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Apontando para o risco
Juros baixos e alta liquidez do capital no mundo todo devem continuar impulsionando os fundos de renda variável e os multimercados

Edição 332

Pesquisa realizada por Investidor Institucional junto a 50 assets para determinar as principais tendências de alocação para o ano que vem mostra um forte inclinação por renda variável ativa, renda variável no exterior e multimercados. Na média, a soma das indicações de crescimento forte e moderado para renda variável ativa atinge 93,75%. Já para renda variável no exterior, a soma das respostas por crescimento forte e moderado alcança 87,50%. E em relação aos multimercados, a soma das respostas por crescimento forte e moderado é de 85,42%.
“Nossa percepção está muito alinhada com os resultados dessa pesquisa”, afirma o gestor de renda variável da ARX Investimentos, Alexandre Sant’Anna. “Acreditamos que ainda existe espaço para mais fluxo para a renda variável, assim como para os multimercados”, complementa o gestor.
Segundo ele, a migração de renda fixa para renda variável que vem ocorrendo nos últimos anos por conta da queda da taxa de juros deve se manter no ano que vem. Isso porque, embora haja uma expectativa por parte do mercado de que o Copom irá elevar os juros basicos no ano que vem, não deve ser uma alta muito significativa, indo de 2% neste ano para algo como 3% ao final do ano que vem.
Segundo o gestor da Arx, além da renda fixa apresentar um incremento modesto que dificilmente conseguirá reter os investidores, também a vacinação das populações, inicialmente dos países desenvolvidos e aos poucos dos outros países, abre uma perspectiva de retomada das atividades e dos lucros das empresas, internacionais e nacionais. “Há uma confiança de que a atividade econômica voltará ao normal em breve, o que deve favorecer a rentabilidade das empresas”, avalia. “As projeções do FMI para o crescimento do PIB mundial no ano que vem são acima de 5% e para 2022 chegam perto de 4%”, diz.
Sant’Anna analisa que a retomada da economia global pós-vacinação, aliada à taxas de juros muito baixas no mundo e elevados fluxos de capital em busca de melhores retornos, devem irrigar os investimentos de mais risco em 2021. “Hoje, cerca de 30% do estoque de dívida global tem juros negativos”, afirma. “Isso vai impulsionar a liquidez internacional”.
Segundo ele, apesar do crescimento da indústria de fundos nos últimos anos, o percentual alocado em ações ainda é muito baixo. Atualmente a indústria possui cerca de 14% alocado em ações, de um total de cerca de R$ 5 trilhões, um percentual ainda bem abaixo dos 20% que chegou a ter nos anos 2007/2008, quando a indústria tinha R$ 1,5 trilhão, o Brasil exibia o investment grade e os juros eram mais elevadas. “Temos potencial para aumentar esse percentual”, diz “Isso sem falar no número de contas individuais na B3, que nos últimos dois anos passou de 810 mil para cerca de 3,2 milhões, mais de 2 milhões de novas contas”.
Para Sant’Anna, o aumento do número de IPOs e Follow-Ons nos últimos anos é outro indicador do fôlego do mercado de capitais. Segundo ele, foram realizados 5 operações somando IPOs + Follow-Ons em 2018, representando um total de R$ 11 bilhões de captação. Esse número subiu para 42 operações em 2019, com R$ 89 bilhões captados, alcançou 49 operações em 2020, com R$ 177 bilhões captados, e já há 25 operações registradas na CVM para 2021. “O ano realmente deve ser quente para a área de risco no ano que vem”, diz.