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Testando as correlações
As correlações com os tradicionais mercados de juros e moedas tiveram que ser testadas num terreno novo, com juros a 2% ao ano

Com oito fundos de ações na categoria de Excelentes em 12 meses, a Itaú Asset Management explorou estratégias capazes de fazer frente à combinação de choque global com um cenário inédito de juro baixo que atingiu o mercado no Brasil nos primeiros meses deste ano. O especialista de portfolios da Itaú, Fernando Cavallete, destaca o FIA Itaú Olimpo, um fundo de ações ativo, como estratégia considerada emblemática do ajuste bem sucedido no mercado de ações em geral. A equipe de gestão do fundo entrou para o time da asset no terceiro trimestre do ano passado, integrando uma das novas mesas incorporadas pelo Itaú. Até a pandemia, a carteira mantinha exposição relevante em papéis ligados ao crescimento doméstico, cíclicos e não cíclicos. “À medida que todos foram afetados, procuramos migrar para papéis melhor direcionados ao novo cenário econômico, buscando empresas melhor posicionadas frente à concorrência e capazes de sobreviver de forma robusta ao choque, ou seja, ativos que tinham potencial de proteção por terem um maior viés de qualidade”.
Conforme os estímulos internacionais ajudavam a recuperar os preços dos ativos de risco, a busca foi por ativos de empresas com maior potencial de crescimento. “Essa foi a cabeça dos gestores do Olimpo mas ela reflete o que ocorreu na classe de ações em geral”, pondera Cavallete. Ele observa que um dos aprendizados mais importantes em 2020 foi o de que o choque veio tão grande que as correlações históricas de preços das ações deixaram de ser respeitadas. Papéis tradicionalmente defensivos não responderam à altura e os papéis de empresas “queridinhas” do mercado sofreram tanto quanto os demais. “Foi preciso reorganizar e reposicionar carteiras de maneira diferente do que fazíamos até agora porque as correlações de juros e moedas também foram testadas e isso aconteceu num terreno novo, com juro a 2% ao ano”, afirma Cavallete.

No Banrisul, o FIA de Infra-Estrutura, cujo foco é em ações de setores variados como água, saneamento, construção civil, mineração e metalurgia, entre outros, está entre os destaques desses 12 meses. Papéis da Vale e da Weg ajudaram na performance da carteira, conta o diretor de Finanças e Relações com Investidores do Banrisul, Marcus Staffen. O objetivo nesse caso foi o de visualizar as melhores oportunidades no mercado e o seu potencial de retorno. Outro fundo considerado Excelente é focado em small caps e seu resultado dependeu muito da percepção do gestor para os papéis que acabaram tendo um desempenho relevante. “Principalmente as ações de Via Varejo e da Panvel, rede de farmácias do Rio Grande do Sul na qual já tínhamos uma boa posição mesmo antes da oferta subsequente de ações - follow-on - de agosto”, conta Staffen.
No caso da Via Varejo, a gestão do fundo já estava convicta há algum tempo, apostava que os papéis estavam com um bom desconto e até ampliou sua posição em março. Com isso, foi possível capturar todo o ganho do crescimento rápido das vendas da empresa em plena pandemia, fruto da mudança recente no seu processo de gestão. Um dos fatores que ajudaram a empresa foi um fluxo não desprezível de investidores pessoas físicas para esses papéis. Hoje, diz Staffen, ela é uma das cinco maiores posições dentro da carteira. “Era uma empresa cujo público-alvo estava nas classes de menor renda e no comércio físico, mas a transformação feita pela nova diretoria foi rápida e o mercado antecipou esse ajuste”.
Já a Panvel é uma alocação histórica no Banrisul, não só por seu desempenho na distribuição de medicamentos mas também pela receita com vendas de cosméticos e perfumes. Os fundos de ações do Banrisul não alteraram muito suas posições, principalmente no fundo de Infra-Estrutura, explica o diretor. Agora entramos na etapa de compreender melhor o cenário e encontrar empresas vencedoras antes de efetuar mudanças. Na estratégia small caps, que tem uma gestão mais dinâmica, o objetivo é tentar enxergar onde o mercado ainda não capturou os eventuais ganhos. São mais de vinte empresas de diversos setores e a maior posição não chega a 10% do total.
Marcus Staffen destaca também a mudança que está em andamento no mercado por conta do peso de mais de dois milhões de CPFs na B3 e o que isso representa para o mercado de ações. “Esse fluxo de investidores pessoas físicas tem afetado a bolsa e as empresas também precisarão se adaptar a isso, encontrar novas formas de comunicação com esse público”.

A filosofia de preservação de capital e renda, com forte diversificação em 35 papéis, é a marca do ARX Income FIC FIA, classificado como Excelente. A carteira mantém um máximo de 10% por empresa e de 30% por setor, é focada em ações de caixa e este ano passou pelo teste súbito de enfrentar um ambiente de ruptura quando a expectativa era oposta, indicava um cenário de recuperação. “A exposição da carteira estava muito voltada a empresas que deveriam ser beneficiadas pelo crescimento da economia interna, como consumo de varejo, mas acabou tendo um bom desempenho porque também incluía o setor de energia elétrica que ajudou a amenizar o impacto”, observa o CEO da ARX Investimentos, Rogério Poppe.
Além disso, mesmo em sua aposta no aumento do consumo este ano a gestora havia incluído papéis de comércio eletrônico e supermercados, que ficaram abertos durante a quarentena toda. “A diversificação foi a base para terminarmos com uma performance positiva, além de fatores como o auxílio emergencial dado pelo governo que tem ajudado a melhorar vendas de alguns setores, entre eles o de siderurgia que já refletem o consumo mesmo em menores tíquetes”, avalia Poppe.
Os eletroeletrônicos também foram favorecidos pelo “coronavoucher” assim como as pequenas obras que movimentam gigantes como Gerdau e Duratex. A Marfrig aproveitou a dinâmica favorável do mercado de carne e a pandemia aumentou alguns preços. Os efeitos inesperados sobre esses segmentos têm produzido muita convicção no modelo de alta diversificação do Income, afirma Poppe, porque mesmo com o cenário adverso a sua performance foi positiva frente ao Ibovespa. A falta de correlação entre os ativos ajudou e alguns papéis já acumulam altas de 40% 50% e até 75%.

Melhores gestores em Ações ( arquivo em pdf)