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GuardCap traz fundo de ações
Gestora londrina faz sua primeira incursão em mercados emergentes

Com a Selic na mínima histórica de 2% ao ano, que os economistas preveem que deve seguir estável por boa parte de 2021, não são apenas os investidores que estão se mexendo em busca de alternativas.
Grandes grupos financeiros, como bancos e gestoras de recursos, atentos à demanda trazida pelo cenário inédito de juros extraordinariamente baixos, com inflação sob controle, se preparam para disputar os bilhões de institucionais que ainda devem migrar da renda fixa para ativos de maior risco.
E diante do tamanho relativamente limitado da Bolsa local, a alocação global desponta como uma das maiores apostas do mercado para galgar espaço no portfólio dos fundos de pensão daqui em diante.
Entre as casas que se movimentam para tentar capturar o fluxo dos institucionais para além das fronteiras domésticas, estão desde velhos conhecidos, como o BTG Pactual, que tem fechado acordos de distribuição com gestoras sem presença no país, como T Rowe Price e Robeco, até novos entrantes como a gestora GuardCap Asset Management, com cerca de US$ 5 bilhões sob gestão e baseada em Londres, subsidiária do grupo canadense Gurdian Capital.
O fundo de renda variável lançado em agosto pela GuardCap, sem hedge cambial, segue a principal estratégia global da casa, que investe apenas em ações de mercados desenvolvidos e com foco no longo prazo, explica Joseph Sweigart, diretor de distribuição institucional para América Latina da gestora. Segundo ele, as empresas costumam permanecer no portfólio entre cinco a dez anos.
Entre as maiores posições do fundo, estão nomes conhecidos como Mastercard e Alphabet (Google), além de outros um pouco menos, como Illumina, que produz equipamentos para laboratórios especializados no sequenciamento genético, ou da empresa do ramo óptico EssilorLuxottica.
Mesmo um evento grave como a pandemia não causou mudanças relevantes na carteira da gestora, explica o CIO da GuardCap, Steve Bates. Isso porque ela avalia, no processo de três anos que dura em média uma prévia à alocação, o potencial de retorno das próximas décadas. Entre as poucas que ocorreram ele cita a exclusão da empresa de joias Tiffany.
“Nossa filosofia de investimento defende que o crescimento projetado guia o retorno, e a qualidade da companhia a protege das fortes quedas”, afirma Bates, acrescentando que o preço é outro ponto crucial na análise do investimento.
Para fazer a distribuição do fundo, a GuardCap optou por lançar um “feeder fund”, em parceria com a gestora brasileira Hogan Investimentos, ex-Victoire.
Entre os principais sócios da asset londrina, estão executivos egressos da gestora Fleming Asset Management, que no ano 2000 foi adquirida pelo JP Morgan, como Bates.
O co-CIO da Hogan, Mohamed Mourabet, por sua vez, trabalhou junto com Bates na Fleming nos idos dos anos 1990. Por esse relacionamento, quando a GuardCap resolveu entrar no país com a oferta de um fundo global de ações, na primeira incursão em um mercado emergente, uma parceria comercial com a Hogan foi estabelecida para viabilizar a oferta do produto.

Já casas globais como T Rowe Price, Pictet, Robeco, MFS e AQR, que também não contam com escritórios no Brasil, e não tem essa pretensão no momento, optaram por fechar um acordo de distribuição com o BTG Pactual para oferecer seus produtos aos institucionais brasileiros, explica Phylipe Corsini.
O executivo esteve nos últimos oito anos na área de distribuição aos clientes institucionais da gestora, e foi realocado em julho para a área do banco chamada “Third Party Distribution”, que distribui produtos de terceiros, em um cenário no qual a taxa de juros nas mínimas força as instituições financeiras a ampliar o leque de alternativas disponíveis aos investidores.
Entre as gestoras globais com quem o banco fechou contrato recentemente para ser o responsável pela distribuição dos fundos globais no Brasil, de ações, de crédito, ou multimercados, estão nomes como T. Rowe Price, Pictet, Robeco, MFS e AQR.
A curadoria que resulta nos fundos globais que o banco escolhe oferecer, dentre a infinidade de opções além mar, diz Corsini, envolve desde a percepção dos executivos sobre a demanda do investidor local, que segundo ele vem aos poucos se sofisticando, como o interesse da própria gestora estrangeira de ter um representante comercial no mercado brasileiro.
“Nos últimos meses, com os juros baixos, surgiram diversas gestoras independentes de fundos multimercados, mas com carteiras que têm uma correlação muito alta entre si”, afirma o executivo do BTG Pactual.
“Ao diversificar um pedaço do portfólio com os ativos globais, a expectativa de volatilidade diminui consideravelmente”, diz Corsini, que adianta que o próximo fundo global de terceiros a ser adicionado à grade do banco deve ter como norte a temática ESG, que vem ganhando cada vez mais espaço nos portfólios dos grandes investidores brasileiros.