residentes e não residentes – e também crescer junto aos institucionais”, afirma.
Hoje, 20% das propostas no pipeline da casa são de institucionais, o que envolve um patrimônio líquido de R$ 12 bilhões de clientes no mercado doméstico que estão em discussão, diz Alfaro. Uma série de entregas na área de tecnologia no ano passado reforçou a conquista de novos clientes. “A tecnologia é um aspecto no qual já investimos um percentual importante dos lucros e vamos prosseguir no trabalho de automatização”, observa.
Entre as novidades em 2023, ele enfatiza a inauguração de um novo portal e as melhoras na mensageria, que foram importantes sobretudo para os negócios de investidores estrangeiros. “Ganhamos também melhor conectividade com os brokers, o que ajuda os negócios offshore porque dá mais flexibilidade e os clientes acessam melhor o mercado estrangeiro, agora aproveitando a mudança trazida pela CVM 175”, explica.
A tecnologia aplicada aos serviços de clearing e liquidação, que já estão 100% automatizados, é outro ponto fundamental para aumentar a segurança no controle das reservas técnicas dos investidores. “Entregamos também um novo repositório de dados para que os clientes possam consumir as informações de maneira mais customizada, de acordo com as demandas de cada um”, explica Alfaro.
A instituição já tem mais de cem fundos de investimento rodando no novo modelo trazido por essa regulação, que tiveram sua custódia devidamente adaptada à medida que os clientes transformaram seus fundos. O desafio principal agora é a adequação da custódia à estrutura de classes e subclasses adotada pela CVM, diz. “Mas aí nós temos um diferencial importante que é a experiência global, porque essa estrutura regulatória é comum na Europa e nossa plataforma já tem todo esse sistema”, afirma.

Peres,Neudson(BB) 24maiAção estratégica - Em 2023, o BB viu crescer o volume de ativos em custódia de R$ 1,52 trilhão para R$ 1,64 trilhão, aumento de aproximadamente R$ 120 bilhões no ano, que é atribuído ao trabalho de relacionamento e à qualidade do atendimento, avalia Neudson Peres, diretor de operações do banco.” Esse resultado é fruto do relacionamento com nossos clientes mas também dos efeitos do atendimento especializado, que identifica as necessidades dos consumidores e busca atendê-las com excelência”, afirma.
Na base dessa expansão ele identifica ainda o suporte dado pelas ações de capacitação e qualificação das pessoas no time da casa, assim como o aperfeiçoamento dos processos e sistemas. O investimento na aplicação de tecnologia, diz Peres, tem melhorado a experiência tanto dos clientes quanto dos funcionários. Em 2024, o banco espera manter o foco na ampliação de valor entregue por meio desses serviços. “O objetivo é reforçar nosso papel como parceiro relevante dos clientes em todos os momentos”, afirma.
Entre os passos para seguir ganhando mercado está a modernização dos sistemas, enfatiza Peres, mas também o esforço para estreitar o relacionamento com os fornecedores externos. Com isso, ele afirma que tem sido possível antecipar projetos que já estavam no pipeline.
A instituição iniciou também projetos de modernização dos sistemas de custódia e controladoria que atendem especificamente os clientes institucionais, cuja demanda mais especializada exige soluções customizadas. “Nosso objetivo é continuar oferecendo a melhor jornada para os usuários internos e externos, através de portais mais dinâmicos, interativos e customizáveis”, explica Peres. O foco está na digitalização dos processos fiduciários, com a aplicação de automações que garantem maior eficiência e menor custo operacional, além de entregar uma jornada mais fluida.
“Temos atuado nas adequações necessárias para atendimento às grandes inovações que estão acontecendo nesse mercado”, diz. Para fazer frente às mudanças propostas, o banco criou grupos multidisciplinares e atua em conjunto com o mercado para desenvolver e implementar soluções.
As mudanças trazidas pela Resolução CVM 175 e pelas novas regulações, observa Peres, apresentam desafios que passam por remodelagem de processos, desenvolvimento de sistemas e revisitação de fluxos de comunicação com as entidades do mercado. “Elas exigem um trabalho de coordenação de todos os intervenientes envolvidos no processo, sejam eles centrais depositárias, custodiantes ou órgãos reguladores”, ressalta.
Apesar do tamanho dos desafios, a visão é otimista em relação aos resultados. “As evoluções trazidas pelas novas regulações terão impacto positivo na transparência do mercado, com maior clareza sobre as responsabilidades dos participantes e maior segurança para o investidor”, acredita.
Avançar em participação junto ao segmento institucional é uma ação estratégica do banco, informa Fabricio Reis, gerente geral da unidade de captação e investimentos.”Esse segmento é muito importante para o BB, pois engloba toda uma cadeia de valor relevante na prestação do serviços. Nossa atuação junto a esse público procura atingir maior nível de qualidade dos serviços, tendo em vista a qualidade técnica dos profissionais e o alto grau de exigência do segmento”, afirma.
Para garantir a competitividade e ampliar sua capacidade e escala, a instituição tem trabalhado para modernizar sistemas e reforçar seus programas de capacitação e certificação de times. “O foco é em inovação e expertise no atendimento das demandas específicas desse público, sempre mantendo em vista o potencial de rentabilidade do negócio”, diz Reis.
A intenção é colher resultados crescentes na custódia também graças à ação complementar do banco no atendimento aos institucionais, em especial aos RPPS. “Esses investidores já contam com uma assessoria especializada, que procura atuar de forma próxima para auxiliar no processo de tomada de decisão e de investimentos no tempo adequado”, completa.
Outro fator relevante para tentar assegurar o crescimento de market share no segmento de fundos de pensão vem da atuação estratégica da BB Asset Management junto ao banco, explica Mario Perrone, diretor comercial de produtos da asset. Ele acentua a relevância e a representatividade das fundações para o conglomerado e lembra o peso da gestora, que é líder da indústria de fundos de investimento no Brasil, com mais de R$ 1,6 trilhão de AuM.
Perrone afirma que esse peso vem aliado às frentes de modernização de sistemas e investimento em tecnologia. “A asset recentemente criou uma estrutura de atendimento exclusivamente dedicada ao segmento. Isso permite que tenhamos uma presença qualificada junto às diretorias de investimento das entidades, podendo participar da construção de mais soluções customizadas”, espera.

Foco na bolsa - Apesar da captação líquida negativa pelo segundo ano consecutivo na indústria de fundos de investimento, 2023 trouxe um “crescimento suave” para os negócios de custódia do BNY Mellon no Brasil, que registrou aumento de 0,71% no total de ativos custodiados entre março de 2023 e março de 2024. Ao mesmo tempo, o banco teve alta de 13% no número de transações no período, segundo informa Peterson Paz, head de atendimento às assets no Brasil. “Isso significa que os negócios estão circulando mais rápido. Em derivativos de renda fixa, o aumento do número de transações foi de 45% na comparação entre março deste ano e março do ano passado”, conta.
O investimento em tecnologia segue como prioridade em 2024, para reforçar a integração com a B3 e com o mercado em geral, diz Paz, o que tem exigido um investimento pesado em ligações diretas com a bolsa e melhor conexão com os gestores e demais participantes do mercado.
Outro ponto de atenção está ligado à Resolução CVM 175, que amplia o acesso dos investidores pessoa física aos fundos de investimento no exterior. “Queremos viabilizar esse acesso e fazer a conexão com os custodiantes globais, então estamos abrindo o leque para que os clientes possam acessar diferentes custodiantes fora do Brasil”, afirma.
Entre as diversas entregas feitas desde o ano passado, ele enfatiza a adequação às mudanças que entraram em vigor este ano para atender o projeto Fluxo II de pós- negociação de títulos privados de renda fixa na plataforma da B3.
O novo processo adotado pela bolsa, que resultou de entendimento com a CVM, tornou obrigatória a utilização do Fluxo II de pós-negociação desde o dia 01/04/2024. O fluxo de contingência disponibilizado pela B3 inclui alocação de investimentos não residentes; custódia de terceiros (seguradoras e fundos de previdência); cotas de fundos fechados e operações com alocação superior a 18 participantes de balcão distintos.
“Tivemos que adaptar nossos sistemas e conexões para puxar os dados da B3 de modo a impactar o mínimo possível os clientes. E o feed back recebido deles tem sido positivo”, afirma Paz. O objetivo é usar a tecnologia para garantir que o gestor possa ficar cada vez mais focado apenas na gestão dos investimentos.
Ele avalia que será pequeno o impacto sobre a instituição com a entrada em vigor da CVM 175. “Conseguimos avançar muito neste primeiro trimestre e estamos bem posicionados para a mudança, mas continua o diálogo com a CVM porque a alteração das regras para os fundos de investimento é muito significativa na execução e traz modernidade ao segregar responsabilidades de gestor e administrador”, diz. Algumas questões estão em fase de discussão com a autarquia, como a operacionalização da segregação de taxas a serem pagas a gestores e administradores.
A casa, que tem globalmente US$ 48,8 trilhões em ativos sob custódia e/ou administração, mantém seu foco no mercado interno no Brasil e presta serviços também para fundos administrados por terceiros. Em 2023, havia 310 fundos de administradores terceiros sob sua custódia.

Ganho rápido de escala - “O ano passado foi importantíssimo para a área de serviços porque passamos de R$ 60 bilhões em ativos no mês de janeiro para R$ 90 bilhões em ativos no final do ano e, no primeiro trimestre de 2024, atingimos a marca de R$ 102 bilhões”, diz Erick Carvalho, diretor de serviços ao mercado de capitais do Banco Daycoval. Ele avalia essa performance como um período de crescimento resiliente, com ganho de market share.
A instituição estreou nessa área em 2020, com um volume que ficava entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em ativos e veio expandindo rapidamente. Em 2023 a entrega de projetos foi desenhada para conferir ainda maior eficiência e capacidade para manter a qualidade dos serviços. “E isso sem contar com a ajuda de uma área de vendas porque são os próprios clientes que nos indicam a outros”, afirma.
A prestação de serviços engloba 182 assets e todos os tipos de estratégias e veículos, com um público que vai de family offices até gestores de crédito estressado, passando por todos os tipos de fundos. O pipeline total da casa projeta mais R$ 23 bilhões em ativos para este ano, afirma o diretor.
O ano de 2023 foi de avanço em eficiência operacional da plataforma, segundo Carvalho. “ Ter tudo automatizado nas operações trouxe ganho de escala e a tecnologia nos permitiu trazer informações de mercado para serem analisadas de forma automática, assim como é feita a análise da própria carteira”, diz.
Do total de ativos, 12% do volume vêm de operações sob a Resolução CMN 4.373 (para investidores não residentes), mas esse é um mercado que tende a crescer, segundo a expectativa da instituição.”Temos estrutura e capacidade de entrega para crescer também nesse mercado”, afirma Carvalho. No segmento de fundos de pensão, o crescimento também tem sido expressivo, via assets.
O principal desafio da área de serviços neste momento é a reestruturação dos serviços de acordo com a Resolução CVM 175 e com a nova regulação tributária dos fundos de investimentos. Do total de fundos na custódia da casa, 46% já estão adaptados à CVM 175, com atenção especial dada aos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), cuja data-alvo para adequação é o próximo mês de outubro. “Mas estamos trabalhando para antecipar a adaptação de todos os demais fundos, para ter tudo 100% enquadrado até o final de 2024”, afirma.
Do lado operacional não há problema para essa adequação, avalia Carvalho, mas os acordos comerciais entre gestores e distribuidores de fundos no novo modelo de classes e subclasses são talvez o ponto mais delicado a ser equacionado. “Os gestores precisam repensar como estruturar os fundos para simplificar o seu formato porque se houver um número muito grande de acordos diferentes os custos ficarão elevados”, diz.
A maior dificuldade é traduzir os acordos comerciais do antigo para o novo modelo, principalmente no caso dos fundos líquidos em plataformas. Na base de veículos que estão na plataforma do banco, por exemplo, esses fundos representam cerca de 15% do total. “Nesse caso, seria preciso ter uma estrutura de classe ou subclasse para cada acordo diferente, o que aumentaria o custo operacional”, afirma.

Os 10 Maiores no Mercado Doméstico (em pdf)