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Mandatos de crédito em alta
Fundações começam a promover processos para selecionar fundos de crédito, mas ao invés de percentual do CDI exige-se agora CDI +

Edição 340

A conquista de mais vinte mandatos de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) , somando cerca de R$ 2,2 bilhões em recursos, foi o saldo de doze meses da BNP Asset Management no segmento, informa o diretor comercial, de marketing e digital da casa, Aquiles Mosca. Os recursos entraram no primeiro semestre deste ano, mas uma parte relevante veio de seleções iniciadas no final de 2020. Alguns desses mandatos são de fundações que já eram clientes, outros são de recém-chegados.
Do total captado, 35% foram para fundos de renda fixa, 25% para fundos de fundos (FoFs) e o restante foi dividido entre multimercados, ações e exterior, o que retrata bem a diversificação ocorrida no mercado, pondera Mosca. “O primeiro semestre trouxe captação recorde em fundos e estávamos bem posicionados; neste segundo semestre, o peso da renda fixa tende a aumentar”, diz.
Ele destaca que 53% dos processos para seleção de gestores de que a casa participou no período foram conduzidos por consultorias de investimentos, o que confere maior grau de profissionalização na escolha, que assim ficaria mais técnica. Houve um aumento da presença desses consultores nos processos, segundo o diretor, já que em anos anteriores esse percentual chegava no máximo a 40% dos casos. “É um processo longo e trabalhoso, que envolve a análise de inúmeras variáveis e precisa observar critérios qualitativos e quantitativos, o que torna importante a presença de um intermediário neutro”, avalia Mosca.
A forte presença da asset junto às fundações e aos consultores ajudou na conquista dos mandatos, assim como a performance consistente dos produtos nas janelas de 24,36 e 60 meses. Em renda fixa e exterior, foi importante garantir uma oferta ampla de fundos. No caso de exterior, a asset tem fundos abertos desde 2010 e esse histórico longo é um trunfo que conta na seleção. A captação para exterior foi de R$ 1 bilhão em 12 meses. “Boa parte dos nossos fundos de exterior não faz hedge cambial, então o resultado do câmbio foi relevante”, afirma.
Outra tendência crescente junto às fundações tem sido a de investir via FoFs, tanto que esse segmento respondeu por um quarto da captação da gestora. “Teremos novidades em breve em FoFs, assim como em fundos ESG porque vamos expandir a oferta no último trimestre do ano”, informa Mosca. Do total de R$ 78 bilhões sob gestão, R$ 13 bilhões já vêm dos FoFs.
Com a alta do juro, começa a aumentar o número de processos de seleção para renda fixa/crédito privado, diz Mosca, mas com uma mudança em relação ao passado recente: os benchmarks desses fundos agora passam a perseguir inflação + ou CDI + em lugar de buscar um percentual do CDI. Voltam a ter procura os fundos com maior ênfase em crédito e mandatos atrelados à inflação.
Os fundos de exterior seguem tão demandados quanto no cenário de juro muito baixo. “As incertezas são muitas no ambiente doméstico, envolvem o processo eleitoral no país e a crise hídrica, por exemplo, então os investimentos procuram proteção no exterior. Mesmo que as coisas lá fora não estejam tão tranquilas, o câmbio protege”,comenta.

A gestão de recursos dos fundos de pensão é considerada core na estrutura multi mesas da Itaú Asset Management e registrou avanços importantes em 12 meses, em especial neste ano, refletindo a demanda por produtos de maior valor agregado, como nos fundos multimercados macro, fundos de renda fixa ativa e de renda variável, explica o CEO Carlos Augusto Salamonde. A captação de recursos das EFPC no período foi mais forte nas estratégias de retorno absoluto dessas três classes, atingindo R$ 1,2 bilhão, em linha com o objetivo de reforçar o cumprimento das metas atuariais.
“Fizemos uma reorganização para dar ainda maior senioridade à equipe. Queremos ir além da boa performance no dia a dia para ter um diferencial efetivo do negócio, com a gestão de produtos exclusivos”, sublinha Salamonde. A casa reforçou o time que toca os mandatos exclusivos, similares à gestão de endowments. São onze pessoas, das quais oito fazem gestão e as demais ficam na parte de suporte. “O segmento institucional é fundamental para o futuro da asset”, lembra o CEO.
Ao todo, os produtos de retorno absoluto atingem R$ 65 bilhões distribuídos em fundos exclusivos e carteiras administradas de renda fixa, multimercado, renda variável, exterior e asset allocation. Nessa categoria, a maior captação nos últimos 24 meses foi a de multimercados estruturados, em que a gestora registrou a maior expansão de suas mesas de gestão. O retorno absoluto em renda fixa ativa tem posições táticas direcionais e de arbitragem de curva de juros e volatilidade esperada de 1,5% a 3,0%. Na renda variável, há quatro equipes de gestão para fundos de ações livres. Há times dedicados apenas a esses canais e eles seguem em crescimento apesar da alta do juro porque há clientes que continuam em busca de mais risco, incluindo as EFPC.
Há cerca de um ano e meio a Itaú Asset passou a oferecer crédito estruturado, em consignado, operações na área de energia e outros produtos fechados que buscam yeld. “As fundações mostram interesse e acreditamos que isso poderá se converter em alocação nos próximos 12 meses”, explica o diretor Stefano Catinella. Houve também uma alta forte na demanda das fundações por FoFs e a captação acumulada junto a esses investidores, neste ano, é da ordem de R$ 700 milhões, com destaque tanto em multimercados quanto na parte internacional.
A asset espera atrair uma parcela importante de recursos para mandatos customizados. “Olhamos o passivo para fazer uma gestão liability driven (direcionada pelo passivo)”, diz Catinella. “A expectativa é de crescimento para o próximo ano principalmente em fundos referenciados em IPCA+”.
Nos últimos 12 meses, foram criados dois fundos aderentes aos objetivos atuariais dos fundos de pensão: um multimercado que busca, na renda variável, superar a performance do IPCA no longo prazo e investe em empresas que tenham receitas correlacionadas às taxas de juros reais. E um fundo de renda fixa para superar o IPCA + 3% a.a. por meio de gestão ativa nos mercados de juros, índices de preço e crédito privado no Brasil.
Os ETFs também cresceram de modo expressivo e no caso das fundações a preferência é por fundos que replicam índices mais amplos. A Itaú criou sete ETFs temáticos este ano e ao todo tem R$ 20 bilhões nessa classe, na qual a parte das EFPC mais do que dobrou. Nos últimos 24 meses fechados em junho de 2021 foram mais de R$ 1 bilhão em ETFs captados no segmento de EFPCs.
Com relacionamento enraizado principalmente junto aos RPPS do Rio Grande do Sul, a Banrisul Corretora de Valores detém cerca de 20% desse segmento no estado, cujos institutos somam cerca de R$ 25 bilhões em patrimônio, segundo o diretor de gestão de recursos de terceiros, Roberto Balestrin. Dos R$ 13,5 bilhões que a casa tem sob gestão, 37% vêm dos RPPS. Há quatro produtos exclusivos e um leque de outros produtos de investimento desenvolvidos à medida que a legislação abriu espaço para permitir mais risco”, informa.
Em 2020, ainda antes do início da crise da pandemia, a gestão dos fundos foi ajustada para ficar mais passiva e aderente ao prazo médio da carteira do benchmark. Com a redução da Selic para 2%, os fundos tiveram prêmios em IRF-M e na alocação em títulos com prazos mais longos. “Em seguida, quando o BC começou a elevar o juro, os fundos indexados a índices de preços e prefixados sofreram e estão negativos, então acertamos ao deixá-los mais aderentes”, observa Balestrin.
No momento, com as incertezas locais em economia e política, além das dúvidas no ambiente global, a opção da casa foi por continuar com uma gestão mais passiva. “Os RPPS estão saindo de alocação atrelada a preços e pré para ir para o juro. O IRF-M cresceu muito no passado, mas agora eles vão para o pós porque o juro continua a subir e mesmo assim os retornos vão ficar aquém do necessário para cumprir a meta”, detalha. A Banrisul tem crescido no segmento de ETFs, com R$ 1,1 bilhão negociados para RPPS em 2021, sendo dois de renda fixa e quatro de renda variável.
Com uma meta média de IPCA mais 6% a ser atingida, os RPPS precisam diversificar mais na busca de retornos. “Essa meta nos 12 meses passados deu 14,85% para um CDI que subiu 2%. A alocação que teve maior correlação com a meta do RPPS foi aquela em IMA-B (ativos prefixados e atrelados à inflação), mas chegou apenas a 7% no período”, lembra Balestrin.
“As dificuldades para atingir metas e as restrições legais poderiam ser endereçadas de modo a permitir outros produtos, com gestão mais pró-ativa”, ressalta o presidente da corretora, Alexandre Ponzi. “A nossa gerência comercial acompanha esse público de maneira dedicada e trabalha na conjunção de produtos e em educação para investimentos”, diz.
A corretora quer otimizar sua atuação para se adequar à nova dimensão dos investimentos demandados por esse público, informa Ponzi. No início deste ano passou a concentrar, além da gestão, também a administração fiduciária, que saiu do banco, reunindo toda assim toda a área de fundos. O nível de segregação legal entre gestão e administração foi mantido e a incorporação ocorreu em favor dos negócios, para dar mais alcance aos produtos. “Toda a estrutura está integrada, com gestão, bolsa e os fundos que estamos começando a oferecer com parceiros para quem fazemos distribuição de produtos ou outros. Tudo está reunido agora sob o chapéu da corretora”, observa Ponzi.

O cenário de juro baixo aumentou a dificuldade dos gestores de recursos de RPPS para atingir metas e a exposição à renda variável foi importante no período, ressalta Luiz Felipe Fernandes, diretor da Constância Investimentos. Com um total de R$ 2,2 bilhões sob gestão, a casa mantém uma carteira diversificada em empresas e setores que segue estratégia sistemática e tem mais de cem nomes, sendo que nenhuma posição ultrapassa os 4%.
“Nesses 12 meses, o mercado impôs um teste para as estratégias sistemáticas no mundo todo e a carteira resistiu bem no auge da crise de março/abril porque não estava abraçada em poucos papéis”, observa Fernandes. As pequenas posições diversificadas contribuíram para um retorno melhor. Este ano, até meados de setembro, enquanto o mercado acumulava queda de 7% a 8%, o fundo da gestora perdia apenas 1,5%.
Em 2020, a retomada foi rápida e concentrada em alguns temas ligados à tecnologia, até voltar para uma visão mais abrangente. “No Brasil, de forma geral também acontece uma convergência do mercado para os demais setores à medida que a economia real começou a voltar. Ter uma carteira bem diversificada ajudou muito nesse processo”, diz Fernandes.
O juro baixo elevou a procura por renda variável na casa, que tem 70% de seus mandatos concentrados em investidores institucionais – RPPS e EFPCs- e alocadores. “Os institucionais aumentaram a parcela de renda variável, dentro dos limites legais, e muitos não chegaram a bater no enquadramento embora viessem num processo contínuo de aumento. Agora, com a alta do juro, não vejo movimentos abruptos de saída, nem é o caso de grande migração para a renda fixa porque mesmo com a alta da Selic não será fácil bater metas”, diz Fernandes.
A gestora tem fundos multimercados com estratégia long and short, duas de arbitragem e três de volatilidade, descorrelacionadas, usando opções. “Essa descorrelação foi fundamental porque elas se equilibram”, observa Fernandes. Para 2022, está em preparação a entrada em ativos internacionais.

Segmentação por Investidores (em pdf)

A conquista de mais vinte mandatos de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) , somando cerca de R$ 2,2 bilhões em recursos, foi o saldo de doze meses da BNP Asset Management no segmento, informa o diretor comercial, de marketing e digital da casa, Aquiles Mosca. Os recursos entraram no primeiro semestre deste ano, mas uma parte relevante veio de seleções iniciadas no final de 2020. Alguns desses mandatos são de fundações que já eram clientes, outros são de recém-chegados.
Do total captado, 35% foram para fundos de renda fixa, 25% para fundos de fundos (FoFs) e o restante foi dividido entre multimercados, ações e exterior, o que retrata bem a diversificação ocorrida no mercado, pondera Mosca. “O primeiro semestre trouxe captação recorde em fundos e estávamos bem posicionados; neste segundo semestre, o peso da renda fixa tende a aumentar”, diz.
Ele destaca que 53% dos processos para seleção de gestores de que a casa participou no período foram conduzidos por consultorias de investimentos, o que confere maior grau de profissionalização na escolha, que assim ficaria mais técnica. Houve um aumento da presença desses consultores nos processos, segundo o diretor, já que em anos anteriores esse percentual chegava no máximo a 40% dos casos. “É um processo longo e trabalhoso, que envolve a análise de inúmeras variáveis e precisa observar critérios qualitativos e quantitativos, o que torna importante a presença de um intermediário neutro”, avalia Mosca.
A forte presença da asset junto às fundações e aos consultores ajudou na conquista dos mandatos, assim como a performance consistente dos produtos nas janelas de 24,36 e 60 meses. Em renda fixa e exterior, foi importante garantir uma oferta ampla de fundos. No caso de exterior, a asset tem fundos abertos desde 2010 e esse histórico longo é um trunfo que conta na seleção. A captação para exterior foi de R$ 1 bilhão em 12 meses. “Boa parte dos nossos fundos de exterior não faz hedge cambial, então o resultado do câmbio foi relevante”, afirma.
Outra tendência crescente junto às fundações tem sido a de investir via FoFs, tanto que esse segmento respondeu por um quarto da captação da gestora. “Teremos novidades em breve em FoFs, assim como em fundos ESG porque vamos expandir a oferta no último trimestre do ano”, informa Mosca. Do total de R$ 78 bilhões sob gestão, R$ 13 bilhões já vêm dos FoFs.
Com a alta do juro, começa a aumentar o número de processos de seleção para renda fixa/crédito privado, diz Mosca, mas com uma mudança em relação ao passado recente: os benchmarks desses fundos agora passam a perseguir inflação + ou CDI + em lugar de buscar um percentual do CDI. Voltam a ter procura os fundos com maior ênfase em crédito e mandatos atrelados à inflação.
Os fundos de exterior seguem tão demandados quanto no cenário de juro muito baixo. “As incertezas são muitas no ambiente doméstico, envolvem o processo eleitoral no país e a crise hídrica, por exemplo, então os investimentos procuram proteção no exterior. Mesmo que as coisas lá fora não estejam tão tranquilas, o câmbio protege”,comenta.
 
A gestão de recursos dos fundos de pensão é considerada core na estrutura multi mesas da Itaú Asset Management e registrou avanços importantes em 12 meses, em especial neste ano, refletindo a demanda por produtos de maior valor agregado, como nos fundos multimercados macro, fundos de renda fixa ativa e de renda variável, explica o CEO Carlos Augusto Salamonde. A captação de recursos das EFPC no período foi mais forte nas estratégias de retorno absoluto dessas três classes, atingindo R$ 1,2 bilhão, em linha com o objetivo de reforçar o cumprimento das metas atuariais.
“Fizemos uma reorganização para dar ainda maior senioridade à equipe. Queremos ir além da boa performance no dia a dia para ter um diferencial efetivo do negócio, com a gestão de produtos exclusivos”, sublinha Salamonde. A casa reforçou o time que toca os mandatos exclusivos, similares à gestão de endowments. São onze pessoas, das quais oito fazem gestão e as demais ficam na parte de suporte. “O segmento institucional é fundamental para o futuro da asset”, lembra o CEO.
Ao todo, os produtos de retorno absoluto atingem R$ 65 bilhões distribuídos em fundos exclusivos e carteiras administradas de renda fixa, multimercado, renda variável, exterior e asset allocation. Nessa categoria, a maior captação nos últimos 24 meses foi a de multimercados estruturados, em que a gestora registrou a maior expansão de suas mesas de gestão. O retorno absoluto em renda fixa ativa tem posições táticas direcionais e de arbitragem de curva de juros e volatilidade esperada de 1,5% a 3,0%. Na renda variável, há quatro equipes de gestão para fundos de ações livres. Há times dedicados apenas a esses canais e eles seguem em crescimento apesar da alta do juro porque há clientes que continuam em busca de mais risco, incluindo as EFPC.
Há cerca de um ano e meio a Itaú Asset passou a oferecer crédito estruturado, em consignado, operações na área de energia e outros produtos fechados que buscam yeld. “As fundações mostram interesse e acreditamos que isso poderá se converter em alocação nos próximos 12 meses”, explica o diretor Stefano Catinella. Houve também uma alta forte na demanda das fundações por FoFs e a captação acumulada junto a esses investidores, neste ano, é da ordem de R$ 700 milhões, com destaque tanto em multimercados quanto na parte internacional.
A asset espera atrair uma parcela importante de recursos para mandatos customizados. “Olhamos o passivo para fazer uma gestão liability driven (direcionada pelo passivo)”, diz Catinella. “A expectativa é de crescimento para o próximo ano principalmente em fundos referenciados em IPCA+”.
Nos últimos 12 meses, foram criados dois fundos aderentes aos objetivos atuariais dos fundos de pensão: um multimercado que busca, na renda variável, superar a performance do IPCA no longo prazo e investe em empresas que tenham receitas correlacionadas às taxas de juros reais. E um fundo de renda fixa para superar o IPCA + 3% a.a. por meio de gestão ativa nos mercados de juros, índices de preço e crédito privado no Brasil.
Os ETFs também cresceram de modo expressivo e no caso das fundações a preferência é por fundos que replicam índices mais amplos. A Itaú criou sete ETFs temáticos este ano e ao todo tem R$ 20 bilhões nessa classe, na qual a parte das EFPC mais do que dobrou. Nos últimos 24 meses fechados em junho de 2021 foram mais de R$ 1 bilhão em ETFs captados no segmento de EFPCs.
Com relacionamento enraizado principalmente junto aos RPPS do Rio Grande do Sul, a Banrisul Corretora de Valores detém cerca de 20% desse segmento no estado, cujos institutos somam cerca de R$ 25 bilhões em patrimônio, segundo o diretor de gestão de recursos de terceiros, Roberto Balestrin. Dos R$ 13,5 bilhões que a casa tem sob gestão, 37% vêm dos RPPS. Há quatro produtos exclusivos e um leque de outros produtos de investimento desenvolvidos à medida que a legislação abriu espaço para permitir mais risco”, informa.
Em 2020, ainda antes do início da crise da pandemia, a gestão dos fundos foi ajustada para ficar mais passiva e aderente ao prazo médio da carteira do benchmark. Com a redução da Selic para 2%, os fundos tiveram prêmios em IRF-M e na alocação em títulos com prazos mais longos. “Em seguida, quando o BC começou a elevar o juro, os fundos indexados a índices de preços e prefixados sofreram e estão negativos, então acertamos ao deixá-los mais aderentes”, observa Balestrin.
No momento, com as incertezas locais em economia e política, além das dúvidas no ambiente global, a opção da casa foi por continuar com uma gestão mais passiva. “Os RPPS estão saindo de alocação atrelada a preços e pré para ir para o juro. O IRF-M cresceu muito no passado, mas agora eles vão para o pós porque o juro continua a subir e mesmo assim os retornos vão ficar aquém do necessário para cumprir a meta”, detalha. A Banrisul tem crescido no segmento de ETFs, com R$ 1,1 bilhão negociados para RPPS em 2021, sendo dois de renda fixa e quatro de renda variável.
Com uma meta média de IPCA mais 6% a ser atingida, os RPPS precisam diversificar mais na busca de retornos. “Essa meta nos 12 meses passados deu 14,85% para um CDI que subiu 2%. A alocação que teve maior correlação com a meta do RPPS foi aquela em IMA-B (ativos prefixados e atrelados à inflação), mas chegou apenas a 7% no período”, lembra Balestrin.
“As dificuldades para atingir metas e as restrições legais poderiam ser endereçadas de modo a permitir outros produtos, com gestão mais pró-ativa”, ressalta o presidente da corretora, Alexandre Ponzi. “A nossa gerência comercial acompanha esse público de maneira dedicada e trabalha na conjunção de produtos e em educação para investimentos”, diz.
A corretora quer otimizar sua atuação para se adequar à nova dimensão dos investimentos demandados por esse público, informa Ponzi. No início deste ano passou a concentrar, além da gestão, também a administração fiduciária, que saiu do banco, reunindo toda assim toda a área de fundos. O nível de segregação legal entre gestão e administração foi mantido e a incorporação ocorreu em favor dos negócios, para dar mais alcance aos produtos. “Toda a estrutura está integrada, com gestão, bolsa e os fundos que estamos começando a oferecer com parceiros para quem fazemos distribuição de produtos ou outros. Tudo está reunido agora sob o chapéu da corretora”, observa Ponzi.
 
O cenário de juro baixo aumentou a dificuldade dos gestores de recursos de RPPS para atingir metas e a exposição à renda variável foi importante no período, ressalta Luiz Felipe Fernandes, diretor da Constância Investimentos. Com um total de R$ 2,2 bilhões sob gestão, a casa mantém uma carteira diversificada em empresas e setores que segue estratégia sistemática e tem mais de cem nomes, sendo que nenhuma posição ultrapassa os 4%.
“Nesses 12 meses, o mercado impôs um teste para as estratégias sistemáticas no mundo todo e a carteira resistiu bem no auge da crise de março/abril porque não estava abraçada em poucos papéis”, observa Fernandes. As pequenas posições diversificadas contribuíram para um retorno melhor. Este ano, até meados de setembro, enquanto o mercado acumulava queda de 7% a 8%, o fundo da gestora perdia apenas 1,5%.
Em 2020, a retomada foi rápida e concentrada em alguns temas ligados à tecnologia, até voltar para uma visão mais abrangente. “No Brasil, de forma geral também acontece uma convergência do mercado para os demais setores à medida que a economia real começou a voltar. Ter uma carteira bem diversificada ajudou muito nesse processo”, diz Fernandes.
O juro baixo elevou a procura por renda variável na casa, que tem 70% de seus mandatos concentrados em investidores institucionais – RPPS e EFPCs- e alocadores. “Os institucionais aumentaram a parcela de renda variável, dentro dos limites legais, e muitos não chegaram a bater no enquadramento embora viessem num processo contínuo de aumento. Agora, com a alta do juro, não vejo movimentos abruptos de saída, nem é o caso de grande migração para a renda fixa porque mesmo com a alta da Selic não será fácil bater metas”, diz Fernandes.
A gestora tem fundos multimercados com estratégia long and short, duas de arbitragem e três de volatilidade, descorrelacionadas, usando opções. “Essa descorrelação foi fundamental porque elas se equilibram”, observa Fernandes. Para 2022, está em preparação a entrada em ativos internacionais.