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Crédito impulsiona renda fixa
Estimulada pela elevação da Selic e pela oferta de uma grande diversidade de novas estratégias de crédito privado, a renda fixa ganhou espaço em 2021

Edição 345

Em 2021, ano que foi dividido ao meio pela piora específica dos ativos do Brasil a partir de julho devido à questão fiscal, à inflação e ao aperto monetário, a ARX Investimentos conseguiu navegar bem nessa conjuntura graças ao fato de ser uma casa multi produtos e ter um time de macroeconomistas e analistas da área de crédito que conseguiram monitorar a fundo a situação das empresas, segundo avalia Rogerio Poppe, CEO. Quarta maior entre as gestoras estrangeiras, décima maior independente e nona maior na classe de renda fixa, a asset passou a captar na renda fixa antes do retorno mercado para essa classe e, embora os seus fundos de ações tenham perdido recursos no ano passado, o que saiu da renda variável foi para crédito, o grande destaque do ano.
“Percebemos que os riscos no horizonte existiam inclusive em relação ao juro global e ficamos mais conservadores na renda variável e nos multimercados, o que funcionou bem antes da virada dos mercados”, detalha. Ser uma asset multi produtos permitiu ganhar com a sinergia entre as diversas classes, o que se mostrou positivo no ano. “Este ano o clima de guerra na Europa e ano eleitoral aqui preocupa mas a nossa visão é mais de longo prazo e seguimos investindo na infraestrutura de suporte em risco e compliance, que nos dão conforto”, diz Poppe.
Foi o crédito high grade, foco da gestora,que melhor aproveitou o retorno do investidor à renda fixa, diz Pierre Jadoul, gestor de crédito. “Começamos a captar em 2020 e ficamos durante sete a oito meses praticamente sozinhos nesse mercado. Foi a partir do segundo semestre que o aperto da Selic ocorreu e aumentou o fluxo de recursos para o crédito mas nós já vínhamos captando bem e tivemos inclusive que fechar alguns fundos que haviam crescido demais”, afirma. A tendência é de continuidade desse fluxo em 2022 porque a Selic está elevada e o crédito high grade se enquadra nas demandas do mercado.
“Aumentamos a equipe de crédito e também lançamos alguns fundos de previdência para aproveitar um movimento estrutural da indústria porque a previdência era muito concentrada nos bancos de varejo e, desde que as plataformas c omeçaram a ganhar tração, passamos a ter mais acesso ao mercado, esses recursos estão vindo para as assets independentes”, diz.
O lado contrário também é verdadeiro e os bancos de varejo abrem cada vez mais suas plataformas, o que era inevitável. “Essa movimentação tem sido positiva porque nos deu acesso a clientes que não tínhamos e que eram só dos bancões, nós só acessávamos quando eles iam para as plataformas mas hoje esse acesso é direto, é um mercado que ficou mais eficiente”, pontua .
Ao mesmo tempo, dá mais trabalho calibrar a velocidade de crescimento para manter a qualidade da gestão. Só em crédito, a asset tinha R$ 6,3 bilhões em dezembro de 2019, caiu para R$ 4,2 bilhões em junho de 2020 por causa da pandemia mas subiu a R$ 5,4 bilhões no final daquele ano e, em 2021, cresceu a ponto de fechar o ano com R$15,79 bilhões sob gestão. Hoje esse volume é de R$ 18 bilhões e as operações são intermediadas por instituições ou pelo mercado secundário. Ele avalia que as perspectivas são interessantes porque, embora o cenário de juro alto/ inflação e crescimento baixo sejam negativos para as empresas, no crédito high grade o nível de alavancagem das empresas está no melhor ponto de sua história, os seus passivos estão alongados e elas estão bem posicionadas para enfrentar a conjuntura de juro elevado. Os setores mais alavancados são os que estão em crescimento, como o de saneamento e outros que são mais seguros.
A conclusão, diz Jadoul, é que as empresas que estão no topo da pirâmide de ativos high grade estão aproveitando o cenário para consolidar e crescer com aquisições de outras, menores, e o mercado mais à frente estará mais concentrado. Os grandes perdedores são as médias empresas, que não acessaram o mercado. Este ano já há muito recurso para a renda fixa/crédito e isso comprime os preços. O portfolio reduziu posições nos setores mais críticos e quer os mais defensivos. “Nossas carteiras tiveram prazos alongados entre 2020/2021 porque os spreads estavam muito atrativos, em torno de CDI mais 3% em excelentes emissores. Hoje, com spreads mais saudáveis e razoáveis, em CDI mais 1,5% ou menos no triple A, estamos desmontando o duration para encurta-lo até um ponto mais neutro”, explica.

Na sétima posição entre os principais gestores de renda fixa, o Sicredi explorou em 2021 o seu expertise em gestão de vários segmentos e a capilaridade do seu sistema cooperativo, que envolve 5,5 milhões de associados e 2,2 mil agências distribuídas em mais de 100 cooperativas no País. “A liquidez do sistema é alocada por meio da asset e no ano passado houve um crescimento dessa liquidez mas parte dos recursos foi consumida pelas cooperativas, então o AUM ficou estável”, informa Ricardo Green Sommer, diretor de gestão de recursos de terceiros. “Não perdemos nas demais classes mas crescemos em captação da renda fixa”, diz.
O modelo de gestão é mais tradicional (fundos 555), sem produtos estruturados e com um portfolio amplo de fundos atrelados à Selic/CDI, IPCA prefixado, IMA e outros para diferentes investidores, além de renda fixa mais ativa que busca diferenciais. São R$ 620 milhões em dois fundos prefixados, um deles mais curto e outro mais longo. “A renda fixa aqui não fugiu do que aconteceu no mercado, com a maior demanda do investidor pelos ativos pós e de crédito. Nosso fundo de crédito privado, de risco high grade, dobrou de tamanho e em 2022 a visão continua positiva para essa classe”, avalia Sommer. Apesar disso, ele não vê espaço para uma nova migração tão grande como houve em 2021 porque o crédito não terá mais tanto ganho de marcação. Os fundos designados de crédito respondem por 10% dos ativos sob gestão, além de outras estratégias que também aplicam em crédito.
Os resultados obtidos no ano passado refletiram um movimento de qualificação dos times que já vinha ocorrendo há algum tempo. “Quando a Selic recuou do patamar de 6% para 2% a.a. passamos a oferecer fundos que saíssem das estratégias mais tradicionais, em busca de maior risco a longo prazo, e isso qualificou o time para encontrar diferenciais num horizonte mais longo, principalmente para o público de varejo e outros que não fossem institucionais”, conta.
Além disso, ainda em 2020 a asset abriu o segmento de multimercados no exterior, um fundo macro com estratégias de ações, renda fixa e moedas. Esses movimentos aumentaram a qualificação da equipe e o tamanho do time de research na análise de cenários para definir estratégias em todas as classes. Hoje há 14 pessoas na equipe da asset, dez dos quais envolvidos diretamente com a gestão; ao todo, incluindo controles e gestão, compliance e outras áreas, são 50 profissionais. Em 2022, embora a bola da vez deva ser novamente a renda fixa, a asset pretende crescer também com outros produtos, como o fundo de ações locais ESG que foi lançado no final do ano passado. Em 2021 os fundos de previdência também cresceram na classe de renda fixa e crédito, onde está a maior parte desses portfolios, aproveitando as vantagens da capilaridade da rede, conta Sommer.

por Classes (em pdf)