Mainnav

Aposta no conservadorismo
Em seu último relatório, Anbima destacou crescimento nas alocações dos fundos de renda fixa em todos seus indicadores

Edição 367

Mello,Marcelo(SulAmerica) 24abr 02(MauroFiga)A manutenção da Selic em 10,50% na reunião de 19 de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reforça uma tendência que já era clara durante os primeiros meses de 2024. As alocações do mercado continuarão, predominantemente, em renda fixa. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostravam que os fundos de renda fixa tiveram uma captação líquida de R$16,3 bilhões em maio e de R$ 171,6 bilhões no acumulado do ano.
Enquanto isso, na ponta oposta, os multimercados tiveram resgates líquidos de R$ 15,3 bilhões em maio e de R$ 54,1 bilhões no acumulado do ano. Os fundos de ações fecharam o mês com saldo negativo de R$ 4,6 bilhões e o ano com perdas de R$ 4,2 bilhões. Ou seja, a balança pende favoravelmente para a renda fixa.
Os resultados da SulAmérica Investimentos, Vida e Previdência corroboram essa tendência. A gestora teve um incremento líquido de R$ 7 bilhões nos primeiros cinco meses do ano, abrindo 2024 com R$ 64 bilhões sob gestão e finalizando o mês de maio com R$ 71 bilhões. “Praticamente todo esse aumento foi puxado pela renda fixa”, diz o CEO da gestora, Marcelo Mello.
Segundo o executivo, a tendência não deve mudar neste ano, uma vez que os juros embutidos nos papéis de renda fixa ainda são bastante altos, sendo suficiente, no caso dos investidores institucionais, para cobrir seus compromissos atuariais. Mello acredita que os fundos multimercados não retomarão as captações neste ano, algo que segundo ele só deve voltar a acontecer a partir de 2025.

Influência dos EUA - Embora fatores do cenário doméstico possam ter influenciado a decisão do Copom de manter as taxas básicas de juros em 10,5% na reunião de 19 de junho, é inegável o peso exercido pela política monetária do Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, nessa decisão. Neste ano, ao contrário do que o mercado esperava, o Fed ainda não fez nenhum corte na taxa de juros dos Estados Unidos, sinalizando que há nuvens pesadas no ambiente macroeconômico, principalmente relacionadas à inflação.
Forster,Marc(Western) 19fev 01“Do fim de 2023 para cá houve uma reversão do cenário estimado por investidores no mercado, principalmente na postura do Fed em relação à sua política monetária”, diz o head da Western Asset no Brasil, Marc Forster. “Em dezembro do ano passado, acreditava-se que o Fed faria cerca de seis ou sete cortes de juros em 2024, a partir de março. Contudo, o primeiro semestre deste ano trouxe um cenário diferente, o início do ciclo de cortes não aconteceu e a economia brasileira sofreu os impactos”, afirma.
Isso acabou por desidratar bastante os mercados brasileiros de mais risco, como multimercados e ações. “O único mercado brasileiro que não sofreu com a crise foi o de crédito”, afirma Foster. Segundo ele, esse mercado surfa numa onda positiva, com rendimento igualmente alto, há cerca de um ano. As taxas foram fechando mas estabilizaram em patamar interessante.
O executivo da Western avalia que os fundos de renda fixa ativos, que possuem exposição a juros longos, conseguirão performar bem. “Os juros vão ficar onde estão por mais tempo, ou cairão muito menos que o esperado, tanto aqui quanto lá fora. E os segmentos de crédito, num ambiente onde não há crise ou risco e tendo uma performance recente muito boa, funcionarão como um imã para os investidores”, diz.