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Foco faz a diferença
Alguns segmentos de mercado têm características específicas, seja de regulação ou negócios, e atraem a atenção de casas especializadas

Edição 345

A asset do BNP Paribas no Brasil, 8ª maior do ranking e a 2ª maior entre as gestoras estrangeiras, é também a 5ª maior gestora de recursos dos fundos de pensão. Com 120 fundos de pensão em sua carteira, a instituição ganhou alguns mandatos este ano e prevê fazer novas conquistas até o final de 2022. “Apesar de não termos a vantagem das redes de distribuição das casas ligadas aos grandes bancos de varejo, o foco em institucionais continua a nos garantir destaque tanto em gestão quanto em relação aos serviços que prestamos, de modo customizado”, explica Luiz Sorge, head para a América Latina. “Estar acima da 6ª posição na gestão para as fundações é muito importante para nós porque é um objetivo prioritário e temos conseguido ganhar mercado de maneira constante”, afirma.
“O diferencial de serviços customizados é tão mais importante quanto mais complexo for o momento nos mercados”, diz. Em 2021, assim como em 2022, a pressão de diversos fatores – volatilidade elevada no Brasil, com inflação alta e situação fiscal como ponto de atenção, além das incertezas produzidas pela conjuntura geopolítica global -, tornaram fundamental estar muito perto do cliente. A customização vai além da escolha de estratégias. Por terem políticas de investimento muito específicas, os fundos de pensão exigem um sistema parametrizado por investidor para que as entidades não incorram, por exemplo, em riscos regulatórios. “Essa proximidade, assim como a performance e a diversificação – temos fundos “verdes” no ranking Melhores Fundos em todas as categorias – tem sido essencial” diz.
A alta do juro, que levou ao movimento natural de geração de alfa na renda fixa, foi capturada pela gestão e se traduziu na captação positiva dos fundos de crédito em 2021. “Seguimos aproveitando essa tendência mas sempre pensando na preservação de capital a longo prazo, que aliás será a tônica de 2022”, afirma. O ano é de muita volatilidade e olhar apenas o curto prazo pode levar o investidor a perder a perspectiva de preservação a longo prazo.
Gerir os recursos dos fundos de pensão exige uma visão de longo prazo e a compreensão tanto dos seus ativos quanto dos passivos. “Isso se reflete nas políticas de investimento que temos sob gestão. As entidades fechadas de previdência complementar têm se profissionalizado na seleção de gestores e avaliam, nas due diligences, a consistência dos serviços ao longo do tempo, os controles de risco e compliance”, observa.
Nos últimos cinco anos a asset investiu cerca de R$ 10 milhões no aprimoramento dos controles de risco, de alocação e em compliance, o que passou a ser um diferencial percebido pelos investidores e agregou valor à gestão. “Parte desse investimento foi para ficarmos em linha com a regulação e a autorregulação da indústria (CVM) mas também com os reguladores dos fundos de pensão e das entidades abertas (Previc, Susep e CMN), o que nos ajuda a manter o foco”, detalha.
Metade dos R$ 85 bilhões sob gestão na casa são de institucionais, mas há também recursos de distribuição externa (por conta e ordem), wealth management e uma parte de corporate, o que compõe uma diversificação também na oferta. “Somada à performance e aos serviços, essa característica contribui para que possamos manter destaque na indústria”, analisa.

Na 3ª posição entre as estrangeiras e a 6ª em recursos de fundos de pensão, a Western Asset Management avalia o ano passado como um período marcado por erros do mercado, que estimou para baixo a inflação, por frustrações em relação a expectativas de juros futuros e por revisões constantes de cenários, inclusive em relação à atuação do Fed. “Viemos reduzindo cada vez mais a utilização do risco no orçamento, diante da dificuldade para antecipar cenários. Tudo isso afetou também a capacidade do gestor tomar decisões e o processo de seleção de gestores e de estratégias ficou mais lento devido à falta de visibilildade”, observa Marc Forster, head de operações no Brasil.
A gestora ganhou novos mandatos exclusivos e clientes novos em mandatos abertos,mas também perdeu alguns. O saldo foi positivo, contudo, e o total hoje inclui mais de 100 institucionais na carteira. A performance consistente ao longo do tempo é um dos pontos que mais “pegam” na decisão das fundações escolherem um gestor, aponta Forster. “Performance consistente é a nossa razão de viver mas é também o único aspecto que não podemos controlar e em 2021 ela não esteve a nosso favor”, diz.
Em contrapartida, contaram os serviços prestados e a oferta dos produtos certos, com controles de compliance e gestão de risco adequados, até porque a régua regulatória dos fundos de pensão só sobe e as punições são duras. Isso tem contribuído para manter relacionamentos de vinte ou trinta anos com os fundos de pensão (a casa está no País desde 2005 mas havia alguns deles que já eram clientes da empresa anterior). “É uma soma de produtos, serviços, performance, atendimento e análise de cenários. 2021 foi muito intenso nesse sentido e estivemos sempre próximo dos clientes”, conta.
Um dos quesitos mais relevantes foi a transparência das informações prestadas sobre o tamanho do risco assumido e sobre os movimentos feitos pela gestão. “O gestor precisa mostrar ao cliente que não há razão para ele perder a confiança, mostrar que não está perdido nesse cenário”, avalia.
Compreender o comportamento dos ativos em cenário turbulento é essencial. O crédito passou ileso por 2021, sem eventos de default, e deve continuar bastante procurado este ano. Em bolsa, nos mandatos discricionários a casa passou de uma posição sobrealocada em 2021 para o ponto neutro agora. “À medida que a NTN-Bs chegavam aos níveis de compra, alguns outros processos de investimento foram interrompidos, mas entre os fundos de pensão a migração para a renda fixa não foi tão brutal. Eles são investidores de longo prazo e não podem transformar suas carteiras totalmente em CDI”, observa.
Além disso, como grande parte das fundações tem perfis de investimentos e deixa as decisões de alocação nas mãos dos participantes, esse acaba sendo um bom termômetro. Em mandatos mais abrangentes, é possível perceber o movimento dos participantes, mas em outros, nos quais a asset só tem um pedaço do portfolio, não é possível saber. “Começamos a perceber mais essa migração para a renda fixa em 2022. À medida que os participantes se mexerem deve acontecer mais, porém não esperamos mudanças radicais”. A casa discute lançar novos produtos na renda fixa local, em crédito imobiliário e infraestrutura. A equipe cresceu nessa área, trouxe gente nova e promoveu analistas que cobrem infraestrutura.
Os portfolios de exterior foram impactados pelas perdas em renda variável e, para quem tinha exposição cambial, pela variação da moeda. A renda fixa com exposição a juro global também sofreu. “Alguns investidores deixaram sua política de exterior em ponto neutro e fizeram ajustes marginais, por conta da incerteza, mas não houve zeragem. É claro que alguns se machucaram e isso pode levar a perdas de oportunidades futuras”, lembra. De todo modo, os investimentos internacionais não estão no topo das prioridades dos institucionais a curto prazo, até pelo custo de oportunidade. “Localmente, estamos discutindo novos produtos na renda fixa, em ativos de crédito imobiliário e de infraestrutura”, informa.

por Segmentos (em pdf)