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Disputa por retorno absoluto
Gestoras inovam na criação de estruturas mais ágeis capazes de impulsionar a competitividade dos produtos entre os vários tipos de investidores

Edição 335

A competição entre as casas gestoras de modelagem tradicional e as assets independentes ganhou mais visibilidade em 2020, quando os efeitos da pandemia jogaram luz sobre a diversidade dos modelos de investimento, agilidade e montagem de produtos com maior valor agregado como vetores de atração dos recursos dos investidores. Nesta edição do ranking Top Asset, que conta com a participação de 154 gestores, essa disputa é evidenciada nas estratégias que apresentam diferentes gestores quando a segmentação é feita por assets de controle privado, por assets independentes ou indistintamente, sem segmentação, incluindo todos os tipos.
Para a Itaú Asset Management, a segunda maior da indústria no ranking geral e a primeira entre as gestoras privadas (ver página 35), essa disputa foi essencial para impulsionar mudanças. “No passado recente, as independentes cresceram e ganharam muito espaço, com produtos competitivos. Nós aqui éramos uma asset ‘de bancão’ mas decidimos nos reposicionar e disputar espaço no mercado de retorno absoluto, o que fizemos ao criar a estrutura de asset multimesas e de uma equipe com mais de 60 profissionais”, conta o CEO da Itaú Asset, Carlos Augusto Salamonde.
A casa continua atuando firme nos investimentos tradicionais mas assumiu uma postura híbrida e apenas no segmento de retorno absoluto já tem R$ 60 bilhões captados até agora. Houve uma perda inequívoca de mercado no segmento de menor valor agregado mas que foi compensada pelo ganho na ponta oposta, de maior valor, operada pelas multimesas, diz Salamonde. Uma nova mesa foi lançada no primeiro trimestre de 2021 e outra, voltada a uma combinação de gestão fundamentalista com gestão quantitativa, tem sua montagem prevista para o próximo mês. Com isso, a casa terá um total de 15 mesas nesse modelo que tem se mostrado robusto e conseguido reter e atrair novos talentos, avalia o executivo. Em 2020, as mesas tiveram captação líquida de R$ 1,1 bilhão, um terço em cada classe: renda variável, multimercados e renda fixa ativa.
A nova estrutura foi fundamental no ano passado. “Estamos bem posicionados para competir e temos o cliente aqui dentro, porque os recursos que saíram para renda fixa e CDB, na grande migração ocorrida em 2020, acabaram indo para a Tesouraria do Itaú”, pondera Salamonde. Segundo ele, no momento de maior turbulência, entre março e maio do ano passado, mesmo os papéis de crédito de alta qualidade tiveram seus spreads abertos, o que exigiu que a gestora se desfizesse deles no mercado secundário, enquanto o cliente ia para a segurança do CDB. “Em receita, porém, isso foi compensado em 100% pelos recursos capturados na estrutura de asset multimesas”, diz o head de portfólios da Itaú Asset, Fernando Cavallete.
A Itaú também cresceu no mercado de RPPS, com captação líquida de R$ 1,2 bilhão em recursos dessas entidades para aplicar em renda fixa e renda variável via mesas de retorno absoluto. E viu crescer 200% o volume sob gestão em investimentos com exposição internacional para as EFPC desde janeiro de 2018, seja em fundos indexados nas prateleiras beta, seja em soluções completas. De 2018 para cá, aliás, o volume total sob gestão em ativos com exposição internacional aumentou mais de 900% na asset, atingindo R$ 18 bilhões em fevereiro passado.
Outro destaque, diz Cavallete, foi a criação da família de fundos “carteira”, que passou a dar acesso fácil a uma gestão mais sofisticada, contribuindo para empacotar várias estratégias em fundos com perfis diferentes, incluindo ativos locais, ESG, previdência e internacional. “É uma maneira do investidor obter diversificação numa cota única”.
Em 2021, com a leitura difícil dos cenários, os produtos mais flexíveis tendem a continuar muito demandados. “Não vai ter vida fácil para ninguém este ano, a normalização está longe de acontecer e vai ser preciso ter produtos que capturem valor”, observa Cavallete.

A diversidade das mesas de gestão da XP Asset Management – são dez mesas, número que pode subir até 15 dependendo do nível de granularidade que se dá às operações -, foi o ponto essencial para dar resiliência durante a crise e fortalecer a presença da casa, que terminou o ano passado como a maior entre as assets independentes (ver página 36). “Contou também a proximidade com o investidor para explicar a ele o que estava acontecendo nas estratégias que mais sofreram”, destaca o CEO da asset, Bruno Castro.
O número de mesas seguirá crescendo este ano e a renda fixa ganhou relevância no quadro geral, por conta da alta da Selic e expectativa de normalização dos mercados. Em 2020, um dos destaques foi a primeira captação feita pela casa no mercado de private equity, com R$ 1,3 bilhão captados desde a abertura da operação, em fevereiro do ano passado. “As estratégias de PE têm tido bastante sucesso, já são mais de cinco mil cotistas e mais de 60% do portfólio investido. À medida que a carteira complete seus investimentos, vamos continuar olhando para outros fundos nessa área”, avisa Castro.
Num ano mais do que desafiador, em 2020 a XP conseguiu surfar bem a estratégia imobiliária, valendo-se da experiência do time e da consolidação dos portfólios. “Sofremos em março e abril com queda na rentabilidade mas tornamos os portfólios mais resilientes”, diz o CEO. A XP Malls, por exemplo, carteira de shoppings, passou por uma rotação forte de ativos que aumentou sua eficiência. No segmento de imóveis para logística, a casa fez a primeira captação importante no período imediatamente pós-crise, em julho, com uma oferta de quase R$ 600 milhões para novas entradas. A ordem foi aproveitar a oportunidade mesmo em plena pandemia. A única estratégia da carteira imobiliária que ainda não se recuperou foi a de hotéis, abatida pela paralisação do fluxo de viagens. “O real estate foi especialmente relevante para nós no segundo semestre, incluindo destaque para os fundos listados de crédito imobiliário”.
A classe de crédito estruturado foi outro ponto alto no segundo semestre, diz Castro. A rodada de novembro captou R$ 800 milhões. “O objetivo é alocar em crédito de empresas estressadas (capital de giro, precatórios e pré-precatórios), um segmento que deve crescer de novo este ano”. A asset ainda criou e fortaleceu sua mesa de indexados (com opções plain vanilla) numa gestão passiva de Ibovespa, IRF-M e outros. Ao mesmo tempo, apostou em ativos ligados à economia global e num fundo Ibovespa alavancado, completando uma mesa que integra estratégias passivas diferenciadas.
“Além disso, entramos em fundos de índices (ETFs) desde dezembro passado, com R$ 800 milhões captados até agora. De lá para cá, já lançamos cinco ETFs que são novos na indústria. Queremos ser players relevantes nesse mercado também”, afirma o executivo. Para isso, a gestora reforçou sua equipe e prepara o lançamento de ETFs tradicionais e mais alguns novos. O mais promissor deles tem sido o ETF que segue o índice de empresas chinesas (XINA11), e reflete o forte desempenho da economia na China. Na linha de chegada, agora, está um fundo de Ibovespa que irá competir com os fundos de bancos e será seguido por ETFs de emergentes e de asiáticos, em estratégias que podem ser bastante líquidas, observa Castro. Ele acredita que essas carteiras passivas terão espaço para crescer muito daqui para a frente, como ocorreu no mercado internacional.
Os fundos internacionais são outra aposta consistente na XP. Os veículos foram montados para acessar gestores renomados lá fora e foi nesse segmento que avançou a gestão de recursos da asset para as entidades do RPPS. O movimento de demanda começou no segundo semestre de 2019 e continuou crescendo em 2020, liderado pelo apetite dos RPPS pelos fundos globais. A XP mantém 63 veículos que investem em cerca de 40 estratégias de 20 gestores. “Este ano continuaremos avançando em outras frentes mas o esforço majoritário será nas classes internacionais para todos os tipos de investidores, com ênfase na diversificação geográfica”, informa Castro. A asset acaba de montar ainda sua primeira célula de recursos naturais, com a previsão de lançamento, ainda no primeiro semestre, de um fundo florestal que irá buscar recursos das EFPC e seguradoras.

“A capacidade de adaptação rápida ao cenário foi o segredo para manter posições no ano passado, com os indicadores alterados rapidamente e 100% do time de gestão em home office”, aponta o diretor comercial da BB DTVM, Júlio Vezzaro. Foi preciso adequar as carteiras à realidade de um PIB errático e redução da Selic acima do que se esperava e à reversão de indicadores locais e internacionais frente à pandemia, sem perder a qualidade da gestão. A casa contou também com a vantagem adicional representada pelo posicionamento privilegiado da rede especializada de negócios do Banco do Brasil para captar recursos junto ao mercado, o que favoreceu a asset, admite Vezzaro.
O destaque na captação da BB DTVM foi a renda fixa ativa como um todo, tanto em títulos pós como pré-fixados e papéis atrelados à inflação, passando pelas oportunidades em crédito privado. Somadas aos multimercados e à renda variável, essas carteiras permitiram à casa terminar o ano com bom posicionamento e capturar os retornos dos ativos. Em termos de rentabilidade, os fundos de ações no exterior saíram na frente. “O fato de vermos o cliente mais maduro ajudou a segurar maiores movimentos de migração dos recursos”, afirma o diretor. O segundo semestre trouxe o lançamento de novos fundos globais e a casa aproveitou para lançar a tese de recuperação mais rápida de alguns mercados em relação aos emergentes. O viés global foi importante e essa parcela da carteira já atingiu patrimônio líquido de R$ 5 bilhões. “Em 2021 a preocupação é menor com a montagem de novas teses, até porque as atuais já são bem completas”, assegura o diretor.
Este ano já foram lançados dois novos fundos de ações, com 100% de seu patrimônio no exterior, e temática ligada à tecnologia, particularmente ao mercado de games, que têm apresentado crescimento de dois dígitos ao ano. O apetite agora é também por estratégias temáticas regionais ou no setor de tecnologia no mundo todo, por serem teses que continuam em vigor e que se encaixam bem nos objetivos de investimento dos institucionais. “Mesmo com a alta gradual da Selic, mantemos a crença de que a alocação diversificada será novamente uma alternativa vitoriosa”, reflete Vezzaro.
Este ano, começou a mudar também a visão de segmentação por públicos e a BB DTVM amplia o olhar para a distribuição 100% segmentada, com times mais focados em nichos institucionais específicos. “No RPPS registramos captação líquida maior este ano até março e já somos fortes em gestão para EFPC patrocinadas por empresas públicas. Queremos agora fazer o mesmo para as entidades abertas de previdência e colocar energia na atração das EFPC de patrocínio privado, um público que vale o esforço de especialização porque há espaço grande para crescer”, afirma o diretor.

Ranking - Data base 31/12/2020 (arquivo em pdf)

Raio X - Data base 31/12/2020 (arquivo em pdf)

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