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M Square busca institucionais
Com fundos de cotas globais, gestora comemora novo contrato e negociações com outras onze entidades

Surfando no interesse das entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) por investimentos no exterior, a M Square tem recebido um crescente número de pedidos de informações por parte de entidades interessadas em iniciar ou ampliar suas posições em ativos globais. “Temos recebido consultas de forma crescente. Só nos últimos dois meses, o número de fundos de pensão que nos procuraram, interessados em aplicar no exterior, praticamente dobrou”, comenta a CEO Luciana Barreto.
A demanda começou a ganhar intensidade a partir do segundo semestre do último ano, quando teve início o rápido e acentuado declínio da taxa Selic do patamar de 6,5% para os atuais 2,0% ao ano, obrigando os institucionais a buscar novas opções de aplicações para cumprir as metas atuariais. A M Square, que desde 2013 mantém o Global Equity Managers como uma opção de alocação no exterior aos investidores brasileiros, lançou há 12 meses o seu segundo fundo aberto, o Portfólio Global Institucional FIM IE, também sem proteção cambial, a exemplo do mais antigo. Hoje com patrimônio líquido ao redor de R$ 30 milhões, ele patinou em 2019 fechando o ano com um retorno negativo de 0,37%, mas acabou engrenando neste ano e acumula alta de de 43,64% até agosto.
“A carteira do fundo tem cerca de 70% de exposição em ações, especialmente papéis de empresas norte-americanas e europeias, com renda fixa e crédito respondendo pelo restante”, assinala Luciana. “O quadro de cotistas acaba de ser reforçado com o segundo fundo de pensão.”
Já o Global Equity Managers, que aloca 100% de seu portfólio em cotas de fundos de renda variável globais, rentabilizou 32,23% em 2019 e 48,34% nos oito primeiros meses deste ano. Com um patrimônio líquido de R$ 232 milhões, o fundo contabiliza dez EFPCs entre os seus cotistas. Sua carteira apresenta forte concentração em papéis de empresas de tecnologia da informação (TI) e serviços de comunicação, com destaques para as norte-americanas Charter Communications, Alphabet Inc. (ligada ao Google) e Amazon, e para as chinesas Tencent e Alibaba. “Boa parte dos nossos investimentos contempla setores com reduzida presença no mercado acionário brasileiro”, observa a CEO. “Outro segmento presente na carteira do fundo é o da saúde.”
Criada em 2005 e voltada, de início, ao atendimento de famílias abastadas, a M Square é, a rigor, uma alocadora de recursos. A casa opera atualmente com cerca de dez gestores estrangeiros de fundos, em sua maioria independentes, e mantém cadastros e informações permanentemente atualizados de algumas centenas de instituições, para agilizar eventuais processos de substituição. “Várias dessas assets nunca tiveram vínculos com o Brasil, mas depois de localizá-las e colher informações a seu respeito vamos atrás delas”, conta Luciana.
A performance, claro, tem grande peso na seleção dos fundos. A M Square também leva em conta referências dos gestores, coletando informações de seus dirigentes e executivos de relações com investidores, além da liquidez dos ativos e participações acionárias nas empresas investidas. “Também avaliamos as posturas adotadas pelas gestoras depois de terem sofrido perdas e, sobretudo, os seus graus de coerência. Se uma asset se autodefine como uma operadora fundamentalista de longo prazo e realiza mudanças constantes e profundas em sua carteira, nem vale a penas esticar as conversas e as análises”, diz Luciana.
Assim como as demais casas especializadas em fundos de exterior, a M Square acompanha com grande expectativa a evolução do debate sobre a elevação do atual teto de 10% que os fundos de pensão seguem para aplicações no exterior. Luciana torce pelo aumento, assim como da revisão de outra norma do CMN. “Penso que seria igualmente vantajosa a redução do limite definido em relação aos gestores externos, que têm de manter sob seus cuidados pelo menos US$ 5 bilhões em recursos de terceiros para poder atender às fundações brasileiras”, diz a CEO. “A preocupação com a segurança dos investidores institucionais é mais do que razoável, mas posso garantir que há diversas assets excelentes com volumes abaixo desse patamar espalhadas pelo planeta.”