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Destaque para ações
Com juros em baixa, inflação sob controle e atividade econômica em ascensão, fundos de ações e multimercados vão crescer forte

A economia brasileira deve crescer de forma mais sustentável e ordenada em 2020, com juros baixos baixos e inflação sob controle. É o que aponta uma pesquisa feita pela Investidor Institucional com importantes gestores de assets management, convidados a apontar tendências para os principais indicadores de atividade interna e externa.
O que surpreende tanto nos números quanto nas explicações dos entrevistados é que não há grandes divergências em pelo menos três pontos: o Produto Interno Bruto (PIB) volta a crescer, o que é indicado por uma projeção média de alta de 2,3%; a taxa básica de juro, Selic, ficará baixa, em 4,39% na média das respostas; e o Congresso precisa avançar nas reformas estruturais, mesmo diante de um ano complexo em função do calendário eleitoral nos municípios, disseram eles nas entrevistas.
“O próximo ano deve se consolidar com um cenário mais tranquilo, tanto aqui dentro quanto lá fora. Acreditamos que o crescimento será melhor em razão da baixa taxa de juros e da reativação da crédito”, afirma Paulo Gala, diretor geral da Fator Administração de Recursos (FAR). Ele acredita em uma melhora do PIB, “nada ainda muito significativo quando confrontado com as perdas que vêm desde 2014, mas ajuda para a retomada do emprego”.
Os motores para a melhora da atividade econômica, na visão dos especialistas, devem ser basicamente dois: a construção civil e o agronegócio. O consumo das famílias deve movimentar a economia. Medidas de estímulo por parte do governo, como a liberação de parcelas do FGTS, devem contribuir para isto. Por outro lado, há uma certa unanimidade de que a indústria brasileira ainda padecerá para engrenar, principalmente em razão da crise econômica da Argentina, nosso principal parceiro comercial no continente.
A âncora da Selic, apontam os economistas, também ajudará a manter os preços da economia sem sobressaltos. Na pesquisa da Investidor Institucional, a previsão de taxa acumulada nos 12 meses de 2020 para o INPC será de 3,71%. Já para o IPCA a média ficou em 3,65%, e para o IGP-M em 4,11%.
“Acreditamos que em 2020 a inflação o Brasil estará controlada. Os preços da energia em queda devem contribuir para isto. A grande mensagem são os juros, ainda em baixa, e um crescimento do PIB em torno de 2,5%, que é um patamar suficiente para não inflacionar os preços internamente”, avalia Evandro Buccini, diretor de Renda Fixa e Multimercados da Rio Bravo.
Maurício Lima, especialista de produtos da Western Asset, lembra que no final de 2019, mais especificamente em novembro, houve uma “surpresa inflacionária” de curto prazo por conta do preço da carne, pressionada pelas exportações à China, mas que os índices de inflação permanecem sob controle. “Apostamos em um IPCA de 3,60% para 2020, o que garante espaço para o Banco Central reduzir a Selic para algo em torno de 4,25% até dezembro do ano que vem”.

Fio da Navalha – Embora a inflação esteja sob controle e a economia dando sinais de recuperação, o quadro fiscal ainda preocupa. De acordo com o levantamento da Investidor Institucional, o déficit primário para 2020 deve ser de 0,99% negativos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e a dívida pública de 58,60%.
Em novembro, o Governo Federal enviou ao Congresso Nacional três projetos de reforma elaborados pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, nas áreas fiscal e do pacto federativo, sobre a divisão de recursos entre União, estados e municípios. As três Propostas de Emenda de Constitucional (PECs) fazem parte de um pacote maior de mudanças para tentar estimular a economia. Para os economistas, a mais relevante das três é a que trata da emergência fiscal, que cria restrições temporárias quando a União, estados ou municípios entrarem em estado de emergência fiscal, isto é,em grave crise das contas públicas.
“Acreditamos que o ano que vem deve ser importante para a votação no Congresso da PEC que impõe um limite aos gastos federais. Será difícil em razão do calendário eleitoral, mas é importante que se vote esta medida e que se cumpra o teto, particularmente para o exercício de 2021”, afirma Tatiana Pinheiro, economista-chefe da BNP Paribas Asset Management.
A executiva do BNP Paribas avalia que o País está em um processo de recuperação lenta da atividade econômica nos últimos dois anos. “Apesar de tropeços - refiro-me a acontecimentos como o incidente da Vale em Brumadinho e a crise econômica Argentina -, no último trimestre o IBGE mostrou um avanço da atividade econômica. Há pontos positivos como a melhor da taxa do desemprego, os juros baixos, mas ainda há muito o que melhorar em relação a outros países”.

Cenário Externo – Dois eventos externos estão na mira dos economistas das assets, mas que devem ter efeito colateral menor do que se imaginava em passado recente: as eleições no final do ano que vem nos Estados Unidos e a guerra comercial entre os americanos e a China. Na verdade, apontam eles, os episódios estão interligados. “Haverá certamente uma trégua na guerra comercial dos Estados Unidos com a China, até em função das eleições americanas, natural que isto aconteça”, avalia Evandro Buccini, da Rio Bravo.
O cenário global, como vem apontando trabalhos do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, é de juros baixos no mundo e desaceleração gradual da economia do planeta. Na pesquisa da Investidor Institucional, o PIB projetado americano para 2020 é de crescimento de 1,81%, e o da China de 5,85%.
“É preciso lembrar que a China enfrenta problemas internos com Hong Kong, não há interesse em intensificar os problemas comerciais com os americanos. E o cenário global é ainda de juros baixos ou mesmo negativos no planeta”, avalia Paulo Gala, da Fator.
Para Maurício Lima, da Western Asset, a guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo já dura um ano e meio e vem trazendo volatilidade para o mercado global, o que se traduz em baixo crescimento. “Com inflações e juros baixos no mundo, os investidores globais tendem a continuar a apostar em risco, e os países emergentes podem se beneficiar desta liquidez. Nesse sentido, o Brasil é uma oportunidade e pode ganhar pontos com as novas reformas e uma retomada da economia”, afirma.
No levantamento com as assets, a previsão é de uma valorização do real em relação ao dólar no final de 2020, com um câmbio projetado de R$ 4,07 por dólar. Em relação ao Ibovespa, uma valorização do índice para 130,3 mil pontos. Para Evandro Buccini, da Rio Bravo, apesar do cenário positivo da economia, o Ibovespa “não deve performar tudo o que performou em 2019 no próximo ano”.

Projeções de Demanda por Ativos ao longo de 2020 (em pdf)

Projeções de demanda por ativos ao longo de 2020
Classe de ativos Total de
respostas
Queda
forte
Queda
moderada
Demanda
neutra
Crescimento
moderado
Crescimento
forte
Renda Fixa CDI 30 15 10 2 3 0
Renda Fixa NTN-B 30 0 7 10 12 1
Renda Fixa Inflação 30 1 7 9 12 1
Renda Fixa Crédito 30 1 3 6 12 8
Renda Variável Ativa 30 0 0 0 2 28
Renda Variável Passiva 30 0 0 3 10 17
Multimercados 30 0 1 0 12 17
FIP - Participações 29 0 0 7 16 6
FIDC - Direitos creditórios 29 0 1 9 11 8
FII - Imobiliários 29 0 0 2 11 16
FIEX - Investimento no Exterior 29 0 0 8 14 7
*Pesquisa realizada pela Investidor Institucional no final de novembro de 2019. As projeções representam a média das respostas de 33 gestores, que indicaram tendências para cada tipo de ativo: crescimento forte; crescimento moderado; demanda neutra; queda moderada; queda forte