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Ações globais em destaque
Alocação em mercados externos esteve no centro das estratégias de grande número de assets, para compor seus multimercados e Fiex

A pandemia encontrou o time de gestão de ações globais da Verde Asset Management em nova fase, com um fundo mais concentrado, ou seja, menos posições mas em volumes maiores. A mudança ocorreu em 2019, com a transformação dos três analistas em co-gestores e maior concentração de posições, explica o gestor da Estratégia de Ações Globais da casa, Thiago Harada. O risco embutido na nova abordagem acabou por ser testado com resultados positivos durante a crise que abalou o primeiro semestre, avalia o gestor.
A experiência do time de gestão foi essencial para atravessar as dificuldades do período. “Foi o semestre mais desafiador de toda a minha carreira até hoje, mais do que a crise de 2008”, diz Harada.
A própria mudança estrutural do mercado de investimentos no Brasil, com o impacto da redução dos juros e a percepção dos investidores a respeito da diversificação de risco foram determinantes para ampliar a demanda dos investidores, diz o gestor. “O interesse por ações globais ficou visível nas diversas plataformas”.
Segundo Harada, entre as empresas dos EUA que poderiam ser beneficiadas pela quarentena estão as “cables”, que fornecem serviços a cabo e principalmente internet, e a Domino’s Pizza. As ações de tecnologia perdem um pouco de seu peso, embora alguns desses ativos sigam atrativos.
“Ainda gostamos da bolsa lá fora, frente a um cenário de juros contraídos no mundo e das respostas positivas das empresas aos estímulos dos bancos centrais“, diz o gestor. O mercado de housing nos EUA continua promissor, mas a euforia em relação às companhias de tecnologia precisa ser analisada com cuidado pois alguns nomes subiram muito. Os papéis que mantêm múltiplos razoáveis incluem a trinca Amazon, Facebook e Microsoft. “Mas demos uma reequilibrada no portfólio, estamos menos expostos a elas e estamos comprando outras coisas cujos retornos vão depender da reabertura da economia, como ferrovias nos EUA, Visa e outras”, completa Harada.

Com foco exclusivo em ações globais há sete anos, a Geo Capital avalia o primeiro semestre deste ano em três etapas bem distintas. Na primeira, até meados de fevereiro, sem coronavírus na precificação, a rentabilidade continuava boa. Na segunda quinzena de março, os lockdowns e perspectivas sombrias sobre a economia deram início à fase negativa até que, na segunda quinzena de março até o final de agosto houve uma recuperação forte dos ativos, os índices Nasdaq e S&P bateram máximas históricas com destaque para os papéis de empresas com viés de tecnologia, analisa o CEO e diretor de Investimentos da Geo, Daniel Martins.
A diversificação global nunca foi tão importante para os investidores brasileiros, diz o gestor. A asset focou seu trabalho em disseminar esse discurso para mostrar na prática o comportamento desses ativos na crise. Como resultado, a base de clientes em todo o espectro cresceu 50% - são ao todo mais de mil clientes – e aumentou o número de plataformas. A casa está conquistando este ano seus primeiros clientes institucionais com a chegada de três a quatro EFPC e deve lançar um novo fundo com ou sem travas cambiais. “As estratégias incluem as melhores empresas do mundo e o investidor decide se trava ou não a moeda”, detalha Martins. São sessenta empresas acompanhadas, nas mais diversas geografias e com um filtro para identificar os subgrupos de modo a fazer um escrutínio maior. “Considerando o universo de companhias globais, podemos dizer que acompanhamos a melhor em cada mil empresas”, diz o gestor.
Na Geo, a análise é feita a partir de uma estratégia de arbitragem com horizonte de cinco anos, o que ajuda a executar movimentos de mudanças de posições nos portfólios para aproveitar os melhores preços. Esse “timing arbitrage” olha para o prazo de cinco anos à frente e identifica se a valuation das empresas nesse período embute espaço para explorar os movimentos de preços.
Segundo Martins, permanece algum otimismo com os ativos de tecnologia mas estão sendo feitos ajustes diante das dúvidas quanto aos múltiplos das chamadas big techs. “As ações de tecnologia ficaram mais caras.
Neste momento, a arbitragem abriu espaço para explorar ações de empresas de entretenimento, como os parques da Disney, empresas produtoras de bebidas mais consumidas em bares e restaurantes, etc. Entre as principais posições da Geo está a fabricante de tratores, Deere, a Comcast mídia, a Sky Europa na qual ainda há muito a ganhar e da Berkshire Hathaway, grupo comandado por Warren Buffet. E os papéis da americana Constellation Brands que explora vinhos de Napa Valley e a cerveja Corona.
Entre as principais apostas está a multinacional franco-italiana EssilorLuxottica, que fabrica lentes e armações de óculos como Armani, Prada, etc, um grande player do setor de óculos com presença forte em toda a cadeia e que foi impactado pelo fechamento de lojas. Das posições da Geo, algumas já existiam e foram mantidas ou aumentadas e o maior aumento ocorreu na oposição da EssilorLuxottica. Nenhuma delas é de tecnologia e todas poderão ser beneficiadas com a reabertura da economia.

O mercado de crédito privado, fortemente impactado pela crise, sofreu com o encarecimento e a limitação do acesso a financiamento para as empresas de menor porte. “No crédito, assim como em tudo no mercado, os grandes conseguem resolver suas dificuldades e os pequenos sofrem mais”, pontua a CEO da Captalys, Margot Greenman. Durante a crise deste ano, a situação se agravou e deixou explícito o problema de liquidez e descasamento entre ativos e passivos de crédito. “O crédito privado é o segmento onde há mais descasamento porque os prazos são curtos e não se leva em conta a natureza ilíquida dos ativos”, diz. Com isso, os spreads subiram muito e ficou claro que embora o risco de crédito não seja tão forte quando se investe em ativos high grade, o risco de liquidez é elevado”, pondera Greenman.
Na Captalys, que só atua com ativos de crédito direto, a estratégia está focada em resiliência e consistência de retorno para os investidores, diz Greenman, e a crise foi um teste para a abordagem utilizada. “Fazemos diversificação em três vertentes: setorial, com 70 setores representados na carteira; em risco de crédito – a concentração máxima é de 2%; e diversificação entre produtos.
Embora tenha sofrido uma leve queda de rentabilidade em função de provisões muito pesadas feitas entre maio e junho para responder a expectativas de recebimento, a Captalys passou no teste e conseguiu preservar a rentabilidade de seu carro-chefe, o fundo Orion, que em seu pior momento histórico, no primeiro semestre, apresentou retorno positivo de 0,5%. Com patrimônio próximo a R$ 1 bilhão e 1,5 milhão de ativos na carteira, o fundo já retomou seus patamares históricos de retorno elevado, diz Greenman.

Com R$ 7,2 bilhões sob gestão em ativos de empresas de capital fechado, a Oliveira Trust cresceu 4% nesse segmento no semestre e 16% nos doze meses. “Antes da pandemia havia um “alinhamento perfeito dos astros” para operações com debêntures, renda fixa, FIDCs e Fundos de Investimento Imobiliário que começavam a retornar a um ciclo positivo”, diz o diretor-presidente da Oliveira Trust, José Alexandre Freitas. Com a explosão da Covid, o movimento foi transferido para o “dinheiro no colchão” entre março e abril. “Aqui temos 250 fundos e apenas seis deles são abertos para resgates pelos cotistas. Desses, porém, só dois tiveram resgates mais expressivos”, conta Freitas.
No final de maio o mercado começou a retornar algum ritmo, principalmente nos FIDCs em movimentos feitos por grandes companhias aproveitando a janela do CDI mesmo com a abertura dos spreads. Aos poucos, voltaram outros ativos e a redução do juro no crédito imobiliário pelos bancos ajudou a impulsionar as operações com FII e CRIs, lembra o gestor. Até o final de 2020 e início de 2021 o volume de operações nesses instrumentos deverá crescer algo entre 30% e 40% em relação ao ano passado, estima Freitas. Na Oliveira Trust, os oito primeiros meses do ano trouxeram crescimento de 30% na receita em relação ao mesmo período do ano passado. “Nossos produtos são muito utilizados em momentos de crise e esperamos fechar o ano com um crescimento em torno de 25%”. Das duas mil operações acompanhadas, não houve qualquer caso de défault este ano.
O terceiro elemento a reagir será a classe de fundos de private equity, que poderá viver uma terceira onda no País, aposta Freitas. “No final do primeiro semestre de 2021 esperamos um boom de equity, por conta dos preços dos ativos brasileiros e, caso o dólar siga nos níveis atuais, impondo forte perda de valor em dólar às empresas”.
Na casa, as operações estruturadas começaram a crescer desde agosto e a perspectiva é de fechar o último trimestre do ano com 15% de alta em relação ao mesmo trimestre do ano passado em volume sob gestão. Isso vai abranger principalmente FIDCs, FIIs e CRIs. Já nas debêntures, que tiveram captação em alta de 10% no primeiro trimestre, o segundo trimestre viu uma captação brutal do mercado em debêntures curtas, principalmente no mês de abril, para que as empresas pudessem fazer caixa frente à necessidade urgente de liquidez na crise. Entre maio e junho, o segmento entrou em marasmo e começou a retomar em julho. “Mas ainda estamos apenas a 50% da força do ano passado”, conta Freitas. As empresas que captaram em debêntures curtas terão que voltar até abril de 2021, para pagar o que captaram, e desta vez farão operações mais longas. Somadas ao dinheiro novo de quem ficou fora desse mercado, os próximos seis meses deverão trazer um movimento forte em debêntures e CRAs”, avalia Freitas.

Segmentação por Ativos (em pdf)