Mar calmo não faz bom marinheiro
Em um período de elevada volatilidade, se destacaram os gestores que souberam navegar entre as diversas classes sem medo de buscar retorno

Classificação dos Fundos Multimercados
Classificação 12 meses 24 meses 36 meses
Excelentes (verdes) 61 49 47
Adequados (amarelos) 61 40 43
Insuficientes (vermelhos) 70 90 74
Total analisado 192 179 164


No ano passado, o receio de uma recessão das grandes economias globais fez com que os bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes adotassem como estratégia a redução das taxas de juros para estimular o ritmo da atividade. Os investidores não poderiam ter ficado mais satisfeitos com a decisão das autoridades monetárias. Isso porque ela gerou impactos bastante positivos tanto para os ativos de renda fixa, que tiraram proveito do fechamento da curva de juros pelo efeito da marcação à mercado, como também para os de renda variável, com as bolsas em forte alta diante da percepção positiva dos efeitos da queda dos juros na economia real. No Brasil, o resultado dos principais benchmarks refletiu o elevado apetite por risco que tomou conta do mercado – o Ibovespa subiu 31,5% em 2019, a maior alta desde 2016, enquanto o IMA-B 5+ teve uma valorização parecida, de 30,4%. No ano passado, o receio de uma recessão das grandes economias globais fez com que os bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes adotassem como estratégia a redução das taxas de juros para estimular o ritmo da atividade. Os investidores não poderiam ter ficado mais satisfeitos com a decisão das autoridades monetárias. Isso porque ela gerou impactos bastante positivos tanto para os ativos de renda fixa, que tiraram proveito do fechamento da curva de juros pelo efeito da marcação à mercado, como também para os de renda variável, com as bolsas em forte alta diante da percepção positiva dos efeitos da queda dos juros na economia real. No Brasil, o resultado dos principais benchmarks refletiu o elevado apetite por risco que tomou conta do mercado – o Ibovespa subiu 31,5% em 2019, a maior alta desde 2016, enquanto o IMA-B 5+ teve uma valorização parecida, de 30,4%. Nesse cenário, se sobressaíram os gestores de multimercados que não tiveram medo de apostar em ativos de maior risco mesmo diante das inúmeras preocupações no radar, como a guerra comercial  EUA/China no âmbito internacional e as incertezas sobre a aprovação da reforma da Previdência no Brasil. 
A Icatu Vanguarda foi um dos destaques do período, com seis multimercados considerados excelentes pelo levantamento dos melhores fundos para institucionais, dividindo a liderança no segmento com a Bradesco Asset Management (Bram). Segundo o diretor de relações com investidores da Icatu Vanguarda, Bruno Horovitz, a família de fundos data-alvo (ou target-date, na expressão em inglês) com prazos mais dilatados, com vencimentos em 2030, 2040 e 2050, conseguiu tirar um bom proveito das oportunidades que o mercado financeiro apresentou ao longo do ano passado. 
“Os fundos data-alvo se caracterizam por ter um portfólio com maior exposição ao risco quando ainda falta bastante tempo até o prazo final definido, e vão adotando uma postura mais conservadora conforme se aproximam do vencimento”, afirma Horovitz. “Em 2019, como os ativos de maior risco foram os que mais se valorizaram, os fundos data-alvo de longo prazo tiveram um bom desempenho”, complementa o especialista. Segundo ele, em mercados mais desenvolvidos, os fundos data-alvo já têm dominado a preferência dos investidores. Dados apresentados pelo executivo da Icatu Vanguarda mostram que nos Estados Unidos, cerca de 80% do fluxo dos recursos para multimercados previdenciários já são direcionados para produtos data-alvo. “No Brasil ainda estamos longe dessa realidade, mas temos evoluído bastante”, diz Horovitz. “Quando esses fundos começaram a surgir no mercado local, havia basicamente CDI e IbX como diversificação entre as classes de ativos. Hoje contamos uma gama muito mais variada de opções, como crédito estruturado, NTN-Bs e uma série de estratégias de renda variável”, afirma o diretor de RI da asset. 
Ainda na prateleira de multimercados da Icatu Vanguarda, também tiveram uma performance acima da média os fundos com limite mínimo e máximo de volatilidade e de alocação em determinadas classes, como bolsa e títulos atrelados à inflação. “Em momentos em que a aversão ao risco tem um aumento considerável, gestores de multimercados macro muitas vezes zeram a exposição em classes mais voláteis”, explica o especialista. “Esses nossos fundos tiveram um rendimento positivo em 2019 justamente porque nos momentos de maior volatilidade, embora as posições de mercado tenham ficado menores, por força do regulamento em nenhum momento deixamos de tê-las”, diz Horovitz. 
Na Bram, a renda fixa local e a bolsa brasileira também trouxeram importante contribuição para o resultado dos multimercados da gestora no ano passado. “Aproveitamos o ciclo de cortes da Selic para tirar proveito do fechamento dos juros, enquanto na renda variável adotamos um posicionamento mais direcional nos nossos multimercados, sem um destaque tão grande em algum setor específico, mesmo porque foram poucos os papéis que não tiveram bom desempenho em 2019”, explica o gestor da Bram, Marcelo Nantes.
Ele destaca, contudo, a decisão estratégica tomada no fim de 2018 pela asset de aumentar a exposição dos multimercados da casa a ativos no exterior,  incremento esse que teve de ser feito em uma velocidade mais acentuada diante da forte queda dos juros locais que ocorreu de forma mais rápida do que o esperado. “Dessa forma, conseguimos aumentar a diversificação da carteira, potencializando a expectativa de retorno mas sem aumentar os níveis de risco”, afirma Nantes.
Entre as apostas globais certeiras da Bram no ano passado, o gestor cita os ganhos expressivos obtidos através do índice da bolsa americana S&P 500, que valorizou 28,9% no período. “Mesmo com a forte alta do benchmark, ainda assim conseguimos gerar um alpha relevante de quase dois pontos percentuais para os cotistas por meio de uma gestão ativa da carteira”, diz o especialista.
Já na Ibiuna Investimentos, que teve dois fundos multimercados considerados excelentes pelo ranking, a expertise dos sócios-fundadores Mário Torós e Rodrigo Azevedo foi essencial para a assertividade das estratégias em 2019. Ambos ocuparam a cadeira de diretor de política monetária do Banco Central (BC), o que lhes dá a expertise necessária para tirar o melhor proveito possível dos ciclos de altas e baixas dos juros promovidos pelas autoridades monetárias, não só no Brasil mas ao redor do globo. 
“No ano passado, quando detectamos que os bancos centrais iriam atuar para mitigar o risco de recessão global, acentuado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, conseguimos nos posicionar com antecedência em ativos pré-fixados para tirar proveito dos movimentos de queda dos juros nos Estados Unidos, no México e no Brasil”, afirma Caio Santos, sócio e diretor de relações com investidores da Ibiúna.
 Afastado o receio de que as economias poderiam estagnar após o processo de afrouxamento monetário, e com a redução da percepção de risco em relação a eventos geopolíticos que vinham mantendo os investidores mais cautelosos, como a guerra comercial e o Brexit, os gestores da Ibiúna entenderam que a próxima etapa do ciclo econômico seria um ganho de tração no ritmo da atividade em função dos juros em patamares estimulativos. “Com isso, a exposição em renda fixa dos fundos foi reduzida, e optamos por uma cesta de índices de bolsa do Brasil, Estados Unidos e Europa”, diz Santos, que acrescenta ainda que a aposta da gestora de que o Real teria uma desvalorização frente ao dólar diante do novo patamar de juros no Brasil, que reduziu a atração de recursos estrangeiros ao mercado local, também se mostrou acertada no período.

Os melhores gestores de fundos multimercados (em pdf)

Os melhores gestores de fundos multimercados
  12 Meses 24 Meses 36 Meses
Gestores  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total  Excel.  Adq. Ins. Total
BRAM - Bradesco AM 6 5 5 16 2 4 10 16 2 7 7 16
Icatu Vanguarda 6 1 1 8 4 2 1 7 4 1 2 7
Itaú Unibanco 3 4 1 8 2 2 3 7 0 1 5 6
Bahia 3 1 0 4 2 1 0 3 3 0 0 3
Kinea 3 0 1 4 3 1 0 4 2 1 0 3
BB DTVM 2 4 0 6 4 0 2 6 3 1 2 6
Caixa 2 3 3 8 1 1 3 5 1 0 4 5
Mongeral Aegon 2 2 3 7 3 1 3 7 3 1 2 6
JGP 2 2 1 5 1 1 3 5 2 1 1 4
Claritas 2 1 0 3 2 1 0 3 2 1 0 3
Vinci 2 1 0 3 1 0 2 3 1 1 1 3
Ibiuna 2 1 0 3 0 3 0 3 1 1 0 2
Votorantim 2 0 1 3 1 1 1 3 1 1 1 3
Verde 2 0 0 2 2 0 0 2 0 0 1 1
Oceana 2 0 0 2 1 0 0 1 1 0 0 1
Absolute 1 3 1 5 2 1 1 4 2 2 0 4
Western 1 2 4 7 1 1 5 7 1 2 4 7
BTG Pactual 1 1 1 3 0 0 2 2 0 1 1 2
Navi 1 1 0 2 2 0 0 2 2 0 0 2
Pimco 1 1 0 2 0 1 1 2 0 2 0 2
BNP Paribas 1 1 0 2 0 0 1 1 0 0 1 1
J. Safra 1 0 3 4 0 0 4 4 1 0 2 3
XP 1 0 2 3 1 1 1 3 0 0 2 2
Capitania 1 0 1 2 1 0 1 2 1 0 1 2
J. P. Morgan 1 0 1 2 0 1 1 2 0 0 1 1
Apex 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Captalys 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
M Square 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Pacifico 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Solis 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
TG Core 1 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Somma 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1
Canvas 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Perfin 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1
Legacy 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0
Santander 0 4 2 6 0 1 5 6 1 1 3 5
Kapitalo 0 4 0 4 2 2 0 4 1 1 1 3
Garde 0 3 0 3 0 0 3 3 0 3 0 3
AZ Quest 0 2 2 4 0 3 1 4 1 1 1 3
Occam 0 2 0 2 0 1 1 2 0 0 2 2
Mauá 0 1 2 3 0 1 2 3 0 2 0 2
ARX 0 1 2 3 0 1 2 3 0 1 2 3
Novus 0 1 2 3 0 1 2 3 0 1 2 3
Sharp 0 1 1 2 2 0 0 2 2 0 0 2
Saga 0 1 1 2 1 0 1 2 0 1 1 2
Infinity 0 1 1 2 0 1 1 2 0 1 1 2
Daycoval 0 1 1 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Rio Bravo 0 1 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1
Exploritas 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
SPX 0 1 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1
Mirae 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
UBS Consenso 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Sul América 0 0 3 3 0 1 2 3 0 1 2 3
Adam Capital 0 0 3 3 0 0 2 2 0 0 1 1
Ipanema 0 0 2 2 0 1 1 2 0 1 1 2
Truxt 0 0 2 2 0 1 0 1 0 0 0 0
Kadima 0 0 2 2 0 0 2 2 0 1 1 2
RJI 0 0 2 2 0 0 2 2 0 0 2 2
Quantitas 0 0 2 2 0 0 2 2 0 0 2 2
DLM Invista 0 0 1 1 0 0 1 1 0 1 0 1
Plural 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Única 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
VCM 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Austro 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Alfa 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Franklin Templeton 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Gavea 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Neo 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Phenom 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1
Schroder 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 1 1