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Escolha depende do mandato
Fundos condominiais representam dois terços da indústria de fundos, mas opção por eles ou por exclusivos deve ser analisada caso a caso

Edição 345

A avaliação das estruturas de investimentos utilizadas pelas assets no ano mostra que 58,28% delas ainda são de fundos condominiais locais mas 29,60% já são de fundos exclusivos locais. Os fundos exclusivos, somando-se os locais e os que investem no exterior, responderam por 30,95%, ou quase um terço da indústria total, reflexo do seu crescimento ao longo dos últimos anos.
Mas a escolha entre os dois modelos está mais equilibrada e é ditada pelo tipo de mandato e pelo modelo que faz mais sentido para cada caso, avalia Fernando Lovisotto, sócio e CIO da Vinci Partners. Essa mudança, acredita, representa um avanço, “o jeito correto” de definir o melhor tipo de estrutura para investir depois de um período em que “virou tudo exclusivo”.
A 5ª maior gestora independente e décima entre as casas privadas, a Vinci terminou 2021 com quase R$ 56 bilhões sob gestão, dos quais uma parte relevante é de institucionais locais – três quartos vindo de fundos de pensão e um quarto de RPPS. “Essa posição é fruto de dez anos de trabalho junto a esse segmento, seja em fundos de private equity, crédito, investimentos imobiliários e de ações no exterior, além dos casos em que fazemos gestão completa de planos de benefícios CD”, diz.
A asset oferece exclusivos e condominiais em seus produtos e aparece no ranking como a 5ª maior em volume de recursos alocados em fundos exclusivos no exterior. A captação na classe de exterior em 2021 foi mais expressiva no segmento de pessoas físicas do que institucionais. Na parcela do AUM que é de institucionais,o destaque ficou para os fundos de crédito privado, que já somam R$ 2,5 bilhões.
“A escolha do tipo de estrutura passou agora a depender muito do tipo de mandato. Se ele for consolidador, para todas as classes de ativos, o exclusivo prevalece; mas para os fundos de ações e multimercados, por exemplo, tem havido maior preferência pelos condominiais por conta da maior mobilidade que essa estrutura oferece às fundações na hora de sair do investimento”, afirma. Além disso, usar exclusivos para customizar carteiras de ações ou multimercados não faz sentido uma vez que já tenha sido escolhido um gestor de confiança.
No crédito, o fundo exclusivo é mais interessante porque permite segregar melhor os passivos, uma medida que se tornou fundamental nesse mercado. “ A grande volatilidade no mercado de crédito, durante a crise da pandemia, veio do movimento de resgate feito pelas pessoas físicas e isso evidenciou que ter mandatos exclusivos para os institucionais é mais adequado porque permite segregar os seus passivos”, explica. Para as carteiras que vão carregar títulos, o exclusivo também predomina.
Com a alta do juro e da inflação, a renda fixa ganhou espaço em 2021 e teve destaque em captação tanto nos mandatos de crédito quanto de proteção contra a inflação, igualmente em fundos exclusivos e condominiais. Em 2022, a asset tem sofrido menos do que a média da indústria nos resgates em fundos de renda variável e multimercados. “Temos conseguido nos defender porque os produtos estão todos no primeiro quartil de performance. Este ano captamos bem também nos ilíquidos, inclusive com uma pequena captação de RPPS, perto de RS$ 150 milhões, num FoF de private equity”, informa.
Mas o destaque deste ano serão mesmo os instrumentos mais conservadores, independente de sua estrutura. “Fora da renda fixa, o grosso do dinheiro só virá quando houver maior visibilidade sobre o juro americano e as eleições aqui”, diz.

Com 28 anos de histórico, a Opportunity aparece na 6ª posição entre as maiores gestoras independentes e décima em fundos condominiais locais. “Grande parte do crescimento no ano passado veio pela rentabilidade do capital aplicado e não da captação”, informa Gabriella Bouquerel, sócia e responsável pela área de relações com investidores. Do total sob gestão no final do ano, de R$ 44 bilhões, a maior parcela – R$ 33 bilhões – está em fundos líquidos (ações, multimercados e ações globais), além de R$ 9 bilhões em fundos de private equity e R$ 2,5 bilhões em FIIs.
A maior parte é composta por condominiais abertos - multimercados macro e fundos de ações internacionais. E quando é feita a gestão dos fundos mais restritos dentro da casa, eles alocam nos mesmos condominiais que estão disponíveis para os demais. “Os condominiais ainda devem manter um patrimônio sob gestão maior do que os exclusivos, por conta das plataformas de investimentos que tornam essas estratégias cada vez mais acessíveis e permitem ampliar bem o leque”, avalia.
Em relação às classes, houve muita migração para renda fixa mas a performance interessante dos fundos multimercados macro começa a produzir uma volta dos investidores este ano, até pelos instrumentos de gestão que esses fundos têm diante do cenário de incertezas nos diversos mercados. “Temos R$ 8,5 bilhões em multimercados e nosso flagship tem conseguido usar bem sua flexibilidade de gestão, ganhou em diferentes mercados nos últimos três anos”, conta.

por Estruturas (em pdf)