Mainnav

Asset aposta em sistemas e Big Data
Adepta dos sistemas de análise baseados em grandes bancos de dados, a Constância conseguiu ampliar o número de papéis de seus fundos

A Constância Investimentos, que há cinco anos tinha porte e histórico abaixo do que exigiam os institucionais na hora de fechar negócios, conseguiu chegar a esse público e consolidar sua marca através de uma estratégia inovadora: a incorporação de matemática avançada e conceitos de inteligência artificial à análise das empresas que compunham seus fundos de ações.
A asset começou a planejar essa estratégia por volta de 2014, quando o fundo de ações Fundamento, carro-chefe da casa especializada em renda variável, contabilizava um patrimônio líquido de minguados R$ 7 milhões. Eram tempos de vacas magras para a renda variável, o Ibovespa tinha despencado 15,5%, no ano anterior.
Para o CEO da Constância, Cassiano Leme, a transição para um modelo de investimentos baseado em big data era essencial, por reduzir riscos e permitir aproveitar vantagens ainda não percebidas pelo mercado. A mudança foi viabilizada pela incorporação de duas pequenas casas de gestão com bagagens tecnológicas, a NP Investimentos e a Principia Capital. Além disso, a Constância montou uma equipe própria de modelagem de risco, comandada por Rogério Oliveira, doutorado em economia pela Universidade de Chicago.
“Seguimos os passos de grandes e bem-sucedidas assets internacionais que abraçaram essa proposta nas últimas três décadas. Alguns exemplos são a Acadian e a AQR, dos Estados Unidos, e a holandesa Robeco, que somam cerca de US$ 475 bilhões sob gestão”, observa Leme.
A partir de 2015, com o sistema já montado e o Fundamento reformulado, a equipe da Constância passou a oferecê-lo ao mercado, inicialmente aos RPPS. “Percorremos todo o interior do país para oferecer nossos fundos a essas entidades”, explica Leme.
Hoje, o sistema acompanha cerca de 1.500 empresas brasileiras, incluindo cotações, dividendos e aumentos de capital, entre outros itens, além de informações sobre a evolução da liquidez dos papéis. O uso dessa base permitiu ampliar o leque de empresas analisadas pela equipe. “Se no passado tínhamos braços para acompanhar não mais do que 20 empresas, atualmente, graças ao uso intensivo do big data, as carteiras de nossos dois fundos de ações, Fundamento e Brasil, têm papéis de cerca de 120 e 80 companhias, respectivamente”, diz Leme.
O Fundamento, um long only cujo patrimônio líquido médio é de R$ 340 milhões, alcançou uma rentabilidade acumulada de 222,58% num período de quatro anos, encerrado em 2019, superando o Ibovespa em 55,82 pontos percentuais. Já o Brasil, com uma proposta mais conservadora, cresceu 62,41% no último biênio, 11,06% pontos acima do Ibovespa. “A amplitude e a diversidade das carteiras do Fundamento e do Brasil permitem captar maiores ganhos e, de forma simultânea, compensar com sobras desempenhos eventualmente insatisfatórios de um ou outro papel”, observa Leme.
A robustez do sistema de dados tem permitido à gestora ampliar sua grade de produtos. Há dois anos lançou o multimercado Absoluto, com retornos de 156% e 252% do CDI em 2018 e 2019, respectivamente. Agora se prepara para lançar um fundo previdenciário que combina elementos do Fundamento e do Absoluto, mas sem riscos de bolsa.
Segundo Leme, “outro projeto prevê a criação de um fundo, talvez um long bias, que siga, em linhas gerais, os parâmetros da Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional, mas sem se enquadrar 100% a essa regra. A ideia é adotar estratégias de short e derivativos que permitam captar melhores retornos e garantir proteção contra a volatilidade.”
A Constância também quer incluir empresas de outros países em seu big data, como suporte para o lançamento de fundos de investimentos no exterior. Inicialmente, devem ser incluídas cerca de 1.500 novas companhias latino-americanas na base da casa. “Os fundos centrados em mercados externos vêm sendo muito demandados pelos investidores institucionais, que estão empenhados em diversificar as suas aplicações, e ainda contam com grande potencial de crescimento”, diz Leme.
Atualmente a gestora possui R$ 2 bilhões sob gestão, atendendo basicamente entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) e regimes próprios de previdência social de servidores públicos (RPPSs). “Trabalhamos com cerca de 40 fundações de previdência públicas e privadas, além de 80 RPPS de 12 unidades da Federação. Juntos, eles respondem por algo em torno de 90% do volume total dos nossos fundos, diz Leme.